Vai um deles aqui.
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Eu tinha queimado a pipoca. Sempre que fazia isso era por que não estava bem. Se fosse uma garota, ele poderia dizer que eu tava sofrendo com a TPM, mas não dava pra usar essa desculpa. Entrei em parafuso quando vi a cor que as pipocas ficaram. Achei que nada mais iria dar certo dali em diante. Chorei, sem motivo algum. Fiquei triste. Qualquer outra pessoa olharia pra mim e pensaria: “Que retardado!”. Por isso demorei tanto a ligar, mas quando vi que só iria parar de chorar quando ele tivesse por perto, peguei o celular e disquei seu numero. Ele atendeu logo, disse: - Pere ai. Havia barulho onde estava, ele devia estar se afastando pra poder me ouvir melhor. Quando o barulho tornou-se menor pude enfim ouvi-lo dizer: - Oi, amor.
Desabei no choro. Falei pra ele que tinha queimado a pipoca, ele entendeu, me pediu pra ter calma e eu ouvi ele falando pra uns amigos que teria que sair.
- Onde você está? – Me perguntou.
- Em casa, né? Não costumo fazer pipoca na rua.
Ele riu, eu ri. Tenho quase certeza de que fez essa pergunta de propósito por que sabia que eu iria arriscar uma piada infame que nós faria descontrair. Funcionou.
- Você quer que eu vá ai? – Falou em um tom de preocupação.
- Não precisa não, só queria ouvir sua voz.
- Você quer que eu não vá?
- Claro que não.
- Então eu vou.
Desligou! Era lógico que eu queria que ele viesse, precisava dele mais que tudo na vida. Pensei em tomar um banho, mas já havia o feito. Pensei em arrumar a casa, fazer algo pra ele comer, mas minhas pernas não me tiravam do lugar. Não haveria tempo, ele mora perto e sempre está por perto quando preciso. Em menos de quinze minutos estaria aqui ao meu lado. Me joguei no chão, berrei com um aperto enorme no coração. De tanto chorar minha cabeça já estava doendo. Tentei entender o motivo da triste, mas não. Não conseguia se quer pensar em algo coerente. “Tirei ele de uma festa com os amigos pra ele vim me consolar das minhas idiotices”, era o que pensava. Ele devia me odiar, mas não, fazia de tudo a todo momento pra mostrar que me amava. Abriu a porta com a copia da chave que ele ganhou no aniversario de três meses de namoro e foi direto pra cozinha. Me abraçou, me disse que tudo ficaria bem e sentou-se ao meu lado. Passava mais tempo em casa comigo do que na sua própria casa. Passaria bem mais se minha mãe não fosse tão contra o nosso namoro. Preconceituosa de merda. Ela tem melhorado, mas mesmo assim ainda me impede de realizar muitos dos meus sonhos com ele. Nunca almoçamos juntos enquanto ela estava em casa, nunca dormimos juntos em minha cama, exceto no carnaval, quando ela viajou. Me disse que ficaria tudo bem, me beijou a cabeça, me fez um carinho e depois riu da situação em que a pipoca queimada se encontrava. Jogou no lixo, limpou a panela e colocou óleo, manteiga e milho. Estava fazendo pipocas pra nos dois. Foi até o quarto e escolheu outro filme, diferente do que eu ia assistir. Dan in real life. Ele sabe que adoro esse filme, a gente sempre rir muito quando o vê. Colocou no DVD, arrumou o sofá e voltou pra mexer a panela com a pipoca.
- Amor, faz o suco de laranja. Nunca acerto. - Pediu ele com carinho.
- E se eu errar?
- A gente toma fanta.
Ele nem gosta de fanta, prefere coca mesmo. Eu levantei e fui fazer o suco. Só por que era pra ele. Eu espremia as laranjas quando ele me abraçou. Disse que a pipoca tava pronta e me amava muito. Ele tinha essa mania de dizer te amo no meio de frases aleatórias. Quando eu queria fazer isso escrevia em algum lugar onde ele pudesse ler facilmente. Tentou estar sempre lá pra mim. O suco ficou pronto e bom, realmente bom. Do jeitinho que ele gosta. Ele me enrolou num lençol e me levou pro sofá. Vimos o filme, rimos, no beijamos, comemos pipocas e bebemos suco de laranja. Ele foi lá só pra me fazer esquecer que estava triste e pra provar que as coisas podem dar certo mesmo quando a pipoca queima. A gente pensou em casar naquele dia. O namoro acabou três meses depois por que eu sentia ciúmes de um dos amigos dele que era um idiota. Sinto muita falta dele, foi o único namorado que me mandou flores.
Arrocha tchê!
Um comentário:
a parte linda que a gente tira dos namoros né Ravi?! =)
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