terça-feira, 28 de outubro de 2008

Pra começar e o seguinte...

Pra começar é o seguinte:...
É o “seguinte”? Qual é a do “seguinte”?
Pra quê, meu santo Deus, as pessoas insistem em especificar que o que eles vão falar depois é o seguinte.
O “seguinte” serve para enfatizar que o que vem depois é algo importante, mas o uso desgovernado do “seguinte” faz com que eu me perca na importância das coisas.
“É o seguinte:” vem sendo usado em frases como;
O negocio é o seguinte: nós não podemos mas viajar de carro, pois foi assim que morreram nossos pais.
Quando deveriam ser usadas dessa forma;
É o seguinte, rapaziada, não temos Coca nem Fanta, vão querer o que?
Ou não...
Será que eu já estou tão confuso com a importância dos “seguintes”?
* Enfim,o seguinte do “seguinte” do que vem depois, agora, sendo (neste caso) o seguinte: é que tenho algo pra contar desse dia que se passou, que com certeza não foi o meu dia.
A madrugada poderia ter ido bem se minha internet funcionasse, mas como não, passei meus momentos de insonia jogando um game chinês com Willy, meu PC. O game te ilude, e mesmo sabendo disso o vicio é quase inevitável. Foram três longas horas até o final do jogo, três longas horas pra se dar conta que pessoas como eu não pedem vencer aquele jogo. “ Pois bem, azar no jogo é sorte no amor.”. Algum tempo depois descobri que a pessoa que eu pensava estar me dando mole reatou o relacionamento com um ex-namorado. Lá pelas cinco da manhã consegui deitar a orelha quente em travesseiro gelado na casa de praia. Os sonhos são bons, assim como os jogos chineses, mas também te iludem. A manhã estava quente de um calor insuportável, fui para casa curtir meu ventilador, a internet ainda não funcionava. Dormi outra vez. Dessa vez dormi o sono que perdi na madrugada, mais tarde teria que acordar para ir até o shopping visitar a operadora que (não) me fornecia internet. Acordei calmo, escutei musica, tomei banho, me vesti e sai.
O seguinte a isso tudo: Fui assaltado.
- Um sonho azul, vindo do norte ou do sul... - Cantar me fez bem, sempre fez, porem tenho que parar de fazer essas coisas no meio da rua. Acho que esse cara da bicicleta reparou que... - Opa! -
Definitivamente tenho que parar de fazer isso nas ruas.
Você curte rock é? - O cara da bicicleta fez a volta pra perguntar se curto rock? Vou ser assaltado.
Han?
Você curte rock?
Ah, não. Não é minha praia. Sou chegado em um reggae um hip-hop. - Me pareceu uma grande ideia, mentir meu gosto musical... Quem sabe ele desiste que de roubar.
Você é o cara que tirou onda com minha prima? - Eu não sabia nem quem era ele, quanto mais a prima dele.
Eu não sei quem é você, quanto mais a sua prima.
Tem certeza que não é você?
Certeza, vei.
E la se vai o cara de bicicleta. Nossa que alivio.
Ups, la vem o cara da bicicleta outra vez.
Se você tá falando que não é o cara, eu acredito em você.
Que bom, pois não sou o cara.
Se eu pegar esse maluco eu vou matar ele. Eu to armado. - Olha, uma arma.
É, não sou o cara. - Está certo, o cara vai me assaltar, fato. - Esse cara, o que tirou onda com sua prima, é um otário.
É um malandro ai, mas ele vai morrer. - Ups, a arma outra vez.
Pois é.
Você é malandro ou é otário?
Neutro.
Você é o que?
Neutro. Nem malandro nem otário, neutro.
Ah... Se ligue, passe esse celular você tem ai no bolso. - Ainda bem que é da mesma operado que me cortou o prazer de ficar papeando a madrugada toda com os meus amigos na internet.
Aqui.
Tem outro ai?
Não!
Olha que se eu te revistar e achar te meto bala.
Não tenho mesmo.
Tira o chip desse ai. - Chip? Queria eu ter a oportunidade de poder mudar de operadora toda vez que essa me deixasse na mão.
Não tem chip não.
O que é malandro? Tira o chip logo se não te faço um furo. - Pois, não tem chip. Pode começar a furar.
Não tem chip, é serial, cartão... Sei lá. - Assim você, vê. É só tirar a bateria aqui... Pronto, sem chip. - Toma.
Pronto, aconteceu. Adeus meu celular no bolso do marginal.
Ei, fique ai.
Viu.
Bote um real na mão. - Morri, eu não tenho dinheiro.
Tenho só dez centavos.
Ah... Tome. - Quê? Meu celular de volta?
Valeu. - Beleza, agora faço toques de gangue com um marginal. Será que o fato dele ter me devolvido o celular que acabou de me roubar faz ele pensar que agora eu o devo um favor.
Ele se foi. Filha da puta, eu doido pra ganhar um celular novo e ele me devolve essa merda.
Mais na frente uma velha me pergunta;
Você estava sendo assaltado ali.
Era.
Olha, é o seguinte: você tem que ir até a policia e dar queixa.
E dizer o que? Que um marginal pediu pra ver o meu celular e depois devolveu? Deixa queto. - É o seguinte... Eu devo merecer.
Assim começou minha noite, fiz o que tinha que fazer e voltei pra casa. Nada e internet e nada de sono. Não quis jogar com o Willy, fui até a varanda e acendi um cigarro. Eu não fumo, mas tive um dia cheio e precisava forçar uma pressão baixa para dormir logo. Foi vendo o vento tirando a fumaça do cigarro pra dançar que eu vi que já eram quase três horas. Pensei: Então, o que virá depois? Respondi: O seguinte! E o seguinte? O seguinte ninguém sabe.
Haha Irônico.

Arrocha tchê!