sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Pra ver se rima.

Bom, eu poderia falar dos cabelos,
mas o que haveria de dizer?
Que são eles lisos que desenham o vento, e que sem eles o vento seria apenas uma estranha brisa invisível.
Se falasse dos cabelos teria que dizer que o vento nada é sem os desenhos que teus fios o proporcionam.
Não posso falar do vento sem mencionar os teus cabelos. As vezes acho que o vento ali está unicamente para teus cabelos balançar.


Falaria então da testa, com rugas e linhas pensativas,
mas como falar da testa sem falar do tato?
Enquanto você pensava, eu sentia...
Sentia todas as coisas nunca pensadas por apenas tocar, meus lábios, a sua testa.
Haveria de falar de milhares de sentidos se ousasse falar de sua enrugada testa pensativa.


Posso falar com simplicidade das sobrancelhas,
é só descreve-las como perfeitas à um toque de dedos,
e enquanto o vento assanha os teus cabelos desenhando versos,
aliso suas sobrancelhas desfazendo cachos.


Mas os olhos. Quem tentaria falar dos olhos?
Tantas coisas já ditas, tantas coisas ainda a dizer.
Mas se tivesse coragem falaria que são azuis de um castanho tão intenso.
Não, não a cor, mas a sensação que em mim despertam.
Porque quando me olhas, e nada fala, assim me sinto pelo mar e céu abraçado, protegido.
Sou, ali, seguro... para sempre.
Sou dali pra sempre. (desejo ser)


Quem levantar qualquer explicação pra um coração no lugar do nariz eu direi que está errado.
Pois é assim perfeito sem qualquer explicação.
Vermelho, grande, apaixonado.
Apaixonante, adorável, simplesmente adorado.
Ali, naquele momento, em que o meu nariz tocou o seu, eu te senti meu, eu me senti teu.
Soube que tudo estava conectado, nariz – coração, tudo junto batia com meu corpo, inteiro.
E assim, sem explicação, era perfeito.


Da boca nunca falarei. Tremeria só de pensar.
Existe um mistério, sabe?
Algo que nunca irei descobrir, pela simples vontade de passar a vida procurando.
Se me sorrir, os meus azuis brilham.
Se me fala, o vento sopra frio no meu interior.
Se me beija, meu vermelho explode.
Não haveriam linhas que suportassem qualquer descrição do sorriso. Digamos que juntaram toda a paz que se podia oferecer e a jogaram em seus dentes. Seu sorriso não é só um sorriso é um abraço em minh'alma.
O que é sua voz se não musica que o vento faz pra seus cabelos dançarem?
Me invadiriam ouvidos e me tomariam o interior em um sentimento frio parecido com nostalgia, como o de quem escuta uma bela musica que já não ouvia a tempos. Com acordes acústicos de um violão percorrer minha vida por dentro pra me fazer feliz por fora.
Acho que é o que diria.
...
O beijo?
Não, não me atreveria.
O caso é que meu coração explodiria e o vermelho se espalharia,
no fim total amor me tornaria.
Será amor o segredo de tanto mistério?
Se o soubesse jamais revelaria.


Posso falar do queixo, dele eu sei.
Um dia o toquei com um beijo, depois nunca mais parei.
Ou das orelas que mordia,
ou das coisas que falávamos aos ouvidos, soavam como melodia.
Falo também do pescoço, se bem assim desejar.
Em minhas mãos pequenas eu o tentava encaixar.


Só não te falo do todo, que muito pouco eu sei.
Mas quando estávamos juntos o todo eu amei, e amei, e amei.


Eu poderia falar de ti,
mas o que haveria de dizer?
Que você é o vento que brinca meus cabelos?
A paz que me abraça a alma?
O azul que me protege em olhos?
Ou a voz que por dentro acalma?
O amor que escorre em vermelho...
Tudo isso eu diria, sem sequer exitar.
O que eu jamais faria era parar de te olhar.
Mas se meus olhos fechar,
e teu nariz encostar no meu,
vou mais uma vez sonhar
que meu rosto rima com o teu.





É tudo pra ti, Sr. Cabeça De Batata.



Arrocha Tchê

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