Difícil dizer o que era que ele tinha de mais legal. O cabelo, o sexo ou o resto? Não durou muito, nunca dura, mas ele cuidou de mim como se fossemos casados. Morava longe, as vezes me dava uma preguiça ir até a casa dele, mas se a gente quisesse se ver, era assim que tinha que ser. Tinha uns pais liberais. Me apresentou como namorado antes mesmo de termos ficado a primeira vez. Quando perguntei por que, ele disse que estava preparando o terreno. Algum tempo depois, deitados na cama dele e conversando, ele me disse que naquele dia, ele não tinha nem uma intenção comigo. Eu achei que tinha, por isso de em cima dele, por isso a gente ficou, por isso a gente começou a se gostar, por isso a gente namorou. A gente repetia a brincadeira toda vez que queria lembrar como foi engraçado o nosso começo. Ele sempre estava muito longe quando eu ligava, surfando, num bar com os amigos, na casa das tias ou num iate. Quando podia, eu ia até ele, quando não... Fazia pipoca. Ele vinha pouco e isso deixava o nosso relacionamento sempre muito desgastado. Queria apresentá-lo pra minha mãe, mas não o fiz. A gente ainda era muito jovem, ia dar mais problema que qualquer outra coisa. Nunca fomos fofos um para o outro. Sempre fora muito sexo e amizade. Uma vez minha mãe viajou pra Brasília, passar uns quinze dias fora. Achei que dessa vez a gente podia realmente passar um bom tempo juntos. No primeiro dia foi muito legal, vimos filme, convidamos alguns amigos, namoramos, morremos de fazer sexo e no outro dia de manhã, quando acordei, ele não estava mais lá. Fiquei puto. Muitos dizem que foi exagero meu, outros que eu tinha razão, mas eu dei com a peste. Levantei, peguei um ônibus e fui até a casa dele. Já entrei em seu quanto mandando ele ir se fuder. Disse que na primeira oportunidade que a gente teve de acordar juntos ele me abandonou e que provavelmente me abandonaria em todas as outras. Ele nem falou nada. Ainda estava deitado na cama, ficou me olhando com cara de susto. Eu fui embora, não queria mais saber de nada. Passei o dia fora de casa. Voltei a noite ainda puto e fui dormi. Quando acordei de manhã e olhei para o lado, ele estava lá. Estava sem camisa, a porta do quarto estava fechada, as cortinas também. Ele me sorria um sorriso abobalhado, com cara de quem queria me dizer: “Quem é o foda, em?”. Foi assim os outros 13 dias. Passávamos a noite juntos, as vezes dormíamos juntos, e ele sempre fazia a mesma coisa: Chegava de manhã, fechava a porta do quarto, as cortinas, tirava a camisa e deitava ao meu lado. Ficava me esperando acordar. Nunca mais foi só sexo e amizade.
Dois meses depois ele me apresentou uma amiga como sendo namorada dele. Uma brincadeira, é claro. Semanas depois acabou o namoro comigo dizendo estar apaixonado por ela. O que pude fazer? Respeitei, aceitei.
Namoraram quase um ano. Depois ele mudou pra mais longe, outro estado e ela ficou triste. Hoje ele está de volta, eu não sei dela e não há mais sexo, amor ou amizade. Assim é melhor. Deve ser!
Não que eu sinta saudades de um namorado. Quero ser amado, e saber disso, apenas.
Chrys, obrigado por ser tão legal comigo. =)
Arrocha Tchê. ²
Um comentário:
Não tem que me agradecer nada! Tinha que ter visto o tamanho do meu sorriso quando li isso! =DDD
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