Eu tenho essas fraquezas sabe? Como escutar Damien Rice e ficar deprimido, como colocar a trilha de Once pra tocar e fingir que estou no meio da rua gritando algo bonito que não fui eu que escrevi. Tenho essas fraquezas por comida, por filmes e por pessoas. Tenho que lembrar que a trilha de Once é uma das coisas mais lindas que já ouvi na minha vida, e se tocada na altura certa, com certeza vai me fazer chorar. E olha pra mim falando que choro. Acho que não tenho mais medo de que possa me queimar muito nesse blog. Talvez, certa vez, tivesse esse medo por que achava que uma hora ou outra, alguém apareceria e iria ler todas essas coisas. Sei que Dandolo não as lê mais, e que só as leu uma vez por curiosidade, nunca mais o fez. Um ladrãozinho meia boca talvez passava o olho aqui as vezes, mas nem ele mais. Um diretor de teatro, uma bichinha do sul... Não não. A única pessoa que lia isso aqui era Mateus, mas ele não o faz mais. Vê, Mateus está namorando. O que é bom pra ele. Se ele pensou em me contar eu não sei, mas certamente deve ter pensando em comentar e ficou com receio de que eu reclamasse a alma. Não sou contra o namoro, acho bonito, mas puta que o pariu, as pessoas ficam muito babacas quando estão namorando. Hoje meu melhor amigo ligou pra mim e eu meio que neguei sair com ele. Me senti meio mal por isso, mas não gosto de ser o cara “quando tiver um tempo livre vou te ver”. Enfim, desejo felicidade as pessoas. E eu, bom, eu só queria me divertir um pouco. Sair no dia das bruxas, fumar uma maconha, ver uns espíritos. Não vai acontecer. Certo! Dai eu estou começando a fazer tudo outra vez. Sair com pessoas mais novas, dessas porras loucas que sabem se divertir. O que vai ser da minha vida quando eu fizer 30? Eu tenho que parar de fazer isso. Mas ai se eu paro, certas coisas também param de acontecer, e, Deus, eu gosto quando algumas dessas coisas acontecem. Vai que eu conheci esse cara, esse guri, essa criatura enorme da qual não consegui tirar o olho desde que chegue na peste da festa. Primeiro que ele tinha um sorriso lindo, me lembrava um amigo que mora longe e me lembrou também uma amiga que mora perto, mas que nem sempre eu consigo ver. E agora eu estou com medo que ele acabe lendo isso aqui. Merda! Enfim, ele ficou me olhando também. E eu não notei isso, por que eu achei durante dois segundos que ele era meio vesgo, mas não era, na verdade tem olhos lindos... O que é que eu estou falando. Droga! Enfim... Olhos lindos sim. As vezes eu achava que ele estava olhando pra qualquer outro lugar e o que eu estava vendo era o reflexo do óculos, e por fim, logico que achei que ele ficava me olhando por que achava estranho o fato de eu não consegui parar de olhar pra ele, mas PUA QUE PARIU, ele era muito parecido com Luth. Enfim... Por que estou escrevendo essas coisas? Sabe, quando eu tinha uns 19, (e quando eu tinha 19 eu já me achava muito mais velho, imagine agora), eu vi esse filme: The girl in the wonderland. Ou alguma coisa assim. Essa guria, do filme, tinha Tourette, e ela não conseguia conter alguns impulsos. O que era massa, por que ela fazia e falava coisas extraordinárias. Eu pesquisei sobre a síndrome e me bati com a mais sensacional ainda: Aspergr. Que é um Tourette HARDCORE. Quem tem Asperger geralmente, no inicio, não consegue controlar os estímulos e acaba falando as primeiras coisas que veem na cabeça. Depois fica muito pior, mas no começo me pareceu uma coisa bastante fascinante. Passei uma semana inteira fingindo ter Asperger e Tourette falando as coisas que vinham na minha cabeça sem se quer hesitar por um segundo. Ganhei muitos inimigos, nem um amigo, e umas broncas da minha mãe, mas me senti tão bem falando o que pensava. Logico que, como toda brincadeira, a coisa toda ficou chata, mas hoje ainda falo o que penso, mesmo sabendo que me fodo muito por causa disso. Como da vez que disse que amava John Lennon. (risos) Eu me divirto com isso. Você tem uma foto de uma pessoa que você tem uma queda na porta do seu guarda roupa? Não? Eu tenho! Na verdade eu tenho muitas fotos na porta do meu guarda roupa. E tem essa foto, de um cara que é bem parecido com o rapaz, guri, criatura que eu conheci no sábado. FATE é uma coisa engraçada. Enfim. Eu falei muita coisa estupida, e ele continuava olhando pra mim. Era manhã já e tava todo mundo melado de tinta. Eu tinha esquecido como um beijo pode ser massa. Fico feliz de ter descoberto isso outras vez. O resto e papo furado de taxista. Só achei que foi legal e importante de certa forma. Significa que estou vivo e muitoo, bastante fodido, mas tudo vai ficar bem desde que eu possa usar a desculpa de que tenho Tourette ou Asperger.
Ravi Aynore.
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