Eu não sei que porra que teve naquele dia, se é que teve alguma porra. Eu não lembro como aconteceu, só percebi que estava acontecendo. Nunca, nunca tinha passado pela minha cabeça que... enfim. Eu estava sentando... Deitado no sofá, vendo TV. Ele na rede, quase dormindo. Velho, a gente não estava se falando direito, não sei por que ao certo. Coisa de alguma menina que ele era afim, sei lá. Eu de saco cheio de ouvir, namorando com outra que ele se quer gostava. Naquele dia a gente simplesmente se falou pouco. Ele ficou na rede um tempão do caralho, mexendo no computador, rindo sozinho e eu com a tv ligada achando tudo um puta de um tedio. Dai ele me levanta do nada e vai até a cozinha. Eu já achava ele bonito, velho. Acho a cor da pele dele uma coisa de outro mundo e tinha traços tão peculiares. Fora que era alto, meio alto, mais alto que eu e tinha umas pernas bonitas. Ele usando o caralho do short Carla Perez, que é um short que a gente apelidou assim porque fica meio apertado em todo mundo. Na moral. Pela primeira vez olhei pra ele com olhos de: CARAAAAAALHO. Ele foi até a cozinha pegar agua e perguntou: Quer coca? Eu levantei de surdo que era e dei uns dois passos em direção a porta da cozinha e fiz: Quê? Do nada estamos em pé, um na frente do outro, sem camisa ele de Carla Perez e eu de Moletom. Não se que caralho foi que deu a gente começou a se beijar. Uma pegação bruta do caralho! Ninguém entendeu o que tava acontecendo ali. Ninguém tava entendendo porra nem uma. Eu não lembro de ter pensado nada a não ser : Se eu largar desse beijo o clima vai ficar bem estranho. Ele deve ter pensado exatamente a mesma coisa, por que, qualquer coisa que a gente fizesse a gente fazia sem parar de se beijar. Medo do caralho eu tava por que tinha mais gente em casa. Eu lembro que a gente foi pro quarto. Carla Perez voou longe e meu moletom ficou no caralho do caminho da cozinha até o quarto. Eu deitei ele na cama e ele com a maior cara de cu: Eu nunca fiz nada com nem um cara antes. E eu comecei a chupar ele antes que pudesse começar a conversar sobre qualquer coisa. Eu gosto de falar, mas tem coisas que eu gosto mais de fazer. Ele tava fazendo muito barulho, filho da puta, me dava raiva. Ele quis me chupar e eu não deixei. Deitei pra um lado. Queria parar. E ele veio com: E agora a gente faz o que? Eu ia falar, mas preferi beijar mais ele. Tava pronto pra ir embora já, mas ele enlouqueceu. Sexo é coisa de gente doida possuída. Disso pra frente foi só uma coisa. Sexo! Ele me comeu e eu não tava mais nem ai pra nada. Quando ele acabou eu fui no banheiro e tomei meu banho de culpa. Sai, entrei no quarto, vesti meu jeans, coloquei minha camisa e ele disse: A gente não devia ter feio isso. Pior coisa do mundo é homem quando goza. Calcei meu tênis, coloquei a mochila nas costas e tentei sair.
- Vai pra onde.
- Casa?!
- Pq?
- Pq eu não to afim de ficar aqui escutando você dizer o quanto a gente não devia ter feito isso.
- Mas, doido...
- Eu quis ter feito isso hoje. Eu queria ter feito isso a muito tempo atrás.
- Mas e Talita?
- Meu cu, viu.
Ele levantou e me deu um beijo. Tentou ser o pior romântico que poderia existir.
- E se eu quiser que você fique?
- Ai é problema seu.
- Serio, Ravi, fique.
- Não, vei... Que que eu ganho com isso? Nada. Pra vocês é só sexo, pra mim é outra merda pior. Falou.
- Falou.
Me deu outro beijo, me escreveu uma carta e nunca mais!
Ravi Aynore
Arrocha Tchê!

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