Então, acho que é o seguinte: Fazer amigos sempre foi fácil... Não, não fazer amigos, mas conhecer pessoas sempre foi uma coisa simples. Depois que decidi não amarrar mais meus cadarços essa coisa simples se tornou extremamente constante.
Ravi, seu cadarço está desamarrado.
Moço, seu cadarço.
Menino, seu tênis tá desatacado. (?)
Jovem, o teu cadarço... Tá aqui um panfleto da minha igreja.
E eu sempre dizia “brigado”, mas não o amarrava. Engraçado, quando eu estava me sentindo só nesse mundo, simplesmente não “atacava” mais meus cadarços, assim, as pessoas na rua iriam me mostrar que não, eu não estou só nesse mundo. Talvez único de cadarços desamarrados, mas...
Quando decidir tentar explicar as pessoas o significado de uma cadarço solto, elas involuntariamente se aproximavam de mim. Curiosidade, explicou meu consciente.
Sabe o que é, minha senhora?! É que sempre amarro direitinho antes de sair de casa, mas dez passos depois ele já está solto outra vez. Era complicado andar e parar toda hora pra amarrar o cadarço, então, foi bem mais fácil desenvolve uma técnica de não pisa-los.
Explica mais.
E assim a coisa seguiu, posso dizer que depois que comecei a andar de cadarços desamarrados meus contatos em orkut, e msn cresceram 10%. Porem, na minha vida, nada mudou.
O que é realmente complicado pra mim entender são as placas de transito em nossas vidas, principalmente na minha. ( E é claro essa minha incrível habilidade de mudar de assunto.) As vezes penso que, como cartas de baralho, as placas de transito tem uma certa semelhança com a vida humana. Em um surto de egocentricidade tive a a impressão de ser, para as pessoas que me rodeiam , uma placa “PARE”. Como se fosse obrigatório parar na minha. E o que as pessoas eram pra mim? Não poderia ser mais triste. Um “Siga em frente”, um sinal verde ou amarelo, uma faixa de pedestre, um “Proibido estacionar”. Como se eu não pudesse parar na de alguem jamais. A vida segue, eu sei, mas eu não quero viver pra sempre de passagem, mas como saber onde estacionar com segurança? Sei que cada vez que o faço, e o faço sempre, acabo levando uma multa. Só espero que esse teu nariz vermelho seja pra mim um sinal, uma parada obrigatória e longa.
Vermelho também era o dragão do SESI bonecos, que entra ai pro hall dos trabalhos dignos do Ravi, somando 6 (seis) fantasias estranhas pra ganhar pouco dinheiro. O melhor de ser o dragão, a cabeça dele, era que pela primeira vez eu não estava sozinho, dessa e eu tinha alguem pra dividir as emoções comigo. Tínhamos também um corpo de umas 30 (trinta) pessoas e mais um rabo, que eu não tinha muito contato. Fazíamos o possível, e era bonito, mas sabe quando foi que vi quer eramos um dragão de verdade? Quando já não havia mais um trabalho e sim uma mobilização para protesto . Ali vi que eramos um só personagem, feito de muitas pessoas, brigando somente por uma coisa: Respeito!
Sozinho eu não faria nada, me irritaria, chutaria algumas pedras e só, mais junto o dragão cuspiu fogo pra garantir seus direitos. Não quero levar qualquer credito nessa historia, mas sei que alguns dos meus gritos fizeram acender um fogo no coração daquelas pessoas. É por isso que grito, e vou gritar toda vez que alguem mexer com as pessoas que erguem qualquer coisa comigo, sou assim.
O golfinho é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo.
Mas isso não muda nada.
Eu te amo... Não muda nada.
Eu escrevo... Nada muda.
Muda, muda... não muda.
Arrocha tchÊ!
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Um comentário:
o fato de nada mudar num universo cheio de inconstantes já é uma grande mudança.
se eu usasse tênis com frequência eu seria uma placa de pare, andaria com cadarço solto que nem você, acho legal as conversas intrisecas que você vai ter com pessoas que nem vai mais lembrar de você no dia seguinte, como se você fosse realmente uma placa de trânsito.
-olha só! não é a placa de "pare"?
-não, essa é a de "siga em frente"
-"sigir em frente" é melhor do que "parar"?
-nem sempre
viu? também puxo assuntos do nada, sou um ser do nada, polidimensional e sem trabalhos dignos.
-até logo o/~
auhshuauhsha
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