sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Nunca como ovo de codorna, quejo e pipoca ou PQP ERA IGUAL PRA CARALHO!!

Cara Amiga,

Há tempos que procuro inspiração ou até mesmo vontade de te escrever alguma coisa. Você que sempre mereceu a minha honestidade e minhas mais sinceras palavras. Há tempos que não nos falamos mais como ontem, há tempos que tinha me convencido de que não queria mais saber de você. Eu me convenço de cada coisa estupida! Nunca estive tão enganado e foi preciso ovos de codorna, queijo, pipoca, um filme que era pra ser meu e uma dúzia de peidos podres pra eu perceber que existem certas coisas na minha vida que só se encaixam em você. A verdade é que mudei, todos mudamos. Não somos mais os idiotas que só sabiam sorrir de besteiras com uma garrafa de vinho na mão e uma amiga magrela e seus segredos. Mudamos tanto assim? Ou eu mesmo que mudei absurdamente que com os meus olhos não enxergo mais meus amigos como antigamente. Tenho certeza de que você pensava e pensa: “Ele voltará pra mim quando for a hora certa” enquanto eu pensava: “Chega um momento na vida que cada um segue seu caminho”! Talvez estivéssemos certos os dois, ou errados... O importante é que hoje mudei meu discurso para: “Não há outra pessoa no mundo com quem eu queira conversar sobre isso se não ela.”. O pior é que toda nossa historia passou a pouco pela minha cabeça agora, pouco antes de escrever essa sentença! Que amizade incrível nos tínhamos... Desde o dia em que nos conhecemos, passando por todas as coisas que aprendemos juntos e a milhões de coisas que você me permitiu te ensinar. Eu sempre me achava um ser humano melhor quando você compreendia algo que defendia que, na verdade, nem era tão importante assim! Sim sim, nos fomos incríveis. E agora, quando precisei de você, você não estava aqui. Não é como se eu fosse te acordar às 05:12 da manhã pra lhe contar como me sinto agora, nesse exato momento, mas eu sei que poderia. É o que meu pai sempre fala sobre o mar: “Eu não vou sempre para a praia, mas eu gosto de estar por perto, porque eu sei que quando eu quiser ir, ela estará lá.” Nesse cenário você é minha praia.

Eu queria muito sentar contigo pra te contar sobre esse filme que acabei de ver. Esse filme que eu tenho evitado ver há meses porque eu sabia que ele não ia me deixar legal. Antes mesmo de te conhecer, e isso faz mesmo um bom tempo eu comecei a escrever um livro chamado “Hambúrguer Espaciais” que contava a historia de uma romance gay na adolescência. O livro é uma merda, tão bobo quanto palhaço de circo do sol nascente e tão mal maquiado quanto, mas é meu baby e eu o amei, mesmo o tendo esquecido por muitos e muitos anos dentro da mais profunda escuridão do meu guarda-roupa. Eu terminei o livro um pouco depois que a gente se conheceu e eu tenho absoluta certeza de que as primeira edições do “Hamburguês” eu te passei pra ler. Eu não lembro se você gostou e se ficou aquela sensação de não estar completo depois que você o terminou, mas eu tenho certeza de que você o deve ter lido por inteiro. Lembro que quando ainda o escrevia, ainda no começo disso tudo, nos tínhamos nossos encontros esporádicos na porta do teu colégio, onde você completamente risonha e bobinha perguntava se eu ia fazer cover de Mika, e que Aynorika era uma grande ideia. Foi uma época muito trash na minha vida e olhando pra aquele tempo, eu que me julgava triste, vejo que ele não se comprar a dor e ao vazio que sinto hoje. Eu ainda tinha esperança naquele tempo, ainda tinha teu sorriso, ainda tinha você! Milhões e milhões de vezes eu pensei que “Hamburguês Espaciais” deveria ser meu primeiro curta metragem e que logo despois o transformaria em um longa. Até roteirizei ele para isso. Antes mesmo de assistir aquela beleza que é o “Não Quero Voltar Sozinho” do Daniel Ribeiro. Quando vi o filme do Dani eu só tive mais certeza de que o Hamburgues daria certo. E olhe que coisa, você está envolvida nisso tudo também. Você estava no Grávidos, você estava no Romalone! Você era grande parte da minha vida, e aquele assalto levou isso de mim. Sim, pq eu acredito que aquele dia foi o divisor de aguas em nossa relação. Eu me afastei, e toda vez que tentávamos nos aproximar estávamos mais estranhos um ao outro. Tinha mais terapia em nosso relacionamento do que a paixão pela amizade. Eu tinha subtraído o quão importante você foi na minha vida nesse tempos em que desejava que seguíssemos caminhos diferentes. Eu sou tão egoísta quando quero ser, tão estupido! Eu lhe devo um milhão de desculpas, mas não é sobre isso que eu quero conversar. Depois eu peço as desculpas, teremos tempo pra isso no futuro. Quero conversar sobre o filme “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, que é o longa metragem baseado no curta do Daniel Ribeiro, escrito e dirigido pelo próprio. O “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” foi a indicação do brasil para o Oscar 2016, o que é bem maneiro. E eu tenho evitado assistir esse filme pq... Bom, é basicamente a mesma historia do Hamburguês Espaciais., e o filme foi um grande hit na época do seu lançamento, teve um bafafá internacional super interessante e agora essa indicação para o Oscar. Olha... Eu não poderia me sentir mais merda. Eu sei que mesmo que tivéssemos feito o HE ele não seria visto e nem teria esse reconhecimento, mas eu estaria com a mente tranquila pq fiz o que era meu de direito. Pois bem, não há mais fundo que isso, não é? A não ser que o filme realmente vá para as indicações do Oscar e ganhe melhor filme estrangeiro. Seria o meu fim! E ao mesmo tempo eu estaria feliz pra caralho por eles. Como não há como piorar minha vida eu assisti o “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” hoje, e sim é IGUAL  ao HE. Não só os personagens principais se comportam da mesma maneira como os do meu livro, como os personagens secundários e até os menos importante são exatamente do mesmo jeito como eu descrevia os meus. Eu não estou com raiva, nem me senti roubado, mas não há palavras para descrever o quão fracassado me sinto nesse exato momento. Minha depressão está super em alta, eu não quero levantar da cama pra nada, eu só faço comer, beber e fumar. Com certeza me tornei um alcoólatra  e fumante, desse que pedem dinheiro emprestado à um mendigo pra poder fumar um cigarro. Em resumo, minha vida está um completo lixo e esse filme não ajudou em nada. Se eu tivesse coragem pra me matar, e eu pensei bastante nisso durante o filme, eu teria feito isso hoje mesmo e minha carta suicida seria um “Foda-se” bem grande escrito em um post-it. Eu estou incrivelmente frustrado por alguém ter realizado meu sonho, exatamente do jeito que eu queria, justamente do jeito que imaginava, mas não foi pra mim e nem era meu. Até o final, cara. Até o final das duas mãos se encontrando é igualzinho ao final que eu propus no meu livro. Enfim... Como faz pra desistir de verdade das coais, Bia? Não! Não me diga! Eu realmente gostaria de saber, pra não querer mais escrever, fazer filmes ou ter qualquer ideia, mas se eu soubesse como se desiste de verdade das coisas, não estaria aqui te escrevendo essa carta que, com certeza, foi a melhor coisa que me aconteceu nas ultimas semanas. Com certeza a coisa mais sincera e honesta que fiz esse mês. Foi o que fez valer sair da cama!

Assista o filme, é lindo! Melhor que meu livro. Assista o filme pra entender pq que nos, eu e você, somos como o eclipse.

Obrigado pelo tempo,
Vamos fazer isso outra vez pra que eu possa pedir desculpas por todas as vezes que você chorou e eu não estava lá pra te abraçar e dizer que vai ficar tudo bem. Eu não acredito que va ficar tudo bem, mas hoje eu mentiria só pra te confortar.

Eu te amo!

Do seu eterno e bobo amigo,

Aynorika!


Ps: A foto é só pra dar uma risadinha no final profetizando as palavras "Vixi que doidera".




Arrocha Tchê!

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