domingo, 28 de dezembro de 2008

Sexta!




This one is real.





Não por ter acontecido em um sexta-feira, aconteceu na madrugada de um sábado, mas por ser a sexta de um serie.
Na casa da atalaia nova eu via Dexter, do sexto ao decimo segundo episodio, uma hora cada um. Lá por volta do inicio do decimo primeiro episodio fiquei curioso com a hora.
- Jéssica, que horas são?

- Quatro e quarenta.
Eram quatro e quarenta da manhã, e era também hora de ir. Busquei as chaves da porta da casa na cozinha, pulei a janela, abri o primeiro portão, o segundo e já pudia sentir a fria brisa que ventava junto ao dia que nascia lentamente. Escondi as chaves em alguma planta por ali por perto e caminhei em direção a areia. O dia ainda não estava claro, estava quase escuro quando pus os pés na areia e pensei: - Agora só eu e o mundo. - Senti a solidão que sempre sentia tomar conta de todo o mundo. O barulho que o vento fazia era alto, carregando a areira com velocidade, e quando se batiam em algum obstaculo faziam sinfonia. Tudo nesse instante solitário tinha sua própria musica, até meus pés gelados caminhando na areia mais gelada ainda. A agua parecia longe, ótimo, assim teria mais tempo pra aproveitar a solidão do mundo vazio. Só eu e o mundo. As coisas fúteis invadiram minha cabeça, posso dizer que até imaginei que era assim que seria a minha vida se o meu mundo fosse invadido por zombeis. Depois dos zombies veio as pessoas nuas, as festas, e todas as outras coisas que poderia fazer com todo aquele vazio, por ultimo veio você nos meus pensamentos fúteis. De você eu não consegui parar de pensar, nem você nem do mundo só e eu. Pensar em você fez de mim tão vazio quanto o mundo naquela hora, mas cheio de tolas ideias. Bem mais perto da agua agora, com o dia também bem mais claro, sentei na areia e encarei a imensidão do oceano. Pensei: - Só eu e o mundo, e sou tão nada perto dele. Estará o mundo completamente sozinho agora? - Sim, provavelmente. O mundo sozinho e vazio, e eu, também sozinho, cheio de ideia tolas e sentimento implicantes e irritantes crescendo em mim. Pensei em cantar alguma coisa, sempre achei que a vida devia ser um musical, mas todo mundo teria que pensar assim também, e como todo mundo naquele instante era eu, eu pensei o que eu queria pensar. Cantei: (8)
“There can be miracles when you believe, Though hope is frail it's hard to kill.Who know what miracle. You can achieve when you believe somehow you wil.You will when you believe.” (8) Cantei uma tola canção de Mariah Carey, enquanto escrevia meu nome na areia
Cantei uma tola canção de Mariah Carey, enquanto escrevia meu nome na areia. Não escrevi ele todo, apenas Aynore, pois Ravi nada significava pra mim até que o sol estivesse no céu. Uma outra ideia tola me surgiu enquanto admirava o horizonte. Pensei: - Tolice! - Mas não consegui evitar. Levantei-me e comecei a andar na areira, me achei tão idiota o fazendo, mas não pararia até ver o resultado. Quem acompanha esse blog, possivelmente a mesma quantidade de pessoas que haviam na praia quele dia, sabe do que eu estou falando. Fiz um maldito coração de pegadas na areia, o que eu não sabia é que é muito difícil faze-lo com o vento forte soprando a favor de lhe derrubar. Tentar manter o equilíbrio me fez achar tudo aquilo muito divertido. Divertido? Como podia ser? Uma coisa tão tola... Descobri que as coisas tolas são as mais divertidas pelo tamanho do meu sorriso. Sorrir era uma novidade, deixei de assistir Dexter e pulei aquela janela pra ir na praia esvaziar minha mente e alma, mas acabei me enchendo de sentimentos e sorrisos. É assim que é, tentar te esquecer? Não pode ser, mas eu estava me divertindo. Quando achei ter terminado o coração tomei uma certa distancia pra poder admira-lo. Vi um estranho, torto e lindo coração desenhado na areia, e ao seu lodo o nome Aynore. Eu queria tirar uma foto pra te mostrar, te mostrar o quanto gostar de você, mesmo depois da “separação”, me deixava bobo, até cogitei a possibilidade de voltar até a casa e pegar a câmera, mas não, ninguém precisa saber. Olha só, ai vem as palavras que me lembram você e que me enchem desse sentimento irritante. Mais uma vez, pisando em minhas próprias pegadas pra desenhar o coração eu cantei: (8)
.
“ Eu gosto tanto de você que até prefiro esconder. deixo assim ficar subentendido.Como uma idéia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer.Eu acho tão bonito isso de ser abstrato, baby. A beleza é mesmo tão fugaz!É uma idéia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer.Pode até parecer fraqueza, pois que seja fraqueza então, a alegria que me dá isso vai sem eu dizer...E se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer (eu vou sobreviver).O que eu ganho, o que eu perco Ninguém precisa saber!” (8).
Essa definitivamente não é minha canção, é essa é sua canção! Mas me pareceu um tanto confortável naquele momento.
Quando os primeiros raios de sol fizeram o céu ficar como deveria as cinco e vinte de manhã, eu achei que era hora de um contato mais profundo com a natureza. Tirei a camisa, amarrei em uma pedra qualquer pra ela não sair voando, e fui direto pro mar, pronto para lavar a alma. Quando senti as pequenas ondas tocarem meus pés, meu corpo todo se arrepiou e imediatamente comecei a cantar Cold water do Damien Rice. A musica, pra mim, falava sobre alguem desesperado pra falar com Deus, esperando algum sinal, que viesse do céu pra poder seguir em frente. (8)
“... And I can't let go of your hand.Lord, can you hear me now? Lord, can you hear me now? Lord, can you hear me now? or am I lost? (8)
Mas comecei a canta-la só porque a agua estava gelada mesmo.
Quando terminei de cantar a musica e me acostumei com a temperatura da agua vi que o sol estava nascendo redondo e vagarosamente por traz do oceano. Achei que aquela era a hore de falar alguma coisa pra quem pudesse ouvir.
- Eu sei, eu tenho tudo. Eu tenho tudo, realmente! Eu tenho bons amigos, um bom pai, uma boa mãe, por Deus, eu tenho saúde, dinheiro, lugares pra ir, coisas pra fazer, eu realmente tenho tudo. E porque estou gritando? Porque tudo é nada ao lado da única coisa que me falta. E o que me falta? Amor! Não que eu não tenha amor pra dar, eu tenho, e tenho demais, mas não é isso. E também eu tenho pessoas pra amar, eu sei, mas não é isso! Eu quero um amor, aguem não só pra beijar, alguem não só pra conversar, eu quero alguem com que eu possa fazer essas duas coisas juntas, alias, eu quero alguem com quem eu possa fazer tudo junto, quero alguem pra passar as horas, os dias, as noite, quero alguem pra poder vir aqui outro dia e gritar: EU TENHO ALGUEM. Eu não estou pedindo um amor desse que a gente sofre e depois ele parte, mas a gente nunca mais esquece, não. Eu quero um amor de namorado, desse que parecer ser pra sempre, sempre. E eu acho que já tá na hora desse amor aparecer, tá na hora de viver um amor assim, não acha? Eu sei que eu podia estar construindo algo assim, mas fui egoísta e acabei estragando tudo, mas eu quero tentar, quero tentar outra vez. Se for pra sofre eu sofro. É melhor sofrer junto que viver feliz sozinho, não é? A verdade ainda está na simplicidade das musicas? Então eu quero cantar, quero cantar pra ele. Quero amar, cara, e quero muito ser amado. Sei que daí é pedir de mais, mas... se puder ser com ele... é o que mais quero agora.


Ah, como é bom mergulhar de cabeça em uma onda salgada junto com os primeiros raios de sol. Me senti lavado, me senti bem, me senti tranqüilo. Desabafei com o mar, com o céu, as noves e o próprio sol. Ravi agora me fazia muito sentido. Por ultimo fiquei parado olhando o sol e sentindo as onda baterem com violência no meu peito, e disse: - Você é o meu pai.
Sai da agua, pessoa de idade já andavam pela praia fazendo exercícios, mesmo molhando, vesti minha camisa e admirei mais uma vez o coração de pegadas, fui até o nome Aynore e com a mão apaguei o A e depois o Y. Restou apenas você e o coração. A praia agora cheia de gente, como eu cheio de sentimento.
Eu disse que aquela musica era mais sua que minha. - Voltei pra casa sorrindo e cantando With a little help from my friends dos Beatles.


Depois disso ainda preciso dizer que te amo?
Preciso, e vou dizer.
=)


Arrocha TchÊ!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

... E quando a nona viver você vai ter que decidir o que fazer com o meu amor.




“As vezes no silencio da noite eu fico imaginado nós dois.”
E fico mesmo,
me imagino como seria, quando seria...
Esperando, o que seria o dia mais feliz da minha vida.
Esperando... só esperando.
Hoje foi um dia complicado, cansativo, energiza, um idiota qualquer querendo me condenar por falar gnomos no lugar de duendes. Qual a diferença mesmo, entre gnomo e duende? Nem ele sabe.
E eu não queria sair de casa, não queria relaxar, queria dormi, mas dormi ia me fazer perder tanto tempo. Fiquei com medo de dormi e fui ao shopping.
“Eu fico aqui sonhando acordado, juntando o antes, o agora e o depois.”
Evito o fazer, mas faço, o que me deixa com uma pequena raiva e um fundo de tristeza.
Fomos eu e Jéssica ao shopping e logo na entrada, como se a noite já não estivesse extremamente depressiva, ela encontra um amigo dela. Gay! Trabalhando no shopping para juntar uma graninha para ir morar com o namorado. Quê? Como assim? Esse era o meu sonho! Mas eu tenho namorado com quem morar? Não!
“Por quê você me deixa tão solto? Pro quê você não cola em mim?
To me sentindo muito sozinho.”
Ah, é verdade, a solidão tem agarrado em mim esse dias, e a noite, tem sido minha única companheira.
E nada de ciumes da sua parte.
É fato isso, tanto que fiquei com inveja do tal amigo gay. Quê, um trabalho de mocó, desses que a gente deseja nunca ter, mas que pra ele, nessa situação, se tornou, pra mim, a coisa mais fofa do mundo. Eu deveria está fazendo o mesmo, mas com que motivação? Fazer como, se o Sr. Estimulo não existe?
“Quando a gente gosta é claro que a gente cuida.”
É?
alguem deveria dizer isso pra ele, o tal menino que eu gosto.
Se gostasse de mim não me deixaria dormi com a solidão, com a doce saudade, talvez...
ou viria dormi comigo, acabava de vez com esse post maldito.
“Fala que me ama só que é da boca pra fora.”
Fato!
Ele devia ler isso aqui, mas não ou ter coragem de mostrar, já estou cobrando atenção demais, não quero parecer chato e nem dar chance dele dizer que foram minhas cobranças que nos afastaram.
Porra! Eu sei que os meus trabalhos já são meio ridículos, mas faria o dobro dele pra construir qualquer coisa pra nós dois. Você não parece querer isso, você não parece querer nada.
Antes de muita coisa, vi dois meninos saindo da C&A, pensei comigo: - Um casal. - Claro que dava pra notar de longe, principalmente eu que entendo dessas coisas. Os vi passando outra vez e comentei com Jéssica: - Ói, ali é casal. - Tão normal até ai. Mas depois, começaram a se abraçar, a andar de mãos dadas e trocar carinho. Assim? Na frente de todo mundo? Quê, como assim? Era para eu estar fazendo isso, namorando carinhosamente desse jeito, mas como se eu não tenho com quem andar de mãos dadas?
“Não sou nem quero ser o seu dono, é que um carinho as vezes cai bem.”
Não é?
Custa?
Digo, se você vive repetindo que gosta de mim, custa mostrar um pouco desse sentimento que você tem?
Cara, eu não quero casar e ter filhos com você, eu quero apenas poder passear de mãos dadas com a pessoa que eu gosto. Mas ai vem você como esse papo de que o nosso amor é só pra gente. Ahhhhhhhhhh não! Nosso amor é nosso, mas quero mostrar ele pro mundo. É isso que é estar apaixonado, você provavelmente não deve saber. Quero gritar seu nome pros quatro cantos ficarem sabendo que eu estou amando, mas você quer conter seus sentimentos ao um cochicho e mais nada. Como alguem assim se importaria com mãos dadas? Não estamos na mesma sintonia e isso é mal.
“Eu tenho meus desejos e planos secretos que só abro pra você e mais ninguém.”
Alguns porquê você não quer que eu diga,
mas você sabe das minhas intenções, sabe dos meus segredos.
“Por quê você me esquece e some? E se eu me interessar por alguem?
E se ele de repente me ganha.”
E você deve pensar: - Que nada, ele só tem olhos pra mim.
É CLARO QUE SÓ TENHO OLHOS PRA VOCÊ, EU TO APAIXONADO!
Você sabe disso, te escrevi 9 maneiras diferentes de dizer que te amo, imaginando como seria nossa vida juntos.
É só isso que da pra fazer com o seu amor, imaginar.
Eu sei, é complicado. É sempre complicado, mas se as coisas não se simplificarem e a gente não poder ficar um tempo junto, eu mando o complicação pra casa do caralho e vou deitar em uma rede simples.
Vi três dos meus amigos gays, e sabia que podia estar com eles, andando de mãos dadas por ai, mas fazer como se que eu quero é você, infeliz.
“ Quando a gente gosta é claro que a gente cuida,
fala que me ama só que é da boca pra fora.
OU VOCÊ ME ENGANA OU NÃO ESTÁ MADURO.”
É isso ai!
Estamos verdes sim, mas temos que amadurecer, se não apodreceremos verdes mesmo.
Digo, qual é a sua? Vai me fazer esperar vida toda sem a certeza de que um dia você vem?
Qual é a sua?
Eu não vou esperar, não assim.
Escrevi nove maneiras, postei aqui cinco.
Você tem quatro chances de me fazer acreditar que vale a pena, se não o fizer ate a nona maneira, então será a hora de tentar começar a escrever pra outra pessoa, alguem que goste de mãos dadas.
Qual é a sua?
“Onde está você agora?????”
Longe!
Bem mais longe do que a distancia que nos separa.
O nome disso é saudade, solidão.
Não me deixa assim, vai.
Vem, que eu quero ser amado e é só.
Amado de verdade, de mãos dadas, de luta pra ficar junto, de amor.
Será se dá?
No fim, desejo todo o bom pros casais que vi hoje. Tive inveja sim, mas a inveja boa. Quero vocês felizes, pra eu poder invejar coisa dignas, coisas boas, coisas que deram certo, sempre na esperança que elas possam da certo pra mim também.
Gosto muito de você, mocó, mas cabe a você cultivar esse sentimento, que se não ele se transforma e vai se alimentar de outras coisas.
Serio, te amo!

" Era só um pouco disso que eu queria, a imagem não durou muito, mas foi bom."

Arrocha Tchê!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Eve.

Cinco é um bom numero, e é o numero dessa nova velha maneira de dizer "Te Amo!"




Era quase natal e era um dia muito feliz pra mim, mas um dia complicado pra nos dois.
Você estava se mudando para meu apartamento, pois sua irmã, com quem morava estava e separando. Eu não podia conter minha felicidade de recebe-lo em minha casa, mas não havia como desfaçar a minha preocupação em como aquilo afetaria você. Ultimamente andava queto, falando pouco, isso me dava uma vontade louca de gritar contigo, mas nessas horas eu escolhia te abraçar forte por longas e intermináveis horas. Era feliz e complicado, e era também quase natal. Nossas famílias mal sabiam da gente, de nós pra ser mais exato, que confusão causaria essa sua mudança, mas nos não vimos outro jeito melhor. Para mim era obrigação estar perto de ti o tempo todo nas horas difíceis, para você era confortável me ter do lado quando precisasse chorar.
A mudança ocorreu bem, a única coisa que deu trabalho carregar foi aquele maldito sofá empoeirado que você tanto gostava, mas que preencheu perfeitamente um buraco que tinha entre a TV e um jarro de flores na minha sala. Assim foi sua chega ao meu lar, lentamente preenchendo espaços que faltavam nos cômodos, nas pratilheiras, no meu coração, na minha vida. Abrimos um refrigerante gelado e fizemos pipoca para comemorar o fim da mudança, rimos um pouco pra distrair das coisas tristes.


- Espera, tenho uma coisa pra lhe dar.
- O que?
- Isso, toma.
- Uma chave?
- A chave do apartamento, bobão. Agora que mora aqui, vai precisar tando dela quanto eu. Fiz uma copia quando soube que viria para cá.
- Olha só, muito obrigado.
- Brigado você.


Brindamos a sua nova conquista.


- Hum... Foi até bom você me dar essa chave, acho que vou precisar dela hoje mesmo. Vou a uma festa, posso chegar tarde, não queria te acordar.
- Festa é? Pois saiba o senhor, que eu também irei a uma festa e posso chegar tarde.
- Qual festa?
- Festa do meu primo, Flávio.
- Flávio? Flávio é seu primo.
- É!?! Por quê?
- Vou na festa de um Flávio hoje, amigo de cursinho, será que é o mesmo Flávio?
- Não sei. Será? Flávio, Flávio? Flávio Andrade, meio baixinho, narigudo, gosta de basquete e talz?
- É esse mesmo, é o mesmo. Ele é seu primo?
- Não já disse que é? É! Acho que vamos a mesma festa.
...
Que foi? Que cara é essa, não gostou da noticia?
- Não é isso, é que todos os meus amigos vão estar lá.
- Minha família vai estar lá.
- Então...


Durante alguns segundos vi você quieto e calado outra vez.


- Sei que tudo isso parece muito bom, mas posso te pedir uma coisa.
- Diz.
- Descrição... É que, como essa mudança não foi planejada e ninguém de nada sabe sobre a gente, então eu gostaria que a gente fosse o mais discreto possível, para não despertar rumores em nossas famílias.
- Tudo bem, você está certo.
- Se achar melhor nem vou pra festa.
- Não, que isso. Vamos os dois, separados, e vamos nos cumprimentar como simples conhecidos. Minha família não sabe que alguem veio morar comigo, seus amigos não sabem que você teve que se mudar. Mais na frente a gente pode dizer que nos conhecemos melhor naquela festa e que você precisava de um lugar pra morar, e eu de alguem pra dividir o aluguel...
- Não vai ficar muito na cara?
- As más linguás vão falar, mas que falem, elas sempre falaram mesmo.
- É verdade.
- Pois então, vamos. E faremos assim, se alguem perguntar qualquer coisa, teremos tempo de combinar respostas em nossa casa.


Você sorriu quase convencido, mas mesmo assim via em você uma certa desconfiança.


- Eu tomo banho primeiro, você põe a musica!


Fizemos tudo como combinamos, tomei meu banho primeiro e me vesti enquanto você tomava o seu. Quando você saiu do banho eu já estava saindo de casa, só deu tempo de te dar um beijo e partir. Fui a casa da minha vó antes de ir a festa, passei lá pra saber se alguem queria carona ( Alguem sempre quer). No carro, a caminho da festa, fiquei repassando mentalmente as coisas que tínhamos acertado; ' Falar com ele normalmente, como se fosse alguem que eu conhecesse pouco. Em determinado momento, quando estivéssemos mais “íntimos”, mencionar que moro sozinho em um apartamento alugado e que estava precisando de alguem pra dividir o aluguel.' Achava tudo aquilo uma tolice, mas se assim achava que seria melhor para nos dois, então que assim fosse.
Cheguei na festa cedo junto com os familiares, falei com o Flávio e com algumas amigas dele que já haviam chegado, depois sentei com outros dos meus primos e ficamos a jogar conversa fora. Quase uma hora depois você chegou acompanhado de uma amiga sua. Como estava lindo, era como estar te olhando pela primeira vez, e como na primeira vez estar me apaixonando por você. Enquanto entrava na festa você me lançou um olhar tranqüilo e um sorriso, te acompanhei com os olhos e cabeça até não poder mais vê-lo sem ter que virar também o corpo.


- Linda não é? - Perguntou um dos meus primos.
- Oi?
- A menina que entrou com o outro ai, a amiga de Flávio. Linda, não é?


Pensei em dizer que estava distraído demais pra prestar atenção, mas...


- Perfeito! Pra mim não havia como ser melhor. - Disse.
- Perfeita mesmo.


Primos surdos, daqueles que só escutam o que querem. Que sorte a minha.


A festa rolou bem, comemos, bebemos e depois cantamos parabéns, depois disso achei um bom momento pra falar com você, mas não fiz assim de supetão, fui até mesa onde você estava sentado junto com Flávio e seus amigos, me apresentei, enturmei e comecei a inventar alguns assuntos que, pra mim, pareceriam interessantes para todos. Logo era eu o centro das atenções da mesa, suas amigas me olhavam admiradas e riam, você também ria. Ah... Como era bom dividir momentos de risada com você. Era a primeira vez que saiamos juntos, apesar de separados, para uma coisa assim tão social. Depois de muita conversa, falei sobre minha situação com o apartamento, você me interrogou sobre o assunto, pareceu bastante interessado, o que despertara uma curiosidade em suas amizades.


- E pra que tantas perguntas? - Indagou alguma de suas amigas.
- Lá em casa tá um problema, minha irmã não está muito bem com o casamento e se ela se separar, eu vou ter que procurar outro lugar pra morar.
- Pega meu telefone, qualquer coisa é só ligar.


Você anotou como se já não o tivesse decorado.


-Ravi?
- É. Erri ah vê í.


Tão bom ator.


- ____ morando com o Ravi, ia ser festa todo dia. - Disse Flávio


Todos na mesa riram, inclusive eu e você. Uma das meninas escutou uma musica que gostava vindo do salão, disse: - Vamos lá. - e todos se levantaram e foram. No salão ficamos dançando aquelas musicas agitadas que sempre tocam em festa, todo mundo sempre muito animado, mas você não. Fiquei imaginado que falar sobre o assunto da separação teria deixado você um pouco triste, senti vontade de ir lá e mais uma vez te abraçar, mas constantemente me lembrava da descrição que havia me pedido. A musica agitada, que a tal menina gostava, foi substituída por uma outra lenta e romântica. Não me lembro muito bem, mas acho que era uma versão de Smile, cantada por Justin Timberlake (Nunca tinha ouvido antes). Logo todos se juntaram em pares e começaram a dançar abraçadinhos. Senti um aperto no coração, haviam em pé, parados, sem par, apenas duas pessoas, eu e você. Vi outra vez seu rosto triste e me segurei para não correr e te abraçar. As pessoas agora não só dançavam juntas, como também estavam se beijando. Pudera, não haveria situação melhor para tal coisa. Fui sentar, mas antes que pudesse dar sete passos contados alguem segurou meu braço, me girou, pôs os braços em volta do meu pescoço e me abraçou. Você estava tão frágil em meus braços que tive medo de aperta-lo muito forte, mas pressionei teu corpo contra o meu, e assim deu pra sentir nossos corações batendo rapidamente, mas em sintonia. Era assim sempre que nos abracávamos. Devagar e com cautela nos começamos a balançar no ritmo da musica, sua cabeça em meus ombros, meus braços entrelaçados em suas costas. Era complicado, mas era feliz e era também quase natal.
Muitos do salão não viram nossa cena, os que viram riram, achando que era mais uma de minhas brincadeiras. Ficamos abraçados e dançando até o final da musica. Não houve beijo, nem palavras de afeto, mas naquele abraço eu pude, repetidamente te ouvi dizer o que você estava sentindo, que era também o que eu sentia; - ... ...!


Fomos pra casa depois de um tempo, ao contrario do que pensávamos, não demoramos a voltar e nem saímos separados. Já na porta do prédio você disse palavra que nunca esqueci: - Deixa que eu abro a porta. - Eu só sorri. Dentro do apartamento agarrei teu braço, te girei, e coloquei meus braços envolta do seu pescoço, você sorriu e colocou suas mãos em minha cintura, mais uma fez ficamos nos balançando ao ritmo de uma musica imaginaria. Era feliz, era simples e era também natal, meu presete já havia ganhado.


- Eu te amo!
- Eu sei! - Você disse e sussurrou no meu ouvido. - Eu te amo!
- Eu sei. - Eu disse.


Fim!


“ Espero por você, por você eu espero.” é erri oh! êni. (L)


Arrocha Tchê!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Puro sentimento.

pauladandara/ o barulho de um trompet diz:
é sério, não é porque alguém te deixou que.. não sei, você sabe expressar, colocar tudo no pouco e não deixar faltar nada... entende?
. Aynore! . Smile Like You´re Idiot. diz:
poxa!
. Aynore! . Smile Like You´re Idiot. diz:
ninguem nunca falou essas coisa antes.
. Aynore! . Smile Like You´re Idiot. diz:
as vezes tenho medo de mostrar o que escrevo por puro medo, sabe?


Calma – Ravi Aynore.

Esse seu sorriso não mente as palavras que diz.
E quando não sorri?
E quando não percebo ou quando não estou por perto?
O que dizem as palavras?
Qual a qualidade das verdades?
Qual a verdade?
A verdade é falha, mas forte.
Fere que só faca afiada.
Para o bem, pára o mal.
Feridas abertas nem sempre se derramam em sangue, em lagrimas.
Há das feridas que te sorriem, por serem fatalmente cicatrizes de boas lembranças.
Esse teu sorriso tarda, mas não falha jamais.
Verdade seja dita: - Sorriso, és coleção das mais belas cicatrizes de boas lembranças.
Esse mesmo sorriso me fere, tanto quanto faca, tanto quanto amor.
Me marca, faltando-me total as palavras.

Arrocha Tchê!

domingo, 7 de dezembro de 2008

Eu, ela, ele, eles e o Caco.

É a quarta de nove maneiras de dizer "te amo".

Ler ouvindo:
Jackson Five: - I'll Be There
who's loving you
reach out ill be there
got to be there
music and me
Ben
My Girl
e Michael Jackson: - You Are Not Alone.




... Enfim cheguei a casa dELA, da minha amiga, a única com quem eu conseguia sentar, conversar e chorar muito. Andei mais de uma hora e meia, mas agora estou a sua porta, louco pra cair no teu abraço e no peculiar conforto. Vim por todo o caminho com os olhos transbordando em lagrimas, a boca salivando fora de todo o comum e escutando, vezes repetidas, as mesmas musicas do Jackson Five. Os passos deprimidos me deixavam mais cansados, mas agora já não havia mais pra onde caminhar, nesse momento era só tocar a campainha e esperar por ela, pela amiga. Me lembro de como descobri que só com ela conseguia falar sobre mim enquanto chorava. Era verão e chovia muito, eu tinha sido deixado pra traz por uma pessoa que, certa vez, achei que amava, a amiga me recebeu com um sorriso de compreensão e um abraço que faria inveja a qualquer oração de consolação. Sua irmã, também muito minha amiga, grande amor de minha vida, também estava indo, pensar nisso me deixava cada vez mais triste, só a minha amiga ficaria, mas só dela precisaria.
Naquele dia levei flores e um presente semelhante a um que fiz pra ELE a algum tempo atrás, presente esse que ela adorou, ele, pra mim, pareceu nem ligar tanto. Sei que o abraço dela me deu todo o conforto que precisava pra suportar as perdas, só ela, naquele momento, me fazia parecer não sozinho. E agora estou aqui em sua porta outra vez, esperando que ela venha me fazer me sentir alguem, talvez. Só ela sabe como fazer. Toquei a campainha, esperei e ela abriu a porta com um lindo sorriso no rosto. Lindo sorriso se desfez quando ela me viu soluçando de tanto chorar a sua frente. Me abraçou forte, nunca precisou entender o que se passava comigo pra me dar o carinho que necessitava. Me levou pra dentro e me deitou no seu colo em um sofá, por tempos ficamos ali, eu explodindo em lagrimas e soluços, ela me acarinhando com ternura. Quando as lagrimas pareciam quase secas eu me levantei, sentei ao seu lado e dialoguei.

- Oi.
-Oi! - Ela sorriu um sorriso desajeitado.
- Er... Como você está?
- Preocupada com você.
- Ah, isso? Não é nada. - Nós dois demos risos tímido.
-Mas me diz, o que foi que aconteceu?
- Ai. Eu e o ____, nós brigamos! - Meus lábios começaram a tremer e os olhos apertaram com vontade de derramar mais agua.
- Brigaram?
- É, nós tivemos uma discussão e ele saiu de casa... - As lagrimas voltaram a escorrer.
- Ai Ravi, calma. Isso já aconteceu outras vezes, não?
- Já, mas... assim... das outras vezes dava pra notar que ele voltaria, porquê ele sempre saia nervoso, de cabeça quente, sempre passava um tempo na rua, pensando e depois voltava e me abraçava.
- Então...
- Mas agora foi diferente, ele saiu tranqüilo, parecia bastante calmo e decidido. Disse que só voltaria pra pegar as coisas,
- Mas você sabe que não é assim.
- Ele não vai voltar, Luh. - Minhas voz ficava muito rouca toda vez que eu pensava que ele não voltaria mais.
- Calma, Ravi. Não é assim que as coisas funcionam. Ele...
- Ele me devolveu o Caco, Luh. Ele não vai mais... - Engasguei num soluço.
- Caco?
- É, Caco, o leão de pelucia. Foi o primeiro presente que dei pra ele. Ele nunca saia sem ele, dizia que gostava de levar parte de mim quando saia. - A lembrança das coisas que ele dizia me torturavam um pouco.
- Não foi o nariz o primeiro presente?
- Er... foi. O Caco veio depois realmente.
- E ele te devolveu o nariz?
- Não.
- Então, ele ainda tem o nariz.
- ELE AINDA TEM MEU CORAÇÃO, LUH. ELE AINDA TEM O MEU AMOR.
- ...
- Ai, desculpa ter gritado. Eu sei que parece exagero, mas eu não estou exagerando quando digo que eu não quero meu coração... meu amor de volta. Ele foi... é... a pessoa que eu mais gostei de amar... - Ficava cada vez mais difícil de lutar contra o aperto no meu coração que me fazia chorar mais e mais.
- Ela me abraçou outra vez, minha amiga, pôs minha cabeça em seu obro e me afagou os cabelos.
Ele era a coisa que eu mais gostava de amar, Luh. O que eu vou amar agora?
- Calma, amigo. Fica bem e me conta o que aconteceu.
- Ai, eu te disse naquele dia que a gente conversou, não foi? Que a nossa relação estava esfriando um pouco, mas que eu já não sabia mais o que fazer pra nos ajudar. Carai vei, eu fiz de um tudo, desenho na areia, boneco de neve no verão, cantei e dancei na chuva, enfrentei meus maiores medos... fiz o vento virar musica e isso tudo só pra achar varias maneiras diferentes de dizer o quanto eu o amo. Eu sempre ganhava beijos, abraços, elogios e carinhos, mas ele nunca tomava a iniciativa de tornar nossa relação mais agradável e eu acabei ficando sem estímulos, até pensei e mais mil maneiras de dizer que o amava, mas pra quê? Não me pareceu justo...
- Eu acho que talvez...
- Seja eu o injusto. Tá, tudo bem, pensei nisso também. Talvez eu esteja cobrando algo que não precise necessariamente existir, afinal de contas ele sempre disse que me amava e tudo mais, mas Luh, eu não quero estar certo, eu não quero ter razão, não é isso que vai fazer ele voltar. E a única coisa que quero é ele de volta, na minha casa, na minha cama, na minha vida, nos meus braços.
- E o que faria pra te-lo de volta?
- Mais mil maneiras.
- E porque se negou a afazer isso enquanto ele estava lá?
- Porque eu devo ser um estupido. Ai, Luh, eu o amo, você não acha que é muita dubialidade* o amor da minha vida aparecer justo na minha vida?
- Acho que você devia ligar pra ele.
- Pra ele me ignorar? Pra dizer outra vez que só vai voltar pra pegar as coisas? Pra querer me entregar o nariz e o meu amor de volta? - Cada pausa entre as palavras me faziam derramar mais lagrimas, meu rosto já estava vermelho e inchado de tanto chorar.
- Ravi, eu...
- Eu quero ligar, Luth, mas eu tenho medo.
- Medo de quê? Se você mesmo já disse que seu coração e amor não quer de volta.
-Me abraça, amiga.
Luciana me abraçou com todo o carinho que pôde, e era todo o carinho que eu tanto queria, em seus braços me sentia protegido de todos os sentimentos que me maltratavam.
- Me conta o que foi que fez ele sair de casa.
- Fazia tempo que a gente não falava da gente, eu evitava esse tipo de conversa pra não precisar falar as coisas que te falei logo a pouco, que eu achava que tava fazendo muito e recebendo pouco, o que não é verdade, falando aqui com você agora, vejo que ele me dava muito, talvez mais do que eu merecia. Lembro das vezes que ele acordava cedo pra fazer o café pra nós dois... Ai, amiga...
- Não lembra, continua falando.
- Bom, hoje mais cedo ele quis conversar eu ignorei um pouco, ele insistiu e ai nós tivemos essa conversa desagradável. Ele parecia está preparado pras coisas que eu ia dizer, parecia apenas estar me esperando dize-las para que ele pudesse simplesmente sair sem culpa. Depois que descarreguei todo o peso nas costas dele ele nem argumentou como costumava fazer, foi ate a bolsa dele e pegou o Caco, pôs na minha mão e disse: “- Sem amor eu não consigo cuidar dele tão bem quanto você.”. Tirou a chaves do bolso e me deu, pôs a bolsa nas costas e foi saindo: “- Venho depois pra pegar minhas coisas.”. Nem se quer olhou pra mim antes de sair. Na hora que vi o Caco na minha mão fiquei em choque, a ficha de que eu tinha pegado pesado demais com ele ainda não tinha caído, segui ele pelas escadas e encarei ele indo embora pela porta de vidro do prédio, antes de perde-lo de vista gritei: “- É assim que acaba?”. Ele respondeu com um: “- É assim que acaba!”, e saio. Eu fui pra casa morrendo de raiva, joguei o Caco em cima de cadeira e chutei o pé do sofá, sentei no chão e comecei a chorar, mas foi olhar pro Caco e vê-lo todo largado lá na cadeira que me fez vim correndo pra cá. Foi o Caco que que fez perceber que o ____ não voltaria ma...

O telefone tocou, meu celular, era ele. Eu fiquei assustado, meu coração disparou num ritmo acelerado e maluco, não consegui respirar por alguns segundos, a Luh me perguntou se era ele, eu fiz que sim com a cabeça.

- Então atende, ué.
Eu congelei, exitei alguns segundos, mas o medo que o telefone de repente párese de tocar me fez atender.
- Alô!
Silencio do outro lado.
- ____?
- Oi!
- ...
- Er... - Uma voz rouca me falava ao telefone. - Eu quero o Caco de volta.
- Han?
- E não só ele, eu quero você de volta também, porque eu te amo muiiiiito, me perdoa.
- Eu... - Em menos de um segundo todas as coisas que disse pra Luh passaram pela minha cabeça. - ___, eu te amo, cara. Te amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo,amo e eu posso dizer isso de mais mil maneiras diferentes só pra você, só por você.
- Você é a coisa que eu mais gosto de amar, vem pra casa, vem logo! A casa é tão sozinha e triste sem você e o Caco, vem logo que se não eu morro de saudades de vocês dois.

Depois que eu desliguei o telefone a Luh abriu mais um vez o grande e belo sorriso e disse: “- Vai logo!”. Sai correndo, quando cheguei em casa você me esperava em frente a porta, corri pro teu abraço, você também tinha um rosto vermelho de chorar, me abraçou com tanta força que outra vez fiquei um pouco sem ar, depois me bateu, me deu uns socos no braço dizendo que é pra nunca mais duvidar do amor que sentia por mim e que jamais ficaria um minuto longe do Caco. Me olhou fundo nos olhos e antes de me beijar me falou aquilo que prometamos falar um pro outro durante toda a vida: “-...”

Fim.

* Dubilidade; palavras criada pelo amigo Ewerton, significa unbuiguidade.

"Faz um tempo eu quis fazer uma canção pra você viver mais."

Arrocha Tchê!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A la Mexicana

Foi assim: Esse ano ainda, acho que inicio dele, eu estava voltando de um trabalho no interior e o carro me deixou próximo a casa de Jéssica, minha amiga. Como não havia absolutamente nada pra fazer em casa, porquê não passar e ver uma amiga querida? Bom, caminhando até a casa de Jéssica vi na minha frente um garoto fardado, calça djins e havaianas, achei estranho um colégio como o dele permitir o uso de havaianas, mas... Ele caminhou na minha frente todo o percurso, e em mim nascia uma pequena curiosidade. Na verdade verdadeira só queria ver o seu rosto, só pra saber se era bonito ou não. Apressei o passo pra chegar mais perto, mas ele nada de olhar pra traz, então eu pigarreei e só assim ele olhou. Ahhhhh, ele era lindo, tinha um nariz estranho, mas na época eu estava namorando com o Vih, que é que eu tinha a falar sobre narizes? Bom, no seu rosto só o nariz era estranho. Pigarreei uma três vezes durante o percurso que fizemos e todas as vezes que o fiz ele olhava pra traz, cada vez com um expressão mais nervosa. Meu medo era chegar na casa de Jéssica e não poder mais ver aquele menino de nariz estranho, mas quando eu pensei isso, já estava a porta da casa dela. Dessa vez eu bocejei, ele olhou, eu disse tchau, ele me fez a sutil pergunta:
- É viado é?
Eu sutilmente lhe respondi: - As vezes.
Ele fez cara de banana e saiu resmungando, eu rir internamente. Fiquei ali, a porta da casa de Jéssica, paralisado, não sei porque.
Ele voltou com mais arrogância. - E é viado mesmo é?
Eu só fiz que sim com a cabeça e sorri. Das duas uma ou ele me dava murros ou ponta-pés.
- Serio? - Perguntou ele mais calmo.
“Que bichinha!” - Pensei.
Disse que sim outra vez e ele me chamou pra tomar um sorvete na Casquita. Acho que foi um pouco de sorte minha Jéssica morar tão perto de uma sorveteria. Bom, fomos ao sorvete, ele me fez um breve resumo de sua vida complicada, eu consegui contar 10 mentiras em menos de um minuto, ta ai um dos bons motivos pelos quais adoro conhecer gente nova.
- Ah, um vez gostei de um garoto, mas nunca deu certo, minha namorada descobriu e ameaçou contar pra todo mundo. - Ele falava pouco e com rapidez, mas eu não conseguia acompanhar, na minha cabeça eu pensava: “ Vitor, Vinícius. Eu não vou ter problema com esses dois nomes?”
Saindo da sorveteria a caminho de casa, ele da dele, eu da de Jéssica, eu achava que nunca na vida tinha falado tão pouco, e acho que ele nunca falara tanto. É como se esperasse o amigo gay pra desabafar as magoas. Amigo? Talvez apenas pelo desejo do meu namorado na época. Passamos pela casa de Jéssica e ele perguntou inocentemente: Você não vai ficar aqui?
Eu não.
E mora onde?
Mais ali na frente. E você?
Nessa rua aqui.
Te deixo em casa.
É claro que ele me convidou pra entrar, e me ofereceu agua, eu queria Fanta, mas...
Eu disse: “Tchau” e ele deve ter entendido: “Me beije!”
E como se o mundo dependesse de todos obedecerem minhas ordens, ele me beijou, e eu beije de volta, é claro. Evitei o nariz pra não me machucar, então correu tudo bem. Ele me encostou na parede e me amassou contra ela. Depois desse beijo tão sexual eu me despedi, disse: Tchau, Vih.
E que sacada fila da puta essa a minha, eu realmente merecia um murro ou alguns ponta-pés. Ele me pediu o numero, disse que ligaria, eu dei.
995415**.
No outro dia ele me chamou pra ir na casa dele, eu iria ver o outro, mas ele passava mais tempo me ignorando ou falando tanto de um cara que me odiava do que me amassando contra a parede, então fui ver o Vitor. Sem nem um arrodeio eu fui entrando, ele me beijando me jogando no sofá... E (que pena) nós só não fizemos sexo. Lá pelas tantas, enquanto trocávamos beijos no sofá, eis que suje sua irmã mais velha, garota que eu me esqueci o nome, e nos pega com a boca na botija, ou melhor, boca na boca. A cara dela revelava os acontecimentos seguintes, choro, gritos, abraços....
Se agarrar no sofá da sala, que ideia mais marota, digo, ridícula!
O silencio de quase 10 segundos que pareceram 10 dias escutando o Padre Carvalho falando sobre pelos pubianos, foi interrompido com a frase mais clichê de todos os tempos: Eu posso explicar.
Tenta. - Ela disse. Parecia até que tinha ensaiado. Os olhos já todos cheios de lagrimas.
“Pois é, tenta.” - Pensei eu sem saber onde me esconder. As palavras “Sobrou pra mim” também passaram pela minha cabeça.
O Ravi é... era... meu namorado!
Quê?
"é, Quê?"
Calma deixa eu explicar. - Geralmente a gente repete essa frase clichê quando tá tentando terminar a desculpa.
Eu fiquei calado, na minha, de problemas já tinha o outro lá.
Olha, eu sei que você é minha irmã, e que a gente costuma contar essas coisas um para outro, mas isso eu nunca soube como te dizer.
Isso de você ser gay?
Gente, o dialogo deles estava tão apetitoso, para mim era como um jogo de tênis, mas eu estava com tanto medo ao mesmo tempo.
Olha, irmã. É serio, desculpe. eu...
Olha, eu e o Ravi acabamos de acabar um namoro de 4 meses...
“ Quê? Eu te conheci ontem, amigo.”
... E esse que você viu, foi nosso ultimo beijo.
A não, vocês não tem noção, o fiu da peste tava até quase chorando. Que ódio tava me dando, a atuação dele era tão boa que eu começa a ficar triste pelo fim do nosso namoro.
Porra Junior... - Acho que o nome do pai dele também era Vitor. - E você traz ele aqui pra casa, pra ficar se esfregando no sofá, no sofá que eu costumo deitar.
Ele foi lá, abraçou ela e ela começou a chorar no ombro dele. Que canalha, mais canalha ainda porque quando eu me dei conta ele também tava se acabando de chorar, até soluçava. Meu deu tanta vontade de rir que eu até deixei escapar uma risadinha tímida. Isso chamou atenção dela, e lá vem ela em minha direção, pensei: é o meu fim. Ela ajoelhou-se, pôs as mãos nos meus joelhos e me fez um cafuné.
Eu sei como é. É complicado, mas não fica assim não, essas coisas acontecem...
Alguem tinha que fazer ela parar, ela estava me olhando nos olhos, com imensas poças d´agua no rosto e tentando me consolar. Eu ia rir, estava me segurando para não gargalhar na frente dela, mas eu não estava conseguindo, o riso ia sair, estava saindo, vai sair... Meus olhos enxeram de lagrimas e eu comecei a chorar desesperado. Fiquei tão nervoso que acabei entrando na trama. Baixei a cabeça e chorei litros.
Viu o que você fez, Junior? Não liga não, menino. Você vai arranjar alguem melhor pra você, isso ai é um cafajeste que não sabe lhe dar com os sentimentos alheios.
Ela estava chingando o irmão, pra ver se mostrava pra mim que o fim do nosso namoro não era o fim do mundo. Como se as palavras dela fossem diminuir o meu amor por ele. Quê? Auhauhauhahahaua. Aquele filho da putinha! E sabe o que é mais estranho? Ela se levanta e diz: Eu vou sair pra que vocês possam se despedir melhor.
Como assim? Uahauhauhauhauhauhaa
E ela saiu mesmo, ainda me deu um abraço e disse que era pra eu não cair na conversa de qualquer um, que eu era muito bonito pra ficar sofrendo assim. E eu não conseguia parar de chorar. Ela saiu, ele olhou pra minha cara e rio, com a expressão mais sínica que uma pessoa pode ter. Bom, nessa hora eu rir tudo que tinha pra rir, e ele me chamou de Carlos Daniel. Hunn. Porquê será?

Lembrei disso porque encontrei com a irmã dele no terreiro hoje. E ela, como faz sempre que me vê, me deu um abraço super forte.
Encontrei esses dias também com o Danilo, e eu o segui até certo ponto, depois voltei.
=.

Sinto falta de você aqui, menino. Quero ser seu namorado logo e pra sempre e logo e pra sempre e logo...

Arrocha TchÊ!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Distancia, camizeta, um roupão e uma canção.



3 de 9; maneiras de dizer "te amo".


“Que chato, estamos tão distantes. Mesmo tendo passado a noite juntos, agora te sinto tão distante. Que chato!” - Pensei.

Você estava na sala, sentado em minha poltrona comendo cheetos e vendo TV, seus cabelos lisos estavam assanhados e uma hora ou outra você se lembrava de ajeitar os óculos. Era nítido que algo incomodava você, seu nariz,era o tempo. O tempo chuvoso tinha te deixado um pouco gripado, e as vezes eu podia te ouvir espirrar. Eu estava na mesa, que também ficava na sala, estava escrevendo, mas naquele momento tinha parado só pra observar você, teu jeito. Com a cabeça apoiada nas mãos entrelaçadas, eu te admirava. Te ouvia e via dar risadas de coisas bestas que passavam na televisão, padrinhos mágicos. Tua risada me fazia sorrir, me enchia de uma alegria interna tão refrescante. Gostava de te olhar assim, por inteiro, em detalhes, sem você sequer notar. Teu cabelo, teus olhos, lábios, sorriso, teu pescoço, ombros, tórax, barriga, cueca, pernas, joelhos e finalmente pés. Por inteiro! Um vento frio invadiu a casa, e ao tocar meu corpo me fez lembrar de nossa distancia. Ao lado da mesa, em cima de uma das cadeira, havia uma camiseta branca, peguei e vestir. O tempo parecia ficar cada vez mais frio, como nós, em questão de segundos, parecíamos estar bem mais distantes.
Ei! - Te chamei atenção.
Você me olhou e eu te mandei um beijo, retribui-me e voltou sua atenção para a TV.
O que fiz, fiz para ver se distraia a mente da tal distancia, mas não adiantou. Tentei voltar a escrever , mas me via empacado na frase “Não lhe faltara amor, pois esse nunca foi desejado. O que lhe faltava era...”, “ O que lhe faltava era...”
“O que lhe faltava? O que me faltava?” - Peguei-me pensando outra vez. A nossa distancia, o frio, a camiseta branca, o livro. O que me faltava?
Nada, se tenho você, nada me pode faltar. - Era uma boa resposta para mim, mas não se encaixava ao livro. Desejei ter apenas pensado isso.
Han? Disse alguma coisa? - Quis saber.
Não não, nada. Pensei alto, apenas.
Acho que era o cotidiano que tinha nos afastado assim, fez com que a televisão se tornassem mais interessante que meus devaneios.
Lembrei-me dos bons tempos... Mas, esperem. Não faz tanto tempo assim. Há uma semana atrás eu nem podia tossir que você já achava que eu estava pensando em alguma coisa e imploraria pra saber no que era. Hoje o Cosmo e a Wanda te roubam de mim tão facilmente. Maldito cotidiano!
Levantei-me e fui até a janela, observei o dia. As ruas estavam vazias, as nuvens neras carregadas de chuva molhavam as calçadas sem sessar. Essa tais nuvens pareciam ter estacionado em cima do meu apartamento. Não se via sol, só agua. Nesse momento, vendo que o vazio também estava nas ruas, me senti culpado.
Nesse dia acordei cedo e sem querer acordei você. Você me puxou de volta pra cama e pediu para ficar.
“ - Podemos ficar o dia todo na cama? Juntos, podemos?”
Poderiamos.
Eu não podia, era domingo e eu tinha que escrever. Tinha um capitulo inteiro do Morte Móvel pra terminar.
Não se ouvia nada, apenas a chuva e vez ou outra um espirro, que me tiravam os olhos da janela, que me faziam, mais uma vez, admirar você.
E o vento frio me gelou a nuca.
“Ok, já chega!” - Eu estava muito pensativo nesse domingo.
Sai da janela, peguei meu mp3 player, que estava em cima da mesa perto do computador, os fones de ouvido e uma calça de moletom. Me vesti, pluguei os fones no mp3 e o coloquei no bolso direito da calça, andei em direção a porta, passei por você, inclinei tua cabeça e te beijei.
Vai onde? - Você me perguntou.
Vai ver quando eu chegar lá – E sai.
Desci as escadas correndo de pés descalços, logo estava na porta da rua. Atravessei a porta de vidro e por segundos fiquei vendo a chuva caindo fora do toldo, selecionei a musica que queria ouvir e coloquei os fones no ouvido, quando ela começou a tocar eu sai debaixo do toldo. Senti a chuva grossa e fria molhar meu cabelo, minha testa, minha nuca, meus olhos, minhas costas. Quando olhei pra cima você já esperava por mim na janela. Limpei a agua dos meus olhos e apertei os fones no ouvido. Olhando pra você cantei:
“ You're just too good to be true
can't take my eyes off of you
You'd be like heaven to touch
I wanna hold you so much.” (8)
A minha voz ecoava nas paredes dos prédios vizinhos, você fazia uma careta que misturava espanto com um lindo sorriso. Eu precisava gritar, por puro prazer, pois a unica coisa que competia com a minha voz era o (agora encantador) barulho da chuva.
“At long last love has arrived
and I thank God I'm alive
You're just too good to be true
can't take my eyes off of you.” (8)
Eu cantava alto, só pra ter certeza de que você me escutaria. Alguns vizinhos já tinham aparecido na janela para saber o que estava acontecendo, mas o meu intimo nada mais intimidava.
“Pardon the way that I stare,
there's nothing else to compare
The sight of you leaves me weak
there are no words left to speak
But if you feel like I feel,
please let me know that it's real
You're just too good to be true,
can't take my eyes off of you.” (8)
Você sorriu abestalhado de lá de cima. E eu gritei:
MUITO MUITO MUITO MULTIPLICADO POR MUITO ELAVADO AO INFINITO É O QUANTO EU GOSTO DE VOCÊ, MEU AMOR.
Seu sorriso iluminou meu olhar, e mais uma vez senti refrescar meu interior. Você espirrou, eu sorri. Abri os braços e fiz um circulo em volta de mim mesmo deixando a chuva molhar o meu rosto. Ajoelhei-me:
“I love you baby and if it's quite all right,
I need you baby to warm the lonely nights
I love you baby trust in me when I say
Oh pretty baby don't bring me down I pray
Oh pretty baby now that I found you, stay
And let me love you baby, let me love you.” (8)
Eu dançava, eu corria, eu pulava em poças d'água, rodopiava, caia, sorria e amava cada segundo.
Quando terminei de cantar, algumas senhoras do sétimo que assistam tudo das janelas de suas casas arriscaram algumas palmas. Olhei pra janela e você não estava mais lá. No meu rosto se desfez a expressão de felicidade. “ Será que você não viu tudo...”
Ei! - Me chamou atenção.
Você estava lá embaixo, na minha frente, coberto pelo toldo do meu prédio e segurando um roupão.
Vem pra cá, seu bobo. - Me chamou mostrando-me o roupão.
Hun Hun. - Fiz sinal de negação com a cabeça.
Vem... - Você insistia.
Nã... - Eu não cedia.
Por alguns instantes ficamos parados um olhando para o outro, eu na chuva, você no toldo. Todo aquele momento, olhando pra você olho no olho me fez lembrar nosso primeiro beijo. Eu sorri, abri os braços e olhei pra cima, deixando a chuva lavar minha pele. Quando ia retornar o meu olhar a você só pude te ver pulando em meu abraço. Me cobriu com o roupão e me beijou. Foi o nosso primeiro beijo molhado de chuva. Alguns vizinhos nos condenaram e bateram as janelas com violência na tentativa de fecha-las rapidamente, outros sorriram um sorriso satisfatório e a velhinha do sétimo andar arriscou, mais uma vez, bater palmas. As palmas ecoavam nas paredes dos prédios vizinhos e um raio de luz apareceu no céu cinzento, por segundos ele se refletiu em todas as janelas possíveis naquele momento, lodo depois sumiu nas nuvens. Nosso beijo durou pouco, mas foi suficiente para te deixar todo molhado de chuva.
Será que o sol saio só pra ver nosso beijo? - Perguntei.
Não sei ele, mas os vizinhos, sim.
Saímos molhados e rindo da situação. No caminho de casa, nas recepção do prédio, baforei ar quente em um espelho e com o dedo escrevi algo.
O que você está fazendo ai? - Era assim que eu te gostava, tão curioso.
Vem ver.
Quando veio ver o que eu tinha escrito, deu outra vez quele seu sorriso abestalhado. Sumindo, vagarosamente, em um espelho embaçado estavam as tais duas palavras de efeito:... ...




Fim.




Naquele dia voltamos pra casa encharcados, e não fizemos absolutamente mais nada.
Eu fiz pipoca, e passamos o dia todo juntinhos, sentados no sofá, abraçados e rindo muito do Cosmo e da Wanda. Lembro de ter te cantado “Carinhoso” e de ter te enchido de beijos depois disso.
Na manhã seguinte acordamos gripados, os dois, e não saímos da cama. Você ainda sonolento sussurrou a musica Leãozinho no meu ouvido, entre um espirro e outro, e mais uma vez passamos o dia inteiro abraçado, juntos.


3 - MUITO MUITO MUITO MULTIPLICADO POR MUITO ELAVADO AO INFINITO É O QUANTO EU GOSTO DE VOCÊ, MEU AMOR.




“ A distancia me traz uma tranquila saldade.”




Arrocha tchê.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O Desabafo de Placas de transito, por cadarços e um dragão chinês.

Então, acho que é o seguinte: Fazer amigos sempre foi fácil... Não, não fazer amigos, mas conhecer pessoas sempre foi uma coisa simples. Depois que decidi não amarrar mais meus cadarços essa coisa simples se tornou extremamente constante.
Ravi, seu cadarço está desamarrado.
Moço, seu cadarço.
Menino, seu tênis tá desatacado. (?)
Jovem, o teu cadarço... Tá aqui um panfleto da minha igreja.
E eu sempre dizia “brigado”, mas não o amarrava. Engraçado, quando eu estava me sentindo só nesse mundo, simplesmente não “atacava” mais meus cadarços, assim, as pessoas na rua iriam me mostrar que não, eu não estou só nesse mundo. Talvez único de cadarços desamarrados, mas...
Quando decidir tentar explicar as pessoas o significado de uma cadarço solto, elas involuntariamente se aproximavam de mim. Curiosidade, explicou meu consciente.
Sabe o que é, minha senhora?! É que sempre amarro direitinho antes de sair de casa, mas dez passos depois ele já está solto outra vez. Era complicado andar e parar toda hora pra amarrar o cadarço, então, foi bem mais fácil desenvolve uma técnica de não pisa-los.
Explica mais.
E assim a coisa seguiu, posso dizer que depois que comecei a andar de cadarços desamarrados meus contatos em orkut, e msn cresceram 10%. Porem, na minha vida, nada mudou.
O que é realmente complicado pra mim entender são as placas de transito em nossas vidas, principalmente na minha. ( E é claro essa minha incrível habilidade de mudar de assunto.) As vezes penso que, como cartas de baralho, as placas de transito tem uma certa semelhança com a vida humana. Em um surto de egocentricidade tive a a impressão de ser, para as pessoas que me rodeiam , uma placa “PARE”. Como se fosse obrigatório parar na minha. E o que as pessoas eram pra mim? Não poderia ser mais triste. Um “Siga em frente”, um sinal verde ou amarelo, uma faixa de pedestre, um “Proibido estacionar”. Como se eu não pudesse parar na de alguem jamais. A vida segue, eu sei, mas eu não quero viver pra sempre de passagem, mas como saber onde estacionar com segurança? Sei que cada vez que o faço, e o faço sempre, acabo levando uma multa. Só espero que esse teu nariz vermelho seja pra mim um sinal, uma parada obrigatória e longa.
Vermelho também era o dragão do SESI bonecos, que entra ai pro hall dos trabalhos dignos do Ravi, somando 6 (seis) fantasias estranhas pra ganhar pouco dinheiro. O melhor de ser o dragão, a cabeça dele, era que pela primeira vez eu não estava sozinho, dessa e eu tinha alguem pra dividir as emoções comigo. Tínhamos também um corpo de umas 30 (trinta) pessoas e mais um rabo, que eu não tinha muito contato. Fazíamos o possível, e era bonito, mas sabe quando foi que vi quer eramos um dragão de verdade? Quando já não havia mais um trabalho e sim uma mobilização para protesto . Ali vi que eramos um só personagem, feito de muitas pessoas, brigando somente por uma coisa: Respeito!
Sozinho eu não faria nada, me irritaria, chutaria algumas pedras e só, mais junto o dragão cuspiu fogo pra garantir seus direitos. Não quero levar qualquer credito nessa historia, mas sei que alguns dos meus gritos fizeram acender um fogo no coração daquelas pessoas. É por isso que grito, e vou gritar toda vez que alguem mexer com as pessoas que erguem qualquer coisa comigo, sou assim.
O golfinho é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo.
Mas isso não muda nada.
Eu te amo... Não muda nada.
Eu escrevo... Nada muda.
Muda, muda... não muda.

Arrocha tchÊ!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Coração de maré.

Segunda das nove maneiras de se dizer "Te amo".

É importante lembrar que as historias aqui narradas não acontecem em ordem logica ou cronologica. É randon total.



Dessa vez acordei cedo, antes de você, o que era uma coisa nova nesses últimos que dormimos juntos. Fiz hora na cama, me espreguicei umas dez vezes e tentei fazer algum barulho para ver se acordava você. Tinha esperança que naquela manhã iria ver teu sorriso e receber teu beijo como fora nas manhãs passadas. Você não acordou, nem se quer se mexeu. Levantei-me e por alguns minutos fiquei observando você na cama, isso só até perceber que você não estava mais dormindo.
“Teria ele acordado antes de mim e não se levantado só pra não...?” Pensei. Eu sei, brigamos a noite passada, tivemos uma feia discussão, mas no mesmo dia dormimos juntos, abraçados. Como pode você fingir que está dormindo só pra não em encarar mesmo depois de me ver desesperado pra chamar sua atenção?
- Canalha!
Me irritei mesmo, fiz café só pra mim e teria até fumado um cigarro, só pra te irritar, mas eu não levei nem um cigarro para a casa de praia onde estávamos. Tomei meu café, vesti qualquer camisa que vi pela frente (camisa que mais tarde notaria ser sua), e sai da casa em direção ao mar.
Você ficou mais um tempo na cama, assistiu tudo que fiz sem sequer abrir os olhos e fez questão de ficar mais uns minutos deitado antes que pudesse procurar por mim. Algum tempo depois você se levantou e me olhou através da janela, me viu parado, olhando pra baixo, encarando a areia. Tentou, sem sucesso, decifrar o que eu estava fazendo. Colocou seus óculos para ver se assim obteria alguma resposta, mas de nada lhe adiantou. Eu ainda estava parado do lado de fora da casa, olhando atentamente a areira em meus pés e você ainda estava confuso, sem entender absolutamente nada. Então você se decidiu, levantou-se da cama e foi fazer o seu café. De lá de fora pude ver você fazer tudo isso, levantar, olhar pra mim, ir até a cozinha, olhar pra mim, assaltar a geladeira, pegar uma caixa de iogurte, ir até o sofá, olhar pra mim, ligar a televisão e sentar. Nessa hora comecei a andar cuidadosamente pela areia, desenhando minhas pegadas no solo úmido. Fazia isso sem nem uma preça, o sol se escondia pois era março e as nuvens escuras e carregadas de chuva tomavam conta do céu. Ao ver que o céu escurecia, você voltou a olhar pra mim. Eu não enxergava muito bem de longe, mas era nítida a sua expressão de preocupação. Dessa vez, nem por um segundo, vi você desviar seu olhar, vi que você me seguia e acompanhava meus passos atentamente. Para você que estava lá dentro sem saber o que eu estava fazendo, parecia-lhe que eu estava andando em círculos, para mim, que sabia exatamente o que queria, tais direções me pareciam perfeitas. Não demorou muito e começou a chuviscar, fiquei um pouco apreensivo pois tinha acabado de notar que estava com uma de suas camisas, e alem do frio, tinha medo que a chuva pudesse estraga-la. Mas nada poderia atrapalhar meu objetivo, eu iria terminar o que comecei morrendo de frio e destruindo sua camisa. A chuva ainda demorava a vir, você ainda me olha com atenção, eu ainda desenhava pegadas na areia. De repente um trovão corta o silencio da calma praia, e um vento forte assanha meu cabelo em direções diversas, e lá vem você correndo em minha direção, e eu olhando pra negra nuvem que se aproximava cada vez mais.
- O que você está fazendo ai com minha camisa?*
Você fez parecer que estava mais preocupado com a camisa do que comigo, sei que era essa e intenção, mas não funcionou. - Isso! - Eu disse apontando para baixo.
Você olhou para a areia e viu um enorme coração desenhado. Imediatamente ficou intacto, sem nem uma boa palavra pra dizer. Ficou segundos contornando o coração com os olhos e...
Desculpe. - Você achou que não haveria momento melhor pra dizer isso.
Desculpe pela camisa. - Achei que haveria coisa melhor pra dizer naquele momento.
Mas porque tudo isso? - Você perguntou aquilo que eu mais queria responder.
Porque vai vir a chuva, a maré, o vento e hoje, ainda hoje, esse coração vai sumir...
Fiquei olhando pra casa e você pro mar.
- ... Mas amanhã, quando acordar, eu vou sair de casa, e eu vou vim aqui fora e vou fazer exatamente a mesma coisa, o mesmo coração, desse mesmo jeitinho que você está vendo ai. E ai vir vento, chuva, maré e vai levar o coração outra vez. No outro dia eu farei a mesma coisa, e no outro, e no outro, e no outro...
Nessa hora eu olhava nos teus olhos, mas os teus olhos admiravam o coração sendo desfeito pelo forte vento.
- E sabe porque disso tudo? Porque a maré, o vento e a chuva podem destruir esse coração quantas vezes quiserem, mas não há forças nessa natureza que possam destruir meus sentimentos. Não Há Forçar Nessa Natureza Que Possam Destruir Meus Sentimentos.
O vento forte se tronou ensurdecedor, a chuva começou a cair rapidamente e eu caminhei três passos em direção a casa, pois não queria estragar sua camisa. Você ficou parado, olhando as pequenas gotas de chuva que esmagavam nosso coração. A chuva, então, começou a castigar. Parei de fingir que ligava pra sua camisa e voltei pra te falar uma ultima coisa, que estava entalada na minha garganta. Você me olhou atento nos olhos.
ISSO TUDO, É PORQUE EU NÃO CONSIGO ACREDITAR QUE EXISTA UMA MANEIRA SIMPLES DE DIZER PRA VOCÊ O QUANTO...

Fim!



* Quando você não está, e eu sinto sua falta, gosto de usar sua camisa, assim me sinto abraçado.
1 – Eu acho que te amo.
2 – Eu te amo junto.

“Agora a ideia de pular no meu pescoço, me derrubar na areia e me roubar um beijo nem é mais uma má ideia.”

Arrocha Tchê!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Musiless.

Escrevi 9 maneiras de dizer “Te amo”.
Essa é a primeira.

-
Musiless.

... A única musica que se ouvia era a que os carros faziam na pista, o vento soprava forte os teus lisos cabelos e isso o deixava mais bonito, mas ele não cantava, não emitia nem um ruido com qualquer sonoridade. Eu te olhava fixo nos olhos. O concreto frio da coluna de um ponto de ônibus me parecia bem confortável, e encostado ali poderia passar horas somente te olhando. As vezes você piscava, engolia o seco, mas através dos teus óculos eu podia notar seu olhar me pedindo qualquer reação.
Vem cá.
As calçadas estavam vazias, as folhas dançavam com o vento sem sequer haver musica. Você veio lentamente no silencio arriscando um sorriso. Que sorriso! Quando já estava próximo, próximo o suficiente para poder lhe abraçar, pus uma das mãos em sua cintura, a outra no teu pescoço, fiz um cacho e um carinho no teu cabelo, na tua nuca. Cheguei mais perto, você tremeu um pouco. Consegui sentir tua respiração em meu ombro, só sentir, não ouvi-la. Algo atraiu sua atenção, algo que estava no chão. Não era nada, não era som, não era musica, apenas medo. Criou alguma coragem e me encarou, umedeceu os lábios, fechou os olhos e esperou por mim... Esperou...
Quando abriu os olhos outra vez eu estava parado a sua frente, da mesma maneira que estava antes, antes de fecha-los. Me sorriu um sorriso bobo, envergonhado, tal qual o meu que viu quando abriu os olhos.
Eu não ent...
Você tentou dizer alguma coisa, é natural, mas eu não quis ouvir, o que tinha pra dizer me diria com um beijo. Beijei-te, doce e levemente. E toda a imagem do você bonito com os cabelos balançando ao vento latejou na minha cabeça. O vento, então, mudou de direção e alem das flores, dos teus cabelos, trouxe de volta a musica. Não havia letra, refrão... Só um compasso ritmado que se assemelhava com as batidas de um coração. Um beijos, um único beijo que trouxe a tona a musica de um coração que diz...

Fim!

“Levei a noite toda, mas valeu a pena. Os Beatles me ajudaram.
Essa pode ser a 1° de nove já escritas,
ou será simplesmente a única. Tudo depende.”

Arrocha Tchê!

domingo, 9 de novembro de 2008

O Animal Errado!

Tudo pode simplesmente mudar, e sendo assim, tudo de repente estará mudado.
E foi um outro dia em que as coisas poderiam ter dado certo...


Onde vamos parar se continuarmos na mesma pista onde começamos?
Onde pretendíamos chegar.
E se formos por aqui?
Não sei se chegaremos.
Que tal desvendar esse mistério?
Dizem que podem haver penhascos.
Dizem muitas coisas, penhascos são legais.


E são mesmo! Penhascos são bonitos, atraentes e tem dentes lindos, o único problema é que por mais que se interesse, ele na sua pose de poder, nunca vai dar a minima pra você.
Eu teria ficado em casa, ido a uma festa de 15 anos, ficaria a noite toda conversando com um elfo na internet, mas não... Nós temos que nos arriscar a ver penhascos e foi o que eu fiz, nada mais natural. A fantasia no começo foi um problema, não só para mim, creio que pra todos, na duvida entre usar peruca rosa ou não, vi gente ir fantasiada de Lily Allen, encontrei Hendrix vestindo terno e gravata com um saco de papel na cabeça, o Wilson, que futuramente seria forçado a fazer parte da fantasia de um bêbado qualquer. E eu, eu fiz Marcos Mion virar Mika, ao menos não saí da letra M. M de MERDA. Sim, porque logo no começo na noite em observação do penhasco que decidir encontrar, vi que poderia ter usado uma fantasia mais criativa, como os caras do CQC. Não que minhas fantasia estivesse ruim, não estava, eu estava até me sentindo descente, bonito. Ruim estava a noite, a festa, o penhasco...
A falta de reconhecimento e a pergunta: Você tá de quê? Me deprimem em qualquer festa a fantasia. Bom, desse ponto se vê que a minha visão do penhasco já não me parecia nem um pouco agradável. E nesse momento eu poderia falar do funk que me irrita, das pernas que já não mais me suportam, do cabelo solto do vocalista do Matanza que fica bem melhor preso, das fantasias alheias que não me dizem absolutamente nada, mas eu não quero falar dessas coisas, quero abrir meu coração, pois esse é sim um Post apaixonado. Quero mostrar o que senti ao saber dos belos animais que rondavam o penhasco.
O LOBO. Conhecem a beleza do canino, os olhos que nos brilham, os pelos, nesse caso, enrolados, o atraente focinho e o largo sorriso que nos conquista. Me conquista. Me conquistou! (Como se já não tivesse feito antes em outros penhascos da vida, quando ainda não eras lobo.) Existiam outros animais, outras belezas, outras racas, mas o lobo me cativou, tal qual o Pequeno Príncipe e a Raposa. E o que me indigna é justamente algo que esse livro me ensinou: És responsável pelo que cativas. Fui cativado sem nem sequer divulgar minha existência. Tolo! Mais tolo ainda ao achar que qualquer lobo se responsabilizaria pela minha verde paixão.
Não o seguia, não era o que queria, era difícil o achar entre tanta selvageria. (Não quis rimar, não cola.) Eu apenas, enquanto procurava qualquer conforto, o encontrava, o mais belo de todos os confortos. Quando o via, queria abraçar, fazer carinho, deitar em seu ombro, admirar seu sorriso... Pois sim, nessas horas eu queria cativar, ao ser sugado pelos lindos e brancos dentes de sorriso, eu queria apenas cativa-lo. Não, não apenas divulgar minha existência, mas sim mostrar que existia somente para me responsabilizar por ele, pelo animal, pelo sorriso, pelo Lobo.
Bom, nem tudo no penhasco são flores. Alias flores estão em falta, no penhasco e em qualquer outro lugar. Assim é a lei da selva, ficar só olhando não fez com que o lobo deixasse de conhecer novas carnes (pura carniça). Quebrando toda a metáfora, por motivos de raiva passageira, digo que O MENINO PARA QUEM EU ESTAVA OLHANDO, O GAROTO QUE EU QUERIA CATIVAR, A PESSOA QUE ME ENCATAVA APENAS PELO SORRIZO, O BROTHER MAIS LINDO DE TODA A FESTA, TAVA SE AGARRANDO COM UMA MACACA ( Sem metáfora alguma.). Eu não devia me incomodar, mas fiquei triste, com raiva, ciumes, com vontade de beijar loucamente a primeira menia que me atirasse um sorriso, e é isso que faz desse um Pots apaixonado. Meus sonhos repentinos, ali mesmo criados, foram cenicamente destruídos por um único beijo, que nem foi tão cenico.
Não é no que acredito, mas sou hipócrita quando levo a serio a historia de que no amor e na gerra valem tudo; Animais de diferentes especies não deveriam se relacionar, não um Lobo e uma macaca, não na minha frente.
A certeza de que faria melhor lateja no meu peito e me irriga a raiva.
(Essa certeza não é uma colocação egocêntrica, é apenas uma manifestação de ciumes.)
Talvez acabe o tempo dos penhascos e eu encerre esse Pots dizendo que vou me dedicar ao Zé da Luz ou ao meu amigo Elfo de nariz vermelho da internet, mas...
Chega seu lobo, chega de chapeuzinho, vovozinhas e porquinhos, chega colegiais macacas! Estes são/devem/podem ser os seus animais errados. Fica comigo, seu homem, seu touro, seu Leão, seu Aynore, seu lobo.












Se não, me sorri mais uma vez apenas.







Arrocha tchÊ!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Teatro que faço.

Bom, eu não vou falar muito porque o que vou postar aqui eu já tem letra demais, enfim...

Quem falou sobre comigo, sabe o que eu achei sobre o show de Teatro Magico, e se sabem disso, sabem também que prometi pra mim mesmo que mandaria um e-mail para eles dizendo o que achei, bom... aqui está.


Oi, bom d...

Bom qualquer coisa, pois nem sei se é dia ou noite, mas enfim...

Olá, Sou o Ravi Aynore e magicamente assisti um show de vocês aqui em Aracaju-SE no dia 31 desse mês que passou, que se não me engano foi outubro.

Caras, que show! QUE SHOW!

Já tinha assistido ao show d´ O Teatro Magico de outras vezes que vocês estiveram aqui, mas esse foi simplesmente fora de serie. Por horas fiquei sem poder dizer qualquer coisa ou tecer qualquer comentário sobre o espetáculo que vocês deram naquela sexta-feira.As vezes deixava de pular, cantar, gritar só para poder observar e analisar todo o espetáculo.Acompanhei com cuidado os momentos circenses, as palhaçarias, os malabaristas e cuspidores de fogo e adorei cada segundo.Mas deixando os elogios de lado, de tanto observar, algumas coisas me deixaram um pouco curioso, confuso, intrigado.Sou estudante do curso de Teatro – Licenciatura da Universidade Federal de Sergipe, e isso fez com que pusesse o olho e a percepção pra funcionar enquanto assistia ao show.Me vi perdido enquanto a parte teatral da banda, senti falta de um conflito para poder chamar de teatro. Fiquei louco, me imaginando com um show de possibilidades, como o de vocês, nas minhas mãos. O espetáculo em si já tem um grandiosa direção, mas eu como sou teimoso e insistente, acrescentaria algumas coisas pra tornar a apresentação mais dramatizada. O drama, é isso, foi disso que mais senti falta. Imaginei ( e aqui já vou dando ideias e sugestões para vocês, caso queram acrescenta-las.) um romance entre os dois palhacinhos, os dois artistas circenses, contado pelos músicos ao longo do show. Seriam encontros e desencontros entre essas duas figuras que se costurariam com as musicas. Vejo o clown cuspindo fogo para chamar a atenção da palhacinha, vejo a palhacinha bolando de rir porque ele deixou cair um dos arcos de malabares, vejo a palhacinha se arriscando nas alturas pra mostrar ao clown o quanto pode ser bela, vejo ela escorregando, ficando dependurada por apenas uma perna, vejo o clown corre em sua direção, subir rapidamente as barras de ferro que os separam, descer cuidosamente pelo tecido para salvar sua palhacinha, vejo um forte aperto de mãos, um puxão,um encontrão e o mais carinhoso dos abraços. A palhacinha agora sabi que a beleza dos seus movimentos não fariam diferença se não houvesse ali um ser que a admira, ama e que se arriscaria por ela, o clown percebe que sem precisar se exibir, mostrou pra sua amada a coisa mais importante: estaria ali, ao lado dela, nas horas mais belas às horas mais difíceis. Sentiu o drama? Eu sim.Só de fantasiar essa historia na minha cabeça meu coração bate forte.O publico já sente no peito o impacto das musicas, que falam de uma maneira simples e bonita das coisas com as quais nos identificamos. O que falta sentir, penso eu, é apenas um aperto no coração que vai fazer com que todos, plateia, músicos, contra-regras, produção, atores, artistas em geral, percebam que já sentiram aquela sensação antes, e isso os remeterá a uma nostalgia saudável, que vai fazer com que essas pessoas saiam de um show d' O Teatro Magico se sentindo bem, com um sorriso estampado no rosto.Admito e admiro porque eu mesmo sai muito feliz do show, por ter dançado, cantado e pulado, mas sobretudo por ter assistido a um grandioso espetaculo.Agora vejo a palhacinha e o clown sentados em um balanço nas alturas, eles estão sorrindo, estão namorando. Juntos fazem as mais loucas piruetas naquele balanço... Juntos. Eles se completam ao som de " Tem vezes que a gente se pergunta porque é que não se junta tudo numa coisa só.".Existem outras que eu gostaria de discutir; o caso do monstro do Mérito e o monstro, achei fantástico, uma manipulação de perna de pau muito bem encenada. O monstro aparece e é cenicamente lindo, ele faz milhões de poses e movimentos que dão a ele um aspecto tenebroso, a luz, que estava brilhante durante todo o show, da ao monstro o poder que lhe faltava, porem o que faz o monstro ir embora? O fim da canção? O que me deixou mais curioso é que os músicos não interagem e nem reagem a presença do monstro. Onde entraria a dramatização nesse ponto?Os músicos, com as armas que tem, os instrumentos, expulsariam esse monstro com a coisa mais forte que já foi criada, a bomba mais poderosa, A MUSICA.Eu vejo fortes batidas nas cordas do violão que me lembram estouros de trovões, a luz simula os raios e relâmpagos, e o monstro se intimida com todos aqueles que estão no palco e plateia cantando repetidamente em coro: "Pra nos tornarmos imortais a gente tem que aprender a morrer.". O monstro sai, a musica acaba, a luz acalma e é hora das palmas vitoriosas, do publico pra banda, da banda pro publico. Existe uma outra figura que eu não consegui decifrar ainda, é o monstro de fitas que surge no começo do show. Nada tenho a falar dele, pois não captei o seu real sentido. Peço aqui, humildemente, uma luz. Pois estou muito curioso a respeito desse boneco, que cenicamente é fantástico. Outra coisa que me fez pensar são os versos que o palhaço que comanda a "brincadeira" recita antes de algumas musicas. Receio que se aproxime muito do que o Lirinha faz do shows de Cordel do Fogo Encantado. Felizmente O Teatro Magico tem soluções para isso, por ser um palhaço o personagem que recita o versos, pode-se fazer deles um dramalhão, com risos ou lagrimas, lembrando as duas mascaras simbolo do teatro. Pode se usar também artifícios usados no circo pelos próprios palhaços para cativar a tenção da plateia. Quero elogiar também a luz do espetáculo que estava impecável e a interpretação do Fernando nas palavras ditas antes da musica "Eu Não Sou Chico, Mas Quero Tentar."Bom, existem outras coisas nas quais pensei, tenho certeza disso, apenas não consigo lembrar delas agora, pois foi de um subto interesse que comecei a escrever esse e-mail.Desejo que leiam essas palavras com carinho, porquê em momento algum minha intenção foi fazer criticas destrutivas, ou muito menos construtivas do trabalho de vocês. Minha única razão de estar escrevendo essas palavras para O Teatro Magico é porque gostaria de contar pra vocês o espetáculo que assisti na minha cabeça enquanto assistia o show de vocês. Se gostaram de algumas das ideias que aqui comentei, não tenham pudor para coloca-las em pratica. Não espero reconhecimento, nem agradecimentos ao final do shows, espero somente ficar orgulhoso por assistir um show completo, redondo e sem falsa modéstia perfeito, O SHOW DOS MEUS SONHOS.

Obrigado pela possível atenção.

Ravi Aynore.

Arrocha Tchê!


é isso.


Arrocha Tchê.

domingo, 2 de novembro de 2008



É o seguinte: ...
uahauhauhauhauahua.
Aconteceu não faz muito tempo, há dois meses atrás eu estava desempregado, precisando de dinheiro, aceitando qualquer tipo de trabalho; Hambúrguer gigante, frentista de posto e até boneco gigante de ar em forma de lampada. Foi por quem, de certa forma, me apaixonei. Nunca que soubesse quer seria assim. Quando conheci o Zé da Luz ele representava pra mim o dinheiro que me renderia no final do mês, mas hoje já não sei mais ser eu sem ele. Entrei no conflito da minha vida: É o boneco que me completa ou sou eu que completo o boneco? Sei que sem mim o boneco não teria vida e sei também que qualquer outro poderia dar vida ao boneco, por isso entro em dilema. Estou tão perdidamente apaixonado por um boneco de ar que acho que ele não seria absolutamente nada sem mim. É, de certa forma, deprimente. Mas criei um mundo só meu dentro do boneco, um mundo amarelo, cheio de espaço só pra mim, um mundo onde as pessoas não podem ver quem realmente sou, elas podem imaginar, mas jamais saberão. Lá por dentro um corpo lacrimeja o suor, um odor só meu se espalha, meus rostos, meus gestos, minha nudez... Tudo lá é meu, só meu. E o boneco o que acha disso? Eu não sei, ele nada me disse, nunca. Quando ele fala sou eu falando. Mas todos o amam, amam o que ele representa e amam os sorrisos que o Zé da Luz consegue arrancar.
Nunca levei ou levarei o credito que ele leva, mas você acha que fico chateado? Não, absolutamente. Sou ele e seu sucesso me orgulha. Hoje, depois de dois meses, passamos o primeiro final de semana juntos, fomos a praia, tomamos banho juntos e pela primeira vez dormimos no mesmo quarto. Eu estou feliz com o nosso relacionamento. Ele rasga, eu costuro. Eu erro, ele me cobre. A semana vem e juntos trabalharemos outra vez. Ainda não recebi nem um centavo desde que conheci o boneco, mas conhece-lo já me pagou uma vida inteira de uma pura e intensa amizade.
Acho tudo isso magico?
Não é!
Experimenta ficar quarenta minutos dentro de um boneco fedido, com cinco quilos de bateria amarrados a sua cintura, em baixo de um sol quente, com quinhentas crianças gritando no seu ouvido.
Magico, han...
O Zé da Luz é meu e é só.



“ É triste o bêbado que não lembra que passou a mão em sua bunda ontem.”

Arrocha tchê!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Pra começar e o seguinte...

Pra começar é o seguinte:...
É o “seguinte”? Qual é a do “seguinte”?
Pra quê, meu santo Deus, as pessoas insistem em especificar que o que eles vão falar depois é o seguinte.
O “seguinte” serve para enfatizar que o que vem depois é algo importante, mas o uso desgovernado do “seguinte” faz com que eu me perca na importância das coisas.
“É o seguinte:” vem sendo usado em frases como;
O negocio é o seguinte: nós não podemos mas viajar de carro, pois foi assim que morreram nossos pais.
Quando deveriam ser usadas dessa forma;
É o seguinte, rapaziada, não temos Coca nem Fanta, vão querer o que?
Ou não...
Será que eu já estou tão confuso com a importância dos “seguintes”?
* Enfim,o seguinte do “seguinte” do que vem depois, agora, sendo (neste caso) o seguinte: é que tenho algo pra contar desse dia que se passou, que com certeza não foi o meu dia.
A madrugada poderia ter ido bem se minha internet funcionasse, mas como não, passei meus momentos de insonia jogando um game chinês com Willy, meu PC. O game te ilude, e mesmo sabendo disso o vicio é quase inevitável. Foram três longas horas até o final do jogo, três longas horas pra se dar conta que pessoas como eu não pedem vencer aquele jogo. “ Pois bem, azar no jogo é sorte no amor.”. Algum tempo depois descobri que a pessoa que eu pensava estar me dando mole reatou o relacionamento com um ex-namorado. Lá pelas cinco da manhã consegui deitar a orelha quente em travesseiro gelado na casa de praia. Os sonhos são bons, assim como os jogos chineses, mas também te iludem. A manhã estava quente de um calor insuportável, fui para casa curtir meu ventilador, a internet ainda não funcionava. Dormi outra vez. Dessa vez dormi o sono que perdi na madrugada, mais tarde teria que acordar para ir até o shopping visitar a operadora que (não) me fornecia internet. Acordei calmo, escutei musica, tomei banho, me vesti e sai.
O seguinte a isso tudo: Fui assaltado.
- Um sonho azul, vindo do norte ou do sul... - Cantar me fez bem, sempre fez, porem tenho que parar de fazer essas coisas no meio da rua. Acho que esse cara da bicicleta reparou que... - Opa! -
Definitivamente tenho que parar de fazer isso nas ruas.
Você curte rock é? - O cara da bicicleta fez a volta pra perguntar se curto rock? Vou ser assaltado.
Han?
Você curte rock?
Ah, não. Não é minha praia. Sou chegado em um reggae um hip-hop. - Me pareceu uma grande ideia, mentir meu gosto musical... Quem sabe ele desiste que de roubar.
Você é o cara que tirou onda com minha prima? - Eu não sabia nem quem era ele, quanto mais a prima dele.
Eu não sei quem é você, quanto mais a sua prima.
Tem certeza que não é você?
Certeza, vei.
E la se vai o cara de bicicleta. Nossa que alivio.
Ups, la vem o cara da bicicleta outra vez.
Se você tá falando que não é o cara, eu acredito em você.
Que bom, pois não sou o cara.
Se eu pegar esse maluco eu vou matar ele. Eu to armado. - Olha, uma arma.
É, não sou o cara. - Está certo, o cara vai me assaltar, fato. - Esse cara, o que tirou onda com sua prima, é um otário.
É um malandro ai, mas ele vai morrer. - Ups, a arma outra vez.
Pois é.
Você é malandro ou é otário?
Neutro.
Você é o que?
Neutro. Nem malandro nem otário, neutro.
Ah... Se ligue, passe esse celular você tem ai no bolso. - Ainda bem que é da mesma operado que me cortou o prazer de ficar papeando a madrugada toda com os meus amigos na internet.
Aqui.
Tem outro ai?
Não!
Olha que se eu te revistar e achar te meto bala.
Não tenho mesmo.
Tira o chip desse ai. - Chip? Queria eu ter a oportunidade de poder mudar de operadora toda vez que essa me deixasse na mão.
Não tem chip não.
O que é malandro? Tira o chip logo se não te faço um furo. - Pois, não tem chip. Pode começar a furar.
Não tem chip, é serial, cartão... Sei lá. - Assim você, vê. É só tirar a bateria aqui... Pronto, sem chip. - Toma.
Pronto, aconteceu. Adeus meu celular no bolso do marginal.
Ei, fique ai.
Viu.
Bote um real na mão. - Morri, eu não tenho dinheiro.
Tenho só dez centavos.
Ah... Tome. - Quê? Meu celular de volta?
Valeu. - Beleza, agora faço toques de gangue com um marginal. Será que o fato dele ter me devolvido o celular que acabou de me roubar faz ele pensar que agora eu o devo um favor.
Ele se foi. Filha da puta, eu doido pra ganhar um celular novo e ele me devolve essa merda.
Mais na frente uma velha me pergunta;
Você estava sendo assaltado ali.
Era.
Olha, é o seguinte: você tem que ir até a policia e dar queixa.
E dizer o que? Que um marginal pediu pra ver o meu celular e depois devolveu? Deixa queto. - É o seguinte... Eu devo merecer.
Assim começou minha noite, fiz o que tinha que fazer e voltei pra casa. Nada e internet e nada de sono. Não quis jogar com o Willy, fui até a varanda e acendi um cigarro. Eu não fumo, mas tive um dia cheio e precisava forçar uma pressão baixa para dormir logo. Foi vendo o vento tirando a fumaça do cigarro pra dançar que eu vi que já eram quase três horas. Pensei: Então, o que virá depois? Respondi: O seguinte! E o seguinte? O seguinte ninguém sabe.
Haha Irônico.

Arrocha tchê!