domingo, 14 de dezembro de 2008

Eve.

Cinco é um bom numero, e é o numero dessa nova velha maneira de dizer "Te Amo!"




Era quase natal e era um dia muito feliz pra mim, mas um dia complicado pra nos dois.
Você estava se mudando para meu apartamento, pois sua irmã, com quem morava estava e separando. Eu não podia conter minha felicidade de recebe-lo em minha casa, mas não havia como desfaçar a minha preocupação em como aquilo afetaria você. Ultimamente andava queto, falando pouco, isso me dava uma vontade louca de gritar contigo, mas nessas horas eu escolhia te abraçar forte por longas e intermináveis horas. Era feliz e complicado, e era também quase natal. Nossas famílias mal sabiam da gente, de nós pra ser mais exato, que confusão causaria essa sua mudança, mas nos não vimos outro jeito melhor. Para mim era obrigação estar perto de ti o tempo todo nas horas difíceis, para você era confortável me ter do lado quando precisasse chorar.
A mudança ocorreu bem, a única coisa que deu trabalho carregar foi aquele maldito sofá empoeirado que você tanto gostava, mas que preencheu perfeitamente um buraco que tinha entre a TV e um jarro de flores na minha sala. Assim foi sua chega ao meu lar, lentamente preenchendo espaços que faltavam nos cômodos, nas pratilheiras, no meu coração, na minha vida. Abrimos um refrigerante gelado e fizemos pipoca para comemorar o fim da mudança, rimos um pouco pra distrair das coisas tristes.


- Espera, tenho uma coisa pra lhe dar.
- O que?
- Isso, toma.
- Uma chave?
- A chave do apartamento, bobão. Agora que mora aqui, vai precisar tando dela quanto eu. Fiz uma copia quando soube que viria para cá.
- Olha só, muito obrigado.
- Brigado você.


Brindamos a sua nova conquista.


- Hum... Foi até bom você me dar essa chave, acho que vou precisar dela hoje mesmo. Vou a uma festa, posso chegar tarde, não queria te acordar.
- Festa é? Pois saiba o senhor, que eu também irei a uma festa e posso chegar tarde.
- Qual festa?
- Festa do meu primo, Flávio.
- Flávio? Flávio é seu primo.
- É!?! Por quê?
- Vou na festa de um Flávio hoje, amigo de cursinho, será que é o mesmo Flávio?
- Não sei. Será? Flávio, Flávio? Flávio Andrade, meio baixinho, narigudo, gosta de basquete e talz?
- É esse mesmo, é o mesmo. Ele é seu primo?
- Não já disse que é? É! Acho que vamos a mesma festa.
...
Que foi? Que cara é essa, não gostou da noticia?
- Não é isso, é que todos os meus amigos vão estar lá.
- Minha família vai estar lá.
- Então...


Durante alguns segundos vi você quieto e calado outra vez.


- Sei que tudo isso parece muito bom, mas posso te pedir uma coisa.
- Diz.
- Descrição... É que, como essa mudança não foi planejada e ninguém de nada sabe sobre a gente, então eu gostaria que a gente fosse o mais discreto possível, para não despertar rumores em nossas famílias.
- Tudo bem, você está certo.
- Se achar melhor nem vou pra festa.
- Não, que isso. Vamos os dois, separados, e vamos nos cumprimentar como simples conhecidos. Minha família não sabe que alguem veio morar comigo, seus amigos não sabem que você teve que se mudar. Mais na frente a gente pode dizer que nos conhecemos melhor naquela festa e que você precisava de um lugar pra morar, e eu de alguem pra dividir o aluguel...
- Não vai ficar muito na cara?
- As más linguás vão falar, mas que falem, elas sempre falaram mesmo.
- É verdade.
- Pois então, vamos. E faremos assim, se alguem perguntar qualquer coisa, teremos tempo de combinar respostas em nossa casa.


Você sorriu quase convencido, mas mesmo assim via em você uma certa desconfiança.


- Eu tomo banho primeiro, você põe a musica!


Fizemos tudo como combinamos, tomei meu banho primeiro e me vesti enquanto você tomava o seu. Quando você saiu do banho eu já estava saindo de casa, só deu tempo de te dar um beijo e partir. Fui a casa da minha vó antes de ir a festa, passei lá pra saber se alguem queria carona ( Alguem sempre quer). No carro, a caminho da festa, fiquei repassando mentalmente as coisas que tínhamos acertado; ' Falar com ele normalmente, como se fosse alguem que eu conhecesse pouco. Em determinado momento, quando estivéssemos mais “íntimos”, mencionar que moro sozinho em um apartamento alugado e que estava precisando de alguem pra dividir o aluguel.' Achava tudo aquilo uma tolice, mas se assim achava que seria melhor para nos dois, então que assim fosse.
Cheguei na festa cedo junto com os familiares, falei com o Flávio e com algumas amigas dele que já haviam chegado, depois sentei com outros dos meus primos e ficamos a jogar conversa fora. Quase uma hora depois você chegou acompanhado de uma amiga sua. Como estava lindo, era como estar te olhando pela primeira vez, e como na primeira vez estar me apaixonando por você. Enquanto entrava na festa você me lançou um olhar tranqüilo e um sorriso, te acompanhei com os olhos e cabeça até não poder mais vê-lo sem ter que virar também o corpo.


- Linda não é? - Perguntou um dos meus primos.
- Oi?
- A menina que entrou com o outro ai, a amiga de Flávio. Linda, não é?


Pensei em dizer que estava distraído demais pra prestar atenção, mas...


- Perfeito! Pra mim não havia como ser melhor. - Disse.
- Perfeita mesmo.


Primos surdos, daqueles que só escutam o que querem. Que sorte a minha.


A festa rolou bem, comemos, bebemos e depois cantamos parabéns, depois disso achei um bom momento pra falar com você, mas não fiz assim de supetão, fui até mesa onde você estava sentado junto com Flávio e seus amigos, me apresentei, enturmei e comecei a inventar alguns assuntos que, pra mim, pareceriam interessantes para todos. Logo era eu o centro das atenções da mesa, suas amigas me olhavam admiradas e riam, você também ria. Ah... Como era bom dividir momentos de risada com você. Era a primeira vez que saiamos juntos, apesar de separados, para uma coisa assim tão social. Depois de muita conversa, falei sobre minha situação com o apartamento, você me interrogou sobre o assunto, pareceu bastante interessado, o que despertara uma curiosidade em suas amizades.


- E pra que tantas perguntas? - Indagou alguma de suas amigas.
- Lá em casa tá um problema, minha irmã não está muito bem com o casamento e se ela se separar, eu vou ter que procurar outro lugar pra morar.
- Pega meu telefone, qualquer coisa é só ligar.


Você anotou como se já não o tivesse decorado.


-Ravi?
- É. Erri ah vê í.


Tão bom ator.


- ____ morando com o Ravi, ia ser festa todo dia. - Disse Flávio


Todos na mesa riram, inclusive eu e você. Uma das meninas escutou uma musica que gostava vindo do salão, disse: - Vamos lá. - e todos se levantaram e foram. No salão ficamos dançando aquelas musicas agitadas que sempre tocam em festa, todo mundo sempre muito animado, mas você não. Fiquei imaginado que falar sobre o assunto da separação teria deixado você um pouco triste, senti vontade de ir lá e mais uma vez te abraçar, mas constantemente me lembrava da descrição que havia me pedido. A musica agitada, que a tal menina gostava, foi substituída por uma outra lenta e romântica. Não me lembro muito bem, mas acho que era uma versão de Smile, cantada por Justin Timberlake (Nunca tinha ouvido antes). Logo todos se juntaram em pares e começaram a dançar abraçadinhos. Senti um aperto no coração, haviam em pé, parados, sem par, apenas duas pessoas, eu e você. Vi outra vez seu rosto triste e me segurei para não correr e te abraçar. As pessoas agora não só dançavam juntas, como também estavam se beijando. Pudera, não haveria situação melhor para tal coisa. Fui sentar, mas antes que pudesse dar sete passos contados alguem segurou meu braço, me girou, pôs os braços em volta do meu pescoço e me abraçou. Você estava tão frágil em meus braços que tive medo de aperta-lo muito forte, mas pressionei teu corpo contra o meu, e assim deu pra sentir nossos corações batendo rapidamente, mas em sintonia. Era assim sempre que nos abracávamos. Devagar e com cautela nos começamos a balançar no ritmo da musica, sua cabeça em meus ombros, meus braços entrelaçados em suas costas. Era complicado, mas era feliz e era também quase natal.
Muitos do salão não viram nossa cena, os que viram riram, achando que era mais uma de minhas brincadeiras. Ficamos abraçados e dançando até o final da musica. Não houve beijo, nem palavras de afeto, mas naquele abraço eu pude, repetidamente te ouvi dizer o que você estava sentindo, que era também o que eu sentia; - ... ...!


Fomos pra casa depois de um tempo, ao contrario do que pensávamos, não demoramos a voltar e nem saímos separados. Já na porta do prédio você disse palavra que nunca esqueci: - Deixa que eu abro a porta. - Eu só sorri. Dentro do apartamento agarrei teu braço, te girei, e coloquei meus braços envolta do seu pescoço, você sorriu e colocou suas mãos em minha cintura, mais uma fez ficamos nos balançando ao ritmo de uma musica imaginaria. Era feliz, era simples e era também natal, meu presete já havia ganhado.


- Eu te amo!
- Eu sei! - Você disse e sussurrou no meu ouvido. - Eu te amo!
- Eu sei. - Eu disse.


Fim!


“ Espero por você, por você eu espero.” é erri oh! êni. (L)


Arrocha Tchê!

2 comentários:

Jonta disse...

a janela ta aberta, pode entrar, pode morar. =)

Anônimo disse...

ADOREI O CONTO. SHOW DE BOLA