O dia da toalha.
Você sabe, esses cursos de inglês, né? São aula duas vezes
na semana. Então se eu o vi quinta feira o próximo dia que o viria outra vez
seria na terça, certo? Certo mas errado. Se o universo fizesse mesmo qualquer
sentido e quisesse me livrar dos problemas corriqueiros eu o teria visto
somente na terça ou nem isso. Que tal pensar que seria bacana passar uns três
meses sem encontrar com ele, mas o universo... Ah, o universo. Era sexta-feira,
um dia que supostamente não deveria ter aula na escola, eram quase quatro horas
e eu estava na minha como se fosse uma quinta-feira. Eu ouvi um barulho de
chuva forte e pensei o quanto seria bacana esta dormindo em casa. Dez minutos
depois ouvi três batidas na porta de vidro da minha sala. Olha, as vezes não
basta estar na sua, as vezes você precisar sair correndo pro mais longe
possível, mas eu não fiz isso. Lá estava ele completamente molhado, usando a
farda do colégio e um casaco de moletom. Ele acenou pra mim sorrindo e eu meio
sério bati continência para ele. Nada sexual nessa frase anterior. Ele entrou.
- O que você esta fazendo aqui, velho? – Perguntei.
- Vim te ver.
Gelei como as pernas da velha gorda lá fora andando contra o
vento forte da chuva. A única reação que tive foi dizer: - Meu cu. - Ele
sorriu.
- Sério. O que você tá fazendo aqui.
- Eu vim ter aula de reposição, pow. Você vai tá aqui quando
eu sair?
- Não sei, que horas você sai?
- Umas seis, por ai.
- Vou estar aqui.
- Quer uma carona?
Eu olhei serio pra ele, com cara de “eu não vou cair nessa
outra vez”. Ele fez o Justin Bieber no cabelo, espinou agua em mim e sorriu.
- Velho, eu vou aceitar essa carona, viu. Vou voltar pra
casa nessa chuva não.
- Massa. Deixe eu ir na aula, já já eu desço.
- Beleza.
Eu queria que ele tivesse ido só me ver, já que ele já
estava lá, mas se eu pudesse evitar, eu não queria que ele tivesse nem ido por
motivo algum. Essa uma hora que se passou foi de pura tenção. Eu tirei uma foto
dele na sala de aula com o meu celular, ele sequer notou. Perto de seis, como
ele disse, eu já estava arrumando minhas coisas pra ir quando ele desceu.
- Nessa? – Disse ele. – Taxi já está ai.
- Taxi? Que aconteceu com Clessio?
- Dia de folga.
- Só...
- Vamos.
- Vamos.
No taxi foi a mesma ladainha que no carro dele da ultima
vez. Falar sobre coisas aleatórias até chegar certo ponto do caminho e ele me
convidar outra vez pra ir na casa dele.
- Então, vamos lá pra casa?
- Nem rola hoje, velho. Tenho tanta coisa pra fazer.
- Eu não da pra fazer depois não?
- Velho, até dá, mas eu vou me atrasar.
- Eu não vou ficar implorando não. Vai lá pra casa ou não?
- Ah, vamos, vai. Qualquer coisa eu to com o pc aqui eu dou
uma adiantada nas coisas que tenho que fazer.
Quem que eu queria enganar, né? Mas eu estava com o cu na
mão. Não perguntei pelos pais dele, não perguntei por nada, simplesmente
aceitei ir e... Pra falar a verdade eu estava muito afim de foder com ele outra
vez. Enfim, casa dele. A gente ainda pegou chuva da portaria até o prédio dele,
pouco tempo, mas muita chuva. Estávamos os dois encharcados no elevador. Eu
entrei na casa dele, ele ligou o ar-condicionado e eu, automaticamente, comecei
a tossir. Ele pegou duas toalhas e jogou uma pra mim. Eu enxuguei minha cabeça
e braços e ele fez essa coisa estupidamente comum que eu acho ridiculamente
sexy. Sacodiu os cabelos molhados e deu pulinhos com a cabeça quase deitada no
ombro como se tivesse entrado agua em seu ouvido.
- Vou tomar banho rapidão – disse ele.
- Não, espere.
Eu o agarrei pelos bolsos do casaco de moletom o puxei pra
perto de mim e o beijei. Ele me beijou de volta com a mão no meu rosto, desse
jeito estranho que eles fazem em novelas. Como foi da primeira vez ele começou
a tirar a roupa rapidamente como se não pudesse esperar pra fazer aquilo outra
vez. Antes de dizer que a gente fez sexo coladinho outra vez no chão da sala eu
tenho que contar que ele estava usando sunga. Eu, particularmente, acho sunga
uma coisa extremamente nojenta. Enfim, fizemos sexo coladinho no chão da sala.
A única diferença do sexo romântico que a gente teve da ultima vez, é que dessa
vez ele quis gozar diferente. Não, eu não vou entrar em detalhes, mas nada
muito anormal e nem foi na minha cara ou minha boca ou cabelos ou qualquer
coisa que iria transformar a historia num pornôzão. Molhados, suados, com frio,
no chão frio. Da hora que a gente começou a fazer sexo até a hora que
terminamos eu já estava muito gripado.
- Ei, você quer ir tomando banho enquanto eu arrumo isso
aqui?
- Pode ser.
A sala estava mesmo um caos.
- Você quer que eu espere você?
- Não. Vai na frente e eu arrumo isso aqui.
Ok, fui tomar banho. Quando sair do banheiro ele disse que
minhas roupas estavam pra secar atrás da geladeira, que era pra eu ficar de
toalha esperando secar. Entrou no banheiro do quarto dele e disse que eu podia
ficar à-vontade . E eu fiquei . deitei de toalha na cama e fiquei lembrando do
sexo satisfeito. Ele estava demorando no
banheiro, então comecei a bisbilhotar seu celular e achei tantas fotos legais. Tinha
uma pasta escondia de fotos dele, sem camisa, na frente do espelho. Tinha também
algumas fotos dele em competições de natação o que me deixou mais tranquilo em relação
a sunga. Eu salvei algumas fotos dele no meu celular, me senti estupidamente stalker,
mas fazer o que, eu não resisti. Ele saiu do banheiro e eu deixei o celular de
lado. Ele veio se enxugando na toalha e eu admirando a naturalidade em que as
pessoas saem nuas do banheiro. Eu teria vergonha, mesmo depois do sexo. A razão
da demorar, ao que me parece, é porque ele estava se depilando. Ele não tinha
tantos pelos assim, na verdade ele era bem lisinho, mas acho que... Sei lá o
que eu acho. Foi estranho independente do que eu ache. Ele se enrolou na toalha
e deitou comigo. A gente ficou trocando carinho e conversando sobre a aula, a
chuva e natação. A gente transou outra vez, mas dessa vez foi um sexo mais
paradão, desse que a gente faz antes de pegar no sono. Foi o que aconteceu logo
depois. Eu acordei as oito da manhã de sábado com meu chefe me ligando, me
perguntando onde eu estava. Eu tive que acorda-lo pra me despedir. Ele riu
porque nos ainda estávamos enrolados nas toalhas. Ele disse:
- Esse foi o dia da toalha.
Eu disse pra ele que o dia da toalha era dia 25 de maio e
que era uma coisa completamente diferente do que a gente tinha feito ali. Ele sorriu
um sorriso de sono, provavelmente não entendendo minha referencia nerd.

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