terça-feira, 14 de maio de 2013

Crediteos Finais.


Eu queria escrever alguma coisa. E por que não escrever alguma coisa? Eu sou um dos maiores incentivadores quando alguém chega pra mim e diz que quer escrever e não consegue. Eu sempre digo : - “Sente e escreva. Não pense. Apenas sente-se e escreva.” Mas eu mesmo deixo de fazer isso as vezes. Estava aqui, de frente para o computador com uma incrível vontade de escrever e pensando que não tinha nada sobre o que falar.  Incrível um ser humano que ache que não tem sobre o que falar. Decidi seguir meu conselho, sentar e escrever. Mas sobre o que? Sobre o show “How i Met your mother” e com o ele me faz sentir mínimo. É uma serie sobre relacionamento entre amigos e relacionamentos amorosos, e ela promete tudo que é mais bacana nessa vida, mas é exatamente tudo que não existe (ao menos pra mim). Todos os meus amigos estão distantes, se não em uma distancia física, em uma distancia temporal ou uma distancia diferente. Amigos vão morar longe em outros bairros, cidades, países desde que eu me entendo por gente. E eu me acostumei com os comes and goes das pessoas. Mas é diferente. Quando vejo How i met your mother eu vejo que não seria impossível cultivar velhos amigos na sua nova vida, amigos do passado que estão com você até hoje, pessoas com quem você cresceu junto. Eu tenho esse amigo. Oscar. Eu poderia ter muito mais, mas tomei todas as decisões erradas com o grupo de amigos com quem cresci. Tive decisões erradas com Oscar também, mas esse dai resistiu, e eu acredito que resistirá muito mais tempo, mesmo sabendo que essa minha crença possa acabar com todos os meus sonhos um dia. Os outros amigos, os amigos de agora... Os conheci quando já estava grande, e por mais forte que seja nosso laço, é muito mais fácil se criar uma distancia. Porque a gente já sabe como é a vida sem ter um ao outro, a gente já viu acontecer. E eu vou acumulando partidas. Jonta, por mais que volte, acho difícil que a gente ainda pisque na mesma frequência. Jéssica, não se engane, tem um futuro muito mais legal longe daqui. Luth vai virar sua irmã, vai passar muito tempo fora, se relacionar com milhões de outras pessoas e vai voltar, vez em quando, achanado que nada mudou e que ainda temos muito em comum, quando na verdade isso também já vai ter passado. Eu não acho que Big vá a lugar algum, eu não acho que vamos nos afastar mais do que estamos hoje ou que um dia ela deixará de ser minha amiga, mas eu sei que em um determinado momento nos vamos estar tão diferentes que nossos encontros constantes serão reduzidos a duas ou três vezes no ano. E ai, ainda tenho minha irmã, que é quem eu acho que vai me segurar no futuro em quem eu desmorono. Todas as outras pessoas são novas demais, ou foram novas de mais, ou serão novas demais.  Pessoas novas demais passam muito rápido. Elas tem sua importância, mas elas não ficam, elas vão e vem e muitas vezes elas não te esquecem porque vocês vivem em uma cidade pequena. Eu não sei como fazer amigos mais. Eu não tenho mais interesse de conhecer uma pessoa nova ou coragem de deixar que pessoas novas se aproximem de mim. As vezes eu tento um pouquinho, mas qualquer problemática no caminho já me desvia completamente do objetivo. Como esse carinha com quem eu estava trocando “cartinhas”. Eu tinha um amigo em potencial ali,  alguém com quem eu sabia que a gente poderia construir uma boa amizade baseada em coisas que tínhamos em comum. Éramos parecidos, ele era mais novo, um pouco tão triste quanto eu. Eu achei que poderia ajudar com minha experiência em tristeza e que fazendo isso eu estaria me ajudando também, mas isso foi só até ele descobrir quem eu sou e nunca mais me responder. Esses são os obstáculos no meio do caminho que me fazem querer parar, desistir. Eu tive um problema financeiro esse mês e eu achei uma puta de uma palhaçada, porque gastei mais de 700 reais e não consigo dizer o que foi que eu comprei pra mim com esse dinheiro. Eu estava e ainda estou vivendo no nível mais básico de todos pra não ter que enfrentar grandes problemas, pra não que desistir das poucas coisas que ainda faço nessa vida, mas memo no nível básico merdas acontecem. Eu acho isso um absurdo. Eu só quero ser deixado em paz, fazer minhas pequenas coisas e passar despercebido pela vida, mas acho que é tarde demais. Por ser Ravi Aynore eu sou mais do que um simples passante. Sou um desses que passar e deixa alguma coisa marcada, boa ou ruim, e a vida já me percebeu de alguma maneira. Se você pudesse deixar de ser Ravi Aynore então, para ser outra pessoa despercebida pela vida, você o faria? Todo mundo sabe que minha resposta é sempre não para essa questão, mas hoje seria sim. Hoje eu deixaria de ser quem sou por uma vida mais tranquila. Se ao menos eu pudesse encontrar a paz assim. Mas sou Ravi e por ser Ravi hoje não tenho nem uma expectativa. O que eu quero fazer? Nada! O que eu gosto? Nada! O que eu odeio? Nada O que estou fazendo? Nada! A única coisa que continuo fazendo é mentir. Sou bom em mentir e não vou parar. Do mesmo jeito que não vou parar de pegar coisas emprestada, por que a vida parece estar querendo me ensinar alguma coisa, mas eu estou tentando ensinar uma coisa pra ela também: Pare de perder seu tempo comigo e se concentre em outra pessoa que lhe consiga resultados melhores, porque eu não vou render, não porque eu não possa, mas porque eu não quero. Eu gostaria de casar. Eu sonho em casar e ter filhos. Já falei milhões de vezes da casa com muitas janelas, muita luz e um jardim, mas como isso é possível se eu saio nas ruas e encontro com cem mil pessoas e nem uma delas me interessa, nem uma delas representa pra mim uma possibilidade de futuro? Por mais, ontem pensei no meu outro ponto fraco, um que faz de mim parte da completa escoria da humanidade. Eu não sei em que classe essa situação se encaixa. Não sei se é uma condição, uma doença, uma neura, um carma ou um demônio. Hoje eu ainda tenho meus desejos impuros sob controle. Hoje consigo dizer que não é um desejo é  apenas uma admiração, o que já é suficientemente doentio, mas se eu crescer e ficar mais amargo do que eu devia e se eu perder meu controle e me enganar achando que é natural? Eu não acho que seja natural. Eu não quero crescer e me transformar em um pedófilo escroto, que sem noção possa fazer um mal qualquer à uma criança. Eu não vou me permitir chegar a isso. Mesmo com todas as pessoas me dizendo que isso iria mudar desde os meus 16 anos, esse é um dos meus maiores medos, crescer sozinho como estou agora e me transformar em um monstro sem consciência. E é assim que vou morrer, quando me ver desejando o que não devo e quando eu vou me jogar do lugar mais propicio a mortes de pessoas que a vida não conseguiu ensinar. Eu queria um marido, um filho, uma casa com muitas janelas, luz e jardim, mas me afastando das pessoas, como faço hoje em dia, só me vejo futuramente como o velho pedófilo a beira de um precipício com medo de machucar algum inocente. Eu me vejo andando para esse fim por não ter outro lugar pra ir, por olhar pra cem mil pessoas e não enxergar nem uma possibilidade de relacionamento, por andar pelas ruas e não me permitir fazer amigos, por ser grande e ainda assim permanecer fazendo coisas pequenas pra não ter que enfrentar problemas maiores. Eu me vejo andando direto para o fim da esperança e não posso fazer nada, porque pareço não querer fazer nada, porque eu já estou perdido, porque meus sonhos eram muito maiores que minha capacidade, porque eu quero que se acabe logo, porque pessoas parem de me responder quando descobrem que sou eu, porque tomei todas decisões erradas quando ainda andava com meu velho grupo de amigos, porque eu já machuquei uma criança inocente uma vez, porque eu deixei algumas pessoas se afastarem de mim e as outras simplesmente foram, porque a vida é esse comes and goes de pessoas que passam pela minha vida e me transforam completamente, porque quando eu amo alguém é pra sempre, porque eu nunca esqueço, porque meu pai sumiu por um tempo na minha  vida e eu nunca disse que isso fazia uma diferença, porque eu tenho medo que ele suma outra vez, porque minha mãe é insegura e parece ser a única coisa que ela me ensinou direito, porque minha família é estupida e preconceituosa e eu não faço nada pra mudar isso, porque sou miserável no amor e no jogo, na guerra e no trabalho, na cama, na cozinha, na vida, porque eu nunca realmente pedi desculpas para as pessoas que eu magoei. Eu não vou me matar, não agora, mas eu vou um dia, e viver sabendo que você já desistiu e que esta só esperando o fim é como parar inteira no cinema e só chegar na hora dos casts finais. E tudo isso por que eu queria escrever e dizer pra Jonta que eu o amo e que sinto falta dele.

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