sexta-feira, 14 de maio de 2010

Meu Namorado 4;

Era semana santa, meu namorado não morava na mesma cidade que eu. Era chato isso. Eu tentava vê-lo ao menos um dia por mês, dia 12. Dia 12 nós fazíamos meses de namoro. Era difícil trazer ele pra cá, muito. Até por que ele era menos, não tinha uma grande independência, mas enfim... Era semana santa. Minha mãe tinha viajado como sempre e eu combinei de trazê-lo para cá, para que a gente pudesse ficar junto à semana toda. E foi o que fizemos. Era bom! Dormi com ele a semana toda foi muito lindo. Teve esse dia, em específico que foi foda. A gente dormiu... Não, a gente fez sexo primeiro, eu adorava fazer sexo com ele, depois a gente dormiu. Eu tinha planejado acordar primeiro que ele pra poder lhe preparar um café da manhã, mas a noite foi tão intensa que nem consegui. Quando abri os olhos a primeira coisa que vi foram os seus longos cabelos deitados no me travesseiro. Ele estava dormindo tão bonito, mas parecia desconfortável. Tentei virar para o outro lado, o lado da parede, pra poder deixá-lo mais confortável. Quando eu fiz isso, vi a parede cheia de papeizinhos verdes colados, com milhões de coisas escritas neles. Sabe aqueles papeis de bloquinhos de notas, desses que você destaca e cola em algum lugar? Pois é, desses mesmo. Um monte colados na parede. Tinha “Eu te amo”, nossos nomes envolvidos num coração, nossos nomes misturados um no outro, “eu e você, sempre juntos”, coisas bregas do tipo, mas lindas! Eu fiquei emocionado, tanto que acordei ele com beijos, e uma coisa leva a outra. Na mesma semana nos almoçamos juntos com meu pai, no mesmo dia que ele foi embora. Dentro do ônibus, da janela, ele me fez o sinal de “Você e eu, sempre juntos” na linguagem dos surdos mudos. Hoje ele não é mais meu namorado e a gente pouco se fala, mas ainda tenho os papeizinhos verdes guardados, tenho guardado também esse dia na memória e sinto falta do bom sexo.


Ravi Aynore.

Arrocha Tchê.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Namorado 3.

Na verdade ele nunca foi meu namorado, nem é até hoje. Éramos apenas dois amigos, não, isso nós somos hoje. Nós éramos... Conhecidos apenas. Lembro que eu mal podia esperar que chegassem as terças-feiras. Antes dos nossos encontros regulares ele era um alvo impossível pra mim. Uma certa vez assistimos um longo filme de mãos dadas, mas existia outro cara, outro Zé qualquer que ele amava. Por mais que as mãos dadas fossem uma grande conquista pra mim, eu ainda não poderia tocá-lo da maneira que mais queria. Me sentia tão idiota em tê-lo deixado se apaixonar por outro se não eu. Eles mal se viam, mas se gostavam o suficiente para ficarem juntos mesmo que distantes. Patético! Quando tudo acabou e o tempo passou, numa terça dessas como outra qualquer ele me achou. Não sei se ele me procurava antes, se já havia pensado nisso, se era tudo um grande plano, mas ele me achou, por acidente ou não, estávamos os dois lá naquela terça-feira comum. Nesse tempo em que ficamos sem noticias um do outro, eu já tinha namorado e estava namorando um cara há um tempo agradável já. Ele, provavelmente, deve ter feito o mesmo. Conversamos! Falamos sobre a vida, sobre namoro, paixão, amor, tudo mais. Ele até me fez uma massagem que ele tinha aprendido. Era estranho esta deitado na cama dele e não estar com ele, entende? Eu queria mesmo era beijá-lo, mas por respeito a um namorado eu não o fiz. Devia ter feito, acredite! Respeitar meus namoros sempre fora uma idiotice minha ao final das contas. Umas terças depois ele me deu um presente de aniversario, um DVD. Mais uma vez, na rua, não o beijei. O meu namoro acabou. Fiquei uma duas terças sem vê-lo. O interfone tocou, ele subiu até minha casa, abri a porta com um beijo no lugar do “oi”, ele me respondeu com outro beijo mais intenso. Transamos! Naquele dia eu fiz uma coisa que nunca tinha feito antes, fizemos juntos. Na outra terça fomos ao cinema, na outra à casa dele, na outra... No encontramos todas as terças desde então. Ontem, depois que ele gozou, ele quis vestir a roupa e ir embora, como sempre fazia.

- Ei, você não precisa vestir isso agora e ir embora. Você pode ficar o quanto quiser, agente pode até fazer outra vez se quiser, mas você não precisa ir.

Ele deitou-se no meu abraço e ficamos os dois nus olhando o teto, perguntou se eu o amava, eu não respondi.

É louco pensar que só agora você tem uma coisa que tanto desejou no passado.

Se o amo? Sim, todas as terças-feiras.

Eu o chamo de “O Segredo”.

Arrocha tchê!