quarta-feira, 31 de julho de 2013

O Silencio irá cair quando ravi descobrir como fazer pra sumir de vez.



Olha só. Se me contassem eu não acreditaria. Eu não sei quem estava mais errado, eu ou o meu psicólogo. Talvez tenha sido a coisa mais idiota que eu já fiz, ir pro psicólogo. A gente, junto, conseguiu se convencer de que eu devia largar essa vida pra fazer o que eu queria. E o que eu queria? Eu achava que queria trabalhar com o que eu gosto, fazer filmes, peças, músicas e historias, mas quem diria, não é nada disso. O que eu quero desde sempre, o que eu estou fazendo agora depois de ter perdido o emprego e de ter me distanciado da maioria dos meus amigos? Talvez ser cortado. Eu acho que achei a melhor maneira de cometer suicídio pra mim que sou incapaz de cortar meus pulsos no banheiro. Eu não vou morrer, eu vou sumir. Eu vou sumindo da vida dos meus amigos, dos meus trabalhos, dos filmes, das peças, das músicas... E logo é como se eu tivesse existido mas não mais. E eu que fui pra um centro espírita pra ver se acalmava minha alma. A verdade é que minha alma já está calma, toda essa intensidade de sentimentos vem das longas despedidas que é o que resta pra mim, alguém quem já desistiu. Foi triste me despedir do trabalho sabendo que eu não queria mesmo voltar. É triste ver que estou começando a me despedir dos projetos cinematográficos assim coma aconteceu com o trabalho. O mesmo acontece com o grupo de teatro e amigos. Toda vez que eu decido ficar em casa e não sair pra tomar uma cerveja com alguém é um novo tchau caminhando para se transformar em um adeus. Foi assim com Jonta, e mesmo que ele volte e não se vou ser eu que estará aqui. Não sei se me permitirei ser amado e aceito outra vez com medo de que isso implique em uma despedida mais complicada no futuro. Os que vão para serem felizes me facilitam. Eu nunca precisei dizer adeus pra Jessica ou Luth porque ele partiram antes de mim, e quando voltarem e não me encontrarem do jeito que eu costumava ser, não haverá dor, só uma saudade. Me dói me afastar das pessoas que ainda estão aqui porque eu vejo meu potencial em acompanha-las e de acrescentar uma coisa ou outra a suas vidas que podem as tornarem mais toleráveis. Mas eu não quero ajudar eu quero partir e ficar em paz. É ruim porque eu acabo tratando as pessoas mal para que elas percebam o afastamento e apesar de não ser de proposito eu me sinto muito mal. Essas são as piores despedidas, a de Bia, as de Ítalo, Bruno e Kassem. Eu jamais poderia fazer o mesmo com meu pai e mãe, mas o tempo cuidará deles do jeito que eu não posso. O tempo passará e eles passaram também e eu continuarei aqui e ai eu terei dado os meus últimos adeus. Família eu já não tenho mais, eles já estão em uma distância segura e quando o ismo se romper eles nem notarão. Que burrice minha acreditar que eu ia sair do emprego e tudo ficaria melhor. Eu escreveria mais, ia me tornar um produtor artístico e iria ganhar dinheiro com isso. Acreditar que eu poderia investir na arte e me tornar um diretor de cinema e de teatro que fosse bastante elogiado e que isso me faria feliz. Eu cheguei até a pensar que se eu tivesse mais tempo pra mim eu iria poder investir mais nos relacionamentos e quem sabe arranjar alguém pra dividir um episódio de Doctor who, pipoca e refrigerante comigo. ASHUASHUAHSAUAHSUHAUSHA Eu me fiz rir aqui.
“Eu não estava indo ser feliz, eu estava me fechando.” “Eu estava me fechando.” – Eu continuo repetindo pro meu psicólogo que não está aqui.
Eu ainda não entendi o motivo disso. Por que não viver e tentar? Por que não correr atrás da felicidade? Uashuahsua Eu não sei, mas é assim que é. É assim que está. A gente costuma achar que quando se desiste a vida desmorona, mas o que se tem pra desmoronar quando você já desistiu? Digo, perder o emprego, os sonhos, as motivações... Antes isso tudo me transtornava, hoje é só mais uma despedia simples. “Essas coisas acontecem.” É o que se passa na minha cabeça. HSAUAHSUHASH A vida é tão maravilhosa que essas coisas acontecem o tempo todo e eu me pergunto se quero uma vida dessa pra mim, e a resposta é não. E que vida você quer, Ravi? Nenhuma! Minha vida é bem simples e eu não estou fazendo bom uso dela, de que outra vida me seria útil? Foram-se os sonhos. Foram tão rápido que eu nem quero querer ter sonhos, não fazem mais diferença. Oscar sonha em ir para Nova York e eu iria com ele, mas não é o meu sonho, é o dele. Eu não sonho mais nada. E as coisas que eu quero estão todas relacionadas a Doctor Who.

Por que todas essas apostas foram feitas em mim? Por que tinha que estar entre as coisas importantes e boas? UASHAUHSAUHSH Olha, me fiz rir outra vez. Importantes de boas? Pra quem? Tem gente que acha o Canal Elétrico melhor que o Grávidos, Ravi. Os filhos dos Beatles melhor que imprevisíveis. Por favor, você está fora de contexto.
E eu e meu psicólogo preocupados com a culpa que sinto. Que tal notar que a tal culpa não tem mais importância alguma agora que já desistir de sentir?

A verdade é que termino aqui sem nada pra ser eterno. Eu sou daqui a 5 anos o cara que sou de NEDL. Eu fiz bastante trabalhos pra eles, e fui bem nesses trabalhos, mas isso já fazem 5 anos e eles não já não lembram mais de mim ou tem meu telefone de contato. Eu não terei filhos e quando me acabar aqui é somente o fim.

Eu tenho 5 dias de atividade continua em minha vida, onde eu penso que se eu me esforçar de verdade alguma coisa vai acontecer e eu vou me beneficiar com isso, e quando esses 5 dias acabam eu tenho 2 semanas e meia de profunda depressão onde eu não quero sair de casa.

Breve eu desistirei de escrever, por não conseguir seguir em frente com nem uma das histórias que invento.
Eu não queria ficar sozinho vagando por ai sem ser visto. Então, universo, quando eu tiver de tudo desistido de tudo e todos e for somente um corpo, faz com que eu esqueça de mim também e que assim eu possa desaparecer por completo como se nunca tivesse existido.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Quarta de quintas.

He will knock four times.

1 – Ele me chamou pra jantar, mas não é disse que vou falar agora. Os pais dele iriam passar o domingo inteiro no interior resolvendo problemas com um casa de veraneio, e ele achou que seria uma boa ideia me preparar alguma coisa pra comer. Eu não achei o mesmo. Eu tenho esse medo de que estaremos na casa dele qualquer dia, quando os pai dele vão chegar e vão de decapitar e me castrar. Não nessa ordem. Mas antes que pudesse chegar domingo, sábado aconteceu. Em casa, de boas como sempre. Recebo uma dessas ligações que geralmente é melhor ignorar, mas eu não o fiz. Amigo Jorge, um cara muito me bacana me liga pra a gente comer pizza, beber cerveja e conversar. Eu, ele e um casal de gente bonita. “Ah, eu não sei” – Pensou Ravi. Até que o Jorge disse: - Estou pagando. Ok, to chamando o taxi. Eu se quer me arrumei pra tentar ficar bonito. Labareda Grill. Eu não gosto de ir nesse lugar, cheio de muita maquiagem nas meninas e muitas camisas polos nos meninos, mas as palavras “Tô Pagando” ecoavam na minha cabeça. Quando eu cheguei estava vazio e eu me empanturrei de pizza e cerveja até ficar lá pra pouco bêbado. Não que eu seja exagerado nessas coisas, mas é que logo ia começar a tocar o que parecia ser um sertanejo demoníaco e ninguém queria ficar lá ver isso acontecer. Não eu, não Jorge legal, nem o casal de pessoa bonitas. Então a gente adiantou um pouco a diversão pra não ter que suportar o sertanejo do capeta. Homem mija quando bebe. Essa é a verdade milenar ensinada pelos grandes guerreiros de outrora. Eu fui ao banheiro e depois de fazer o que devia ser feito, fiquei, como de praxe, me olhando no espelho.
- Ei.
Escutei uma voz meio fanha.
- E ai?
O menino de 17 anos, o mesmo que me chamara pra jantar pouco antes, estava em pé segurando a porta do banheiro com a mão. Nós no cumprimentamos cordialmente. Eu com um pouco mais de empolgação do que gostaria.
- Eiiii. E ai. Ta fazendo o que por aqui?
E o abracei.
Era pra ser um abraço mas amistoso e menos carinhoso, mas sabe quando você sente o rosto de alguém encostar no seu e todas as coisas começam a fazer mais sentido? Nem eu, mas enfim. É só que o cabelo dele cheirava tão bem, e o tecido da camisa polo dele era tão bom, e o desenhos dos seus ombros e das costelas nas costas, ele é tão magrinho e tão durinho que é quase como se eu estivesse dando voltas em mim mesmo. O abraço, não mais amistoso, virou um afago muito estranho para aquele momento em um banheiro masculino. Ele só sorriu enquanto eu ficava cada vez mais constrangido.
- Então, tá de pé o jantar amanhã, né? – Perguntou ele.
- Rapaz, eu não sei. Meu cachorro tá meio doente.
- Eita, Ravi, é serio?
- É.
Ele me viu triste pela primeira vez. E ficou calado na minha frente, olhando pra baixo sem saber como reagir,
- Então... – Falei. – Ele ta na clínica de qualquer maneira, não vai sair amanhã. Só segunda.
- Vá lá em casa, então. Se não quiser jantar a gente conversa, joga vídeo game, sei lá...
Ele sempre fala nesse vídeo game. Foi a primeira coisa que ele sugeriu que fizéssemos juntos, mas eu nunca nem vi a cor desse troço. Acho que é só mais um código pra sexo.

- Não. Você vai cozinhar pra mim, você mesmo disse.
- Então tá.
- É. Que horas?
- Umas nove. Pra dar tempo.
- Ok. Nove então.

Era uma despedida. Uma conversa de “até logo” e “tchau”. Ele avançou em minha direção com calma e eu armei um outro abraço, de pau já duro, diga-se de passagem, mas ele me deu um beijo na boca. Era pra ser um selinho, desses discretos, o que fazia todo sentindo para uma despedida, mas eu demoro pra perceber essas coisas. Lasquei um beijo tão babado e alfinetado pela minha barba que ainda não se identificou da cor que tem, que até ele se assustou. Senti a mãozinha branca dele apertar meu braço numa intensidade que podia dizer: - “Aqui não!” ou “To sentindo seu pau duro.”. Foi rápido, intenso, babado e alfinetado. Ele limpou a boca, sorriu e fez sinal pra sairmos. Lá fora eu perguntei com quem ele tava.
- Uns amigos. – E apontou pra mesa.
Tinha um cidadão de polo rosa que ficou olhando pra gente com uma cara meio estranha. Ele se despediu de mim outra vez, dessa vez com um aperto de mão e batidinha nas costas e foi até sua mesa. Eu fiz o mesmo e sentei de costas pra ele, mas não antes de perceber a aurea negativa do menino de polo rosa que me olhava com olhos de reencarnação de lucífer. Noiei com isso por 12 minutos e depois ignorei. Quis ficar e tolerar o capeta do sertão tocando no Labareda, mas achei melhor não. Fui pra casa de um amigo e lá eu noiei mais um pouco com o cara de rosa e olhos infernais, mas depois dormi.

2 – Como é bom passar o dia com minha amiga Jess, jessy, Jéssica. Almoço, caranguejo, carne, roupa... Tudo regado a muita cerveja e gasto exacerbado de dinheiro. A gente conversou bastante também, inclusive sobre esse rapaz de 17 anos, com quem venho tendo relações sexuais. E esse velho questionamento que sempre rola. “Vocês vão namorar?”. E eu, sempre na de: “Pra quê?”. Mas me fez pensar, sabe? Será que ele quer namorar? Será que ele está achanado que essa relação entre a gente está caminhando pra algum lugar que eu ainda não sei onde é? Noiei! Principalmente pelo fato de achar que poderia estar negligenciando os sentimentos do cara. Passei o começo da noite pensando nisso e vomitando a comida que comi a tarde porque tinha que fazer sobrar espaço para a comida que ele estava fazendo pra mim. Lá pras tantas, nove e meia ou algo assim, ele me liga dizendo que já estava passando pra me buscar. Jantar, eu disse? Nada parecido. Ele fez uma macarronada que realmente estava deliciosa, mas pra quem se arrumou pra uma coisa chique à luz de velas, o jantar foi mais dois pratos de macarronada no quarto dele, vídeos no youtube, conversa divertida e uns beijinhos. Melhor jantar ever, posso falar. Ele me mostrou um vídeo aleatório no youtube, achando que estaria me apresentando novidade, mas o que ele me mostrou foi só uma música do meu musical favorito, sendo executada no meu show favorito. Como não me apaixonar, certo? Nos escovamos os dentes juntos e fizemos sexo no banheiro, tomamos banho juntos e ele me ofereceu sobremesa. Pudim de leite que estava até bom, apesar de muito desastroso. E foi ai que o silencio caiu e não em Tranzelor. (Referência Doctor Who, assim como o título.) Eu, sem rodeio perguntei:

- Você pensa em se envolver seriamente comigo?

Ele congelou.

- Ei. É sério isso? Porque eu não estava procurando uma coisa fixa. Não que isso aqui seja passageiro, é só que eu não tinha pensando ainda nessa coisa de namoro. Eu acho que não estou preparado pra assumir uma responsabilidade assim, Ravi.
- Não, não. Eu sei. Eu não quero me envolver assim também, eu só tava perguntando pra saber o que você pensava e talz.

Mas era tarde. A cozinha ficou mais fria que o pudim. Caiu-se o climão. Eu não tinha percebido o quão constrangido ele ficou. Parecia um relacionamento acabando. Tensão rodeada de aparelhos eletrodomésticos. Eu realmente não estou procurando um relacionamento. Eu não sei nem porque comecei essa conversa.
O climão prosseguiu por mais 12 segundos, o que pareceu semanas. Eu prensei em prolonga-lo falando me menino da camisa de goiaba que me olhava com ódio no labareda, mas achei melhor parar de bancar o panaca naquele instante. Ele interrompeu o silencio.
- Eu gosto de ficar com você, sabe...

E engasgou. Eu molhei uma colher no caldo gelado do pudim e passei na boca dele. Ele sorriu e eu o beijei.
- Eu só estava perguntando. Eu não queria... Certo?
- Certo. – Disse ele, e me beijou com grude.

A gente ficou no carinho no meio do clima que ainda restava. Os dois pensando. Eu pensando em como sou idiota. E ele pensando: “Isso é o pau dele que tá duro?”. Provavelmente pensando isso. Depois de um tempo a gente se despediu e eu voltei pra casa andando. Ele não mandou Whatzup como geralmente faz.
Noiei outra vez até chegar em casa e dormi. Achei mesmo que tinha acabado ali. Havia um certo alivio em minha cabeça, mas ao mesmo tempo... Ele era tão gostoso. Dormi!

3 – Não ouvi dele segunda feira e nem esperava ouvir na terça. Até que por uma confusão com dinheiro eu fui parar no outro colégio, numa terça, no mesmo horário da aula dele. Quintas de boas all over again. A gente se bateu lá por acidente. Ele ficou me olhando, comprou um chicletes e me ofereceu um, me chamou pra ir lá fora conversar. Eu ascendi um cigarro.

- Você quer namorar? – Perguntou ele.
- Oi? Do nada? Você ta me pedindo pra namorar com você?
- É. Eu não queria... Parar.

Eu rir. Quis beijar ele, mas ele parece não gostar muito de cigarros, então o apaguei ainda no comecinho. E essa foi a desculpa que encontrei pra não beija-lo na frente da escola.

- Eu não quero namorar, Joh.

Ele fez cara de alivio e seu motorista chegou.

- A gente se vê, certo? – Disse ele se despedindo.
- É. Me dê aqui uma braço.

E ele me deu um abraço bonito e se foi. Não me ofereceu carona dessa vez. Mas 12 segundos depois tinha uma carinha feliz me esperando no whatsapp.

4 – Four times. Hoje de manhã não foi quinta, mas aconteceu o que aconteceu. Eu fui fazer um trabalho miserável na porta do colégio dele. Pura coincidência também. Eu não esperava encontrar com ele, porque eu deveria sair antes que o ensino médio ser liberado, mas foi. Na verdade, a primeira coisa que vi quando apontei na porta do colégio foi o amigo goiaba dele. O cara também me viu. A segunda coisa que eu vi foi ele de cabelo cortado. Meu coração bateu que nem menino apaixonado. O amigo dele deu o recado que ninguém pediu pra dar. Apontou pra mim e fez gesto de: “Ei, você não conhece aquele cara?”, ele olhou pra porta e me viu. Ficou meio assustado e falou de longe. Não veio pro lado de cá. Noiei! Normal! Minutos depois, uns 12, ele apareceu na porta, meio paulista.
- Ai, mano. Fazendo o que por aqui?

Ele tava com o amigo gordo dele, talvez seja assim que ele fale perto dos amigos.

- Trabalho. Panfletar. – Respondi.
- Ah, só.

Ele passou a mão no cabelo, como se tivesse ajeitando e eu sorri.
Esse diálogo não existiu, mas foi o que a gente conversou nessa passada de mão no cabelo.

Ele – Cortei o cabelo.
Eu – Eu vi.
Ele – Ei ai?
Eu – Gostei. Ta bonito!
Ele sorriu e eu também.

Estava bonito mesmo. Quero nem descrever.

- Eu tenho que ir lá. – Falou ele sorrindo.
- Va nessa. Falou.
- A gente se vê de noite?
- É?
- Eu te ligo.
- Ligue mesmo.

Ele não ligou, mas mandou uma msg de texto.
“Você me deu um susto hoje, aparecendo lá do nada. Ta doido?! Mas foi bom te ver. =*”

Quatro vezes.

Agora o doutor já pode regenerar.


Arrocha Tchê! 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Descobri, enfim.

Ultimamente eu tenho escrito aqui nesse blog desejos suicidas, o que é bastante normal para um blog. E não são desejos, são apenas pensamentos. Desejos suicidas eu só vim sentir mesmo hoje. Eu já tinha essa ideia de que ia me matar quando a vida chegasse a um ponto em que o futuro não seria mais interessante. Quando você vê todas as possibilidades do que pode se tornar e nem uma lhe agrada, como se manter vivo? É muito absurdo.
Eu nunca entendi a cabeça de um suicida direito, para mim não fazia o menor sentido. Mas depois que namorei uma cara que tinha certa fixação por isso e depois que meu primo se matou com uma corda no pescoço o pensamento foi se reformulando em minha cabeça, não que isso tenha me influenciado, mas me fez querer entender o que se passava na cabeça dessas pessoas. Ai sim, ao compreender um pouco do universo suicida foi que as ideias começaram a me influenciar de verdade. Então eu decidi que vou mesmo me matar. Não hoje, não agora, não amanhã... Eu não sei quando e quase não sei por que. Mas posso tentar explicar. Todas as coisas que conquistei pra mim significam nada, minha vida esta estagnada e eu parei de pensar grande por achar que sou pequeno. Eu sei que não sou, eu sei que tenho capacidade de ser incrivelmente gigante, mas essa capacidade de nada serve porque ela não é usada.  E não é uma coisa que se um dia eu aprender a usar... Não. Eu simplesmente não irei usa-la jamais. Sou incapaz de usa-la e isso já esta estabelecido. Por quê? Porque eu deixei de tentar e só por isso. Eu deixei de tentar porque eu cansei e porque não vejo mais proposito. Eu simplesmente não vejo mais proposito em nada. Tentar o que ou pra que? Veja a vida agora e se imagine daqui a vinte anos fazendo exatamente a mesma coisa miserável. Quem não pensaria em se terminar? Esperança de que as coisas mudem é para os fortes ou bobos, eu não sou nem um dos dois. Eu não tenho o futuro brilhante que achei que teria e nem fiz as coisas que eu queria fazer e nem vou fazer. E por que não faz agora? Pra isso se precisa de um potencial que eu não tenho mais ou que não vou usar. O cenário mais provável do meu futuro é um velho sozinho e extremamente magoado que vai descontar as pancadas do tempo e toda a frustração nos únicos contatos que ainda tem e em crianças. Porque não sai da minha cabeça que eu vou envelhecer pra me tornar um velho pedófilo descuidado que vai ser facilmente descoberto pela policia. Isso porque eu vou realmente acreditar que eu e tal criança estaremos apaixonados de verdade. Eu vou crescer para ser mais burro e ignorante do que já sou. E foi isso que entendi no meu primo. Que futuro ele tinha? Eu não consigo imaginar, talvez nem ele. Talvez ele tenha imaginado um futuro caótico como eu imagino o meu agora. Pra que viver pra ver isso? Foi o que ele pensou. Já eu, quero evitar que o ser toxico que vou me tornar contamine a vida de pessoas inocentes. Ainda há tempo de mudar. Não há. Eu já sou esse ser toxico há muito tempo e já tenho destruído vidas por ai. Eu achei que se eu pudesse ajudar as pessoas então me tornaria menos toxico e mais acessível. Mentira. A gente tropeça, a gente cai e não há nem uma lição nisso. Uma queda é só uma queda, não te torna especial, inteligente, ou melhor. Você cai, todo mundo cai. Levanta quem tiver paciência pra cair outra vez lá na frente, eu não tenho mais paciência. O melhor do mundo é que ele não liga se você levanta ou não. Uma vez que você cai e não levanta, o mundo faz questão de se certificar de que, mesmo você no chão, volte a cair.  E tem gente ainda que acredita em deus. Deus é uma criança com uma lente de aumento. Eu aqui pensando em morrer, achando que não tem mais nada nesse planeta pra usufruir, nada que valha a pena e deus matando meu cachorro aos pouco com uma doença filha de uma puta. Eu devia estar morrendo, sofrendo as consequências dos meus atos, dos meus roubos, dos meus planos e pensamentos. Eu que sou o toxico e não o meu cachorro. E por que é ele que esta morrendo e eu não? Por que ele tem que ser sacrificado e eu ficar recebendo segundas chances o tempo todo. Eu já mandei meu potencial à merda, agora eu quero a vida do meu cachorro em troca da minha. Porque aquele animal trás mais alegria do que uma reunião de amigos. Talvez seja uma lição a morte do seu cachorro, Ravi. Talvez seja só a maldade do mundo. Desse deus cu, desses espíritos idiotas que se quer existem, mas a gente insiste em sua existência pra ter quem culpar de nossas incapacidades, desse universo cu que não tem absolutamente nada pra me oferecer. Porque tudo que a gente pode ter é humano, e tudo que é humano e toxico. E que especei de deus sádico é esse que usa o sacrifício de uma criatura inocente para ensinar uma lição a um humano que ser quer tem capacidade de acessar o seu potencial pra se tornar uma pessoa melhor. Universo, eu não valho a pena. Desista de mim porque eu já tomei minha decisão e já desisti de você.
Vou me matar. Prometi pra mim mesmo que se fosse o fazer ia contar para meus pais primeiro. Apenas que decidi que vou me matar. Não direi quando ou como. Não poderia dizer quando, porque realmente não faço ideia de quando vai acontecer. Pode ser amanhã, podia ter sido hoje e pode ser daqui a 40 anos, quando eles já estarão mortos. E não direi como porque isso não é uma coisa que se diga, mas eu vou falar pra vocês como farei. Vai ser um dia qualquer. Um dia simples e inesperado. Eu vou voltar pra casa, essa ou qualquer outra, qualquer lugar onde casa seja, vou colocar umas musicas tristes e vou me trancar no banheiro por horas. Eu, as musicas, o chuveiro ligado e só. Eu não me importo se vai ter gente em casa ou não, não me importo de eles vão perguntar se eu estou demorando ou não, eles podem até me tirar de lá com vida, mas, a não ser que alguma experiência quase morte me mostre alguma coisa maravilhosa, eu voltarei a tentar mais tarde. Um dia eu vou conseguir. Chama “gêmeos” quando você corta os dois pulsos ao mesmo tempo. É do jeito que vou fazer. Eu pensei em outras maneiras, como enforcamento, mas meu primo já fez essa. Pensei em pular de algum lugar, mas nem um lugar é muito poético pra me jogar aqui e é bem trash esse treco de você se esbagaçar no chão. Arma é complicado, barulhento e sujo. E eu ainda teria que roubar o revolver de alguém ou do lugar onde trabalho. Então vai ser “gêmeos” mesmo. Sentado no chão do banheiro, com uma musica, eu ainda não decidi se estarei sob efeito de alguma substancia, eu prefiro estar sóbrio, mas talvez não tenha coragem, chuveiro aberto que impede que a ferida se feche e já deixa o banheiro meio limpo.  E assim vai ser. Eu não vou terminar as coisas que comecei, mesmo que permaneça vivo por muito tempo. Eu não terminarei a historia em quadrinho chamada “Quase Gente” que estou escrevendo agora. Não terminei e nem terminaria “Acampamento Shamanico” e nem “Angelus” que comecei há muito tempo atrás. Todos os livros e filmes que desenhei na minha cabeça nunca serão escritos. “O pior lugar pra acabar” nunca será filmado e “Hambúrgueres Espaciais” nunca será publicado. Ninguém nunca vai ler meu livro de poesias, e nem os meus contos. Eu não casarei, não terei filhos, não morarei em uma casa com um jardim bonito. Eu não vou ser feliz e nem vou ver o final da minha serie favorita “Doctor Who”. Eu não vou ao casamento dos meus amigos e não serei padrinho dos filhos deles. Eu nunca vou gravar um CD e nunca vou fazer um show só de musicas minhas. Eu não vou dar palestras, não vou morar no exterior, nem vou ser produtor de uma serie britânica. Não serei um ator conhecido, não terei feito papeis na globo e nem terei gravado nem um longa metragem. Meu único filme vai ser o “Romalone”, que nunca vai passar em lugar algum. Meu único feito vai ser o “Grávidos” que nem é tão conhecido pra que alguém diga: O cara do Grávidos se matou. Eu serei lembrado, mas logo esquecido. As pessoas vão seguir com suas vidas, menos minha mãe que não terá em que se agarrar. Eu poderia viver por ela, mas nem ela esta fazendo isso, por que eu o faria? Eu não sei o que vai acontecer com ela depois. Eu tento não pensar nisso. Eu não realizarei grandes sonhos como o de cantar em um musical e ser host de alguma premiação. Todas essas coisas não aconteceriam nem que eu estivesse vivo. E ai eu pergunto outra vez: Por que permanecer? Não existe o porquê, só existe a inercia e a tola e tão desejada esperança.
Essa não é minha carta suicida oficial, mas é uma delas explicando bem mais do que a que  ainda vai ser escrita e deixada na pia do banheiro onde vai acontecer.


Não é o fim ainda.  

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Quinta de boas. - O telefone chama e é como se eu tivesse ouvido uma boa piada.



Pra que tanto telefonema se o homem inventou o avião?


Eu apago mensagens do meu celular, é uma coisa que faço sempre já que não sou muito de receber sms’s porque eu nunca tenho credito pra responder mesmo. Eu recebi uma mensagem do menino e nem vi antes de apagar. Diz ele que a mensagem dizia: “Você mexeu no meu celular?” E todo mundo sabe que eu mexi, inclusive ele, porque eu deixei um beijinho nos rascunhos da mensagem dele. E só agora eu saquei que ele pode ter achado que li as mensagens dele. Ele pode ter ficado com raiva de mim. Não ficou! Ele achou bonito o beijinho, foi o que ele disse na segunda mensagem. Essa eu li. Eu nunca respondo as mensagens dele porque eu não tenho credito mesmo. Mentira! Gosto de bancar o difícil! Mentira! Eu tenho medo mesmo. Eu não quero que essa relação da gente avance pra outro nível mais estranho do que o que já estamos. Eu digo isso porque a ultima vez que estivemos juntos, deitados de toalha na cama, foi bem intenso. Não estou dizendo que senti alguma coisa fora paudurancia, mas um pau duro é sempre o começo do maior dos seus problemas. Então ele me mandou uma mensagem ontem me perguntando se eu não iria aparecer na escola, mas como eu disse, nem sempre vou nos mesmos dias pra mesma escola. Pra evitar a desconfiança de que ele ficaria com raiva de mim eu respondi a mensagem dele por whatzapp o que abriu uma nova porta da cabeça dele. É engraçado como o ser humano pensa: Se ele pode me responder por whatzapp eu posso ligar pra ele. Foi o que ele fez. Me ligou. E como eu sou bem idiota o celular tocou e no visor apareceu uma foto dele só de cueca em frente ao espelho. Eu não atendi da primeira vez, estava rindo demais das merdas que faço quando estou com tedio. Mentira! Medo de falar mesmo, talvez vergonha... Eu não atendi a segunda vez, porque eu tinha que fazer aquele velho teste “Se ele ligar a terceira vez eu atendo”. Ele ligou a terceira vez e eu não atendi. Dai ele me mandou uma mensagem dizendo “Velho, me atenda.” E uma carinha assim: “=s”.  Não resistindo a emoticons, como eu sempre faço eu liguei pra ele, a cobrar e ele me retornou.
- Ei.
- Oi. Ei. Desculpe, eu estava no banheiro, por isso não atendi.
- Coisa feia.
Eu nunca descrevi a voz dele pra vocês. Ele tem uma voz estranhamente grossa e com uma rouquidão quase que forçada. Quando perguntei pra ele se ele estava rouco ele disse que não, que falava assim porque falava pouco. E eu entendi porque ele falava pouco. Ele é um desses garotos que calado você não consegue descobri nada sobre ele, mas que quando começa a falar você sabe que é gay. Bom, não é que fique obvio quando ele abre a boca, mas depois de um tempo você começa a notar a delicadeza em sua rouquidão, principalmente se essa voz esta te chamando para fazer sexo em sua casa, enfim...
- Eu odeio escrever mensagens nesses celulares estranho. Ai decidi ligar, tem problema?
- Eu odeio falar ao telefone, velho.
- Quer que eu desligue então?
- É melhor.
- Beijos, então.
- Beijos.

MENTIRA!

- Decidi ligar, tem problema?
- Não não. Sem problema, só não atendi de primeira porque estava no banheiro.
- Então, você não vem pra cá essa semana?
- Acho que não, em? Muita coisa pra fazer na outra escola.
- Que chato. Muita coisa mesmo? Tipo cansativas?
- Nem tanto, sabe? Mas tenho que estar lá pra ver algumas coisas acontecerem. Pra dizer que to lá enquanto as coisas estão acontecendo, sabe?
- Ei, mas você pode ir lá em casa ainda, sabe? Mesmo que a gente não se encontre aqui. Muito chato perguntar por você pras secretarias aqui, eu fique com vergonha.
- Vergonha? Você? Você não parece ter vergonha. Bom, parece, mas, sei lá, não tem.
- Eu tenho vergonha quando acho que as pessoas estão fofocando sobre mim. Falar em fofoca, você mexeu no meu celular.
- Mexi. Roubei logo umas fotos.
- Eu sabia. A pasta estava aberta lá do nada. Como foi que você achou aquilo? Quem mandou?
- Você não ficou com raiva, né? Você disse...
- Não, mas o que você vai fazer com essas fotos?
- Nada, só achei bonito decidi guardar pra lembrança.
- Tinha umas melhores em outra pasta mais escondida.
- Serio?
Eu não sei porque, mas sabia que tinha fotos dele pelado naquele celular, eu podia sentir, mas não achei nem uma, só as de cueca na frente do espelho.
- Você tem foto pelado nesse celular, não tem?
- Não sei. Tenho?
- Absurdo você. Eu teria achado.
- Teria?
- Affe. Pare, me deixa curioso.
- Venha pra cá, Ravi. Eu deixo você procurar direitinho.
- Hoje eu não posso, velho. Não mesmo.
- Ravi, meus pais vão voltar pra casa na sexta, eu acho. A gente pode não se encontrar outra vez. Ei, posso te chamar de Vih?
- Definitivamente não.
- Por quê?
- Porque não! Eu posso te chamar de Jô?
- Pode, se quiser.
- Não. Deixa esse lance de apelidos pra lá. Me fala das fotos.
- Ah, vai dizer que você não tem foto de gente nua no seu celular?
- É o que mais tenho, na verdade, mas nem uma sua.
- E nem vai ter. Alguma sua?
- Algumas.
- Olha só...
- O que? Como se você fosse querer essas fotos.
- E por que não?
- Ah, sei lá. Olhe só pra mim e olhe só pra você.
- Eu não vou discutir sobre seu corpo. Perda de tempo.

Primeira vez que alguém me corta quando vou me diminuir pelo meu corpo. Geralmente eu digo: “Minha barriga está muito grande e meu pau esta muito pequeno.” E as pessoas querendo levantar meu humor dizem depois: “Sua barriga nem esta tão grande.” Dessa vez ele nem me deixou falar nada e nós não falamos mais nisso.

- Que fotos você pegou, velho?
- Peguei uma de você com uma cueca preta na frente do espelho baixando a cueca. Era a mais saliente daquela pasta.
- Era? Eu não gosto dessa foto. To com cara de cu. A mais saliente que acho é a que to de sunga vermelha na cama do quarto.
- Eu quase pego essa. Juro.
- (Risos)
- Por que você acha saliente essa?
- Bom... Porque eu estava... excitado?
- Tava? E eu não percebi isso...
- Como não? Morro de vergonha dessa foto. Qual mais.
- Uma que você ta de cuequinha azul, tipo box.
- Onde?
- Deixe eu ver... Num quarto todo bagunçado. Não é o seu.
- É na casa do meu pai. Quarto do meu irmão. Eu durmo lá quando vou pra lá.
- Eu achava que seu pai morava com você.
- Não, só minha mãe e meu padrasto. Meu pai é gay, mora com o namorado
- OI? Você nunca me disse isso. Como é o nome dele? Eu posso ter pego seu pai já.
- Duvido. Ele não gosta de moleque.
- Eu não sou moleque, acredite.
- Pra ele é. Voltando a foto. Essa é minha cueca favorita, to usando ela agora.
- Minha também.
- oi?
- Não. (Risos) Eu quis dizer que essa é a foto que mais gosto.
- É? Por quê?
- Suas bochechas rosadinhas.
- Ridículo. Idiota. Mais alguma?
- Só mais uma. Você de cueca com a mão segurando o saco.
- (Risos) Sei qual é. Ridícula.
- Nem é. Pera, você ta usando a cueca da foto agora?
- Sim. A da outra foto na casa do meu pai.
- Gente.
- Que foi?
- Pera, minhas primas chegaram aqui pedindo ajuda com as compras.

MENTIRA!
Me deu tesão e eu quis ir me masturbar no banheiro. E foi o que fui fazer, eu e meu celular. Eu sou uma criança eu sei.
- Falo como você depois, certo, jô?
- Viu, vih.
- Não... Não... Esquece. Beijos.
- Beijos.

Ele desligou eu fui pro banheiro ter 13 anos outra vez. Antes de começar ele me mandou uma mensagem com: “ =* ”, e eu fiquei todo “Own” e pensei “Eu não devia me masturbar pensando num cara tão fofo”, mas o fiz mesmo assim.

Fim.

E essa é a cueca favorita dele com o selo Douglas Adams de aprovação.


Arrocha Tchê!

terça-feira, 14 de maio de 2013

Crediteos Finais.


Eu queria escrever alguma coisa. E por que não escrever alguma coisa? Eu sou um dos maiores incentivadores quando alguém chega pra mim e diz que quer escrever e não consegue. Eu sempre digo : - “Sente e escreva. Não pense. Apenas sente-se e escreva.” Mas eu mesmo deixo de fazer isso as vezes. Estava aqui, de frente para o computador com uma incrível vontade de escrever e pensando que não tinha nada sobre o que falar.  Incrível um ser humano que ache que não tem sobre o que falar. Decidi seguir meu conselho, sentar e escrever. Mas sobre o que? Sobre o show “How i Met your mother” e com o ele me faz sentir mínimo. É uma serie sobre relacionamento entre amigos e relacionamentos amorosos, e ela promete tudo que é mais bacana nessa vida, mas é exatamente tudo que não existe (ao menos pra mim). Todos os meus amigos estão distantes, se não em uma distancia física, em uma distancia temporal ou uma distancia diferente. Amigos vão morar longe em outros bairros, cidades, países desde que eu me entendo por gente. E eu me acostumei com os comes and goes das pessoas. Mas é diferente. Quando vejo How i met your mother eu vejo que não seria impossível cultivar velhos amigos na sua nova vida, amigos do passado que estão com você até hoje, pessoas com quem você cresceu junto. Eu tenho esse amigo. Oscar. Eu poderia ter muito mais, mas tomei todas as decisões erradas com o grupo de amigos com quem cresci. Tive decisões erradas com Oscar também, mas esse dai resistiu, e eu acredito que resistirá muito mais tempo, mesmo sabendo que essa minha crença possa acabar com todos os meus sonhos um dia. Os outros amigos, os amigos de agora... Os conheci quando já estava grande, e por mais forte que seja nosso laço, é muito mais fácil se criar uma distancia. Porque a gente já sabe como é a vida sem ter um ao outro, a gente já viu acontecer. E eu vou acumulando partidas. Jonta, por mais que volte, acho difícil que a gente ainda pisque na mesma frequência. Jéssica, não se engane, tem um futuro muito mais legal longe daqui. Luth vai virar sua irmã, vai passar muito tempo fora, se relacionar com milhões de outras pessoas e vai voltar, vez em quando, achanado que nada mudou e que ainda temos muito em comum, quando na verdade isso também já vai ter passado. Eu não acho que Big vá a lugar algum, eu não acho que vamos nos afastar mais do que estamos hoje ou que um dia ela deixará de ser minha amiga, mas eu sei que em um determinado momento nos vamos estar tão diferentes que nossos encontros constantes serão reduzidos a duas ou três vezes no ano. E ai, ainda tenho minha irmã, que é quem eu acho que vai me segurar no futuro em quem eu desmorono. Todas as outras pessoas são novas demais, ou foram novas de mais, ou serão novas demais.  Pessoas novas demais passam muito rápido. Elas tem sua importância, mas elas não ficam, elas vão e vem e muitas vezes elas não te esquecem porque vocês vivem em uma cidade pequena. Eu não sei como fazer amigos mais. Eu não tenho mais interesse de conhecer uma pessoa nova ou coragem de deixar que pessoas novas se aproximem de mim. As vezes eu tento um pouquinho, mas qualquer problemática no caminho já me desvia completamente do objetivo. Como esse carinha com quem eu estava trocando “cartinhas”. Eu tinha um amigo em potencial ali,  alguém com quem eu sabia que a gente poderia construir uma boa amizade baseada em coisas que tínhamos em comum. Éramos parecidos, ele era mais novo, um pouco tão triste quanto eu. Eu achei que poderia ajudar com minha experiência em tristeza e que fazendo isso eu estaria me ajudando também, mas isso foi só até ele descobrir quem eu sou e nunca mais me responder. Esses são os obstáculos no meio do caminho que me fazem querer parar, desistir. Eu tive um problema financeiro esse mês e eu achei uma puta de uma palhaçada, porque gastei mais de 700 reais e não consigo dizer o que foi que eu comprei pra mim com esse dinheiro. Eu estava e ainda estou vivendo no nível mais básico de todos pra não ter que enfrentar grandes problemas, pra não que desistir das poucas coisas que ainda faço nessa vida, mas memo no nível básico merdas acontecem. Eu acho isso um absurdo. Eu só quero ser deixado em paz, fazer minhas pequenas coisas e passar despercebido pela vida, mas acho que é tarde demais. Por ser Ravi Aynore eu sou mais do que um simples passante. Sou um desses que passar e deixa alguma coisa marcada, boa ou ruim, e a vida já me percebeu de alguma maneira. Se você pudesse deixar de ser Ravi Aynore então, para ser outra pessoa despercebida pela vida, você o faria? Todo mundo sabe que minha resposta é sempre não para essa questão, mas hoje seria sim. Hoje eu deixaria de ser quem sou por uma vida mais tranquila. Se ao menos eu pudesse encontrar a paz assim. Mas sou Ravi e por ser Ravi hoje não tenho nem uma expectativa. O que eu quero fazer? Nada! O que eu gosto? Nada! O que eu odeio? Nada O que estou fazendo? Nada! A única coisa que continuo fazendo é mentir. Sou bom em mentir e não vou parar. Do mesmo jeito que não vou parar de pegar coisas emprestada, por que a vida parece estar querendo me ensinar alguma coisa, mas eu estou tentando ensinar uma coisa pra ela também: Pare de perder seu tempo comigo e se concentre em outra pessoa que lhe consiga resultados melhores, porque eu não vou render, não porque eu não possa, mas porque eu não quero. Eu gostaria de casar. Eu sonho em casar e ter filhos. Já falei milhões de vezes da casa com muitas janelas, muita luz e um jardim, mas como isso é possível se eu saio nas ruas e encontro com cem mil pessoas e nem uma delas me interessa, nem uma delas representa pra mim uma possibilidade de futuro? Por mais, ontem pensei no meu outro ponto fraco, um que faz de mim parte da completa escoria da humanidade. Eu não sei em que classe essa situação se encaixa. Não sei se é uma condição, uma doença, uma neura, um carma ou um demônio. Hoje eu ainda tenho meus desejos impuros sob controle. Hoje consigo dizer que não é um desejo é  apenas uma admiração, o que já é suficientemente doentio, mas se eu crescer e ficar mais amargo do que eu devia e se eu perder meu controle e me enganar achando que é natural? Eu não acho que seja natural. Eu não quero crescer e me transformar em um pedófilo escroto, que sem noção possa fazer um mal qualquer à uma criança. Eu não vou me permitir chegar a isso. Mesmo com todas as pessoas me dizendo que isso iria mudar desde os meus 16 anos, esse é um dos meus maiores medos, crescer sozinho como estou agora e me transformar em um monstro sem consciência. E é assim que vou morrer, quando me ver desejando o que não devo e quando eu vou me jogar do lugar mais propicio a mortes de pessoas que a vida não conseguiu ensinar. Eu queria um marido, um filho, uma casa com muitas janelas, luz e jardim, mas me afastando das pessoas, como faço hoje em dia, só me vejo futuramente como o velho pedófilo a beira de um precipício com medo de machucar algum inocente. Eu me vejo andando para esse fim por não ter outro lugar pra ir, por olhar pra cem mil pessoas e não enxergar nem uma possibilidade de relacionamento, por andar pelas ruas e não me permitir fazer amigos, por ser grande e ainda assim permanecer fazendo coisas pequenas pra não ter que enfrentar problemas maiores. Eu me vejo andando direto para o fim da esperança e não posso fazer nada, porque pareço não querer fazer nada, porque eu já estou perdido, porque meus sonhos eram muito maiores que minha capacidade, porque eu quero que se acabe logo, porque pessoas parem de me responder quando descobrem que sou eu, porque tomei todas decisões erradas quando ainda andava com meu velho grupo de amigos, porque eu já machuquei uma criança inocente uma vez, porque eu deixei algumas pessoas se afastarem de mim e as outras simplesmente foram, porque a vida é esse comes and goes de pessoas que passam pela minha vida e me transforam completamente, porque quando eu amo alguém é pra sempre, porque eu nunca esqueço, porque meu pai sumiu por um tempo na minha  vida e eu nunca disse que isso fazia uma diferença, porque eu tenho medo que ele suma outra vez, porque minha mãe é insegura e parece ser a única coisa que ela me ensinou direito, porque minha família é estupida e preconceituosa e eu não faço nada pra mudar isso, porque sou miserável no amor e no jogo, na guerra e no trabalho, na cama, na cozinha, na vida, porque eu nunca realmente pedi desculpas para as pessoas que eu magoei. Eu não vou me matar, não agora, mas eu vou um dia, e viver sabendo que você já desistiu e que esta só esperando o fim é como parar inteira no cinema e só chegar na hora dos casts finais. E tudo isso por que eu queria escrever e dizer pra Jonta que eu o amo e que sinto falta dele.