segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Quintas. 1° Encontro.

Quintas tinha 13 anos quando acordou numa manhã de quinta-feira achando que seria um ótimo dia. Teria prova de matemática no colégio, mas isso não era um problema, pois passara a noite toda estudando, sentia-se seguro em relação ao teste. Depois da prova, Quintas iria para o shopping com os amigos do colégio, passear, pegar um cineminha, rir um pouco. Já à noite, ele teria uma incrível festa de aniversario pra ir. A menina que ele gosta está fazendo 13 anos e ele comprou o melhor dos presentes pra ela. Quintas virou-se de barriga pra cima e encarou o teto. “– Grande dia.”, pensou e arriscou um sorriso. O interfone da casa começou a tocar. Era o transporte que o levaria pro colégio, e Quintas ainda estava de cueca deitado na cama. Chegou atrasado ao colégio, não tomou banho nem nada. O teste já havia começado quando Quintas entrou na sala de aula. A tranqüilidade e segurança foram substituídas pelo nervosismo e Quintas não conseguiu fazer um bom teste.

- Todas as coisas que não estudei foram exatamente todas as coisas que caíram no teste. – Disse ele a um colega logo depois de ter terminado a prova.

Não havia muito com o que se preocupar agora. Quintas estava triste, mas o dia ainda o prometia alguma diversão. Logo depois que as aulas acabaram, Quintas e seus amigos foram de ônibus para o shopping, desceram três ruas antes do destino e seguiram andando. Quintas não era muito popular entre os amigos, por isso andava sempre um pouco mais atrás da massa que ia conversando e rindo na frente. Ele andava bem mais com as meninas, mas como dessa vez só meninos foram, Quintas ficou pra trás. Os amigos atravessaram a rua, o sinal abriu e Quintas teve que esperar o sinal fechar outra vez para poder passar, mas enquanto isso, dois rapazes, maiores que ele, se aproximaram e o assaltaram. Levaram relógio, carteira e até os tênis, relativamente novos. Quintas não reagiu com rapidez, o sinal abriu e fechou varias vezes e ele ficou lá parado por um bom tempo, nem os amigos notaram sua falta. Quanto os rapazes que o haviam assaltada já estavam longe demais para fazer qualquer mal a Quintas, ele correu. Correu de meias em direção ao shopping. Correu o mais rápido que pode, passou voando pelos seus amigos e uma vez dentro do shopping foi direto aos orelhões ligar pra sua mãe.

- Não sai daí, viu? Mando já alguém ir lhe buscar.

A mãe não pode ir, estava no trabalho. Quintas a esperou por algumas horas no lugar onde ela sempre ia buscá-lo. Já perto das quatro horas, Quintas ouviu uma buzina. Seu irmão veio no lugar de sua mãe para levar Quintas em casa. Quintas correu pro carro e entrou, bateu a porta e chorou. Seu irmão nem ligou o carro outra vez.

- Sabe... Ainda da pra pegar um cineminha e coisa e talz. – Falou seu irmão tentando animá-lo. – Posso te emprestar meu tênis e algum dinheiro pra pipoca e coisas do tipo.

Quintas amava o irmão, às vezes. Outras vezes achava que seu choro o chateava bastante e por isso ele sempre fazia algo legal que fizesse Quintas parar de chorar. Quintas levantou a cabeça e arriscou mais um sorriso. Calçou os sapatos folgados dos irmãos, pegou o dinheiro e foi correndo pro cinema. Lembrou que se esqueceu de agradecer. “-De noite eu faço isso.”, pensou. Encontrou com os colegas na entrada do cinema.

- Quintas, e ai?! A gente já comprou os ingressos, vai lá comprar o seu, a gente guarda seu lugar na sala.

Estavam sendo bem legais como Quintas, talvez pelo lance do assalto, ou talvez por que seus novos tênis eram mineiríssimos. Comprou os ingressos do filme e foi correndo para a sala, tropeçou no folgado tênis de seu irmão e caiu de barriga no chão. Quintas, pela ultima vez, arriscou mais um sorriso. Sentiu uma mão a ajudar a levantar, e ainda sentado agradeceu.

- Brigado.

Ajeitou os óculos e tentou enxergar a pessoa que o ajudara. Pessoa não era! Era um esqueleto, puro osso, sem carne, sem pele, só uma enorme capa preta que lhe cobria quase o corpo todo.

- E ai, Quintas. – Disse a morte. – Quinta às 5, lembra? Ou... Não. Quinta às 5 mesmo.

Em uma das mãos a morte segurava uma enorme foice, com uma lamina que brilhava e na outra uma garrafa de coca-cola um litro que parecia estar bem gelada. Deu um enorme gole na garrafa depois que terminou sua frase para Quintas. O liquido batia em seus osso e depois ia parar no chão, mas mesmo assim ela parecia bem satisfeita.

- Ahrr! – Fez a morte.

Quinta levantou em um pulo só e foi correndo direto pra casa, tomando cuidado para não tropeçar nos tênis do seu irmão mais velho. Levou trinta minutos, mas chegou. Trancou-se no quarto e lá ficou dois dias inteiros. Não foi a festa da menina que gostava naquela quinta-feira, e o melhor dos presentes ficou pra depois. Tudo por que a morte lhe tinha dito: E ai, Quintas.

Arrocha tchê!

"- Garoto bobo!"

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Namorado 2.

Difícil dizer o que era que ele tinha de mais legal. O cabelo, o sexo ou o resto? Não durou muito, nunca dura, mas ele cuidou de mim como se fossemos casados. Morava longe, as vezes me dava uma preguiça ir até a casa dele, mas se a gente quisesse se ver, era assim que tinha que ser. Tinha uns pais liberais. Me apresentou como namorado antes mesmo de termos ficado a primeira vez. Quando perguntei por que, ele disse que estava preparando o terreno. Algum tempo depois, deitados na cama dele e conversando, ele me disse que naquele dia, ele não tinha nem uma intenção comigo. Eu achei que tinha, por isso de em cima dele, por isso a gente ficou, por isso a gente começou a se gostar, por isso a gente namorou. A gente repetia a brincadeira toda vez que queria lembrar como foi engraçado o nosso começo. Ele sempre estava muito longe quando eu ligava, surfando, num bar com os amigos, na casa das tias ou num iate. Quando podia, eu ia até ele, quando não... Fazia pipoca. Ele vinha pouco e isso deixava o nosso relacionamento sempre muito desgastado. Queria apresentá-lo pra minha mãe, mas não o fiz. A gente ainda era muito jovem, ia dar mais problema que qualquer outra coisa. Nunca fomos fofos um para o outro. Sempre fora muito sexo e amizade. Uma vez minha mãe viajou pra Brasília, passar uns quinze dias fora. Achei que dessa vez a gente podia realmente passar um bom tempo juntos. No primeiro dia foi muito legal, vimos filme, convidamos alguns amigos, namoramos, morremos de fazer sexo e no outro dia de manhã, quando acordei, ele não estava mais lá. Fiquei puto. Muitos dizem que foi exagero meu, outros que eu tinha razão, mas eu dei com a peste. Levantei, peguei um ônibus e fui até a casa dele. Já entrei em seu quanto mandando ele ir se fuder. Disse que na primeira oportunidade que a gente teve de acordar juntos ele me abandonou e que provavelmente me abandonaria em todas as outras. Ele nem falou nada. Ainda estava deitado na cama, ficou me olhando com cara de susto. Eu fui embora, não queria mais saber de nada. Passei o dia fora de casa. Voltei a noite ainda puto e fui dormi. Quando acordei de manhã e olhei para o lado, ele estava lá. Estava sem camisa, a porta do quarto estava fechada, as cortinas também. Ele me sorria um sorriso abobalhado, com cara de quem queria me dizer: “Quem é o foda, em?”. Foi assim os outros 13 dias. Passávamos a noite juntos, as vezes dormíamos juntos, e ele sempre fazia a mesma coisa: Chegava de manhã, fechava a porta do quarto, as cortinas, tirava a camisa e deitava ao meu lado. Ficava me esperando acordar. Nunca mais foi só sexo e amizade.

Dois meses depois ele me apresentou uma amiga como sendo namorada dele. Uma brincadeira, é claro. Semanas depois acabou o namoro comigo dizendo estar apaixonado por ela. O que pude fazer? Respeitei, aceitei.

Namoraram quase um ano. Depois ele mudou pra mais longe, outro estado e ela ficou triste. Hoje ele está de volta, eu não sei dela e não há mais sexo, amor ou amizade. Assim é melhor. Deve ser!

Arrocha tchê!

Não que eu sinta saudades de um namorado. Quero ser amado, e saber disso, apenas.

Chrys, obrigado por ser tão legal comigo. =)

Arrocha Tchê. ²

Namorado.

Deu vontade de escrever coisas sobre alguns momentos felizes com meus ex namorados.
Vai um deles aqui.

-

Eu tinha queimado a pipoca. Sempre que fazia isso era por que não estava bem. Se fosse uma garota, ele poderia dizer que eu tava sofrendo com a TPM, mas não dava pra usar essa desculpa. Entrei em parafuso quando vi a cor que as pipocas ficaram. Achei que nada mais iria dar certo dali em diante. Chorei, sem motivo algum. Fiquei triste. Qualquer outra pessoa olharia pra mim e pensaria: “Que retardado!”. Por isso demorei tanto a ligar, mas quando vi que só iria parar de chorar quando ele tivesse por perto, peguei o celular e disquei seu numero. Ele atendeu logo, disse: - Pere ai. Havia barulho onde estava, ele devia estar se afastando pra poder me ouvir melhor. Quando o barulho tornou-se menor pude enfim ouvi-lo dizer: - Oi, amor.

Desabei no choro. Falei pra ele que tinha queimado a pipoca, ele entendeu, me pediu pra ter calma e eu ouvi ele falando pra uns amigos que teria que sair.

- Onde você está? – Me perguntou.

- Em casa, né? Não costumo fazer pipoca na rua.

Ele riu, eu ri. Tenho quase certeza de que fez essa pergunta de propósito por que sabia que eu iria arriscar uma piada infame que nós faria descontrair. Funcionou.

- Você quer que eu vá ai? – Falou em um tom de preocupação.

- Não precisa não, só queria ouvir sua voz.

- Você quer que eu não vá?

- Claro que não.

- Então eu vou.

Desligou! Era lógico que eu queria que ele viesse, precisava dele mais que tudo na vida. Pensei em tomar um banho, mas já havia o feito. Pensei em arrumar a casa, fazer algo pra ele comer, mas minhas pernas não me tiravam do lugar. Não haveria tempo, ele mora perto e sempre está por perto quando preciso. Em menos de quinze minutos estaria aqui ao meu lado. Me joguei no chão, berrei com um aperto enorme no coração. De tanto chorar minha cabeça já estava doendo. Tentei entender o motivo da triste, mas não. Não conseguia se quer pensar em algo coerente. “Tirei ele de uma festa com os amigos pra ele vim me consolar das minhas idiotices”, era o que pensava. Ele devia me odiar, mas não, fazia de tudo a todo momento pra mostrar que me amava. Abriu a porta com a copia da chave que ele ganhou no aniversario de três meses de namoro e foi direto pra cozinha. Me abraçou, me disse que tudo ficaria bem e sentou-se ao meu lado. Passava mais tempo em casa comigo do que na sua própria casa. Passaria bem mais se minha mãe não fosse tão contra o nosso namoro. Preconceituosa de merda. Ela tem melhorado, mas mesmo assim ainda me impede de realizar muitos dos meus sonhos com ele. Nunca almoçamos juntos enquanto ela estava em casa, nunca dormimos juntos em minha cama, exceto no carnaval, quando ela viajou. Me disse que ficaria tudo bem, me beijou a cabeça, me fez um carinho e depois riu da situação em que a pipoca queimada se encontrava. Jogou no lixo, limpou a panela e colocou óleo, manteiga e milho. Estava fazendo pipocas pra nos dois. Foi até o quarto e escolheu outro filme, diferente do que eu ia assistir. Dan in real life. Ele sabe que adoro esse filme, a gente sempre rir muito quando o vê. Colocou no DVD, arrumou o sofá e voltou pra mexer a panela com a pipoca.

- Amor, faz o suco de laranja. Nunca acerto. - Pediu ele com carinho.

- E se eu errar?

- A gente toma fanta.

Ele nem gosta de fanta, prefere coca mesmo. Eu levantei e fui fazer o suco. Só por que era pra ele. Eu espremia as laranjas quando ele me abraçou. Disse que a pipoca tava pronta e me amava muito. Ele tinha essa mania de dizer te amo no meio de frases aleatórias. Quando eu queria fazer isso escrevia em algum lugar onde ele pudesse ler facilmente. Tentou estar sempre lá pra mim. O suco ficou pronto e bom, realmente bom. Do jeitinho que ele gosta. Ele me enrolou num lençol e me levou pro sofá. Vimos o filme, rimos, no beijamos, comemos pipocas e bebemos suco de laranja. Ele foi lá só pra me fazer esquecer que estava triste e pra provar que as coisas podem dar certo mesmo quando a pipoca queima. A gente pensou em casar naquele dia. O namoro acabou três meses depois por que eu sentia ciúmes de um dos amigos dele que era um idiota. Sinto muita falta dele, foi o único namorado que me mandou flores.

Arrocha tchê!