Era semana santa, meu namorado não morava na mesma cidade que eu. Era chato isso. Eu tentava vê-lo ao menos um dia por mês, dia 12. Dia 12 nós fazíamos meses de namoro. Era difícil trazer ele pra cá, muito. Até por que ele era menos, não tinha uma grande independência, mas enfim... Era semana santa. Minha mãe tinha viajado como sempre e eu combinei de trazê-lo para cá, para que a gente pudesse ficar junto à semana toda. E foi o que fizemos. Era bom! Dormi com ele a semana toda foi muito lindo. Teve esse dia, em específico que foi foda. A gente dormiu... Não, a gente fez sexo primeiro, eu adorava fazer sexo com ele, depois a gente dormiu. Eu tinha planejado acordar primeiro que ele pra poder lhe preparar um café da manhã, mas a noite foi tão intensa que nem consegui. Quando abri os olhos a primeira coisa que vi foram os seus longos cabelos deitados no me travesseiro. Ele estava dormindo tão bonito, mas parecia desconfortável. Tentei virar para o outro lado, o lado da parede, pra poder deixá-lo mais confortável. Quando eu fiz isso, vi a parede cheia de papeizinhos verdes colados, com milhões de coisas escritas neles. Sabe aqueles papeis de bloquinhos de notas, desses que você destaca e cola em algum lugar? Pois é, desses mesmo. Um monte colados na parede. Tinha “Eu te amo”, nossos nomes envolvidos num coração, nossos nomes misturados um no outro, “eu e você, sempre juntos”, coisas bregas do tipo, mas lindas! Eu fiquei emocionado, tanto que acordei ele com beijos, e uma coisa leva a outra. Na mesma semana nos almoçamos juntos com meu pai, no mesmo dia que ele foi embora. Dentro do ônibus, da janela, ele me fez o sinal de “Você e eu, sempre juntos” na linguagem dos surdos mudos. Hoje ele não é mais meu namorado e a gente pouco se fala, mas ainda tenho os papeizinhos verdes guardados, tenho guardado também esse dia na memória e sinto falta do bom sexo.
Ravi Aynore.
Arrocha Tchê.
