quarta-feira, 2 de maio de 2012

Lais Carolina, Dandolo Santos e qualquer coisa que me faça voltar a escrever.


Eis o que acho sobre o tal “Beijão”. Quando era mais moleque eu simpatizava bastante com as causas homossexuais, como parada gay, passeatas e outros eventos GLS, mas depois de um tempo eu comecei a notar umas coisas estranhas nas percepções das pessoas. Alguns chamaram de vitória o fato dos eventos serem melhores aceitos pela sociedade, eu chamo de adaptação. Hoje vejo a parada gay como um freakshow pra hetero assistir. Não considero isso vitória alguma. E ainda tem gente que me usa o argumento de que é um dia em que você pode ser quem você é sem ser julgado. Olha só. Eu posso ser, e sou, quem eu sou e quero ser todos os dias, e se alguém me julga por isso não é problema meu. Tenho o direito de ser e querer qualquer coisa da minha vida todos os dias e todas as horas desse ano, desse mundo, dessa vida. Por isso tenho um serio problema em acreditar que procuramos igualdade e respeito. O tal do beijo coletivo é uma ótima iniciativa em minha opinião, não pela eficácia do ato, que não vejo nem uma, mas pela comoção pública, no sentido de existirem pessoas dispostas a movimentar mentes e ideias. Mas o ato em si, não me faz crer em bons resultados. Quando você faz algo que queira chocar a massa ou o publico, você se distancia deles, por que o que choca é o diferente e eu não entendo como se pede igualdade mostrando-se diferença. Minha solução? Eu sempre acho que a solução é educação. E não acho que educar seja empurrar conteúdo goela a baixo, ao menos não a melhor maneira. Se eu fosse expulso de um bar por estar demonstrando afetos ao meu parceiro eu iria argumentar. Claro que não iria adiantar de nada. Meu dinheiro da entrada de volta e pronto, um outro lugar pra ir. No final de semana seguinte, eu iria para o mesmo lugar, com o mesmo parceiro, fazer as mesmas coisas. Respeitando os limites de cada um, é claro. Mais uma vez expulsos, mais uma vez tentando argumentar e nada, mais uma vez na rua e em outro lugar. No final de semana seguinte mais uma vez, estaríamos no mesmo bar, fazendo as mesmas coisas, até que os proprietários entendessem que o fato de eu estar ali, trocando caricias com o meu parceiro não lhes representava ameaça alguma, ou as pessoas ao redor. Tendo dito isso, voltamos ao tal beijo coletivo. Os donos do bar estão errados, correto! Rola uma comoção intelectual numa rede social hipócrita, acontece o beijão e outras pequenas explosões de caráter duvidoso de pessoas cujo o juízo foi posto em lugares errados. O que temos de resultado? Na melhor das hipóteses os donos do bar com medo do que os gays podem fazer. Então queríamos ser respeitados e acabamos sendo temidos. Pra mim são duas coisas completamente diferentes. Acho que essa postura agressiva deve ser tomada com outras coisas maiores, como corrupção e mesmo assim não sou a favor do quebra quebra,  sou a favor do voto não dado e da comoção para a conscientização disso. O mesmo senti outro dia quando andando de carro pelas ruas e uns jovens gritando contra a corrupção “Se concorda, buzine”. Não! Se concorda, desce do carro, se junta a gente, faz um cartaz, se mostra interessado. O som da buzina não atraia as pessoas, irrita, agride... É o som do atraso, do estres... Voltando ao Beijo Grande. Temidos e iludidos com a falsa vitória (na minha opinião) frequentamos o bar, nos beijamos e sorrimos. Hahahahaha!  Enquanto os donos do bar nos olham com seus olhares negativos. Fizemos o pior. Alimentamos o seu ódio. E eles vão chegar em casa e vão reclamar em voz alta “que os viados aquilo, que os viados são uns filhos da puta, que os viados só sabem fazer confusão, baixaria...” . Anos mais tarde, seus filhos, herdeiros do bar, estarão nos expulsando dos seus bares por um ódio que nem eles sabem de onde veio. Educação! Eu acho que o tal beijo possa ser uma coisa legal se a gente não o fizesse para atingir alguém e sim, se a gente o fizesse para atingir qualquer alguém. Eu o vejo acontecer em uma praça, próximo a uma avenida, com uma promessa de uma banda boa tocando logo depois, e heteros, gays, amigos, amigas...PESSOAS... Todas, que suprissem o mais legal dos sentimentos pelo outro, começassem a se beijar. E que os passantes vissem e que tirassem fotos e que se juntassem a nos. Isso, na minha cabeça, teria ensinado alguma coisa à algumas pessoas. E no futuro a menina que se assustou com o grande beijo na praça vai contar esse acontecimento pro seu filho com naturalidade, e seu filho vai abrir um bar onde pessoas são aceitas e ponto. Mas isso sou eu e minha cabeça maluca. Só pra terminar eu sou contra boates gays e coisa do tipo. Pra mim se existe uma boate gay não há razão pra não existir uma boate hetero, onde por sua vez, gays seriam vistos com olhos estranhos. Acho que somos nós que estamos nos descriminando, no sentido de que botamos um grande rotulo cor de rosa em todas as nossas conquistas pra nos vangloriar. Isso nos distancia. E isso distancia  pra mim os sonhos de igualdade.

PS: Se você leu isso e percebeu que eu não faço a mínima ideia de qual é o verdadeiro proposito do tal beijaço, me desculpe, isso não apenas pensamentos desabafados e não devem ser levados a serio, a não ser que tenha plantado algo de bom em você.

Ravi Aynore

Arrocha Tchê!

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