Muito tempo que não me pego escrevendo pra esse blog. Na verdade
eu até escrevia sim, mas nunca com a intenção de postar. Todas as coisas
estavam muito parecidas, sentimentos mortos e desinteressantes. Não, hoje eu
não achei algo novo ou descobri como mudar isso. Mas hoje, independente da hora
que ou dormi ou acordei, eu estava feliz. Eu simplesmente pulei da cama com um
grande sorriso no rosto. Explicação pra isso? Eu posso ter varias, mas eu não
tenho coragem de realmente contar a verdadeira. Eu acordei apaixonado. Dei um
bom dia apaixonado para as pessoas da minha casa, coloquei uma musica
apaixonada pra cantar no chuveiro, tomei um banho apaixonado, escolhi uma boa
roupa, botei meu melhor perfume e me apaixonei um pouco por mim quando me olhei
no espelho antes de sair de casa. Não é comum estar se quer um pouco apaixonado
por mim mesmo. Talvez, no passado, isso fosse bem mais constante, mas nesses últimos
anos eu não tenho encontrado boas razões pra me olhar no espelho e me admirar e
pensar: “Pow, cara.” , dai largar um sorrisão bonito e abobalhado pra mim
mesmo. Hoje eu tive isso. Hoje eu estou feliz, mas acabou. Será que foi o
vento, a moto ou o fato de eu ter compartilhado isso com o seleto grupo de
pessoas da minha rede social. Durou bem pouco, mas foi bastante do caralho em
questões de intensidade. Tanto tempo que não sinto absolutamente nada. Eu lembro
como e quando começou a acontecer. Eu estava namorando com uma das pessoas mais
legais do mundo, um amigo, um companheiro extremamente bacana, mas em uma das
voltar que essa vida da, eu me peguei sentindo outras coisas em relação a ele
que não amor. E por ele ser tão foda, por gostar tanto de mim, por me fazer tão
bem eu comecei a achar que fazer o que eu estava fazendo, não gostando dele
como deveria, como ele merecia, era uma puta sacanagem. Por isso eu insisti. Mas
isso foi me matando aos poucos, e as coisas boas que a gente estava sentindo um
pelo outro também foram morrendo, assim como o infinitivo nesse meu texto. Antes
que tudo ficasse ruim, a gente acabou. Depois de um relacionamento longo existe
um tempo em que tudo é mentira, depois um que tudo é verdade, e depois mentira
e verdade se juntam pra você poder seguir em frente. Eu passei muito tempo na
mentira pra poder me orientar, a verdade me deixou extremamente perdido, e eu
nunca consegui juntar as duas coisas pra poder seguir em frente. Confundi uma
coisa com a outra. Confundi Wandson com Amor, confundi Dan com quereres e pirei
o meu próprio cabeção com tanto medo e tanta culpa que eu simplesmente me
distanciei de mim mesmo. Lembro desse dia que fiquei sentando em uma cadeira em
casa, com uma garrafa de vinho seca na mão e imóvel. Passei horas sem pensar ou
sentir. No outro dia eu era um ser escroto, careca e rancoroso. Todo o rancor
na verdade era defesa minha pra não viver coisas assim outra vez. Isso foi nos
primeiros dias de janeiro. Dai pra frente eu senti coisa. Coisas legais, coisas
normais, coisa... Mas pow, nem uma delas era realmente alguma coisa. Sou
humano, não dá pra não sentir, mas o que fazer pra sentir as coisas que
realmente importam? Eu esqueci. Ou nunca soube, sei lá. Um ano e meio depois
BANG! Sabe o que realmente mudou? Nada! Eu continuo ficando triste por nada e constantemente
perco a vontade de terminar o que comecei. Eu to gostando! Eu to sentido coisas
que eu não sinto a tanto tempo e, cara, isso é tão bom. Mas eu não sei mais
como o fazer. Não sei mais como gostar. É como voltar a comer carne depois de
ter passado anos sendo vegetariano. Você vai comer mais do que pode, pela
saudade, pela vontade, pelo prazer e isso vai fazer com que você passe mal. Eu
acordei feliz hoje. Serio. FELIZ. Desse tipo que você sai dançando na rua sem
medo e sem musica. Mas ontem eu comi toda a carne, eu acho. E agora, depois da
carne, do menino e da paixão, talvez seja a hora de começar a passar mal.
Eu sou uma pessoa cheia de esperança e com pouca vontade. Meu
optimismo me diz que eu devo extrair o bom lado de todas as coisas. Eu vejo
esse pico de felicidade hoje como uma porta aberta, uma ponte construída, uma
semente plantada. Agora, talvez, eu possa aprender como sentir e gostar
direito. Começar tudo outra vez.
Mas se pudesse pedir qualquer coisa eu pediria para ser como
Mara Marta aqui do trabalho. Todo mundo tem problemas, frustrações e cansaços,
mas ela ta sempre exibindo o seu melhor sorrio por ai. Penso eu, que a admiro,
que isso deve ser bem melhor do que bancar a múmia, o zumbi que sou eu nesse
exato momento. Humano atingido pela felicidade. Baleado, morto e condenado a
viver com um zumbi esperando, atenciosamente, esperando pra que um dia ela
volte.
Tenho essa mania de exagerar nos finais dos textos.
- Queria que você lesse isso aqui, mas não vou te mostrar.
Talvez eu esteja aprendendo a gostar da maneira certa.
Um montão de beijos.
Ravi Aynore.
Arrocha Tchê!
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