domingo, 30 de setembro de 2012

Saco - Sem Fundo - No Tempo.


Duas e meia da manhã e o tristão aqui sem ter com quem se lamentar no facebook. Ói. Hoje foi foda, viu? Dia ruim do caralho. De que adiantar ser produtivo, trabalhar e ganhar esse tanto de motivos pra reclamar em troca? Algumas pessoas dizem que reclamar é o que nos mantem sãos. Deve ser coisa de revolucionário babaca que não consegue assumir a tristeza como eu faço. Eu não me sinto nada são. Eu compus uma musica. Eu dai? O velhinho bêbado compõe musicas de manhã cedo na padaria da esquina. Agapito compôs musicas. Foda-se você que fez isso, Ravi Aynore. É esse o seu argumento pra se sentir melhor? Que você compôs uma musica e se sentiu produtivo? Uma musica! UMA! Em quanto tempo mesmo?

Velho, quanto tempo faz que não escrevo nada. Nada bom. Nada com algum sentido e emoção real envolvido. Eu lembro a ultima vez. Wandson Rocha. Lembra? Eu postei aqui. Já faz mais de um ano. Rá Rá Rá. Um poeminha medíocre e, um ano depois, uma musica. Musica que a pessoa pra quem você fez nem gostou tanto.
Bom, talvez ele tenha gostado e eu só estou aqui esperando que ele seja algo que ele não é.  É um grande talvez.

Que não é o caso do Wandson Rocha. O único que lê isso aqui.
Hoje eu sei exatamente o que Wandson Rocha é. E falei isso pra ele. E ele me respondeu com aquela cara de melhor do que tudo, aquele óculos hipster, aquele cabelo encaracolado que parece que sempre ta molhado, aquela boca fina e aquele nariz enorme: “- Essa foi a pior coisa que já me disseram.” Se ainda fosse a minha intenção magoar, mas não, estava apensa querendo esclarecer. Expliquei pra ele o que ele mesmo é na minha vida. Disse-lhe o seguinte:
- Manja Matrix, Wan? As maquinas matem aprisionados os seres humanos para que eles gerem energia para as próprias maquinas se manterem funcionado. Pra isso, elas, as maquinas, induzem os humanos à um espécie de coma, onde eles sonham estar vivendo o que nós chamamos de realidade. Então tudo, toda a vida humana, não é nada a não ser uma fantasia criada pelas maquinas para manter-nos nesse coma. Essa fantasia é a Matrix. Para evitar que os humanos percebessem a Matrix, as maquinas implantaram programas de controle para nos colocar limites. E é por isso que nem um humano esta nunca satisfeito, ou completamente sóbrio. Por isso nunca encontramos a verdadeira felicidade, ou a verdadeira tranquilidade, a paz, o amor. Aliás, o amor, é uma das principais formas de controle usadas pelas maquinas. Quanto mais perto da satisfação, mais perto de desvendar a Matrix você esta. E é ai que as maquinas alimentam sua dose nos programas de controle e você cai em depressão ou enlouquece. Wandson, você é meu programa de controle. Você esta aqui pra me impor limites. E não foram as maquinas que o colocaram ai, fui eu mesmo. Em um descuido meu, em uma desistência corriqueira, eu te instalei como programa de controle pra que eu não pudesse gostar mais de alguém como gostei de você. Por que isso iria me ferir, me magoar. Hoje, 1 2 3 4 5 6 7 ano depois, você ainda funciona perfeitamente.  Basta eu começar a gostar de alguém, basta brilhar no meu olho um pouquinho de esperança se quer , você me aparece pra me mostrar que não é assim que a minha vida funciona. “O que você esta fazendo? Não ta vendo que isso não vai dar em nada? Você vai fazer milhões de coisas, coisas lindas e novas, mas ainda vai ser você e não vai dar em nada.” É o que você me diz toda vez que diz: “Oi, Vih. Tudo bom?”.

Você deu certo, Wan. Poxa, bacaninha. Eu queria muito dizer que estou feliz por você, mas não estou. Eu não estou feliz por mim... Porque diabos ia ter predisposição para estar feliz por outra pessoa? As vezes eu penso que se um dia tivesse o dobro de horas eu já teria me matado a tempos. Mais merda pra pensar nesse tempo todo. Ainda bem que existe um dia após o outro.  Mas o que isso significa pra mim, né? Me apaixonar? Me envolver com projetos que não são muito meu forte? Me ocupar com um trabalho medíocre? Me programar pra tirar férias no final do ano? É tudo uma grande piada. Um grande Rá Rá Rá pra quem sabe o truque. Nada muda. O tempo passa, o externo fica mais velho, cada vez mais externo, quando o interno, na verdade, já se estagnou, já desistiu, apodreceu e morreu.

Ainda bem que tenho o Biscoito. Tenho?  Se quer consegui falar sobre isso com ele. Talvez, se desse pra mudar a minha necessidade de desabafar, minha carência de atenção... Odeio quando ele vai embora sem dar tchau. Até escrevi uma musica sobre isso, mas ele não entendeu. Ele se quer gostou tanto. E eu achando que aquilo ia abalar o mundo dele. Eu realmente queria abalar algum mundo. Tudo bem. O que eu posso fazer, né? Se com tantos sorrisos de tantas pessoas no mundo o que eu mais gosto de ver hoje é o dele. É continuar fazendo coisas que o façam sorrir até Wandson Rocha acontecer outra vez na minha vida.

Ela veio. Coisas inevitáveis como a despedida dos ajudantes do Doctor. E eu e minha nave tatuada na perna não podemos fazer nada pra salvar o tempo, as coisas e os amigos perdidos. Aquela velha falta de motivação de sempre. Não quero mais fazer remo. Não consigo entender pra que. Não quero mais inscrever meu filme em outros festivais. Minha boca levemente direcionada para um lado com um ar de “tanto faz”. Projetos, escritas, tumblrs, Argentina... E eu volto a ser o mesmo corpo vazio e vagante pelo meio da rua. E meu medo é que meu amigo Jonta se torne algo parecido. Ele simplesmente não merece. Um saco sem fundo no tempo. 



Um montão deles.

Eu estou apaixonado. Eu gosto de estar. Estar apaixonado por quem estou apaixonado me faz bem. 
Eu vou aproveitar isso ai. 
Mesmo sem saber o quanto disso ainda tem pra aproveitar. 

Arrocha Tchê. 


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