3 de 9; maneiras de dizer "te amo".
“Que chato, estamos tão distantes. Mesmo tendo passado a noite juntos, agora te sinto tão distante. Que chato!” - Pensei.
Você estava na sala, sentado em minha poltrona comendo cheetos e vendo TV, seus cabelos lisos estavam assanhados e uma hora ou outra você se lembrava de ajeitar os óculos. Era nítido que algo incomodava você, seu nariz,era o tempo. O tempo chuvoso tinha te deixado um pouco gripado, e as vezes eu podia te ouvir espirrar. Eu estava na mesa, que também ficava na sala, estava escrevendo, mas naquele momento tinha parado só pra observar você, teu jeito. Com a cabeça apoiada nas mãos entrelaçadas, eu te admirava. Te ouvia e via dar risadas de coisas bestas que passavam na televisão, padrinhos mágicos. Tua risada me fazia sorrir, me enchia de uma alegria interna tão refrescante. Gostava de te olhar assim, por inteiro, em detalhes, sem você sequer notar. Teu cabelo, teus olhos, lábios, sorriso, teu pescoço, ombros, tórax, barriga, cueca, pernas, joelhos e finalmente pés. Por inteiro! Um vento frio invadiu a casa, e ao tocar meu corpo me fez lembrar de nossa distancia. Ao lado da mesa, em cima de uma das cadeira, havia uma camiseta branca, peguei e vestir. O tempo parecia ficar cada vez mais frio, como nós, em questão de segundos, parecíamos estar bem mais distantes.
Ei! - Te chamei atenção.
Você me olhou e eu te mandei um beijo, retribui-me e voltou sua atenção para a TV.
O que fiz, fiz para ver se distraia a mente da tal distancia, mas não adiantou. Tentei voltar a escrever , mas me via empacado na frase “Não lhe faltara amor, pois esse nunca foi desejado. O que lhe faltava era...”, “ O que lhe faltava era...”
“O que lhe faltava? O que me faltava?” - Peguei-me pensando outra vez. A nossa distancia, o frio, a camiseta branca, o livro. O que me faltava?
Nada, se tenho você, nada me pode faltar. - Era uma boa resposta para mim, mas não se encaixava ao livro. Desejei ter apenas pensado isso.
Han? Disse alguma coisa? - Quis saber.
Não não, nada. Pensei alto, apenas.
Acho que era o cotidiano que tinha nos afastado assim, fez com que a televisão se tornassem mais interessante que meus devaneios.
Lembrei-me dos bons tempos... Mas, esperem. Não faz tanto tempo assim. Há uma semana atrás eu nem podia tossir que você já achava que eu estava pensando em alguma coisa e imploraria pra saber no que era. Hoje o Cosmo e a Wanda te roubam de mim tão facilmente. Maldito cotidiano!
Levantei-me e fui até a janela, observei o dia. As ruas estavam vazias, as nuvens neras carregadas de chuva molhavam as calçadas sem sessar. Essa tais nuvens pareciam ter estacionado em cima do meu apartamento. Não se via sol, só agua. Nesse momento, vendo que o vazio também estava nas ruas, me senti culpado.
Nesse dia acordei cedo e sem querer acordei você. Você me puxou de volta pra cama e pediu para ficar.
“ - Podemos ficar o dia todo na cama? Juntos, podemos?”
Poderiamos.
Eu não podia, era domingo e eu tinha que escrever. Tinha um capitulo inteiro do Morte Móvel pra terminar.
Não se ouvia nada, apenas a chuva e vez ou outra um espirro, que me tiravam os olhos da janela, que me faziam, mais uma vez, admirar você.
E o vento frio me gelou a nuca.
“Ok, já chega!” - Eu estava muito pensativo nesse domingo.
Sai da janela, peguei meu mp3 player, que estava em cima da mesa perto do computador, os fones de ouvido e uma calça de moletom. Me vesti, pluguei os fones no mp3 e o coloquei no bolso direito da calça, andei em direção a porta, passei por você, inclinei tua cabeça e te beijei.
Vai onde? - Você me perguntou.
Vai ver quando eu chegar lá – E sai.
Desci as escadas correndo de pés descalços, logo estava na porta da rua. Atravessei a porta de vidro e por segundos fiquei vendo a chuva caindo fora do toldo, selecionei a musica que queria ouvir e coloquei os fones no ouvido, quando ela começou a tocar eu sai debaixo do toldo. Senti a chuva grossa e fria molhar meu cabelo, minha testa, minha nuca, meus olhos, minhas costas. Quando olhei pra cima você já esperava por mim na janela. Limpei a agua dos meus olhos e apertei os fones no ouvido. Olhando pra você cantei:
“ You're just too good to be true
can't take my eyes off of you
You'd be like heaven to touch
I wanna hold you so much.” (8)
A minha voz ecoava nas paredes dos prédios vizinhos, você fazia uma careta que misturava espanto com um lindo sorriso. Eu precisava gritar, por puro prazer, pois a unica coisa que competia com a minha voz era o (agora encantador) barulho da chuva.
“At long last love has arrived
and I thank God I'm alive
You're just too good to be true
can't take my eyes off of you.” (8)
Eu cantava alto, só pra ter certeza de que você me escutaria. Alguns vizinhos já tinham aparecido na janela para saber o que estava acontecendo, mas o meu intimo nada mais intimidava.
“Pardon the way that I stare,
there's nothing else to compare
The sight of you leaves me weak
there are no words left to speak
But if you feel like I feel,
please let me know that it's real
You're just too good to be true,
can't take my eyes off of you.” (8)
Você sorriu abestalhado de lá de cima. E eu gritei:
MUITO MUITO MUITO MULTIPLICADO POR MUITO ELAVADO AO INFINITO É O QUANTO EU GOSTO DE VOCÊ, MEU AMOR.
Seu sorriso iluminou meu olhar, e mais uma vez senti refrescar meu interior. Você espirrou, eu sorri. Abri os braços e fiz um circulo em volta de mim mesmo deixando a chuva molhar o meu rosto. Ajoelhei-me:
“I love you baby and if it's quite all right,
I need you baby to warm the lonely nights
I love you baby trust in me when I say
Oh pretty baby don't bring me down I pray
Oh pretty baby now that I found you, stay
And let me love you baby, let me love you.” (8)
Eu dançava, eu corria, eu pulava em poças d'água, rodopiava, caia, sorria e amava cada segundo.
Quando terminei de cantar, algumas senhoras do sétimo que assistam tudo das janelas de suas casas arriscaram algumas palmas. Olhei pra janela e você não estava mais lá. No meu rosto se desfez a expressão de felicidade. “ Será que você não viu tudo...”
Ei! - Me chamou atenção.
Você estava lá embaixo, na minha frente, coberto pelo toldo do meu prédio e segurando um roupão.
Vem pra cá, seu bobo. - Me chamou mostrando-me o roupão.
Hun Hun. - Fiz sinal de negação com a cabeça.
Vem... - Você insistia.
Nã... - Eu não cedia.
Por alguns instantes ficamos parados um olhando para o outro, eu na chuva, você no toldo. Todo aquele momento, olhando pra você olho no olho me fez lembrar nosso primeiro beijo. Eu sorri, abri os braços e olhei pra cima, deixando a chuva lavar minha pele. Quando ia retornar o meu olhar a você só pude te ver pulando em meu abraço. Me cobriu com o roupão e me beijou. Foi o nosso primeiro beijo molhado de chuva. Alguns vizinhos nos condenaram e bateram as janelas com violência na tentativa de fecha-las rapidamente, outros sorriram um sorriso satisfatório e a velhinha do sétimo andar arriscou, mais uma vez, bater palmas. As palmas ecoavam nas paredes dos prédios vizinhos e um raio de luz apareceu no céu cinzento, por segundos ele se refletiu em todas as janelas possíveis naquele momento, lodo depois sumiu nas nuvens. Nosso beijo durou pouco, mas foi suficiente para te deixar todo molhado de chuva.
Será que o sol saio só pra ver nosso beijo? - Perguntei.
Não sei ele, mas os vizinhos, sim.
Saímos molhados e rindo da situação. No caminho de casa, nas recepção do prédio, baforei ar quente em um espelho e com o dedo escrevi algo.
O que você está fazendo ai? - Era assim que eu te gostava, tão curioso.
Vem ver.
Quando veio ver o que eu tinha escrito, deu outra vez quele seu sorriso abestalhado. Sumindo, vagarosamente, em um espelho embaçado estavam as tais duas palavras de efeito:... ...
Você estava na sala, sentado em minha poltrona comendo cheetos e vendo TV, seus cabelos lisos estavam assanhados e uma hora ou outra você se lembrava de ajeitar os óculos. Era nítido que algo incomodava você, seu nariz,era o tempo. O tempo chuvoso tinha te deixado um pouco gripado, e as vezes eu podia te ouvir espirrar. Eu estava na mesa, que também ficava na sala, estava escrevendo, mas naquele momento tinha parado só pra observar você, teu jeito. Com a cabeça apoiada nas mãos entrelaçadas, eu te admirava. Te ouvia e via dar risadas de coisas bestas que passavam na televisão, padrinhos mágicos. Tua risada me fazia sorrir, me enchia de uma alegria interna tão refrescante. Gostava de te olhar assim, por inteiro, em detalhes, sem você sequer notar. Teu cabelo, teus olhos, lábios, sorriso, teu pescoço, ombros, tórax, barriga, cueca, pernas, joelhos e finalmente pés. Por inteiro! Um vento frio invadiu a casa, e ao tocar meu corpo me fez lembrar de nossa distancia. Ao lado da mesa, em cima de uma das cadeira, havia uma camiseta branca, peguei e vestir. O tempo parecia ficar cada vez mais frio, como nós, em questão de segundos, parecíamos estar bem mais distantes.
Ei! - Te chamei atenção.
Você me olhou e eu te mandei um beijo, retribui-me e voltou sua atenção para a TV.
O que fiz, fiz para ver se distraia a mente da tal distancia, mas não adiantou. Tentei voltar a escrever , mas me via empacado na frase “Não lhe faltara amor, pois esse nunca foi desejado. O que lhe faltava era...”, “ O que lhe faltava era...”
“O que lhe faltava? O que me faltava?” - Peguei-me pensando outra vez. A nossa distancia, o frio, a camiseta branca, o livro. O que me faltava?
Nada, se tenho você, nada me pode faltar. - Era uma boa resposta para mim, mas não se encaixava ao livro. Desejei ter apenas pensado isso.
Han? Disse alguma coisa? - Quis saber.
Não não, nada. Pensei alto, apenas.
Acho que era o cotidiano que tinha nos afastado assim, fez com que a televisão se tornassem mais interessante que meus devaneios.
Lembrei-me dos bons tempos... Mas, esperem. Não faz tanto tempo assim. Há uma semana atrás eu nem podia tossir que você já achava que eu estava pensando em alguma coisa e imploraria pra saber no que era. Hoje o Cosmo e a Wanda te roubam de mim tão facilmente. Maldito cotidiano!
Levantei-me e fui até a janela, observei o dia. As ruas estavam vazias, as nuvens neras carregadas de chuva molhavam as calçadas sem sessar. Essa tais nuvens pareciam ter estacionado em cima do meu apartamento. Não se via sol, só agua. Nesse momento, vendo que o vazio também estava nas ruas, me senti culpado.
Nesse dia acordei cedo e sem querer acordei você. Você me puxou de volta pra cama e pediu para ficar.
“ - Podemos ficar o dia todo na cama? Juntos, podemos?”
Poderiamos.
Eu não podia, era domingo e eu tinha que escrever. Tinha um capitulo inteiro do Morte Móvel pra terminar.
Não se ouvia nada, apenas a chuva e vez ou outra um espirro, que me tiravam os olhos da janela, que me faziam, mais uma vez, admirar você.
E o vento frio me gelou a nuca.
“Ok, já chega!” - Eu estava muito pensativo nesse domingo.
Sai da janela, peguei meu mp3 player, que estava em cima da mesa perto do computador, os fones de ouvido e uma calça de moletom. Me vesti, pluguei os fones no mp3 e o coloquei no bolso direito da calça, andei em direção a porta, passei por você, inclinei tua cabeça e te beijei.
Vai onde? - Você me perguntou.
Vai ver quando eu chegar lá – E sai.
Desci as escadas correndo de pés descalços, logo estava na porta da rua. Atravessei a porta de vidro e por segundos fiquei vendo a chuva caindo fora do toldo, selecionei a musica que queria ouvir e coloquei os fones no ouvido, quando ela começou a tocar eu sai debaixo do toldo. Senti a chuva grossa e fria molhar meu cabelo, minha testa, minha nuca, meus olhos, minhas costas. Quando olhei pra cima você já esperava por mim na janela. Limpei a agua dos meus olhos e apertei os fones no ouvido. Olhando pra você cantei:
“ You're just too good to be true
can't take my eyes off of you
You'd be like heaven to touch
I wanna hold you so much.” (8)
A minha voz ecoava nas paredes dos prédios vizinhos, você fazia uma careta que misturava espanto com um lindo sorriso. Eu precisava gritar, por puro prazer, pois a unica coisa que competia com a minha voz era o (agora encantador) barulho da chuva.
“At long last love has arrived
and I thank God I'm alive
You're just too good to be true
can't take my eyes off of you.” (8)
Eu cantava alto, só pra ter certeza de que você me escutaria. Alguns vizinhos já tinham aparecido na janela para saber o que estava acontecendo, mas o meu intimo nada mais intimidava.
“Pardon the way that I stare,
there's nothing else to compare
The sight of you leaves me weak
there are no words left to speak
But if you feel like I feel,
please let me know that it's real
You're just too good to be true,
can't take my eyes off of you.” (8)
Você sorriu abestalhado de lá de cima. E eu gritei:
MUITO MUITO MUITO MULTIPLICADO POR MUITO ELAVADO AO INFINITO É O QUANTO EU GOSTO DE VOCÊ, MEU AMOR.
Seu sorriso iluminou meu olhar, e mais uma vez senti refrescar meu interior. Você espirrou, eu sorri. Abri os braços e fiz um circulo em volta de mim mesmo deixando a chuva molhar o meu rosto. Ajoelhei-me:
“I love you baby and if it's quite all right,
I need you baby to warm the lonely nights
I love you baby trust in me when I say
Oh pretty baby don't bring me down I pray
Oh pretty baby now that I found you, stay
And let me love you baby, let me love you.” (8)
Eu dançava, eu corria, eu pulava em poças d'água, rodopiava, caia, sorria e amava cada segundo.
Quando terminei de cantar, algumas senhoras do sétimo que assistam tudo das janelas de suas casas arriscaram algumas palmas. Olhei pra janela e você não estava mais lá. No meu rosto se desfez a expressão de felicidade. “ Será que você não viu tudo...”
Ei! - Me chamou atenção.
Você estava lá embaixo, na minha frente, coberto pelo toldo do meu prédio e segurando um roupão.
Vem pra cá, seu bobo. - Me chamou mostrando-me o roupão.
Hun Hun. - Fiz sinal de negação com a cabeça.
Vem... - Você insistia.

Nã... - Eu não cedia.
Por alguns instantes ficamos parados um olhando para o outro, eu na chuva, você no toldo. Todo aquele momento, olhando pra você olho no olho me fez lembrar nosso primeiro beijo. Eu sorri, abri os braços e olhei pra cima, deixando a chuva lavar minha pele. Quando ia retornar o meu olhar a você só pude te ver pulando em meu abraço. Me cobriu com o roupão e me beijou. Foi o nosso primeiro beijo molhado de chuva. Alguns vizinhos nos condenaram e bateram as janelas com violência na tentativa de fecha-las rapidamente, outros sorriram um sorriso satisfatório e a velhinha do sétimo andar arriscou, mais uma vez, bater palmas. As palmas ecoavam nas paredes dos prédios vizinhos e um raio de luz apareceu no céu cinzento, por segundos ele se refletiu em todas as janelas possíveis naquele momento, lodo depois sumiu nas nuvens. Nosso beijo durou pouco, mas foi suficiente para te deixar todo molhado de chuva.
Será que o sol saio só pra ver nosso beijo? - Perguntei.
Não sei ele, mas os vizinhos, sim.
Saímos molhados e rindo da situação. No caminho de casa, nas recepção do prédio, baforei ar quente em um espelho e com o dedo escrevi algo.
O que você está fazendo ai? - Era assim que eu te gostava, tão curioso.
Vem ver.
Quando veio ver o que eu tinha escrito, deu outra vez quele seu sorriso abestalhado. Sumindo, vagarosamente, em um espelho embaçado estavam as tais duas palavras de efeito:... ...
Fim.
Naquele dia voltamos pra casa encharcados, e não fizemos absolutamente mais nada.
Eu fiz pipoca, e passamos o dia todo juntinhos, sentados no sofá, abraçados e rindo muito do Cosmo e da Wanda. Lembro de ter te cantado “Carinhoso” e de ter te enchido de beijos depois disso.
Na manhã seguinte acordamos gripados, os dois, e não saímos da cama. Você ainda sonolento sussurrou a musica Leãozinho no meu ouvido, entre um espirro e outro, e mais uma vez passamos o dia inteiro abraçado, juntos.
Eu fiz pipoca, e passamos o dia todo juntinhos, sentados no sofá, abraçados e rindo muito do Cosmo e da Wanda. Lembro de ter te cantado “Carinhoso” e de ter te enchido de beijos depois disso.
Na manhã seguinte acordamos gripados, os dois, e não saímos da cama. Você ainda sonolento sussurrou a musica Leãozinho no meu ouvido, entre um espirro e outro, e mais uma vez passamos o dia inteiro abraçado, juntos.
3 - MUITO MUITO MUITO MULTIPLICADO POR MUITO ELAVADO AO INFINITO É O QUANTO EU GOSTO DE VOCÊ, MEU AMOR.
“ A distancia me traz uma tranquila saldade.”
Arrocha tchê.
Um comentário:
viu? ficou gripado. mas coisas do tipo devem valer a pena, ou não, a parte dos vizinhos verem é um tanto encomodo, não pra quem ama, mas as palmas foram meio sarcasticas uhashuuashuuahs
=]
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