Foi assim: Esse ano ainda, acho que inicio dele, eu estava voltando de um trabalho no interior e o carro me deixou próximo a casa de Jéssica, minha amiga. Como não havia absolutamente nada pra fazer em casa, porquê não passar e ver uma amiga querida? Bom, caminhando até a casa de Jéssica vi na minha frente um garoto fardado, calça djins e havaianas, achei estranho um colégio como o dele permitir o uso de havaianas, mas... Ele caminhou na minha frente todo o percurso, e em mim nascia uma pequena curiosidade. Na verdade verdadeira só queria ver o seu rosto, só pra saber se era bonito ou não. Apressei o passo pra chegar mais perto, mas ele nada de olhar pra traz, então eu pigarreei e só assim ele olhou. Ahhhhh, ele era lindo, tinha um nariz estranho, mas na época eu estava namorando com o Vih, que é que eu tinha a falar sobre narizes? Bom, no seu rosto só o nariz era estranho. Pigarreei uma três vezes durante o percurso que fizemos e todas as vezes que o fiz ele olhava pra traz, cada vez com um expressão mais nervosa. Meu medo era chegar na casa de Jéssica e não poder mais ver aquele menino de nariz estranho, mas quando eu pensei isso, já estava a porta da casa dela. Dessa vez eu bocejei, ele olhou, eu disse tchau, ele me fez a sutil pergunta:
- É viado é?
Eu sutilmente lhe respondi: - As vezes.
Ele fez cara de banana e saiu resmungando, eu rir internamente. Fiquei ali, a porta da casa de Jéssica, paralisado, não sei porque.
Ele voltou com mais arrogância. - E é viado mesmo é?
Eu só fiz que sim com a cabeça e sorri. Das duas uma ou ele me dava murros ou ponta-pés.
- Serio? - Perguntou ele mais calmo.
“Que bichinha!” - Pensei.
Disse que sim outra vez e ele me chamou pra tomar um sorvete na Casquita. Acho que foi um pouco de sorte minha Jéssica morar tão perto de uma sorveteria. Bom, fomos ao sorvete, ele me fez um breve resumo de sua vida complicada, eu consegui contar 10 mentiras em menos de um minuto, ta ai um dos bons motivos pelos quais adoro conhecer gente nova.
- Ah, um vez gostei de um garoto, mas nunca deu certo, minha namorada descobriu e ameaçou contar pra todo mundo. - Ele falava pouco e com rapidez, mas eu não conseguia acompanhar, na minha cabeça eu pensava: “ Vitor, Vinícius. Eu não vou ter problema com esses dois nomes?”
Saindo da sorveteria a caminho de casa, ele da dele, eu da de Jéssica, eu achava que nunca na vida tinha falado tão pouco, e acho que ele nunca falara tanto. É como se esperasse o amigo gay pra desabafar as magoas. Amigo? Talvez apenas pelo desejo do meu namorado na época. Passamos pela casa de Jéssica e ele perguntou inocentemente: Você não vai ficar aqui?
Eu não.
E mora onde?
Mais ali na frente. E você?
Nessa rua aqui.
Te deixo em casa.
É claro que ele me convidou pra entrar, e me ofereceu agua, eu queria Fanta, mas...
Eu disse: “Tchau” e ele deve ter entendido: “Me beije!”
E como se o mundo dependesse de todos obedecerem minhas ordens, ele me beijou, e eu beije de volta, é claro. Evitei o nariz pra não me machucar, então correu tudo bem. Ele me encostou na parede e me amassou contra ela. Depois desse beijo tão sexual eu me despedi, disse: Tchau, Vih.
E que sacada fila da puta essa a minha, eu realmente merecia um murro ou alguns ponta-pés. Ele me pediu o numero, disse que ligaria, eu dei.
995415**.
No outro dia ele me chamou pra ir na casa dele, eu iria ver o outro, mas ele passava mais tempo me ignorando ou falando tanto de um cara que me odiava do que me amassando contra a parede, então fui ver o Vitor. Sem nem um arrodeio eu fui entrando, ele me beijando me jogando no sofá... E (que pena) nós só não fizemos sexo. Lá pelas tantas, enquanto trocávamos beijos no sofá, eis que suje sua irmã mais velha, garota que eu me esqueci o nome, e nos pega com a boca na botija, ou melhor, boca na boca. A cara dela revelava os acontecimentos seguintes, choro, gritos, abraços....
Se agarrar no sofá da sala, que ideia mais marota, digo, ridícula!
O silencio de quase 10 segundos que pareceram 10 dias escutando o Padre Carvalho falando sobre pelos pubianos, foi interrompido com a frase mais clichê de todos os tempos: Eu posso explicar.
Tenta. - Ela disse. Parecia até que tinha ensaiado. Os olhos já todos cheios de lagrimas.
“Pois é, tenta.” - Pensei eu sem saber onde me esconder. As palavras “Sobrou pra mim” também passaram pela minha cabeça.
O Ravi é... era... meu namorado!
Quê?
"é, Quê?"
Calma deixa eu explicar. - Geralmente a gente repete essa frase clichê quando tá tentando terminar a desculpa.
Eu fiquei calado, na minha, de problemas já tinha o outro lá.
Olha, eu sei que você é minha irmã, e que a gente costuma contar essas coisas um para outro, mas isso eu nunca soube como te dizer.
Isso de você ser gay?
Gente, o dialogo deles estava tão apetitoso, para mim era como um jogo de tênis, mas eu estava com tanto medo ao mesmo tempo.
Olha, irmã. É serio, desculpe. eu...
Olha, eu e o Ravi acabamos de acabar um namoro de 4 meses...
“ Quê? Eu te conheci ontem, amigo.”
... E esse que você viu, foi nosso ultimo beijo.
A não, vocês não tem noção, o fiu da peste tava até quase chorando. Que ódio tava me dando, a atuação dele era tão boa que eu começa a ficar triste pelo fim do nosso namoro.
Porra Junior... - Acho que o nome do pai dele também era Vitor. - E você traz ele aqui pra casa, pra ficar se esfregando no sofá, no sofá que eu costumo deitar.
Ele foi lá, abraçou ela e ela começou a chorar no ombro dele. Que canalha, mais canalha ainda porque quando eu me dei conta ele também tava se acabando de chorar, até soluçava. Meu deu tanta vontade de rir que eu até deixei escapar uma risadinha tímida. Isso chamou atenção dela, e lá vem ela em minha direção, pensei: é o meu fim. Ela ajoelhou-se, pôs as mãos nos meus joelhos e me fez um cafuné.
Eu sei como é. É complicado, mas não fica assim não, essas coisas acontecem...
Alguem tinha que fazer ela parar, ela estava me olhando nos olhos, com imensas poças d´agua no rosto e tentando me consolar. Eu ia rir, estava me segurando para não gargalhar na frente dela, mas eu não estava conseguindo, o riso ia sair, estava saindo, vai sair... Meus olhos enxeram de lagrimas e eu comecei a chorar desesperado. Fiquei tão nervoso que acabei entrando na trama. Baixei a cabeça e chorei litros.
Viu o que você fez, Junior? Não liga não, menino. Você vai arranjar alguem melhor pra você, isso ai é um cafajeste que não sabe lhe dar com os sentimentos alheios.
Ela estava chingando o irmão, pra ver se mostrava pra mim que o fim do nosso namoro não era o fim do mundo. Como se as palavras dela fossem diminuir o meu amor por ele. Quê? Auhauhauhahahaua. Aquele filho da putinha! E sabe o que é mais estranho? Ela se levanta e diz: Eu vou sair pra que vocês possam se despedir melhor.
Como assim? Uahauhauhauhauhauhaa
E ela saiu mesmo, ainda me deu um abraço e disse que era pra eu não cair na conversa de qualquer um, que eu era muito bonito pra ficar sofrendo assim. E eu não conseguia parar de chorar. Ela saiu, ele olhou pra minha cara e rio, com a expressão mais sínica que uma pessoa pode ter. Bom, nessa hora eu rir tudo que tinha pra rir, e ele me chamou de Carlos Daniel. Hunn. Porquê será?
Lembrei disso porque encontrei com a irmã dele no terreiro hoje. E ela, como faz sempre que me vê, me deu um abraço super forte.
Encontrei esses dias também com o Danilo, e eu o segui até certo ponto, depois voltei.
=.
Sinto falta de você aqui, menino. Quero ser seu namorado logo e pra sempre e logo e pra sempre e logo...
Arrocha TchÊ!
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Um comentário:
eu li tudo, minha conclusão foi uma súbita pena pela irmã dele, ela entrou no teatro invisivel de vocês dois e ainda não saiu dele.
pobre coitada.
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