" É só mais um fim pra um outro novo começo."
Chovia muito. Porque tinha que chover tanto? As coisas pareceriam bem menos tristes se fosse mais um dia ensolarado. Eram quatro hora da tarde de um dia doze de um mês qualquer e eu estava ensopado, de pé, encarando o pequeno lago que só fazia crescer. Um dia alguem me falou que ali haviam sanguessugas, mas nunca soube se era verdade. Mas em que diabos estou pensando, sanguessugas? Poderia ser qualquer outra coisa, minha cabeça estava se esforçando muito em tirar você dos meus pensamentos naquele momento, mas todas as tentativas frustradas com o fracasso. Pensava que se estava ali era mesmo pra me torturar com os pensamentos em você. Há quatro anos atrás, no dia 12 de um outro mês qualquer, estaríamos juntos nesse mesmo ponto do parque onde estou, falando bobagens, comendo besteiras e caçando estrelas. Fazia tanto frio no lugar onde estava, mas qualquer outro lugar varia o mesmo frio, o vento gelado me escolheu como companhia por quê não haveria ninguém mais pra escolher. Eu estava só no parque, a chuva deve ter impedido as pessoas de saírem de suas casas aquela tarde. Engraçado, não percebi que estava chovendo até chegar aqui e ficar encarando o rio das sanguessugas. Muita coisa é engraçada, mas porquê não estou rindo? Só as mais fortes ironias me fariam rir nesse momento, ou o Vitor com suas milhões de perguntas. Mais um gole e lá se foi o último da minha garrafa de Gin. Eu estava acabado, arruinado, tão perdido que queria me mexer mas não conseguia convencer meu corpo de que seria uma boa ideia, pois não o saberia dizer para onde iriamos. Não havia nada além do barulho repetido da chuva, ao menos alguma coisa naquele parque me deixava confortável. Quando comecei a achar que nada ali mudaria eu levantei o rosto para o céu e tentei, sem sucesso é claro, achar alguma estrala, quem sabe a primeira. Deixei a agua molhar meu rosto machucado das noites mal dormidas e das bebidas. As gotas de chuva se misturavam com minhas lagrimas e salivas de gritos e dançavam como amigas próximas. Não possuía nem um plano ou espectativa, eu iria até lá, iria chorar, como sei que faria, gritar e depois, mais uma vez, fazer sozinho o que costumávamos fazer juntos.
Os céu em forma de destino sempre me reservara surpresas agradáveis, mas você aparecer naquele parque naquele mesmo dia doze, com toda aquela chuva e deserto, fora demais surpreendedor.
- Como soube que estaria aqui?
A verdade é que queria te abraçar, mas como não bancar o durão escondendo os meus verdadeiros desejos depois de tanto tempo?
- Eu não sabia, não haveria como saber.
- E o que faz aqui?
- O mesmo que faço todo dia doze desde que os dias doze começaram a significar alguma coisa.
- E isso foi quando?
- Há muito tempo atrás, quando você me... Não, melhor. Quando nós decidimos que deveríamos namorar, bem ali em um daqueles bancos.
- Isso já faz muito tempo, não é mesmo?
- Faz um tempão, mas nunca foi o suficiente para nos fazer esquecer.
E mais uma vez bancaria o durão mentindo que já teria esquecido tudo aquilo a muito tempo, mas as palavras simplesmente não obedeciam mais os meus comandos.
- Não ouse me dizer que esqueceu. Não estaria aqui se tivesse esquecido de tudo.
- Eu não esqueci. Gostaria de poder, simplesmente apagar cada segundo desse parque em minha mente, mas nunca tentei fazer isso com medo de não conseguir.
- E viveu com isso dentro de você esse tempo todo?
- É o que sempre faço, me engano e me convenço de que é o melhor a se fazer.
- Todos nós cometemos erros, sabe?
- O meu foi achar que você estaria aqui sempre.
- Sempre é o tempo todo.
- NÃO, sempre não é todo dia.
- Sempre nos dias doze você quer dizer?
A conversa começara a ficar intensa, pela primeira vez desde que você chegou consegui te olhar nos olhos. As palavras agora pareciam ofensas afiadas.
- É. Sempre é nos dias em que eramos pra estar.
- Eu sempre estive aqui. E sempre é sempre. Eu estava aqui nos dias doze e nos outros dias também. Eu estive aqui durante uma semana inteira, mas você simplesmente desapareceu, sumiu sem...
- Você não estava aqui naquele dia doze, o dia doze que deveria estar. Não era fácil pra mim, você sabe. Eu tive que suportar a distancia, tive que encher minha cabeça com coisas extremamente fúteis quando a única coisa na qual eu queria pensar era você. Eu nunca acordava feliz a não ser nos nossos dias doze, por quê eu saberia que iria ver você e que durante algum tempo a saudade não ia me cobrar tanta atenção. Naquele dia doze eu acordei muito bem, eu me fiz panquecas para o café da manhã por quê eu sabia que você adorava panquecas. Eu tomei café olhando nossas fotos e outras fotos antigas por quê era isso que fazíamos quando acordávamos de muito bom humor. Eu peguei um maldito ônibus, e você sabe que eu odeio andar de ônibus, por quê me atrasei ensaiando uma maldita musica que eu escrevi pra você e que hoje nem consigo mais lembrar a letra. - Minha voz estava totalmente desafinada, eu te gritava minhas dores enquanto os teus olho se enxiam de lagrimas. Já não haviam espaço para lagrimas nos meus olhos ou rosto. A chuva nunca ajudou pra que tudo parecesse menos triste. - Eu esperei por você, sozinho nesse parque por intermináveis horas, eu esperei por você, mas você nunca apareceu. Você nunca apareceu. Então eu entendi tudo. Assim evitaríamos momentos de chuva como esse.
- E você simplesmente sumiu, sem pistas, telefonemas, não respondeu os meus e-mails, ninguém sabia de você. Você seguiu em frente, eu fiz o mesmo. O QUE VOCÊ QUERIA QUE EU FIZESSE?
- Queria que você estivesse estado lá.
- Mas eu estava, MERDA! Eu estava lá. Eu cheguei a hora que deveria chegar e vi você em pé olhando pra essa porra desse lago pensando em sei lá oque e chorando, como você sempre fazia nos outros dias doze. Sempre, sempre! Sempre que eu chegava você estava em pé, encarando a agua e chorando, exatamente como agora. Depois que me via você tentava ridiculamente esconder as lagrimas e mostrar que estava tudo bem. Eu sentia tanto em te ver tão triste. Nunca parei de me culpar por ter começado a nos separar o poucos. Naquele dia eu não suportei te ver daquele jeito. Paguei um taxi de volta e passei o dia na casa da minha irmão. No outro dia a tarde fui até o apartamento... Eu ainda tenho as chaves, sabia disso? Quando cheguei lá não havia ninguém, nada. Suas roupas, livros, fotografias, tudo. TUDO! Não havia mais nada lá. Eu quis morrer de tanta raiva de mim mesmo e de você também naquela cama que costumava ser nossa. NOSSA, MERDA! - Seus olhos não comportavam mais as lagrimas. Você ficava tão lindo chorando. Fora sempre tão perfeito, a natureza sempre lhe ajudara tanto. A chuva em teus cabelos te deixava tão bonito, até o vento mudava de direção para embelezar você. Cada palavra dita parecia uma marretada na minha cabeça dura. - E sabe o que eu achei jogado no chão perto de umas caixas onde você guardava nossas fotografias? O Caco. Você lembra dele. Um maldito leão de pelúcia que costumávamos tratar como filho. E você o deixou lá, jogado, como se fosse algo que...
- Você prometeu cuidar dele e depois me deixou sozinho com todas as lembranças que haviam naquela casa. As lembranças que um dia me deixavam feliz e no outro me faziam chorar. Será que você não percebe que a nossa relação acabou no dia em que você saiu daquela casa?
- Eu sei que a culpa é minha. Eu nunca tentei culpar você pelo fim do nosso relacionamento, mas você fugiu.
- Fugi de todas as coisas que podiam continuar me machucando...
- VOCÊ FUGIU DE MIM!
-DA MESMA MANEIRA QUE VOCÊ PARTIU POR NÃO QUERER ME VER SOFRER EU PARTIR PRA EVITAR SOFRER MAIS. Você sabe que não tinha o direito de decidir isso pra mim, antes sofrendo por você mas ao seu lado do quê ter que sofrer a eternidade longe de você.
- CARALHO. EU SEI QUE EU ERREI MAS VOCÊ NÃO ENTENDE? VOCÊ, RAVI, NUNCA ME DEU A CHANCE DE SER PERDOADO. VOCÊ NUNCA ME DEU A CHANCE DE ACERTAR AS COISAS, DE TE PEDIR DESCULPAS. VOCÊ FUGIU E FAZENDO ISSO ME AMARROU NA CULPA DE TER DEIXADO O AMOR DA MINHA SOFRENDO SOZINHO. Você nunca me deu a oportunidade de te pedir desculpas e isso não foi justo.
Eu nunca o culpei por nada, sempre achei que o fato dele não ter aparecido naquele doze de junho foi o mundo nos tentando dizer que já era hora de cada um seguir seu caminho, mas nesses últimos segundos consegui o culpar por muita coisa, e agora já não conseguia colocar a culpa em mais ninguém exceto em mim mesmo.
- Meu Deus, Ravi. O que aconteceu com você?
- Eu andei bebendo esses dias, não consegui dormi também.
- E onde está aquele seu amigo que...?
- Ele me deixou. Quando acordei antes de ontem ele não estava mais lá. Ele deixou um monte de papeis, achei que fosse um carta ou algo assim, mas haviam poucas coisas escritas. Ele disse: - Escreveu até a oitava, já está na hora de viver a nona.- E foi só. Eu tentei fazer o que ele disse, mas não consegui escrever nada nos papeis que ele deixou, então comecei a beber, mas... De que diabos estamos falando? Você agora tem sua chance de se desculpar, o que esta esperando?
- Desculpa, Ravi. Desculpa por não ter tido coragem de te ver chorar e enfrentar isso com você. Desculpa por ter sido um covarde e ter deixado que nosso amor fosse levado pelo vento e pela distancia. Desculpe por ter feito as escolhas erradas e de ter te ferido diretamente com elas. Desculpe pelo nosso fim.
Ah, os teus olhos. Eu nunca te culpara por nada, o que me faria não aceitar suas desculpas agora?
- Desculpas aceitas.
Você sorriu e um raio de luz atravessou uma nuvem negra que cobria o céul, isso sempre acontecia quando estávamos juntos. Agora o dia parecia um pouco menos triste.
- É minha vez, então. Eu parti e foi a pior decisão que eu poderia ter tomado. Achei que não teria mais você do meu lado para me ajudar a lhe dar com a vida. Precisava me livrar de tudo e começar do zero.
- Depois que sai do apartamento vim correndo pra cá...
- Eu viajei e bloqueei totalmente todas as minhas memorias das coisas que vivi aqui, mas nunca fui capaz de esquece-las.
- Procurei você pelo parque todo, mas não te encontrei em lugar algum...
- Ainda no avião me prometi que nunca mais apareceria aqui.
- Começou a chover e eu abracei o caco nos meus braço e prometi que nunca o deixaria outra vez...
- Eu construí uma vida lá, arranjei um bom emprego e fiz alguns bons amigos. Eu podia sorrir a vontade, mas sempre que estava tudo bem eu sentia que alguma coisa estava faltando, me apareceria um grande vazio dentro de mim.
- Passei a semana vindo para o parque na esperança de um dia encontrar você, as semanas viraram dias em que eu sentia sua falta e esses dias viraram mais um vez o dia doze de cada mês. Quando ouvi dos seus amigos que eles também não tinham noticias de você eu decidi que era hora de começar a caminhar para o futuro outra vez...
- Me envolvi muito com outras pessoas, mas o Vitor era tão presente que quando deixou de ser meu amigo para ser meu namorado eu não senti nada mudar.
- Mudei de volta pra cá, arranjei um outro emprego e comecei a viver como fazia antes de te conhecer. Foi difícil pois eu não conseguia me lembrar muito da minha vida sem você...
- Namoramos muito tempo, mas ele nunca soube das coisas que eu realmente sentia. Nunca me permitir um aproximação muito intensa com outra pessoa que não fosse você.
- Eu conheci a Mirela nas aulas de espanhol, ela sempre fui muito legal comigo, achei que uma hora eu teria que seguir em frente de uma vez. Escolhi ela pois sabia que nem um outro homem seria capaz de viver comigo as coisas que vivi com você...
- Um dia o Vitor me pediu para vim conhecer minha historia, eu não tive motivos pra negar, achava que poderia lhe dar com a cidade antiga e esse parque com muita facilidade.
- A vida era calma, muitas vezes chata, mas era bom vive-la. Até que um dia...
- Foi ai que um dia passeando nesse parque...
- Você voltou, voltou pra...
- Eu te vi, e o meu coração parou junto com todas as outras coisas nesse parque...
- Fiquei tão confuso...
- Fiquei maluco...
- A ultima coisa que me lembro...
- Você me beijando e dizendo...
- Que eu estava lá.
- Que você estava lá.
- Agora estamos ambos aqui.
- Juntos mais uma vez.
E a chuva parou. Sabíamos o que significava mais eu me recusava a acreditar.
- Sabe, ___. A distancia, o tempo que passamos sem nos ver, todas as coisas que aconteceram nas nossas vidas, hoje já não significam muito para mim. O agora, esse exato momento não significa nada pra mim. O que vou fazer depois é o que realmente importa. Pois nada mudou desde que deixei esse parque querendo começar um vida nova, nada mudou desde que beijei você naquele dia na rua, nada mudou desde que sai de casa pra te desenhar um coração de areia e nada vai mudar nunca, por quê não importa se vamos ficar juntos ou não, eu vou te amar. Sempre e sempre eu vou te amar. Posso me deitar com pessoas, posso me deitar com mil delas, mas é com você que eu desejo acordar todo dia. Eu posso namorar, casar, passar anos do lado de uma outra pessoa, mas passarei esses anos pensando o quanta seria melhor se fosse com você. Eu posso morrer agora e minhas energias vão ser canalizadas para um tarefa simples, a de mostrar a você que ainda assim te amo, e vai nascer uma arvore no quintal de sua casa e essa arvore vou ser eu. É por quê esse mundo decidiu que eu iria te amar pra sempre e eu aceitei a decisão do mundo como a minha decisão, a melhor das minhas decisões. E quer saber, eu não ligo! Eu não ligo para o que o mundo decide, não ligo para o amor que sinto, não ligo para o que vou amar depois de morto. Eu não ligo para nada.
Você estava assustado com a reviravolta das palavras, não sabia como ou com o que reagir.
- Esse é teu jeito de dizer adeus?
- ADEUS? - Agarrei teus braços com a força das duas mãos e olhando nos teus olhos te revelei qual era a única pra qual eu sempre liguei. - Não, essa é mais uma das minhas maneiras de dizer que EU TE AMO.
Beijei-te e foi magico. O céu se abriu num clarão e os últimos raios de sol daquele dia nos banharam de luz.
- Então...
- Estar com você é a única coisa para qual ligo, não vou deixar de estar com você jamais.
- Só ligo para o espaço que sua vida preenche na minha.
Olhamos pra cima encaramos juntos um céu limpo, um estranho brilho piscou diante dos nossos olhos. Pela primeira vez tínhamos achado a primeira estrela do céu juntos, ou será que foi ela que nos achou?
- Vamos pra cara, Ravi?
- Sua casa?
- Nossa casa. Você precisa de um banho.
- Preciso escrever minha nona maneira, fica bem mais fácil depois de vive-la.
- Você precisa é cuidar do Caco e ele precisa do seu outro pai. Vamos.
Saímos abraçados e encharcados do parque, sorrindo abestalhados e sentindo o vento frio do começo da noite.
- Espera.
- O que foi, Ravi.
- Eu te amo, _____.
- E eu te amo junto, Ravi Aynore.
E juntos nós fomos viver as nossas vidas “juntos”.
" Eu sei que as vezes sou pra sempre mesmo que sempe não seja todo dia." O.M
A ultima, amor.
do Blog, é claro. Pois ainda vou descobrir mil outras maneiras de dizer o quanto te amo. =)
TE AMO!.
Eronya.
Arrocha Tchê!
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Nono clichê.
Nona, última.
Fazia muito tempo que não vinha a minha cidade, desde que me mudei sempre evitei voltar e encarar todo o passado. Três anos, quase quatro. Que loucura! Tanta coisa me aconteceu depois de tudo que vive aqui, e agora estou de volta, passeando pelo mesmo parque, pisando nas mesmas folhas secas de outono, admirando as mesmas arvores que me admiravam a anos atrás.
A noite estava fria e agradável como sempre fora, as pessoas passavam, algumas delas se quer lembravam de mim, nada que me incomodasse, muitas delas não significavam nada pra mim, mas mesmo assim elas continuavam ali, passando. A nostalgia me maltratava, isso não era visível a minha companhia, pois estava me esforçando o máximo para transparecer que o passeio noturno ao parque do meu passado estava sendo agradável.
- Amor? - Disse ele.
- Oi.
- Vinha muito aqui?
- As vezes, com alguns amigos. Por quê?
- O jeito como você olha as coisas, parece que está em casa.
- E estou, querendo ou não voltei pra onde tudo começou. É tão irônico que...
O mundo parou, parou a minha voz, o tempo, as pessoas que passavam, parou o coração, a abeça e os meus olhos em você. Eu tinha medos, mas todo eles muito difíceis de acontecer, esse era um deles. Encontrar você no parque onde passávamos as tardes depois de quase quatro anos era, para mim, algo simplesmente impossível. O mundo ainda parado, e só você se movia, lentamente, cortando as pessoas congeladas assim como o tempo. Naquele momento só você tinha vida, e os meus ousados olhos que te seguiam. Tudo voltou a funcionar, me engasguei com algo que não existia, Vitor do meu lado me admirava espantado. Você estava ali, no mesmo lugar que eu, na mesma hora, na mesma noite e eu podia ver o teu sorriso, finalmente, depois de tanto tempo. Havia com você uma moça, sua namorado, noiva, sei lá. Era pra ela que você sorria tanto. Olhos, cabeça, ombros, corpo, todos eles te seguiam pelo parque. O Vitor me perguntava: - Mor, você tá bem? - mas eu sequer estava la para lhe responder. Era lindo como a brisa gelada da noite ainda brincava com os seus cabelos sempre lisos. E tudo parou outra vez. Seu olhar encontrou o meu e de instante se desfez o belo sorriso. Seu corpo ia, mas teus olhos permaneciam nos meus. De lento para mais lento você foi parando, apertou com força a mão de sua companheira e o vento finalmente se afastou dos teus cabelos. Tudo parado, teu olho no meu... A vida voltou a correr depressa quando você desviou o teu olhar pro chão, pensou, exitou, me olhou de novo, acenou e sorrio. Meu coração gelou, tudo lá fora se movia com rapidez, menos meu organismos, meus pensamentos, minha vida, que lentamente exibia um filme diante dos meus olhos. Com muito peso também te acenei e com muito pesar sorri. Feito isso você saiu arrastando a garota que lhe acompanhava e sumiu na multidão de casais a passeio. E em mim, nas minhas veias, corria a agua mais gelada que se possa imaginar no lugar do sangue. Petrificado os pouco fui voltando ao presente do parque frio agradável, seguindo a voz de Vitor que não parava de me chamar.
- Amor? Amor?
- Quê?
- Quem era?
- _____!
- Sim... Quem era?
- Me ex-namorado.
Vitor falava demais as vezes, não era uma coisa que me irritasse, mas tinha dias que acompanha-lo pra qualquer lugar não era tão agradável, esse estava sendo um desses dias.
- ____, de ____ ____?
- Isso mesmo.
- Aquele sobre o qual você sempre escrevia?
- Esse.
- Aquele que... - Quando ele falava demais eu simplesmente ignorava o final das frases e julgava o que tinha que responder pelo inicio delas.
- Hunrun, isso!
- Ele é bonito!
- Está mais bonito agora.
- E aquela, quem era?
- Ouvi dizer que ele estava namorando, mas nunca soube se era verdade. Ela deve ser a namorada de verdade dele.
- Nunca acreditei nessa historia de ex-gays.
Eu não gostava quando o Vitor falava das coisas que ele acreditava ou não, mas aquilo nunca tinha me deixado muito zangado até agora. Vê-lo falando de você, te julgando, me fez crescer um estanho ódio dentro do meu casaco de frio.
- Quer saber... Porque você não vai até aquele quiosque e nos compra alguma coisa quente pra beber. O tempo esta começando esfriar aqui no parque.
- É uma boa ideia, você não vem junto.
- Não... Sabe, eu costumava sentar aqui sozinho depois de uma longa caminhada. Era aqui que eu refletia sobre as coisas que me aconteciam. Quero ficar e pensar um pouco.
- Refletir?
- Isso!
- Tudo bem, vou nos comprar alguma coisa.
Era fácil inventar qualquer mentira para o Vitor, na verdade ele nunca soube muito sobre mim, qualquer coisa que fosse dita ele não teria motivos suficientes para desconfiar. O banco onde disse que sentava para refletir nem se quer existia quando eu morava aqui. Sentando, cacei você por algum tempo, pouco tempo. Te achei fácil no meio da multidão como sempre fazia, algo em você sempre me chamou atenção. Era o sorriso, sempre foi. Se um dia parou de sorrir, nesse dia não consegui te encontrar. Passeei com você pelo parque, só nós dois, você e os meus olhos. Anulei toda e qualquer outra coisa que não fossem eu ou você naquele parque. Estávamos os dois, juntos outra vez, passeando pelo parque que adorávamos há tempos atrás. Mais uma vez os teus olhos encontraram os meus, mas não pude admira-los o tempo que gostaria pois o Vitor voltou com duas chicaras de chocolate quente.
- Aqui, amor. Cuidado, está quente.
- Brigado, Vitor.
- Então... Esse ___, ele morava contigo, não era?
- Morava sim, ainda tem as chaves do apartamento, eu acho.
- E porquê acabaram?
- Vitor realmente precisa aprender quando parar. Se nunca tinha falado do ____ para ele, porque ele acha que gostaria de falar agora?
- Nós nunca acabamos de verdade. Um dia ele arranjou um emprego em outra cidade não tão longe daqui e teve que se mudar pra lá. Ainda assim, distantes, tentamos ficar juntos. Nas vezes que dava eu ia até a casa dele e passávamos dois, três dias juntos. Depois de algum tempo essa visitas foram ficando apenas pros finais de semana. Algum tempo mais tarde foi minha vez de arranjar um emprego num jornal, mal podia sair, nem os finais de semana. Passamos a nos ver, então, apenas no dia doze de cada mês, foi o dia em que começamos a namorar. Nós nos encontrávamos sempre nesse mesmo parque, logo ali, atrás das arvores. Ali perto tinha um lago, nos ficávamos ali, sentados, abraçados, falando bobagens o dia inteiro. Quando o sol começava a se esconder ele deitava no meu colo, fechava os olhos e eu ficava fazendo carinho nos seus cabelos, ele ficava me ouvindo falar sobre a vida, ficava me ouvindo cantar. Quando o céu estava quase escuro nós brincávamos de ver quem conseguia achar a primeira estrela, ele sempre ganhava. Um dia, no decimo segundo, do sexto mês, eu vim para o parque, como de costume, esperar por ele, mas ele não apareceu. Passei o dia todo fazendo sozinho as coisas que fazíamos juntos. Quando a primeira estrala do céu apareceu, fui eu o primeiro a encontra-la. Daí eu entendi o que tudo aquilo significava. Voltei pra casa, arrumei as coisas e no outro dia de manhã estava dentro de um avião pra o Rio. Três meses depois conheci você.
- Que historia! Nós estamos juntos a dois anos e pouquinho, mas já faz mais tempo que nós nos conhecemos.
- Vão fazer quatro anos que deixei essa cidade. Foi numa sexta-feira treze, de mês de junho, chovia muito, não foi fácil pra mim arrumar todas as coisas e ir embora de vez.
- Ele te deixou no dia dos namorados?
- Não faz nem uma diferença, era dia doze, não importa o mês. Ele devia ter aparecido por lá.
- Desde então nunca se falaram?
- Recebi alguns e-mails, mas nunca os li. Alguns amigos me falavam dele, mas com o tempo eles também foram esquecendo, e foi assim que sumimos um da vida do outro.
Foi surpresa pra mim ver que o Vitor não reagia de maneira negativa a minha historia. Me parecia que eu estava lhe contando uma aventura qualquer, dessa sem nem uma emoção.
- Amor, vou me comprar um cachorro quente. Você quer um.
- Não, obrigado.
- Você não vem, certo?
Fiz que não com a cabeça e ele entendeu o meu: “ Vou ficar bem.”. Foi a um outro quiosque bem mais distante lhe comprar um cachorro quente.
Tive, então, a chance de te olhar mais uma vez, mas diversas vezes percorri o parque com o meu olhar e não consegui te encontrar, naquele momento eu percebi que você não estava mais sorrindo. Fiquei de pé para tentar te procurar melhor, mas nada adiantava, sem o teu sorriso, achar você se tornara a coisa mais complicada. Enquanto o procurava senti uma mão pesar no meu ombro, quando virei me deparei com você na minha frente. Você não exitou, com uma das mãos agarrou a gola do meu casaco, com a outra me laçou o pescoço, me puxou contra seu corpo e então me beijou. Me beijou um beijo molhado de lagrimas. Normalmente não teria como retribuir tal beijo, já que o susto fora tão grande, mas nossos lábios se entendiam tanto que o beijo simplesmente fluiu. Depois você encostou sua cabeça e meu peito e falou mil vezes repetidas: - Eu estava lá. Eu estava lá... -
A única coisa que consegui dizer depois que acompanhei suas costas ao te ver correndo depois de sair do meu abraço foi: - Eu também estava lá.
...
Continua.
Arrocha Tchê!
Fazia muito tempo que não vinha a minha cidade, desde que me mudei sempre evitei voltar e encarar todo o passado. Três anos, quase quatro. Que loucura! Tanta coisa me aconteceu depois de tudo que vive aqui, e agora estou de volta, passeando pelo mesmo parque, pisando nas mesmas folhas secas de outono, admirando as mesmas arvores que me admiravam a anos atrás.
A noite estava fria e agradável como sempre fora, as pessoas passavam, algumas delas se quer lembravam de mim, nada que me incomodasse, muitas delas não significavam nada pra mim, mas mesmo assim elas continuavam ali, passando. A nostalgia me maltratava, isso não era visível a minha companhia, pois estava me esforçando o máximo para transparecer que o passeio noturno ao parque do meu passado estava sendo agradável.
- Amor? - Disse ele.
- Oi.
- Vinha muito aqui?
- As vezes, com alguns amigos. Por quê?
- O jeito como você olha as coisas, parece que está em casa.
- E estou, querendo ou não voltei pra onde tudo começou. É tão irônico que...
O mundo parou, parou a minha voz, o tempo, as pessoas que passavam, parou o coração, a abeça e os meus olhos em você. Eu tinha medos, mas todo eles muito difíceis de acontecer, esse era um deles. Encontrar você no parque onde passávamos as tardes depois de quase quatro anos era, para mim, algo simplesmente impossível. O mundo ainda parado, e só você se movia, lentamente, cortando as pessoas congeladas assim como o tempo. Naquele momento só você tinha vida, e os meus ousados olhos que te seguiam. Tudo voltou a funcionar, me engasguei com algo que não existia, Vitor do meu lado me admirava espantado. Você estava ali, no mesmo lugar que eu, na mesma hora, na mesma noite e eu podia ver o teu sorriso, finalmente, depois de tanto tempo. Havia com você uma moça, sua namorado, noiva, sei lá. Era pra ela que você sorria tanto. Olhos, cabeça, ombros, corpo, todos eles te seguiam pelo parque. O Vitor me perguntava: - Mor, você tá bem? - mas eu sequer estava la para lhe responder. Era lindo como a brisa gelada da noite ainda brincava com os seus cabelos sempre lisos. E tudo parou outra vez. Seu olhar encontrou o meu e de instante se desfez o belo sorriso. Seu corpo ia, mas teus olhos permaneciam nos meus. De lento para mais lento você foi parando, apertou com força a mão de sua companheira e o vento finalmente se afastou dos teus cabelos. Tudo parado, teu olho no meu... A vida voltou a correr depressa quando você desviou o teu olhar pro chão, pensou, exitou, me olhou de novo, acenou e sorrio. Meu coração gelou, tudo lá fora se movia com rapidez, menos meu organismos, meus pensamentos, minha vida, que lentamente exibia um filme diante dos meus olhos. Com muito peso também te acenei e com muito pesar sorri. Feito isso você saiu arrastando a garota que lhe acompanhava e sumiu na multidão de casais a passeio. E em mim, nas minhas veias, corria a agua mais gelada que se possa imaginar no lugar do sangue. Petrificado os pouco fui voltando ao presente do parque frio agradável, seguindo a voz de Vitor que não parava de me chamar.
- Amor? Amor?
- Quê?
- Quem era?
- _____!
- Sim... Quem era?
- Me ex-namorado.
Vitor falava demais as vezes, não era uma coisa que me irritasse, mas tinha dias que acompanha-lo pra qualquer lugar não era tão agradável, esse estava sendo um desses dias.
- ____, de ____ ____?
- Isso mesmo.
- Aquele sobre o qual você sempre escrevia?
- Esse.
- Aquele que... - Quando ele falava demais eu simplesmente ignorava o final das frases e julgava o que tinha que responder pelo inicio delas.
- Hunrun, isso!
- Ele é bonito!
- Está mais bonito agora.
- E aquela, quem era?
- Ouvi dizer que ele estava namorando, mas nunca soube se era verdade. Ela deve ser a namorada de verdade dele.
- Nunca acreditei nessa historia de ex-gays.
Eu não gostava quando o Vitor falava das coisas que ele acreditava ou não, mas aquilo nunca tinha me deixado muito zangado até agora. Vê-lo falando de você, te julgando, me fez crescer um estanho ódio dentro do meu casaco de frio.
- Quer saber... Porque você não vai até aquele quiosque e nos compra alguma coisa quente pra beber. O tempo esta começando esfriar aqui no parque.
- É uma boa ideia, você não vem junto.
- Não... Sabe, eu costumava sentar aqui sozinho depois de uma longa caminhada. Era aqui que eu refletia sobre as coisas que me aconteciam. Quero ficar e pensar um pouco.
- Refletir?
- Isso!
- Tudo bem, vou nos comprar alguma coisa.
Era fácil inventar qualquer mentira para o Vitor, na verdade ele nunca soube muito sobre mim, qualquer coisa que fosse dita ele não teria motivos suficientes para desconfiar. O banco onde disse que sentava para refletir nem se quer existia quando eu morava aqui. Sentando, cacei você por algum tempo, pouco tempo. Te achei fácil no meio da multidão como sempre fazia, algo em você sempre me chamou atenção. Era o sorriso, sempre foi. Se um dia parou de sorrir, nesse dia não consegui te encontrar. Passeei com você pelo parque, só nós dois, você e os meus olhos. Anulei toda e qualquer outra coisa que não fossem eu ou você naquele parque. Estávamos os dois, juntos outra vez, passeando pelo parque que adorávamos há tempos atrás. Mais uma vez os teus olhos encontraram os meus, mas não pude admira-los o tempo que gostaria pois o Vitor voltou com duas chicaras de chocolate quente.
- Aqui, amor. Cuidado, está quente.
- Brigado, Vitor.
- Então... Esse ___, ele morava contigo, não era?
- Morava sim, ainda tem as chaves do apartamento, eu acho.
- E porquê acabaram?
- Vitor realmente precisa aprender quando parar. Se nunca tinha falado do ____ para ele, porque ele acha que gostaria de falar agora?
- Nós nunca acabamos de verdade. Um dia ele arranjou um emprego em outra cidade não tão longe daqui e teve que se mudar pra lá. Ainda assim, distantes, tentamos ficar juntos. Nas vezes que dava eu ia até a casa dele e passávamos dois, três dias juntos. Depois de algum tempo essa visitas foram ficando apenas pros finais de semana. Algum tempo mais tarde foi minha vez de arranjar um emprego num jornal, mal podia sair, nem os finais de semana. Passamos a nos ver, então, apenas no dia doze de cada mês, foi o dia em que começamos a namorar. Nós nos encontrávamos sempre nesse mesmo parque, logo ali, atrás das arvores. Ali perto tinha um lago, nos ficávamos ali, sentados, abraçados, falando bobagens o dia inteiro. Quando o sol começava a se esconder ele deitava no meu colo, fechava os olhos e eu ficava fazendo carinho nos seus cabelos, ele ficava me ouvindo falar sobre a vida, ficava me ouvindo cantar. Quando o céu estava quase escuro nós brincávamos de ver quem conseguia achar a primeira estrela, ele sempre ganhava. Um dia, no decimo segundo, do sexto mês, eu vim para o parque, como de costume, esperar por ele, mas ele não apareceu. Passei o dia todo fazendo sozinho as coisas que fazíamos juntos. Quando a primeira estrala do céu apareceu, fui eu o primeiro a encontra-la. Daí eu entendi o que tudo aquilo significava. Voltei pra casa, arrumei as coisas e no outro dia de manhã estava dentro de um avião pra o Rio. Três meses depois conheci você.
- Que historia! Nós estamos juntos a dois anos e pouquinho, mas já faz mais tempo que nós nos conhecemos.
- Vão fazer quatro anos que deixei essa cidade. Foi numa sexta-feira treze, de mês de junho, chovia muito, não foi fácil pra mim arrumar todas as coisas e ir embora de vez.
- Ele te deixou no dia dos namorados?
- Não faz nem uma diferença, era dia doze, não importa o mês. Ele devia ter aparecido por lá.
- Desde então nunca se falaram?
- Recebi alguns e-mails, mas nunca os li. Alguns amigos me falavam dele, mas com o tempo eles também foram esquecendo, e foi assim que sumimos um da vida do outro.
Foi surpresa pra mim ver que o Vitor não reagia de maneira negativa a minha historia. Me parecia que eu estava lhe contando uma aventura qualquer, dessa sem nem uma emoção.
- Amor, vou me comprar um cachorro quente. Você quer um.
- Não, obrigado.
- Você não vem, certo?
Fiz que não com a cabeça e ele entendeu o meu: “ Vou ficar bem.”. Foi a um outro quiosque bem mais distante lhe comprar um cachorro quente.
Tive, então, a chance de te olhar mais uma vez, mas diversas vezes percorri o parque com o meu olhar e não consegui te encontrar, naquele momento eu percebi que você não estava mais sorrindo. Fiquei de pé para tentar te procurar melhor, mas nada adiantava, sem o teu sorriso, achar você se tornara a coisa mais complicada. Enquanto o procurava senti uma mão pesar no meu ombro, quando virei me deparei com você na minha frente. Você não exitou, com uma das mãos agarrou a gola do meu casaco, com a outra me laçou o pescoço, me puxou contra seu corpo e então me beijou. Me beijou um beijo molhado de lagrimas. Normalmente não teria como retribuir tal beijo, já que o susto fora tão grande, mas nossos lábios se entendiam tanto que o beijo simplesmente fluiu. Depois você encostou sua cabeça e meu peito e falou mil vezes repetidas: - Eu estava lá. Eu estava lá... -
A única coisa que consegui dizer depois que acompanhei suas costas ao te ver correndo depois de sair do meu abraço foi: - Eu também estava lá.
...
Continua.
Arrocha Tchê!
Nono clichê.
Nona, última.
Fazia muito tempo que não vinha a minha cidade, desde que me mudei sempre evitei voltar e encarar todo o passado. Três anos, quase quatro. Que loucura! Tanta coisa me aconteceu depois de tudo que vive aqui, e agora estou de volta, passeando pelo mesmo parque, pisando nas mesmas folhas secas de outono, admirando as mesmas arvores que me admiravam a anos atrás.
A noite estava fria e agradável como sempre fora, as pessoas passavam, algumas delas se quer lembravam de mim, nada que me incomodasse, muitas delas não significavam nada pra mim, mas mesmo assim elas continuavam ali, passando. A nostalgia me maltratava, isso não era visível a minha companhia, pois estava me esforçando o máximo para transparecer que o passeio noturno ao parque do meu passado estava sendo agradável.
Amor? - Disse ele.
Oi.
Vinha muito aqui?
As vezes, com alguns amigos. Por quê?
O jeito como você olha as coisas, parece que está em casa.
E estou, querendo ou não voltei pra onde tudo começou. É tão irônico que...
O mundo parou, parou a minha voz, o tempo, as pessoas que passavam, parou o coração, a abeça e os meus olhos em você. Eu tinha medos, mas todo eles muito difíceis de acontecer, esse era um deles. Encontrar você no parque onde passávamos as tardes depois de quase quatro anos era, para mim, algo simplesmente impossível. O mundo ainda parado, e só você se movia, lentamente, cortando as pessoas congeladas assim como o tempo. Naquele momento só você tinha vida, e os meus ousados olhos que te seguiam. Tudo voltou a funcionar, me engasguei com algo que não existia, Vitor do meu lado me admirava espantado. Você estava ali, no mesmo lugar que eu, na mesma hora, na mesma noite e eu podia ver o teu sorriso, finalmente, depois de tanto tempo. Havia com você uma moça, sua namorado, noiva, sei lá. Era pra ela que você sorria tanto. Olhos, cabeça, ombros, corpo, todos eles te seguiam pelo parque. O Vitor me perguntava: - Mor, você tá bem? - mas eu sequer estava la para lhe responder. Era lindo como a brisa gelada da noite ainda brincava com os seus cabelos sempre lisos. E tudo parou outra vez. Seu olhar encontrou o meu e de instante se desfez o belo sorriso. Seu corpo ia, mas teus olhos permaneciam nos meus. De lento para mais lento você foi parando, apertou com força a mão de sua companheira e o vento finalmente se afastou dos teus cabelos. Tudo parado, teu olho no meu... A vida voltou a correr depressa quando você desviou o teu olhar pro chão, pensou, exitou, me olhou de novo, acenou e sorrio. Meu coração gelou, tudo lá fora se movia com rapidez, menos meu organismos, meus pensamentos, minha vida, que lentamente exibia um filme diante dos meus olhos. Com muito peso também te acenei e com muito pesar sorri. Feito isso você saiu arrastando a garota que lhe acompanhava e sumiu na multidão de casais a passeio. E em mim, nas minhas veias, corria a agua mais gelada que se possa imaginar no lugar do sangue. Petrificado os pouco fui voltando ao presente do parque frio agradável, seguindo a voz de Vitor que não parava de me chamar.
Amor? Amor?
Quê?
Quem era?
_____!
Sim... Quem era?
Me ex-namorado.
Vitor falava demais as vezes, não era uma coisa que me irritasse, mas tinha dias que acompanha-lo pra qualquer lugar não era tão agradável, esse estava sendo um desses dias.
- ____, de ____ ____?
Isso mesmo.
Aquele sobre o qual você sempre escrevia?
Esse.
Aquele que... - Quando ele falava demais eu simplesmente ignorava o final das frases e julgava o que tinha que responder pelo inicio delas.
Hunrun, isso!
Ele é bonito.
Está mais bonito agora.
E aquela, quem é?
Ouvi dizer que ele estava namorando, mas nunca soube se era verdade. Ela deve ser a namorada de verdade dele.
Nunca acreditei nessa historia de ex-gays.
Eu não gostava quando o Vitor falava das coisas que ele acreditava ou não, mas aquilo nunca tinha me deixado muito zangado até agora. Vê-lo falando de você, te julgando, me fez crescer um estanho ódio dentro do meu casaco de frio.
Quer saber... Porque você não vai até aquele quiosque e nos compra alguma coisa quente pra beber. O tempo esta começando esfriar aqui no parque.
É uma boa ideia, você não vem junto.
Não... Sabe, eu costumava sentar aqui sozinho depois de uma longa caminhada. Era aqui que eu refletia sobre as coisas que me aconteciam. Quero ficar e pensar um pouco.
Refletir?
Isso!
Tudo bem, vou nos comprar alguma coisa.
Era fácil inventar qualquer mentira para o Vitor, na verdade ele nunca soube muito sobre mim, qualquer coisa que fosse dita ele não teria motivos suficientes para desconfiar. O banco onde disse que sentava para refletir nem se quer existia quando eu morava aqui. Sentando, cacei você por algum tempo, pouco tempo. Te achei fácil no meio da multidão como sempre fazia, algo em você sempre me chamou atenção. Era o sorriso, sempre foi. Se um dia parou de sorrir, nesse dia não consegui te encontrar. Passeei com você pelo parque, só nós dois, você e os meus olhos. Anulei toda e qualquer outra coisa que não fossem eu ou você naquele parque. Estávamos os dois, juntos outra vez, passeando pelo parque que adorávamos há tempos atrás. Mais uma vez os teus olhos encontraram os meus, mas não pude admira-los o tempo que gostaria pois o Vitor voltou com duas chicaras de chocolate quente.
Aqui, amor. Cuidado, está quente.
Brigado, Vitor.
Então... Esse ___, ele morava contigo, não era?
Morava sim, ainda tem as chaves do apartamento, eu acho.
E porquê acabaram?
Vitor realmente precisa aprender quando parar. Se nunca tinha falado do ____ para ele, porque ele acha que gostaria de falar agora?
Nós nunca acabamos de verdade. Um dia ele arranjou um emprego em outra cidade não tão longe daqui e teve que se mudar pra lá. Ainda assim, distantes, tentamos ficar juntos. Nas vezes que dava eu ia até a casa dele e passávamos dois, três dias juntos. Depois de algum tempo essa visitas foram ficando apenas pros finais de semana. Algum tempo mais tarde foi minha vez de arranjar um emprego num jornal, mal podia sair, nem os finais de semana. Passamos a nos ver, então, apenas no dia doze de cada mês, foi o dia em que começamos a namorar. Nós nos encontrávamos sempre nesse mesmo parque, logo ali, atrás das arvores. Ali perto tinha um lago, nos ficávamos ali, sentados, abraçados, falando bobagens o dia inteiro. Quando o sol começava a se esconder ele deitava no meu colo, fechava os olhos e eu ficava fazendo carinho nos seus cabelos, ele ficava me ouvindo falar sobre a vida, ficava me ouvindo cantar. Quando o céu estava quase escuro nós brincávamos de ver quem conseguia achar a primeira estrela, ele sempre ganhava. Um dia, no decimo segundo, do sexto mês, eu vim para o parque, como de costume, esperar por ele, mas ele não apareceu. Passei o dia todo fazendo sozinho as coisas que fazíamos juntos. Quando a primeira estrala do céu apareceu, fui eu o primeiro a encontra-la. Daí eu entendi o que tudo aquilo significava. Voltei pra casa, arrumei as coisas e no outro dia de manhã estava dentro de um avião pra o Rio. Três meses depois conheci você.
Que historia! Nós estamos juntos a dois anos e pouquinho, mas já faz mais tempo que nós nos conhecemos.
Vão fazer quatro anos que deixei essa cidade. Foi numa sexta-feira treze, de mês de junho, chovia muito, não foi fácil pra mim arrumar todas as coisas e ir embora de vez.
Ele te deixou no dia dos namorados?
Não faz nem uma diferença, era dia doze, não importa o mês. Ele devia ter aparecido por lá.
Desde então nunca se falaram?
Recebi alguns e-mails, mas nunca os li. Alguns amigos me falavam dele, mas com o tempo eles também foram esquecendo, e foi assim que sumimos um da vida do outro.
Foi surpresa pra mim ver que o Vitor não reagia de maneira negativa a minha historia. Me parecia que eu estava lhe contando uma aventura qualquer, dessa sem nem uma emoção.
Amor, vou me comprar um cachorro quente. Você quer um.
Não, obrigado.
Você não vem, certo?
Fiz que não com a cabeça e ele entendeu o meu: “ Vou ficar bem.”. Foi a um outro quiosque bem mais distante lhe comprar um cachorro quente.
Tive, então, a chance de te olhar mais uma vez, mas diversas vezes percorri o parque com o meu olhar e não consegui te encontrar, naquele momento eu percebi que você não estava mais sorrindo. Fiquei de pé para tentar te procurar melhor, mas nada adiantava, sem o teu sorriso, achar você se tornara a coisa mais complicada. Enquanto o procurava senti uma mão pesar no meu ombro, quando virei me deparei com você na minha frente. Você não exitou, com uma das mãos agarrou a gola do meu casaco, com a outra me laçou o pescoço, me puxou contra seu corpo e então me beijou. Me beijou um beijo molhado de lagrimas. Normalmente não teria como retribuir tal beijo, já que o susto fora tão grande, mas nossos lábios se entendiam tanto que o beijo simplesmente fluiu. Depois você encostou sua cabeça e meu peito e falou mil vezes repetidas: - Eu estava lá. Eu estava lá... -
A única coisa que consegui dizer depois que acompanhei suas costas ao te ver correndo depois de sair do meu abraço foi: - Eu também estava lá.
...
Continua.
Arrocha Tchê!
Fazia muito tempo que não vinha a minha cidade, desde que me mudei sempre evitei voltar e encarar todo o passado. Três anos, quase quatro. Que loucura! Tanta coisa me aconteceu depois de tudo que vive aqui, e agora estou de volta, passeando pelo mesmo parque, pisando nas mesmas folhas secas de outono, admirando as mesmas arvores que me admiravam a anos atrás.
A noite estava fria e agradável como sempre fora, as pessoas passavam, algumas delas se quer lembravam de mim, nada que me incomodasse, muitas delas não significavam nada pra mim, mas mesmo assim elas continuavam ali, passando. A nostalgia me maltratava, isso não era visível a minha companhia, pois estava me esforçando o máximo para transparecer que o passeio noturno ao parque do meu passado estava sendo agradável.
Amor? - Disse ele.
Oi.
Vinha muito aqui?
As vezes, com alguns amigos. Por quê?
O jeito como você olha as coisas, parece que está em casa.
E estou, querendo ou não voltei pra onde tudo começou. É tão irônico que...
O mundo parou, parou a minha voz, o tempo, as pessoas que passavam, parou o coração, a abeça e os meus olhos em você. Eu tinha medos, mas todo eles muito difíceis de acontecer, esse era um deles. Encontrar você no parque onde passávamos as tardes depois de quase quatro anos era, para mim, algo simplesmente impossível. O mundo ainda parado, e só você se movia, lentamente, cortando as pessoas congeladas assim como o tempo. Naquele momento só você tinha vida, e os meus ousados olhos que te seguiam. Tudo voltou a funcionar, me engasguei com algo que não existia, Vitor do meu lado me admirava espantado. Você estava ali, no mesmo lugar que eu, na mesma hora, na mesma noite e eu podia ver o teu sorriso, finalmente, depois de tanto tempo. Havia com você uma moça, sua namorado, noiva, sei lá. Era pra ela que você sorria tanto. Olhos, cabeça, ombros, corpo, todos eles te seguiam pelo parque. O Vitor me perguntava: - Mor, você tá bem? - mas eu sequer estava la para lhe responder. Era lindo como a brisa gelada da noite ainda brincava com os seus cabelos sempre lisos. E tudo parou outra vez. Seu olhar encontrou o meu e de instante se desfez o belo sorriso. Seu corpo ia, mas teus olhos permaneciam nos meus. De lento para mais lento você foi parando, apertou com força a mão de sua companheira e o vento finalmente se afastou dos teus cabelos. Tudo parado, teu olho no meu... A vida voltou a correr depressa quando você desviou o teu olhar pro chão, pensou, exitou, me olhou de novo, acenou e sorrio. Meu coração gelou, tudo lá fora se movia com rapidez, menos meu organismos, meus pensamentos, minha vida, que lentamente exibia um filme diante dos meus olhos. Com muito peso também te acenei e com muito pesar sorri. Feito isso você saiu arrastando a garota que lhe acompanhava e sumiu na multidão de casais a passeio. E em mim, nas minhas veias, corria a agua mais gelada que se possa imaginar no lugar do sangue. Petrificado os pouco fui voltando ao presente do parque frio agradável, seguindo a voz de Vitor que não parava de me chamar.
Amor? Amor?
Quê?
Quem era?
_____!
Sim... Quem era?
Me ex-namorado.
Vitor falava demais as vezes, não era uma coisa que me irritasse, mas tinha dias que acompanha-lo pra qualquer lugar não era tão agradável, esse estava sendo um desses dias.
- ____, de ____ ____?
Isso mesmo.
Aquele sobre o qual você sempre escrevia?
Esse.
Aquele que... - Quando ele falava demais eu simplesmente ignorava o final das frases e julgava o que tinha que responder pelo inicio delas.
Hunrun, isso!
Ele é bonito.
Está mais bonito agora.
E aquela, quem é?
Ouvi dizer que ele estava namorando, mas nunca soube se era verdade. Ela deve ser a namorada de verdade dele.
Nunca acreditei nessa historia de ex-gays.
Eu não gostava quando o Vitor falava das coisas que ele acreditava ou não, mas aquilo nunca tinha me deixado muito zangado até agora. Vê-lo falando de você, te julgando, me fez crescer um estanho ódio dentro do meu casaco de frio.
Quer saber... Porque você não vai até aquele quiosque e nos compra alguma coisa quente pra beber. O tempo esta começando esfriar aqui no parque.
É uma boa ideia, você não vem junto.
Não... Sabe, eu costumava sentar aqui sozinho depois de uma longa caminhada. Era aqui que eu refletia sobre as coisas que me aconteciam. Quero ficar e pensar um pouco.
Refletir?
Isso!
Tudo bem, vou nos comprar alguma coisa.
Era fácil inventar qualquer mentira para o Vitor, na verdade ele nunca soube muito sobre mim, qualquer coisa que fosse dita ele não teria motivos suficientes para desconfiar. O banco onde disse que sentava para refletir nem se quer existia quando eu morava aqui. Sentando, cacei você por algum tempo, pouco tempo. Te achei fácil no meio da multidão como sempre fazia, algo em você sempre me chamou atenção. Era o sorriso, sempre foi. Se um dia parou de sorrir, nesse dia não consegui te encontrar. Passeei com você pelo parque, só nós dois, você e os meus olhos. Anulei toda e qualquer outra coisa que não fossem eu ou você naquele parque. Estávamos os dois, juntos outra vez, passeando pelo parque que adorávamos há tempos atrás. Mais uma vez os teus olhos encontraram os meus, mas não pude admira-los o tempo que gostaria pois o Vitor voltou com duas chicaras de chocolate quente.
Aqui, amor. Cuidado, está quente.
Brigado, Vitor.
Então... Esse ___, ele morava contigo, não era?
Morava sim, ainda tem as chaves do apartamento, eu acho.
E porquê acabaram?
Vitor realmente precisa aprender quando parar. Se nunca tinha falado do ____ para ele, porque ele acha que gostaria de falar agora?
Nós nunca acabamos de verdade. Um dia ele arranjou um emprego em outra cidade não tão longe daqui e teve que se mudar pra lá. Ainda assim, distantes, tentamos ficar juntos. Nas vezes que dava eu ia até a casa dele e passávamos dois, três dias juntos. Depois de algum tempo essa visitas foram ficando apenas pros finais de semana. Algum tempo mais tarde foi minha vez de arranjar um emprego num jornal, mal podia sair, nem os finais de semana. Passamos a nos ver, então, apenas no dia doze de cada mês, foi o dia em que começamos a namorar. Nós nos encontrávamos sempre nesse mesmo parque, logo ali, atrás das arvores. Ali perto tinha um lago, nos ficávamos ali, sentados, abraçados, falando bobagens o dia inteiro. Quando o sol começava a se esconder ele deitava no meu colo, fechava os olhos e eu ficava fazendo carinho nos seus cabelos, ele ficava me ouvindo falar sobre a vida, ficava me ouvindo cantar. Quando o céu estava quase escuro nós brincávamos de ver quem conseguia achar a primeira estrela, ele sempre ganhava. Um dia, no decimo segundo, do sexto mês, eu vim para o parque, como de costume, esperar por ele, mas ele não apareceu. Passei o dia todo fazendo sozinho as coisas que fazíamos juntos. Quando a primeira estrala do céu apareceu, fui eu o primeiro a encontra-la. Daí eu entendi o que tudo aquilo significava. Voltei pra casa, arrumei as coisas e no outro dia de manhã estava dentro de um avião pra o Rio. Três meses depois conheci você.
Que historia! Nós estamos juntos a dois anos e pouquinho, mas já faz mais tempo que nós nos conhecemos.
Vão fazer quatro anos que deixei essa cidade. Foi numa sexta-feira treze, de mês de junho, chovia muito, não foi fácil pra mim arrumar todas as coisas e ir embora de vez.
Ele te deixou no dia dos namorados?
Não faz nem uma diferença, era dia doze, não importa o mês. Ele devia ter aparecido por lá.
Desde então nunca se falaram?
Recebi alguns e-mails, mas nunca os li. Alguns amigos me falavam dele, mas com o tempo eles também foram esquecendo, e foi assim que sumimos um da vida do outro.
Foi surpresa pra mim ver que o Vitor não reagia de maneira negativa a minha historia. Me parecia que eu estava lhe contando uma aventura qualquer, dessa sem nem uma emoção.
Amor, vou me comprar um cachorro quente. Você quer um.
Não, obrigado.
Você não vem, certo?
Fiz que não com a cabeça e ele entendeu o meu: “ Vou ficar bem.”. Foi a um outro quiosque bem mais distante lhe comprar um cachorro quente.
Tive, então, a chance de te olhar mais uma vez, mas diversas vezes percorri o parque com o meu olhar e não consegui te encontrar, naquele momento eu percebi que você não estava mais sorrindo. Fiquei de pé para tentar te procurar melhor, mas nada adiantava, sem o teu sorriso, achar você se tornara a coisa mais complicada. Enquanto o procurava senti uma mão pesar no meu ombro, quando virei me deparei com você na minha frente. Você não exitou, com uma das mãos agarrou a gola do meu casaco, com a outra me laçou o pescoço, me puxou contra seu corpo e então me beijou. Me beijou um beijo molhado de lagrimas. Normalmente não teria como retribuir tal beijo, já que o susto fora tão grande, mas nossos lábios se entendiam tanto que o beijo simplesmente fluiu. Depois você encostou sua cabeça e meu peito e falou mil vezes repetidas: - Eu estava lá. Eu estava lá... -
A única coisa que consegui dizer depois que acompanhei suas costas ao te ver correndo depois de sair do meu abraço foi: - Eu também estava lá.
...
Continua.
Arrocha Tchê!
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Pra ver se rima.
Bom, eu poderia falar dos cabelos,
mas o que haveria de dizer?
Que são eles lisos que desenham o vento, e que sem eles o vento seria apenas uma estranha brisa invisível.
Se falasse dos cabelos teria que dizer que o vento nada é sem os desenhos que teus fios o proporcionam.
Não posso falar do vento sem mencionar os teus cabelos. As vezes acho que o vento ali está unicamente para teus cabelos balançar.
Falaria então da testa, com rugas e linhas pensativas,
mas como falar da testa sem falar do tato?
Enquanto você pensava, eu sentia...
Sentia todas as coisas nunca pensadas por apenas tocar, meus lábios, a sua testa.
Haveria de falar de milhares de sentidos se ousasse falar de sua enrugada testa pensativa.
Posso falar com simplicidade das sobrancelhas,
é só descreve-las como perfeitas à um toque de dedos,
e enquanto o vento assanha os teus cabelos desenhando versos,
aliso suas sobrancelhas desfazendo cachos.
Mas os olhos. Quem tentaria falar dos olhos?
Tantas coisas já ditas, tantas coisas ainda a dizer.
Mas se tivesse coragem falaria que são azuis de um castanho tão intenso.
Não, não a cor, mas a sensação que em mim despertam.
Porque quando me olhas, e nada fala, assim me sinto pelo mar e céu abraçado, protegido.
Sou, ali, seguro... para sempre.
Sou dali pra sempre. (desejo ser)
Quem levantar qualquer explicação pra um coração no lugar do nariz eu direi que está errado.
Pois é assim perfeito sem qualquer explicação.
Vermelho, grande, apaixonado.
Apaixonante, adorável, simplesmente adorado.
Ali, naquele momento, em que o meu nariz tocou o seu, eu te senti meu, eu me senti teu.
Soube que tudo estava conectado, nariz – coração, tudo junto batia com meu corpo, inteiro.
E assim, sem explicação, era perfeito.
Da boca nunca falarei. Tremeria só de pensar.
Existe um mistério, sabe?
Algo que nunca irei descobrir, pela simples vontade de passar a vida procurando.
Se me sorrir, os meus azuis brilham.
Se me fala, o vento sopra frio no meu interior.
Se me beija, meu vermelho explode.
Não haveriam linhas que suportassem qualquer descrição do sorriso. Digamos que juntaram toda a paz que se podia oferecer e a jogaram em seus dentes. Seu sorriso não é só um sorriso é um abraço em minh'alma.
O que é sua voz se não musica que o vento faz pra seus cabelos dançarem?
Me invadiriam ouvidos e me tomariam o interior em um sentimento frio parecido com nostalgia, como o de quem escuta uma bela musica que já não ouvia a tempos. Com acordes acústicos de um violão percorrer minha vida por dentro pra me fazer feliz por fora.
Acho que é o que diria.
...
O beijo?
Não, não me atreveria.
O caso é que meu coração explodiria e o vermelho se espalharia,
no fim total amor me tornaria.
Será amor o segredo de tanto mistério?
Se o soubesse jamais revelaria.
Posso falar do queixo, dele eu sei.
Um dia o toquei com um beijo, depois nunca mais parei.
Ou das orelas que mordia,
ou das coisas que falávamos aos ouvidos, soavam como melodia.
Falo também do pescoço, se bem assim desejar.
Em minhas mãos pequenas eu o tentava encaixar.
Só não te falo do todo, que muito pouco eu sei.
Mas quando estávamos juntos o todo eu amei, e amei, e amei.
Eu poderia falar de ti,
mas o que haveria de dizer?
Que você é o vento que brinca meus cabelos?
A paz que me abraça a alma?
O azul que me protege em olhos?
Ou a voz que por dentro acalma?
O amor que escorre em vermelho...
Tudo isso eu diria, sem sequer exitar.
O que eu jamais faria era parar de te olhar.
Mas se meus olhos fechar,
e teu nariz encostar no meu,
vou mais uma vez sonhar
que meu rosto rima com o teu.

É tudo pra ti, Sr. Cabeça De Batata.
Arrocha Tchê
mas o que haveria de dizer?
Que são eles lisos que desenham o vento, e que sem eles o vento seria apenas uma estranha brisa invisível.
Se falasse dos cabelos teria que dizer que o vento nada é sem os desenhos que teus fios o proporcionam.
Não posso falar do vento sem mencionar os teus cabelos. As vezes acho que o vento ali está unicamente para teus cabelos balançar.
Falaria então da testa, com rugas e linhas pensativas,
mas como falar da testa sem falar do tato?
Enquanto você pensava, eu sentia...
Sentia todas as coisas nunca pensadas por apenas tocar, meus lábios, a sua testa.
Haveria de falar de milhares de sentidos se ousasse falar de sua enrugada testa pensativa.
Posso falar com simplicidade das sobrancelhas,
é só descreve-las como perfeitas à um toque de dedos,
e enquanto o vento assanha os teus cabelos desenhando versos,
aliso suas sobrancelhas desfazendo cachos.
Mas os olhos. Quem tentaria falar dos olhos?
Tantas coisas já ditas, tantas coisas ainda a dizer.
Mas se tivesse coragem falaria que são azuis de um castanho tão intenso.
Não, não a cor, mas a sensação que em mim despertam.
Porque quando me olhas, e nada fala, assim me sinto pelo mar e céu abraçado, protegido.
Sou, ali, seguro... para sempre.
Sou dali pra sempre. (desejo ser)
Quem levantar qualquer explicação pra um coração no lugar do nariz eu direi que está errado.
Pois é assim perfeito sem qualquer explicação.
Vermelho, grande, apaixonado.
Apaixonante, adorável, simplesmente adorado.
Ali, naquele momento, em que o meu nariz tocou o seu, eu te senti meu, eu me senti teu.
Soube que tudo estava conectado, nariz – coração, tudo junto batia com meu corpo, inteiro.
E assim, sem explicação, era perfeito.
Da boca nunca falarei. Tremeria só de pensar.
Existe um mistério, sabe?
Algo que nunca irei descobrir, pela simples vontade de passar a vida procurando.
Se me sorrir, os meus azuis brilham.
Se me fala, o vento sopra frio no meu interior.
Se me beija, meu vermelho explode.
Não haveriam linhas que suportassem qualquer descrição do sorriso. Digamos que juntaram toda a paz que se podia oferecer e a jogaram em seus dentes. Seu sorriso não é só um sorriso é um abraço em minh'alma.
O que é sua voz se não musica que o vento faz pra seus cabelos dançarem?
Me invadiriam ouvidos e me tomariam o interior em um sentimento frio parecido com nostalgia, como o de quem escuta uma bela musica que já não ouvia a tempos. Com acordes acústicos de um violão percorrer minha vida por dentro pra me fazer feliz por fora.
Acho que é o que diria.
...
O beijo?
Não, não me atreveria.
O caso é que meu coração explodiria e o vermelho se espalharia,
no fim total amor me tornaria.
Será amor o segredo de tanto mistério?
Se o soubesse jamais revelaria.
Posso falar do queixo, dele eu sei.
Um dia o toquei com um beijo, depois nunca mais parei.
Ou das orelas que mordia,
ou das coisas que falávamos aos ouvidos, soavam como melodia.
Falo também do pescoço, se bem assim desejar.
Em minhas mãos pequenas eu o tentava encaixar.
Só não te falo do todo, que muito pouco eu sei.
Mas quando estávamos juntos o todo eu amei, e amei, e amei.
Eu poderia falar de ti,
mas o que haveria de dizer?
Que você é o vento que brinca meus cabelos?
A paz que me abraça a alma?
O azul que me protege em olhos?
Ou a voz que por dentro acalma?
O amor que escorre em vermelho...
Tudo isso eu diria, sem sequer exitar.
O que eu jamais faria era parar de te olhar.
Mas se meus olhos fechar,
e teu nariz encostar no meu,
vou mais uma vez sonhar
que meu rosto rima com o teu.

É tudo pra ti, Sr. Cabeça De Batata.
Arrocha Tchê
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