quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Nono clichê. Parte dois.

" É só mais um fim pra um outro novo começo."

Chovia muito. Porque tinha que chover tanto? As coisas pareceriam bem menos tristes se fosse mais um dia ensolarado. Eram quatro hora da tarde de um dia doze de um mês qualquer e eu estava ensopado, de pé, encarando o pequeno lago que só fazia crescer. Um dia alguem me falou que ali haviam sanguessugas, mas nunca soube se era verdade. Mas em que diabos estou pensando, sanguessugas? Poderia ser qualquer outra coisa, minha cabeça estava se esforçando muito em tirar você dos meus pensamentos naquele momento, mas todas as tentativas frustradas com o fracasso. Pensava que se estava ali era mesmo pra me torturar com os pensamentos em você. Há quatro anos atrás, no dia 12 de um outro mês qualquer, estaríamos juntos nesse mesmo ponto do parque onde estou, falando bobagens, comendo besteiras e caçando estrelas. Fazia tanto frio no lugar onde estava, mas qualquer outro lugar varia o mesmo frio, o vento gelado me escolheu como companhia por quê não haveria ninguém mais pra escolher. Eu estava só no parque, a chuva deve ter impedido as pessoas de saírem de suas casas aquela tarde. Engraçado, não percebi que estava chovendo até chegar aqui e ficar encarando o rio das sanguessugas. Muita coisa é engraçada, mas porquê não estou rindo? Só as mais fortes ironias me fariam rir nesse momento, ou o Vitor com suas milhões de perguntas. Mais um gole e lá se foi o último da minha garrafa de Gin. Eu estava acabado, arruinado, tão perdido que queria me mexer mas não conseguia convencer meu corpo de que seria uma boa ideia, pois não o saberia dizer para onde iriamos. Não havia nada além do barulho repetido da chuva, ao menos alguma coisa naquele parque me deixava confortável. Quando comecei a achar que nada ali mudaria eu levantei o rosto para o céu e tentei, sem sucesso é claro, achar alguma estrala, quem sabe a primeira. Deixei a agua molhar meu rosto machucado das noites mal dormidas e das bebidas. As gotas de chuva se misturavam com minhas lagrimas e salivas de gritos e dançavam como amigas próximas. Não possuía nem um plano ou espectativa, eu iria até lá, iria chorar, como sei que faria, gritar e depois, mais uma vez, fazer sozinho o que costumávamos fazer juntos.
Os céu em forma de destino sempre me reservara surpresas agradáveis, mas você aparecer naquele parque naquele mesmo dia doze, com toda aquela chuva e deserto, fora demais surpreendedor.

- Como soube que estaria aqui?

A verdade é que queria te abraçar, mas como não bancar o durão escondendo os meus verdadeiros desejos depois de tanto tempo?

- Eu não sabia, não haveria como saber.
- E o que faz aqui?
- O mesmo que faço todo dia doze desde que os dias doze começaram a significar alguma coisa.
- E isso foi quando?
- Há muito tempo atrás, quando você me... Não, melhor. Quando nós decidimos que deveríamos namorar, bem ali em um daqueles bancos.
- Isso já faz muito tempo, não é mesmo?
- Faz um tempão, mas nunca foi o suficiente para nos fazer esquecer.

E mais uma vez bancaria o durão mentindo que já teria esquecido tudo aquilo a muito tempo, mas as palavras simplesmente não obedeciam mais os meus comandos.

- Não ouse me dizer que esqueceu. Não estaria aqui se tivesse esquecido de tudo.
- Eu não esqueci. Gostaria de poder, simplesmente apagar cada segundo desse parque em minha mente, mas nunca tentei fazer isso com medo de não conseguir.
- E viveu com isso dentro de você esse tempo todo?
- É o que sempre faço, me engano e me convenço de que é o melhor a se fazer.
- Todos nós cometemos erros, sabe?
- O meu foi achar que você estaria aqui sempre.
- Sempre é o tempo todo.
- NÃO, sempre não é todo dia.
- Sempre nos dias doze você quer dizer?

A conversa começara a ficar intensa, pela primeira vez desde que você chegou consegui te olhar nos olhos. As palavras agora pareciam ofensas afiadas.

- É. Sempre é nos dias em que eramos pra estar.
- Eu sempre estive aqui. E sempre é sempre. Eu estava aqui nos dias doze e nos outros dias também. Eu estive aqui durante uma semana inteira, mas você simplesmente desapareceu, sumiu sem...
- Você não estava aqui naquele dia doze, o dia doze que deveria estar. Não era fácil pra mim, você sabe. Eu tive que suportar a distancia, tive que encher minha cabeça com coisas extremamente fúteis quando a única coisa na qual eu queria pensar era você. Eu nunca acordava feliz a não ser nos nossos dias doze, por quê eu saberia que iria ver você e que durante algum tempo a saudade não ia me cobrar tanta atenção. Naquele dia doze eu acordei muito bem, eu me fiz panquecas para o café da manhã por quê eu sabia que você adorava panquecas. Eu tomei café olhando nossas fotos e outras fotos antigas por quê era isso que fazíamos quando acordávamos de muito bom humor. Eu peguei um maldito ônibus, e você sabe que eu odeio andar de ônibus, por quê me atrasei ensaiando uma maldita musica que eu escrevi pra você e que hoje nem consigo mais lembrar a letra. - Minha voz estava totalmente desafinada, eu te gritava minhas dores enquanto os teus olho se enxiam de lagrimas. Já não haviam espaço para lagrimas nos meus olhos ou rosto. A chuva nunca ajudou pra que tudo parecesse menos triste. - Eu esperei por você, sozinho nesse parque por intermináveis horas, eu esperei por você, mas você nunca apareceu. Você nunca apareceu. Então eu entendi tudo. Assim evitaríamos momentos de chuva como esse.
- E você simplesmente sumiu, sem pistas, telefonemas, não respondeu os meus e-mails, ninguém sabia de você. Você seguiu em frente, eu fiz o mesmo. O QUE VOCÊ QUERIA QUE EU FIZESSE?
- Queria que você estivesse estado lá.
- Mas eu estava, MERDA! Eu estava lá. Eu cheguei a hora que deveria chegar e vi você em pé olhando pra essa porra desse lago pensando em sei lá oque e chorando, como você sempre fazia nos outros dias doze. Sempre, sempre! Sempre que eu chegava você estava em pé, encarando a agua e chorando, exatamente como agora. Depois que me via você tentava ridiculamente esconder as lagrimas e mostrar que estava tudo bem. Eu sentia tanto em te ver tão triste. Nunca parei de me culpar por ter começado a nos separar o poucos. Naquele dia eu não suportei te ver daquele jeito. Paguei um taxi de volta e passei o dia na casa da minha irmão. No outro dia a tarde fui até o apartamento... Eu ainda tenho as chaves, sabia disso? Quando cheguei lá não havia ninguém, nada. Suas roupas, livros, fotografias, tudo. TUDO! Não havia mais nada lá. Eu quis morrer de tanta raiva de mim mesmo e de você também naquela cama que costumava ser nossa. NOSSA, MERDA! - Seus olhos não comportavam mais as lagrimas. Você ficava tão lindo chorando. Fora sempre tão perfeito, a natureza sempre lhe ajudara tanto. A chuva em teus cabelos te deixava tão bonito, até o vento mudava de direção para embelezar você. Cada palavra dita parecia uma marretada na minha cabeça dura. - E sabe o que eu achei jogado no chão perto de umas caixas onde você guardava nossas fotografias? O Caco. Você lembra dele. Um maldito leão de pelúcia que costumávamos tratar como filho. E você o deixou lá, jogado, como se fosse algo que...
- Você prometeu cuidar dele e depois me deixou sozinho com todas as lembranças que haviam naquela casa. As lembranças que um dia me deixavam feliz e no outro me faziam chorar. Será que você não percebe que a nossa relação acabou no dia em que você saiu daquela casa?
- Eu sei que a culpa é minha. Eu nunca tentei culpar você pelo fim do nosso relacionamento, mas você fugiu.
- Fugi de todas as coisas que podiam continuar me machucando...
- VOCÊ FUGIU DE MIM!
-DA MESMA MANEIRA QUE VOCÊ PARTIU POR NÃO QUERER ME VER SOFRER EU PARTIR PRA EVITAR SOFRER MAIS. Você sabe que não tinha o direito de decidir isso pra mim, antes sofrendo por você mas ao seu lado do quê ter que sofrer a eternidade longe de você.
- CARALHO. EU SEI QUE EU ERREI MAS VOCÊ NÃO ENTENDE? VOCÊ, RAVI, NUNCA ME DEU A CHANCE DE SER PERDOADO. VOCÊ NUNCA ME DEU A CHANCE DE ACERTAR AS COISAS, DE TE PEDIR DESCULPAS. VOCÊ FUGIU E FAZENDO ISSO ME AMARROU NA CULPA DE TER DEIXADO O AMOR DA MINHA SOFRENDO SOZINHO. Você nunca me deu a oportunidade de te pedir desculpas e isso não foi justo.

Eu nunca o culpei por nada, sempre achei que o fato dele não ter aparecido naquele doze de junho foi o mundo nos tentando dizer que já era hora de cada um seguir seu caminho, mas nesses últimos segundos consegui o culpar por muita coisa, e agora já não conseguia colocar a culpa em mais ninguém exceto em mim mesmo.

- Meu Deus, Ravi. O que aconteceu com você?
- Eu andei bebendo esses dias, não consegui dormi também.
- E onde está aquele seu amigo que...?
- Ele me deixou. Quando acordei antes de ontem ele não estava mais lá. Ele deixou um monte de papeis, achei que fosse um carta ou algo assim, mas haviam poucas coisas escritas. Ele disse: - Escreveu até a oitava, já está na hora de viver a nona.- E foi só. Eu tentei fazer o que ele disse, mas não consegui escrever nada nos papeis que ele deixou, então comecei a beber, mas... De que diabos estamos falando? Você agora tem sua chance de se desculpar, o que esta esperando?
- Desculpa, Ravi. Desculpa por não ter tido coragem de te ver chorar e enfrentar isso com você. Desculpa por ter sido um covarde e ter deixado que nosso amor fosse levado pelo vento e pela distancia. Desculpe por ter feito as escolhas erradas e de ter te ferido diretamente com elas. Desculpe pelo nosso fim.

Ah, os teus olhos. Eu nunca te culpara por nada, o que me faria não aceitar suas desculpas agora?

- Desculpas aceitas.

Você sorriu e um raio de luz atravessou uma nuvem negra que cobria o céul, isso sempre acontecia quando estávamos juntos. Agora o dia parecia um pouco menos triste.

- É minha vez, então. Eu parti e foi a pior decisão que eu poderia ter tomado. Achei que não teria mais você do meu lado para me ajudar a lhe dar com a vida. Precisava me livrar de tudo e começar do zero.
- Depois que sai do apartamento vim correndo pra cá...
- Eu viajei e bloqueei totalmente todas as minhas memorias das coisas que vivi aqui, mas nunca fui capaz de esquece-las.
- Procurei você pelo parque todo, mas não te encontrei em lugar algum...
- Ainda no avião me prometi que nunca mais apareceria aqui.
- Começou a chover e eu abracei o caco nos meus braço e prometi que nunca o deixaria outra vez...
- Eu construí uma vida lá, arranjei um bom emprego e fiz alguns bons amigos. Eu podia sorrir a vontade, mas sempre que estava tudo bem eu sentia que alguma coisa estava faltando, me apareceria um grande vazio dentro de mim.
- Passei a semana vindo para o parque na esperança de um dia encontrar você, as semanas viraram dias em que eu sentia sua falta e esses dias viraram mais um vez o dia doze de cada mês. Quando ouvi dos seus amigos que eles também não tinham noticias de você eu decidi que era hora de começar a caminhar para o futuro outra vez...
- Me envolvi muito com outras pessoas, mas o Vitor era tão presente que quando deixou de ser meu amigo para ser meu namorado eu não senti nada mudar.
- Mudei de volta pra cá, arranjei um outro emprego e comecei a viver como fazia antes de te conhecer. Foi difícil pois eu não conseguia me lembrar muito da minha vida sem você...
- Namoramos muito tempo, mas ele nunca soube das coisas que eu realmente sentia. Nunca me permitir um aproximação muito intensa com outra pessoa que não fosse você.
- Eu conheci a Mirela nas aulas de espanhol, ela sempre fui muito legal comigo, achei que uma hora eu teria que seguir em frente de uma vez. Escolhi ela pois sabia que nem um outro homem seria capaz de viver comigo as coisas que vivi com você...
- Um dia o Vitor me pediu para vim conhecer minha historia, eu não tive motivos pra negar, achava que poderia lhe dar com a cidade antiga e esse parque com muita facilidade.
- A vida era calma, muitas vezes chata, mas era bom vive-la. Até que um dia...
- Foi ai que um dia passeando nesse parque...
- Você voltou, voltou pra...
- Eu te vi, e o meu coração parou junto com todas as outras coisas nesse parque...
- Fiquei tão confuso...
- Fiquei maluco...
- A ultima coisa que me lembro...
- Você me beijando e dizendo...
- Que eu estava lá.
- Que você estava lá.
- Agora estamos ambos aqui.
- Juntos mais uma vez.

E a chuva parou. Sabíamos o que significava mais eu me recusava a acreditar.

- Sabe, ___. A distancia, o tempo que passamos sem nos ver, todas as coisas que aconteceram nas nossas vidas, hoje já não significam muito para mim. O agora, esse exato momento não significa nada pra mim. O que vou fazer depois é o que realmente importa. Pois nada mudou desde que deixei esse parque querendo começar um vida nova, nada mudou desde que beijei você naquele dia na rua, nada mudou desde que sai de casa pra te desenhar um coração de areia e nada vai mudar nunca, por quê não importa se vamos ficar juntos ou não, eu vou te amar. Sempre e sempre eu vou te amar. Posso me deitar com pessoas, posso me deitar com mil delas, mas é com você que eu desejo acordar todo dia. Eu posso namorar, casar, passar anos do lado de uma outra pessoa, mas passarei esses anos pensando o quanta seria melhor se fosse com você. Eu posso morrer agora e minhas energias vão ser canalizadas para um tarefa simples, a de mostrar a você que ainda assim te amo, e vai nascer uma arvore no quintal de sua casa e essa arvore vou ser eu. É por quê esse mundo decidiu que eu iria te amar pra sempre e eu aceitei a decisão do mundo como a minha decisão, a melhor das minhas decisões. E quer saber, eu não ligo! Eu não ligo para o que o mundo decide, não ligo para o amor que sinto, não ligo para o que vou amar depois de morto. Eu não ligo para nada.

Você estava assustado com a reviravolta das palavras, não sabia como ou com o que reagir.

- Esse é teu jeito de dizer adeus?
- ADEUS? - Agarrei teus braços com a força das duas mãos e olhando nos teus olhos te revelei qual era a única pra qual eu sempre liguei. - Não, essa é mais uma das minhas maneiras de dizer que EU TE AMO.

Beijei-te e foi magico. O céu se abriu num clarão e os últimos raios de sol daquele dia nos banharam de luz.

- Então...
- Estar com você é a única coisa para qual ligo, não vou deixar de estar com você jamais.
- Só ligo para o espaço que sua vida preenche na minha.

Olhamos pra cima encaramos juntos um céu limpo, um estranho brilho piscou diante dos nossos olhos. Pela primeira vez tínhamos achado a primeira estrela do céu juntos, ou será que foi ela que nos achou?

- Vamos pra cara, Ravi?
- Sua casa?
- Nossa casa. Você precisa de um banho.
- Preciso escrever minha nona maneira, fica bem mais fácil depois de vive-la.
- Você precisa é cuidar do Caco e ele precisa do seu outro pai. Vamos.

Saímos abraçados e encharcados do parque, sorrindo abestalhados e sentindo o vento frio do começo da noite.

- Espera.
- O que foi, Ravi.
- Eu te amo, _____.
- E eu te amo junto, Ravi Aynore.

E juntos nós fomos viver as nossas vidas “juntos”.


" Eu sei que as vezes sou pra sempre mesmo que sempe não seja todo dia." O.M

A ultima, amor.
do Blog, é claro. Pois ainda vou descobrir mil outras maneiras de dizer o quanto te amo. =)

TE AMO!.

Eronya.

Arrocha Tchê!

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