domingo, 7 de dezembro de 2008

Eu, ela, ele, eles e o Caco.

É a quarta de nove maneiras de dizer "te amo".

Ler ouvindo:
Jackson Five: - I'll Be There
who's loving you
reach out ill be there
got to be there
music and me
Ben
My Girl
e Michael Jackson: - You Are Not Alone.




... Enfim cheguei a casa dELA, da minha amiga, a única com quem eu conseguia sentar, conversar e chorar muito. Andei mais de uma hora e meia, mas agora estou a sua porta, louco pra cair no teu abraço e no peculiar conforto. Vim por todo o caminho com os olhos transbordando em lagrimas, a boca salivando fora de todo o comum e escutando, vezes repetidas, as mesmas musicas do Jackson Five. Os passos deprimidos me deixavam mais cansados, mas agora já não havia mais pra onde caminhar, nesse momento era só tocar a campainha e esperar por ela, pela amiga. Me lembro de como descobri que só com ela conseguia falar sobre mim enquanto chorava. Era verão e chovia muito, eu tinha sido deixado pra traz por uma pessoa que, certa vez, achei que amava, a amiga me recebeu com um sorriso de compreensão e um abraço que faria inveja a qualquer oração de consolação. Sua irmã, também muito minha amiga, grande amor de minha vida, também estava indo, pensar nisso me deixava cada vez mais triste, só a minha amiga ficaria, mas só dela precisaria.
Naquele dia levei flores e um presente semelhante a um que fiz pra ELE a algum tempo atrás, presente esse que ela adorou, ele, pra mim, pareceu nem ligar tanto. Sei que o abraço dela me deu todo o conforto que precisava pra suportar as perdas, só ela, naquele momento, me fazia parecer não sozinho. E agora estou aqui em sua porta outra vez, esperando que ela venha me fazer me sentir alguem, talvez. Só ela sabe como fazer. Toquei a campainha, esperei e ela abriu a porta com um lindo sorriso no rosto. Lindo sorriso se desfez quando ela me viu soluçando de tanto chorar a sua frente. Me abraçou forte, nunca precisou entender o que se passava comigo pra me dar o carinho que necessitava. Me levou pra dentro e me deitou no seu colo em um sofá, por tempos ficamos ali, eu explodindo em lagrimas e soluços, ela me acarinhando com ternura. Quando as lagrimas pareciam quase secas eu me levantei, sentei ao seu lado e dialoguei.

- Oi.
-Oi! - Ela sorriu um sorriso desajeitado.
- Er... Como você está?
- Preocupada com você.
- Ah, isso? Não é nada. - Nós dois demos risos tímido.
-Mas me diz, o que foi que aconteceu?
- Ai. Eu e o ____, nós brigamos! - Meus lábios começaram a tremer e os olhos apertaram com vontade de derramar mais agua.
- Brigaram?
- É, nós tivemos uma discussão e ele saiu de casa... - As lagrimas voltaram a escorrer.
- Ai Ravi, calma. Isso já aconteceu outras vezes, não?
- Já, mas... assim... das outras vezes dava pra notar que ele voltaria, porquê ele sempre saia nervoso, de cabeça quente, sempre passava um tempo na rua, pensando e depois voltava e me abraçava.
- Então...
- Mas agora foi diferente, ele saiu tranqüilo, parecia bastante calmo e decidido. Disse que só voltaria pra pegar as coisas,
- Mas você sabe que não é assim.
- Ele não vai voltar, Luh. - Minhas voz ficava muito rouca toda vez que eu pensava que ele não voltaria mais.
- Calma, Ravi. Não é assim que as coisas funcionam. Ele...
- Ele me devolveu o Caco, Luh. Ele não vai mais... - Engasguei num soluço.
- Caco?
- É, Caco, o leão de pelucia. Foi o primeiro presente que dei pra ele. Ele nunca saia sem ele, dizia que gostava de levar parte de mim quando saia. - A lembrança das coisas que ele dizia me torturavam um pouco.
- Não foi o nariz o primeiro presente?
- Er... foi. O Caco veio depois realmente.
- E ele te devolveu o nariz?
- Não.
- Então, ele ainda tem o nariz.
- ELE AINDA TEM MEU CORAÇÃO, LUH. ELE AINDA TEM O MEU AMOR.
- ...
- Ai, desculpa ter gritado. Eu sei que parece exagero, mas eu não estou exagerando quando digo que eu não quero meu coração... meu amor de volta. Ele foi... é... a pessoa que eu mais gostei de amar... - Ficava cada vez mais difícil de lutar contra o aperto no meu coração que me fazia chorar mais e mais.
- Ela me abraçou outra vez, minha amiga, pôs minha cabeça em seu obro e me afagou os cabelos.
Ele era a coisa que eu mais gostava de amar, Luh. O que eu vou amar agora?
- Calma, amigo. Fica bem e me conta o que aconteceu.
- Ai, eu te disse naquele dia que a gente conversou, não foi? Que a nossa relação estava esfriando um pouco, mas que eu já não sabia mais o que fazer pra nos ajudar. Carai vei, eu fiz de um tudo, desenho na areia, boneco de neve no verão, cantei e dancei na chuva, enfrentei meus maiores medos... fiz o vento virar musica e isso tudo só pra achar varias maneiras diferentes de dizer o quanto eu o amo. Eu sempre ganhava beijos, abraços, elogios e carinhos, mas ele nunca tomava a iniciativa de tornar nossa relação mais agradável e eu acabei ficando sem estímulos, até pensei e mais mil maneiras de dizer que o amava, mas pra quê? Não me pareceu justo...
- Eu acho que talvez...
- Seja eu o injusto. Tá, tudo bem, pensei nisso também. Talvez eu esteja cobrando algo que não precise necessariamente existir, afinal de contas ele sempre disse que me amava e tudo mais, mas Luh, eu não quero estar certo, eu não quero ter razão, não é isso que vai fazer ele voltar. E a única coisa que quero é ele de volta, na minha casa, na minha cama, na minha vida, nos meus braços.
- E o que faria pra te-lo de volta?
- Mais mil maneiras.
- E porque se negou a afazer isso enquanto ele estava lá?
- Porque eu devo ser um estupido. Ai, Luh, eu o amo, você não acha que é muita dubialidade* o amor da minha vida aparecer justo na minha vida?
- Acho que você devia ligar pra ele.
- Pra ele me ignorar? Pra dizer outra vez que só vai voltar pra pegar as coisas? Pra querer me entregar o nariz e o meu amor de volta? - Cada pausa entre as palavras me faziam derramar mais lagrimas, meu rosto já estava vermelho e inchado de tanto chorar.
- Ravi, eu...
- Eu quero ligar, Luth, mas eu tenho medo.
- Medo de quê? Se você mesmo já disse que seu coração e amor não quer de volta.
-Me abraça, amiga.
Luciana me abraçou com todo o carinho que pôde, e era todo o carinho que eu tanto queria, em seus braços me sentia protegido de todos os sentimentos que me maltratavam.
- Me conta o que foi que fez ele sair de casa.
- Fazia tempo que a gente não falava da gente, eu evitava esse tipo de conversa pra não precisar falar as coisas que te falei logo a pouco, que eu achava que tava fazendo muito e recebendo pouco, o que não é verdade, falando aqui com você agora, vejo que ele me dava muito, talvez mais do que eu merecia. Lembro das vezes que ele acordava cedo pra fazer o café pra nós dois... Ai, amiga...
- Não lembra, continua falando.
- Bom, hoje mais cedo ele quis conversar eu ignorei um pouco, ele insistiu e ai nós tivemos essa conversa desagradável. Ele parecia está preparado pras coisas que eu ia dizer, parecia apenas estar me esperando dize-las para que ele pudesse simplesmente sair sem culpa. Depois que descarreguei todo o peso nas costas dele ele nem argumentou como costumava fazer, foi ate a bolsa dele e pegou o Caco, pôs na minha mão e disse: “- Sem amor eu não consigo cuidar dele tão bem quanto você.”. Tirou a chaves do bolso e me deu, pôs a bolsa nas costas e foi saindo: “- Venho depois pra pegar minhas coisas.”. Nem se quer olhou pra mim antes de sair. Na hora que vi o Caco na minha mão fiquei em choque, a ficha de que eu tinha pegado pesado demais com ele ainda não tinha caído, segui ele pelas escadas e encarei ele indo embora pela porta de vidro do prédio, antes de perde-lo de vista gritei: “- É assim que acaba?”. Ele respondeu com um: “- É assim que acaba!”, e saio. Eu fui pra casa morrendo de raiva, joguei o Caco em cima de cadeira e chutei o pé do sofá, sentei no chão e comecei a chorar, mas foi olhar pro Caco e vê-lo todo largado lá na cadeira que me fez vim correndo pra cá. Foi o Caco que que fez perceber que o ____ não voltaria ma...

O telefone tocou, meu celular, era ele. Eu fiquei assustado, meu coração disparou num ritmo acelerado e maluco, não consegui respirar por alguns segundos, a Luh me perguntou se era ele, eu fiz que sim com a cabeça.

- Então atende, ué.
Eu congelei, exitei alguns segundos, mas o medo que o telefone de repente párese de tocar me fez atender.
- Alô!
Silencio do outro lado.
- ____?
- Oi!
- ...
- Er... - Uma voz rouca me falava ao telefone. - Eu quero o Caco de volta.
- Han?
- E não só ele, eu quero você de volta também, porque eu te amo muiiiiito, me perdoa.
- Eu... - Em menos de um segundo todas as coisas que disse pra Luh passaram pela minha cabeça. - ___, eu te amo, cara. Te amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo e eu posso dizer isso de mais mil maneiras diferentes só pra você, só por você.
- Você é a coisa que eu mais gosto de amar, vem pra casa, vem logo! A casa é tão sozinha e triste sem você e o Caco, vem logo que se não eu morro de saudades de vocês dois.

Depois que eu desliguei o telefone a Luh abriu mais um vez o grande e belo sorriso e disse: “- Vai logo!”. Sai correndo, quando cheguei em casa você me esperava em frente a porta, corri pro teu abraço, você também tinha um rosto vermelho de chorar, me abraçou com tanta força que outra vez fiquei um pouco sem ar, depois me bateu, me deu uns socos no braço dizendo que é pra nunca mais duvidar do amor que sentia por mim e que jamais ficaria um minuto longe do Caco. Me olhou fundo nos olhos e antes de me beijar me falou aquilo que prometamos falar um pro outro durante toda a vida: “-...”

Fim.

* Dubilidade; palavras criada pelo amigo Ewerton, significa unbuiguidade.

"Faz um tempo eu quis fazer uma canção pra você viver mais."

Arrocha Tchê!

Um comentário:

Jonta disse...

foi um texto bastante dubil.
uhahuuhshahusua