terça-feira, 7 de maio de 2013

Quintas na minha.




Aqui não é Paris.

Estava no trabalho, na minha. Às vezes eu tenho que fazer isso de ir em uma sala dar um recado ou outro, mas eu estava na minha, tranquilo. Tinha um moleque bonito em uma dessas salas, mas nem dei bola. O cumprimentei como fiz com todo mundo, nada passou pela minha cabeça. Lá pras tantas ele passa pela minha sala e me dá um olá. Eu retribui o olá. Eu sou mal educado, mas não com garotos bonitos. A coisa estranha: Ele estava de farda de colégio. Vinte minutos depois ele entra na sala.

Ele: - E ai.
Eu: - E ai, mano.
(Eu não vou ficar indicando quem falou o que, se virem.)
Ele: - Então, você trabalha aqui o que... todo dia?
- É. Tipo isso. Lá e cá.
- Eu não te vejo sempre. Só quando ta pra ter alguma coisa.
- É que sou eu o responsável por essas coisas que estão pra ter.
- Ah, só. Massa.
- É.
- E você fica aqui de que horas a que horas?

Eu pensei: Ou esse moleque ta jogando conversa fora, ou ele é desses estranhos que gostam de conversar aleatoriamente.
- De oito às oito, vei.
- Sóóó. E você mora onde?
- É o que vei? (Risos) Tá querendo carona é?
- (Risos) Não não. Eu to de carro. Era só pra trocar ideia.
- Ouxes. (Risos) Ce ta de carro? E você pode dirigir? Que idade você tem?
- Não. Motorista vem pegar.
- Motorista? Quem é você doido? Motorista? Ouxes.
- Eu não posso dirigir, vei. Ai tem um motorista.
- Motorista? Velho, essa conversa ta ficando muito aleatória. Se ligue, eu tenho que terminar aqui de escrever esses bilhetes...
- Beleza. Que acha da gente ir lá em casa quando sair daqui?
- É O QUE? (risos). Mano, pare de ser doido, vei.
- O que foi? Eu te chamei pra ir lá em casa só.

Ok. Eu não tive como impedir isso, mas a essa altura da conversa minha cabeça já estava cheia de imagens sexuais do menino. Ah, e como ele era lindo. Loiro, de cabelo liso, acho até que rolava uma franja em algum lugar por ali. Inferno total na minha cabeça. Ele estava nervoso, mas tava se segurando e eu ainda não tinha entendido o porquê. Ai é que vem a noia que me mata: Eu saquei que ele estava nervoso porque ele estava de bigodinho suado. PAH! Morte cerebral minha.

- É sério isso é?
- De ir na minha casa?
- É?!
- É.
- Doido. Que sua casa, mano. Eu nem te conheço. Fazer o que na sua casa?
- Trocar ideia.
- Trocar i... Faz assim, mano. Deixa eu terminar essa parada aqui que eu to liberado. Ai a gente vai ali fora e troca uma ideia. Beleza?
- Ta massa.

Ele saiu e eu fingi que tava escrevendo alguma coisa. E na verdade eu estava escrevendo isso aqui. Fui no banheiro, lavei meu rosto e tentei relaxar. Nada, mas nada mesmo, estava fazendo qualquer sentido naquele momento. Pulando pra parte que encontro com ele do lado de fora.

- E ai, cadê esse motorista? (risos)
- Já ta vindo. Ce vai?
- Não. Não mesmo.
- Ouxes. E Não?
- Não, velho. Não... Doido, não me leve a mal, mas eu não te conheço, nem sei seu nome e “vama la em casa trocar ideia” parece que você ta me chamando pra fazer sexo.
- Sexo. É.

Sabe como gente loirinha fica quando ta com vergonha, né? Lá mizeria.
- Sexo, vei? Você tem o que...17?
- 17. Isso.
- E eu vou sair por ai com um moleque de 17 que eu nunca vi na vida pra “trocar uma ideia” na casa dele?
- Eu só chamei, você não precisa ir se não quiser.

Eu senti que eu fui meio rude com ele nessa hora, mas eu tava tão aleatório quanto o resto do dia.

- Você achou que eu ia entrar num carro com você assim do nada?
- Achei. E nem foi do nada. Eu te chamei e talz.
- Mano, isso aqui não é Paris. Eu ir pra sua casa assim do nada é errado.
- Não tem nada de errado. Você quer uma coisa, você tenta conseguir essa coisa. É assim que o mundo funciona.

Nós conversamos sobre mais coisas e como o mundo realmente funciona, o motorista chegou, ele entrou no carro e se foi. MENTIRA. Eu fui com ele junto com o carro, o motorista e as conversar sobre coisas e mundos.

- Certeza que não tem problema rolar essa carona?
- Não, não mesmo. Clecio lhe deixa em casa. Ele é legal.

Clecio, o motorista, era mesmo legal. Mas eu fiquei completamente desconcertado. Eu tava gostando da conversa, por isso entrei no carro, mas falei que aceitava uma carona até em casa e só.
Eu – (Cochichando) Ele sabe que você é...?
Ele – (no mesmo volume de uma conversa normal) – Eu sei lá o que ele sabe.
- Eu seus pais?
- Viajando. Eles não sabem não.
- E você leva sempre gente pra sua casa?
- Ce vai lá pra casa.

Eu nem disse nada, velho. E ele sorriu.

- Clecio, pode ir direto lá pra casa.


Teve uma hora que ele falou sobre não gostar de perder tempo e bla bla bla, mas eu não estava prestando muita atenção porque eu meio que tava viajando nos lábios dele. Eu tenho 25, eu não posso deixar que moleques de 17 me impressionem assim.
Chegamos na casa dele. Foi o silencio mais constrangedor no elevador. Desejei que ele morasse uns 12 andares a menos. Entramos e ele me levou logo pro seu quarto, larguei minha bolsa em qualquer canto e sentei na cama como se fossemos velhos amigos e aquele ali fosse um lugar super comum para mim. Não era, acredite. Ele perguntou se eu queria alguma coisa, agua, suco, sei lá... Bastante educado ele. Eu disse que não. Ele tirou a camisa da farda de um colégio católico e já veio pra cima de mim, na cama, me beijando. Eu não reagi, apenas beijei de volta. Ele sentou no meu colo, puxou minha camisa, tentou desabotoar minha calça, parecia bastante nervoso. Ok, nós fizemos sexo, mas eu vou lhe poupar dos detalhes disso. Bom, quase todos. Um é que nós fizemos sexo de uma maneira bastante estranha. Não estranha de ruim, mas estranha. Porque não foi como os outros sexos casuais que já tive na minha vida, dessa vez foi como se a gente se conhecesse a tempos. Foi como se nos fossemos namoradinhos no ensino médio. Tinha tantos beijos e pegadas com abraços colados, carinhos e mais carinhos, carinhos em lugares estranho... Era aquele sexo colado que, diga-se de passagem, é o meu favorito. Depois que acabamos aquela loucura super estranha ele deitou no meu peito e ficou me fazendo carinho. Na moral, eu já não tava mais ligando pra nada a essa atura até:

- Você quer dormi aqui?
- Não. Não não não não. Nem comece, velho. Por favor.
- Por que? Não foi...
- Não. Serio. Não faça isso. Eu não posso dormi aqui, você sabe. Isso aqui foi uma loucura sem fim, mas pere, calma. Vamos com calma.

Ele viu o nível de preocupação que eu entrei quando ele falou em “dormi aqui”. Menino louco, velho. Mas tá...

- Eu vou pedir pro Clecio te levar em casa então.
- Não, não precisa. É perto, é sério. Eu prefiro ir andando.
- Quer tomar um banho ao menos?

Eu queria, mas não. Vesti minha roupa dei um beijo nele e foi embora. Mentira! Sorri um sorriso safado demais pra um velho como eu, nos beijamos e fomos tomar banho juntos. Depois do banho a gente falou pouco. Ele sentou em frente ao computador e ficou lendo o facebook e roendo unhas. Eu me vesti, dei um beijo nele, ele sorriu e eu fui embora.

Na metade desse texto ele me mandou um SMS. Segue: “ :) ”

Dá fuck esse guri quer?
No caminho de lá pra cá as pessoas me olhavam de maneira estranha, como se tivessem me achando bonito ou soubessem que eu tinha acabado de fazer um sexo massa. Eu não entendi nada. Mas o que é mais misterioso pra mim é: Como um moleque de 17 anos, lindo, riquinho, com motorista, de colégio católico iria se interessar por um velho barrigudo e ranzinza como eu? Talvez tenha sido minha nova bengala.

Ou não.

Uma quinta feira qualquer na vida de uma pessoa aleatória como eu.




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