Pra que tanto telefonema se o homem inventou o avião?
Eu apago mensagens do meu celular, é uma coisa que faço
sempre já que não sou muito de receber sms’s porque eu nunca tenho credito pra
responder mesmo. Eu recebi uma mensagem do menino e nem vi antes de apagar. Diz
ele que a mensagem dizia: “Você mexeu no meu celular?” E todo mundo sabe que eu
mexi, inclusive ele, porque eu deixei um beijinho nos rascunhos da mensagem
dele. E só agora eu saquei que ele pode ter achado que li as mensagens dele. Ele
pode ter ficado com raiva de mim. Não ficou! Ele achou bonito o beijinho, foi o
que ele disse na segunda mensagem. Essa eu li. Eu nunca respondo as mensagens
dele porque eu não tenho credito mesmo. Mentira! Gosto de bancar o difícil! Mentira!
Eu tenho medo mesmo. Eu não quero que essa relação da gente avance pra outro nível
mais estranho do que o que já estamos. Eu digo isso porque a ultima vez que
estivemos juntos, deitados de toalha na cama, foi bem intenso. Não estou
dizendo que senti alguma coisa fora paudurancia, mas um pau duro é sempre o
começo do maior dos seus problemas. Então ele me mandou uma mensagem ontem me
perguntando se eu não iria aparecer na escola, mas como eu disse, nem sempre
vou nos mesmos dias pra mesma escola. Pra evitar a desconfiança de que ele ficaria
com raiva de mim eu respondi a mensagem dele por whatzapp o que abriu uma nova
porta da cabeça dele. É engraçado como o ser humano pensa: Se ele pode me
responder por whatzapp eu posso ligar pra ele. Foi o que ele fez. Me ligou. E
como eu sou bem idiota o celular tocou e no visor apareceu uma foto dele só de
cueca em frente ao espelho. Eu não atendi da primeira vez, estava rindo demais
das merdas que faço quando estou com tedio. Mentira! Medo de falar mesmo,
talvez vergonha... Eu não atendi a segunda vez, porque eu tinha que fazer
aquele velho teste “Se ele ligar a terceira vez eu atendo”. Ele ligou a terceira
vez e eu não atendi. Dai ele me mandou uma mensagem dizendo “Velho, me atenda.”
E uma carinha assim: “=s”. Não
resistindo a emoticons, como eu sempre faço eu liguei pra ele, a cobrar e ele
me retornou.
- Ei.
- Oi. Ei. Desculpe, eu estava no banheiro, por isso não
atendi.
- Coisa feia.
Eu nunca descrevi a voz dele pra vocês. Ele tem uma voz
estranhamente grossa e com uma rouquidão quase que forçada. Quando perguntei
pra ele se ele estava rouco ele disse que não, que falava assim porque falava
pouco. E eu entendi porque ele falava pouco. Ele é um desses garotos que calado
você não consegue descobri nada sobre ele, mas que quando começa a falar você
sabe que é gay. Bom, não é que fique obvio quando ele abre a boca, mas depois
de um tempo você começa a notar a delicadeza em sua rouquidão, principalmente se
essa voz esta te chamando para fazer sexo em sua casa, enfim...
- Eu odeio escrever mensagens nesses celulares estranho. Ai decidi
ligar, tem problema?
- Eu odeio falar ao telefone, velho.
- Quer que eu desligue então?
- É melhor.
- Beijos, então.
- Beijos.
MENTIRA!
- Decidi ligar, tem problema?
- Não não. Sem problema, só não atendi de primeira porque
estava no banheiro.
- Então, você não vem pra cá essa semana?
- Acho que não, em? Muita coisa pra fazer na outra escola.
- Que chato. Muita coisa mesmo? Tipo cansativas?
- Nem tanto, sabe? Mas tenho que estar lá pra ver algumas
coisas acontecerem. Pra dizer que to lá enquanto as coisas estão acontecendo,
sabe?
- Ei, mas você pode ir lá em casa ainda, sabe? Mesmo que a
gente não se encontre aqui. Muito chato perguntar por você pras secretarias
aqui, eu fique com vergonha.
- Vergonha? Você? Você não parece ter vergonha. Bom, parece,
mas, sei lá, não tem.
- Eu tenho vergonha quando acho que as pessoas estão
fofocando sobre mim. Falar em fofoca, você mexeu no meu celular.
- Mexi. Roubei logo umas fotos.
- Eu sabia. A pasta estava aberta lá do nada. Como foi que
você achou aquilo? Quem mandou?
- Você não ficou com raiva, né? Você disse...
- Não, mas o que você vai fazer com essas fotos?
- Nada, só achei bonito decidi guardar pra lembrança.
- Tinha umas melhores em outra pasta mais escondida.
- Serio?
Eu não sei porque, mas sabia que tinha fotos dele pelado naquele
celular, eu podia sentir, mas não achei nem uma, só as de cueca na frente do
espelho.
- Você tem foto pelado nesse celular, não tem?
- Não sei. Tenho?
- Absurdo você. Eu teria achado.
- Teria?
- Affe. Pare, me deixa curioso.
- Venha pra cá, Ravi. Eu deixo você procurar direitinho.
- Hoje eu não posso, velho. Não mesmo.
- Ravi, meus pais vão voltar pra casa na sexta, eu acho. A gente
pode não se encontrar outra vez. Ei, posso te chamar de Vih?
- Definitivamente não.
- Por quê?
- Porque não! Eu posso te chamar de Jô?
- Pode, se quiser.
- Não. Deixa esse lance de apelidos pra lá. Me fala das
fotos.
- Ah, vai dizer que você não tem foto de gente nua no seu
celular?
- É o que mais tenho, na verdade, mas nem uma sua.
- E nem vai ter. Alguma sua?
- Algumas.
- Olha só...
- O que? Como se você fosse querer essas fotos.
- E por que não?
- Ah, sei lá. Olhe só pra mim e olhe só pra você.
- Eu não vou discutir sobre seu corpo. Perda de tempo.
Primeira vez que alguém me corta quando vou me diminuir pelo
meu corpo. Geralmente eu digo: “Minha barriga está muito grande e meu pau esta
muito pequeno.” E as pessoas querendo levantar meu humor dizem depois: “Sua
barriga nem esta tão grande.” Dessa vez ele nem me deixou falar nada e nós não
falamos mais nisso.
- Que fotos você pegou, velho?
- Peguei uma de você com uma cueca preta na frente do
espelho baixando a cueca. Era a mais saliente daquela pasta.
- Era? Eu não gosto dessa foto. To com cara de cu. A mais
saliente que acho é a que to de sunga vermelha na cama do quarto.
- Eu quase pego essa. Juro.
- (Risos)
- Por que você acha saliente essa?
- Bom... Porque eu estava... excitado?
- Tava? E eu não percebi isso...
- Como não? Morro de vergonha dessa foto. Qual mais.
- Uma que você ta de cuequinha azul, tipo box.
- Onde?
- Deixe eu ver... Num quarto todo bagunçado. Não é o seu.
- É na casa do meu pai. Quarto do meu irmão. Eu durmo lá quando
vou pra lá.
- Eu achava que seu pai morava com você.
- Não, só minha mãe e meu padrasto. Meu pai é gay, mora com
o namorado
- OI? Você nunca me disse isso. Como é o nome dele? Eu posso
ter pego seu pai já.
- Duvido. Ele não gosta de moleque.
- Eu não sou moleque, acredite.
- Pra ele é. Voltando a foto. Essa é minha cueca favorita,
to usando ela agora.
- Minha também.
- oi?
- Não. (Risos) Eu quis dizer que essa é a foto que mais
gosto.
- É? Por quê?
- Suas bochechas rosadinhas.
- Ridículo. Idiota. Mais alguma?
- Só mais uma. Você de cueca com a mão segurando o saco.
- (Risos) Sei qual é. Ridícula.
- Nem é. Pera, você ta usando a cueca da foto agora?
- Sim. A da outra foto na casa do meu pai.
- Gente.
- Que foi?
- Pera, minhas primas chegaram aqui pedindo ajuda com as
compras.
MENTIRA!
Me deu tesão e eu quis ir me masturbar no banheiro. E foi o que
fui fazer, eu e meu celular. Eu sou uma criança eu sei.
- Falo como você depois, certo, jô?
- Viu, vih.
- Não... Não... Esquece. Beijos.
- Beijos.
Ele desligou eu fui pro banheiro ter 13 anos outra vez. Antes
de começar ele me mandou uma mensagem com: “ =* ”, e eu fiquei todo “Own” e
pensei “Eu não devia me masturbar pensando num cara tão fofo”, mas o fiz mesmo
assim.
Fim.
E essa é a cueca favorita dele com o selo Douglas Adams de
aprovação.
Arrocha Tchê!

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