segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Coração de maré.

Segunda das nove maneiras de se dizer "Te amo".

É importante lembrar que as historias aqui narradas não acontecem em ordem logica ou cronologica. É randon total.



Dessa vez acordei cedo, antes de você, o que era uma coisa nova nesses últimos que dormimos juntos. Fiz hora na cama, me espreguicei umas dez vezes e tentei fazer algum barulho para ver se acordava você. Tinha esperança que naquela manhã iria ver teu sorriso e receber teu beijo como fora nas manhãs passadas. Você não acordou, nem se quer se mexeu. Levantei-me e por alguns minutos fiquei observando você na cama, isso só até perceber que você não estava mais dormindo.
“Teria ele acordado antes de mim e não se levantado só pra não...?” Pensei. Eu sei, brigamos a noite passada, tivemos uma feia discussão, mas no mesmo dia dormimos juntos, abraçados. Como pode você fingir que está dormindo só pra não em encarar mesmo depois de me ver desesperado pra chamar sua atenção?
- Canalha!
Me irritei mesmo, fiz café só pra mim e teria até fumado um cigarro, só pra te irritar, mas eu não levei nem um cigarro para a casa de praia onde estávamos. Tomei meu café, vesti qualquer camisa que vi pela frente (camisa que mais tarde notaria ser sua), e sai da casa em direção ao mar.
Você ficou mais um tempo na cama, assistiu tudo que fiz sem sequer abrir os olhos e fez questão de ficar mais uns minutos deitado antes que pudesse procurar por mim. Algum tempo depois você se levantou e me olhou através da janela, me viu parado, olhando pra baixo, encarando a areia. Tentou, sem sucesso, decifrar o que eu estava fazendo. Colocou seus óculos para ver se assim obteria alguma resposta, mas de nada lhe adiantou. Eu ainda estava parado do lado de fora da casa, olhando atentamente a areira em meus pés e você ainda estava confuso, sem entender absolutamente nada. Então você se decidiu, levantou-se da cama e foi fazer o seu café. De lá de fora pude ver você fazer tudo isso, levantar, olhar pra mim, ir até a cozinha, olhar pra mim, assaltar a geladeira, pegar uma caixa de iogurte, ir até o sofá, olhar pra mim, ligar a televisão e sentar. Nessa hora comecei a andar cuidadosamente pela areia, desenhando minhas pegadas no solo úmido. Fazia isso sem nem uma preça, o sol se escondia pois era março e as nuvens escuras e carregadas de chuva tomavam conta do céu. Ao ver que o céu escurecia, você voltou a olhar pra mim. Eu não enxergava muito bem de longe, mas era nítida a sua expressão de preocupação. Dessa vez, nem por um segundo, vi você desviar seu olhar, vi que você me seguia e acompanhava meus passos atentamente. Para você que estava lá dentro sem saber o que eu estava fazendo, parecia-lhe que eu estava andando em círculos, para mim, que sabia exatamente o que queria, tais direções me pareciam perfeitas. Não demorou muito e começou a chuviscar, fiquei um pouco apreensivo pois tinha acabado de notar que estava com uma de suas camisas, e alem do frio, tinha medo que a chuva pudesse estraga-la. Mas nada poderia atrapalhar meu objetivo, eu iria terminar o que comecei morrendo de frio e destruindo sua camisa. A chuva ainda demorava a vir, você ainda me olha com atenção, eu ainda desenhava pegadas na areia. De repente um trovão corta o silencio da calma praia, e um vento forte assanha meu cabelo em direções diversas, e lá vem você correndo em minha direção, e eu olhando pra negra nuvem que se aproximava cada vez mais.
- O que você está fazendo ai com minha camisa?*
Você fez parecer que estava mais preocupado com a camisa do que comigo, sei que era essa e intenção, mas não funcionou. - Isso! - Eu disse apontando para baixo.
Você olhou para a areia e viu um enorme coração desenhado. Imediatamente ficou intacto, sem nem uma boa palavra pra dizer. Ficou segundos contornando o coração com os olhos e...
Desculpe. - Você achou que não haveria momento melhor pra dizer isso.
Desculpe pela camisa. - Achei que haveria coisa melhor pra dizer naquele momento.
Mas porque tudo isso? - Você perguntou aquilo que eu mais queria responder.
Porque vai vir a chuva, a maré, o vento e hoje, ainda hoje, esse coração vai sumir...
Fiquei olhando pra casa e você pro mar.
- ... Mas amanhã, quando acordar, eu vou sair de casa, e eu vou vim aqui fora e vou fazer exatamente a mesma coisa, o mesmo coração, desse mesmo jeitinho que você está vendo ai. E ai vir vento, chuva, maré e vai levar o coração outra vez. No outro dia eu farei a mesma coisa, e no outro, e no outro, e no outro...
Nessa hora eu olhava nos teus olhos, mas os teus olhos admiravam o coração sendo desfeito pelo forte vento.
- E sabe porque disso tudo? Porque a maré, o vento e a chuva podem destruir esse coração quantas vezes quiserem, mas não há forças nessa natureza que possam destruir meus sentimentos. Não Há Forçar Nessa Natureza Que Possam Destruir Meus Sentimentos.
O vento forte se tronou ensurdecedor, a chuva começou a cair rapidamente e eu caminhei três passos em direção a casa, pois não queria estragar sua camisa. Você ficou parado, olhando as pequenas gotas de chuva que esmagavam nosso coração. A chuva, então, começou a castigar. Parei de fingir que ligava pra sua camisa e voltei pra te falar uma ultima coisa, que estava entalada na minha garganta. Você me olhou atento nos olhos.
ISSO TUDO, É PORQUE EU NÃO CONSIGO ACREDITAR QUE EXISTA UMA MANEIRA SIMPLES DE DIZER PRA VOCÊ O QUANTO...

Fim!



* Quando você não está, e eu sinto sua falta, gosto de usar sua camisa, assim me sinto abraçado.
1 – Eu acho que te amo.
2 – Eu te amo junto.

“Agora a ideia de pular no meu pescoço, me derrubar na areia e me roubar um beijo nem é mais uma má ideia.”

Arrocha Tchê!

2 comentários:

Jonta disse...

selvageria na praia. ahahahahha
casa de praias são legais, estragar a camisa dos outros é mais ainda.
sem mais comentários, estou para pouco hoje.

Aynore. disse...

Teu pouco pra mim é suficiente, jonta!

Arrocha tchê!