segunda-feira, 27 de maio de 2013

Descobri, enfim.

Ultimamente eu tenho escrito aqui nesse blog desejos suicidas, o que é bastante normal para um blog. E não são desejos, são apenas pensamentos. Desejos suicidas eu só vim sentir mesmo hoje. Eu já tinha essa ideia de que ia me matar quando a vida chegasse a um ponto em que o futuro não seria mais interessante. Quando você vê todas as possibilidades do que pode se tornar e nem uma lhe agrada, como se manter vivo? É muito absurdo.
Eu nunca entendi a cabeça de um suicida direito, para mim não fazia o menor sentido. Mas depois que namorei uma cara que tinha certa fixação por isso e depois que meu primo se matou com uma corda no pescoço o pensamento foi se reformulando em minha cabeça, não que isso tenha me influenciado, mas me fez querer entender o que se passava na cabeça dessas pessoas. Ai sim, ao compreender um pouco do universo suicida foi que as ideias começaram a me influenciar de verdade. Então eu decidi que vou mesmo me matar. Não hoje, não agora, não amanhã... Eu não sei quando e quase não sei por que. Mas posso tentar explicar. Todas as coisas que conquistei pra mim significam nada, minha vida esta estagnada e eu parei de pensar grande por achar que sou pequeno. Eu sei que não sou, eu sei que tenho capacidade de ser incrivelmente gigante, mas essa capacidade de nada serve porque ela não é usada.  E não é uma coisa que se um dia eu aprender a usar... Não. Eu simplesmente não irei usa-la jamais. Sou incapaz de usa-la e isso já esta estabelecido. Por quê? Porque eu deixei de tentar e só por isso. Eu deixei de tentar porque eu cansei e porque não vejo mais proposito. Eu simplesmente não vejo mais proposito em nada. Tentar o que ou pra que? Veja a vida agora e se imagine daqui a vinte anos fazendo exatamente a mesma coisa miserável. Quem não pensaria em se terminar? Esperança de que as coisas mudem é para os fortes ou bobos, eu não sou nem um dos dois. Eu não tenho o futuro brilhante que achei que teria e nem fiz as coisas que eu queria fazer e nem vou fazer. E por que não faz agora? Pra isso se precisa de um potencial que eu não tenho mais ou que não vou usar. O cenário mais provável do meu futuro é um velho sozinho e extremamente magoado que vai descontar as pancadas do tempo e toda a frustração nos únicos contatos que ainda tem e em crianças. Porque não sai da minha cabeça que eu vou envelhecer pra me tornar um velho pedófilo descuidado que vai ser facilmente descoberto pela policia. Isso porque eu vou realmente acreditar que eu e tal criança estaremos apaixonados de verdade. Eu vou crescer para ser mais burro e ignorante do que já sou. E foi isso que entendi no meu primo. Que futuro ele tinha? Eu não consigo imaginar, talvez nem ele. Talvez ele tenha imaginado um futuro caótico como eu imagino o meu agora. Pra que viver pra ver isso? Foi o que ele pensou. Já eu, quero evitar que o ser toxico que vou me tornar contamine a vida de pessoas inocentes. Ainda há tempo de mudar. Não há. Eu já sou esse ser toxico há muito tempo e já tenho destruído vidas por ai. Eu achei que se eu pudesse ajudar as pessoas então me tornaria menos toxico e mais acessível. Mentira. A gente tropeça, a gente cai e não há nem uma lição nisso. Uma queda é só uma queda, não te torna especial, inteligente, ou melhor. Você cai, todo mundo cai. Levanta quem tiver paciência pra cair outra vez lá na frente, eu não tenho mais paciência. O melhor do mundo é que ele não liga se você levanta ou não. Uma vez que você cai e não levanta, o mundo faz questão de se certificar de que, mesmo você no chão, volte a cair.  E tem gente ainda que acredita em deus. Deus é uma criança com uma lente de aumento. Eu aqui pensando em morrer, achando que não tem mais nada nesse planeta pra usufruir, nada que valha a pena e deus matando meu cachorro aos pouco com uma doença filha de uma puta. Eu devia estar morrendo, sofrendo as consequências dos meus atos, dos meus roubos, dos meus planos e pensamentos. Eu que sou o toxico e não o meu cachorro. E por que é ele que esta morrendo e eu não? Por que ele tem que ser sacrificado e eu ficar recebendo segundas chances o tempo todo. Eu já mandei meu potencial à merda, agora eu quero a vida do meu cachorro em troca da minha. Porque aquele animal trás mais alegria do que uma reunião de amigos. Talvez seja uma lição a morte do seu cachorro, Ravi. Talvez seja só a maldade do mundo. Desse deus cu, desses espíritos idiotas que se quer existem, mas a gente insiste em sua existência pra ter quem culpar de nossas incapacidades, desse universo cu que não tem absolutamente nada pra me oferecer. Porque tudo que a gente pode ter é humano, e tudo que é humano e toxico. E que especei de deus sádico é esse que usa o sacrifício de uma criatura inocente para ensinar uma lição a um humano que ser quer tem capacidade de acessar o seu potencial pra se tornar uma pessoa melhor. Universo, eu não valho a pena. Desista de mim porque eu já tomei minha decisão e já desisti de você.
Vou me matar. Prometi pra mim mesmo que se fosse o fazer ia contar para meus pais primeiro. Apenas que decidi que vou me matar. Não direi quando ou como. Não poderia dizer quando, porque realmente não faço ideia de quando vai acontecer. Pode ser amanhã, podia ter sido hoje e pode ser daqui a 40 anos, quando eles já estarão mortos. E não direi como porque isso não é uma coisa que se diga, mas eu vou falar pra vocês como farei. Vai ser um dia qualquer. Um dia simples e inesperado. Eu vou voltar pra casa, essa ou qualquer outra, qualquer lugar onde casa seja, vou colocar umas musicas tristes e vou me trancar no banheiro por horas. Eu, as musicas, o chuveiro ligado e só. Eu não me importo se vai ter gente em casa ou não, não me importo de eles vão perguntar se eu estou demorando ou não, eles podem até me tirar de lá com vida, mas, a não ser que alguma experiência quase morte me mostre alguma coisa maravilhosa, eu voltarei a tentar mais tarde. Um dia eu vou conseguir. Chama “gêmeos” quando você corta os dois pulsos ao mesmo tempo. É do jeito que vou fazer. Eu pensei em outras maneiras, como enforcamento, mas meu primo já fez essa. Pensei em pular de algum lugar, mas nem um lugar é muito poético pra me jogar aqui e é bem trash esse treco de você se esbagaçar no chão. Arma é complicado, barulhento e sujo. E eu ainda teria que roubar o revolver de alguém ou do lugar onde trabalho. Então vai ser “gêmeos” mesmo. Sentado no chão do banheiro, com uma musica, eu ainda não decidi se estarei sob efeito de alguma substancia, eu prefiro estar sóbrio, mas talvez não tenha coragem, chuveiro aberto que impede que a ferida se feche e já deixa o banheiro meio limpo.  E assim vai ser. Eu não vou terminar as coisas que comecei, mesmo que permaneça vivo por muito tempo. Eu não terminarei a historia em quadrinho chamada “Quase Gente” que estou escrevendo agora. Não terminei e nem terminaria “Acampamento Shamanico” e nem “Angelus” que comecei há muito tempo atrás. Todos os livros e filmes que desenhei na minha cabeça nunca serão escritos. “O pior lugar pra acabar” nunca será filmado e “Hambúrgueres Espaciais” nunca será publicado. Ninguém nunca vai ler meu livro de poesias, e nem os meus contos. Eu não casarei, não terei filhos, não morarei em uma casa com um jardim bonito. Eu não vou ser feliz e nem vou ver o final da minha serie favorita “Doctor Who”. Eu não vou ao casamento dos meus amigos e não serei padrinho dos filhos deles. Eu nunca vou gravar um CD e nunca vou fazer um show só de musicas minhas. Eu não vou dar palestras, não vou morar no exterior, nem vou ser produtor de uma serie britânica. Não serei um ator conhecido, não terei feito papeis na globo e nem terei gravado nem um longa metragem. Meu único filme vai ser o “Romalone”, que nunca vai passar em lugar algum. Meu único feito vai ser o “Grávidos” que nem é tão conhecido pra que alguém diga: O cara do Grávidos se matou. Eu serei lembrado, mas logo esquecido. As pessoas vão seguir com suas vidas, menos minha mãe que não terá em que se agarrar. Eu poderia viver por ela, mas nem ela esta fazendo isso, por que eu o faria? Eu não sei o que vai acontecer com ela depois. Eu tento não pensar nisso. Eu não realizarei grandes sonhos como o de cantar em um musical e ser host de alguma premiação. Todas essas coisas não aconteceriam nem que eu estivesse vivo. E ai eu pergunto outra vez: Por que permanecer? Não existe o porquê, só existe a inercia e a tola e tão desejada esperança.
Essa não é minha carta suicida oficial, mas é uma delas explicando bem mais do que a que  ainda vai ser escrita e deixada na pia do banheiro onde vai acontecer.


Não é o fim ainda.  

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Quinta de boas. - O telefone chama e é como se eu tivesse ouvido uma boa piada.



Pra que tanto telefonema se o homem inventou o avião?


Eu apago mensagens do meu celular, é uma coisa que faço sempre já que não sou muito de receber sms’s porque eu nunca tenho credito pra responder mesmo. Eu recebi uma mensagem do menino e nem vi antes de apagar. Diz ele que a mensagem dizia: “Você mexeu no meu celular?” E todo mundo sabe que eu mexi, inclusive ele, porque eu deixei um beijinho nos rascunhos da mensagem dele. E só agora eu saquei que ele pode ter achado que li as mensagens dele. Ele pode ter ficado com raiva de mim. Não ficou! Ele achou bonito o beijinho, foi o que ele disse na segunda mensagem. Essa eu li. Eu nunca respondo as mensagens dele porque eu não tenho credito mesmo. Mentira! Gosto de bancar o difícil! Mentira! Eu tenho medo mesmo. Eu não quero que essa relação da gente avance pra outro nível mais estranho do que o que já estamos. Eu digo isso porque a ultima vez que estivemos juntos, deitados de toalha na cama, foi bem intenso. Não estou dizendo que senti alguma coisa fora paudurancia, mas um pau duro é sempre o começo do maior dos seus problemas. Então ele me mandou uma mensagem ontem me perguntando se eu não iria aparecer na escola, mas como eu disse, nem sempre vou nos mesmos dias pra mesma escola. Pra evitar a desconfiança de que ele ficaria com raiva de mim eu respondi a mensagem dele por whatzapp o que abriu uma nova porta da cabeça dele. É engraçado como o ser humano pensa: Se ele pode me responder por whatzapp eu posso ligar pra ele. Foi o que ele fez. Me ligou. E como eu sou bem idiota o celular tocou e no visor apareceu uma foto dele só de cueca em frente ao espelho. Eu não atendi da primeira vez, estava rindo demais das merdas que faço quando estou com tedio. Mentira! Medo de falar mesmo, talvez vergonha... Eu não atendi a segunda vez, porque eu tinha que fazer aquele velho teste “Se ele ligar a terceira vez eu atendo”. Ele ligou a terceira vez e eu não atendi. Dai ele me mandou uma mensagem dizendo “Velho, me atenda.” E uma carinha assim: “=s”.  Não resistindo a emoticons, como eu sempre faço eu liguei pra ele, a cobrar e ele me retornou.
- Ei.
- Oi. Ei. Desculpe, eu estava no banheiro, por isso não atendi.
- Coisa feia.
Eu nunca descrevi a voz dele pra vocês. Ele tem uma voz estranhamente grossa e com uma rouquidão quase que forçada. Quando perguntei pra ele se ele estava rouco ele disse que não, que falava assim porque falava pouco. E eu entendi porque ele falava pouco. Ele é um desses garotos que calado você não consegue descobri nada sobre ele, mas que quando começa a falar você sabe que é gay. Bom, não é que fique obvio quando ele abre a boca, mas depois de um tempo você começa a notar a delicadeza em sua rouquidão, principalmente se essa voz esta te chamando para fazer sexo em sua casa, enfim...
- Eu odeio escrever mensagens nesses celulares estranho. Ai decidi ligar, tem problema?
- Eu odeio falar ao telefone, velho.
- Quer que eu desligue então?
- É melhor.
- Beijos, então.
- Beijos.

MENTIRA!

- Decidi ligar, tem problema?
- Não não. Sem problema, só não atendi de primeira porque estava no banheiro.
- Então, você não vem pra cá essa semana?
- Acho que não, em? Muita coisa pra fazer na outra escola.
- Que chato. Muita coisa mesmo? Tipo cansativas?
- Nem tanto, sabe? Mas tenho que estar lá pra ver algumas coisas acontecerem. Pra dizer que to lá enquanto as coisas estão acontecendo, sabe?
- Ei, mas você pode ir lá em casa ainda, sabe? Mesmo que a gente não se encontre aqui. Muito chato perguntar por você pras secretarias aqui, eu fique com vergonha.
- Vergonha? Você? Você não parece ter vergonha. Bom, parece, mas, sei lá, não tem.
- Eu tenho vergonha quando acho que as pessoas estão fofocando sobre mim. Falar em fofoca, você mexeu no meu celular.
- Mexi. Roubei logo umas fotos.
- Eu sabia. A pasta estava aberta lá do nada. Como foi que você achou aquilo? Quem mandou?
- Você não ficou com raiva, né? Você disse...
- Não, mas o que você vai fazer com essas fotos?
- Nada, só achei bonito decidi guardar pra lembrança.
- Tinha umas melhores em outra pasta mais escondida.
- Serio?
Eu não sei porque, mas sabia que tinha fotos dele pelado naquele celular, eu podia sentir, mas não achei nem uma, só as de cueca na frente do espelho.
- Você tem foto pelado nesse celular, não tem?
- Não sei. Tenho?
- Absurdo você. Eu teria achado.
- Teria?
- Affe. Pare, me deixa curioso.
- Venha pra cá, Ravi. Eu deixo você procurar direitinho.
- Hoje eu não posso, velho. Não mesmo.
- Ravi, meus pais vão voltar pra casa na sexta, eu acho. A gente pode não se encontrar outra vez. Ei, posso te chamar de Vih?
- Definitivamente não.
- Por quê?
- Porque não! Eu posso te chamar de Jô?
- Pode, se quiser.
- Não. Deixa esse lance de apelidos pra lá. Me fala das fotos.
- Ah, vai dizer que você não tem foto de gente nua no seu celular?
- É o que mais tenho, na verdade, mas nem uma sua.
- E nem vai ter. Alguma sua?
- Algumas.
- Olha só...
- O que? Como se você fosse querer essas fotos.
- E por que não?
- Ah, sei lá. Olhe só pra mim e olhe só pra você.
- Eu não vou discutir sobre seu corpo. Perda de tempo.

Primeira vez que alguém me corta quando vou me diminuir pelo meu corpo. Geralmente eu digo: “Minha barriga está muito grande e meu pau esta muito pequeno.” E as pessoas querendo levantar meu humor dizem depois: “Sua barriga nem esta tão grande.” Dessa vez ele nem me deixou falar nada e nós não falamos mais nisso.

- Que fotos você pegou, velho?
- Peguei uma de você com uma cueca preta na frente do espelho baixando a cueca. Era a mais saliente daquela pasta.
- Era? Eu não gosto dessa foto. To com cara de cu. A mais saliente que acho é a que to de sunga vermelha na cama do quarto.
- Eu quase pego essa. Juro.
- (Risos)
- Por que você acha saliente essa?
- Bom... Porque eu estava... excitado?
- Tava? E eu não percebi isso...
- Como não? Morro de vergonha dessa foto. Qual mais.
- Uma que você ta de cuequinha azul, tipo box.
- Onde?
- Deixe eu ver... Num quarto todo bagunçado. Não é o seu.
- É na casa do meu pai. Quarto do meu irmão. Eu durmo lá quando vou pra lá.
- Eu achava que seu pai morava com você.
- Não, só minha mãe e meu padrasto. Meu pai é gay, mora com o namorado
- OI? Você nunca me disse isso. Como é o nome dele? Eu posso ter pego seu pai já.
- Duvido. Ele não gosta de moleque.
- Eu não sou moleque, acredite.
- Pra ele é. Voltando a foto. Essa é minha cueca favorita, to usando ela agora.
- Minha também.
- oi?
- Não. (Risos) Eu quis dizer que essa é a foto que mais gosto.
- É? Por quê?
- Suas bochechas rosadinhas.
- Ridículo. Idiota. Mais alguma?
- Só mais uma. Você de cueca com a mão segurando o saco.
- (Risos) Sei qual é. Ridícula.
- Nem é. Pera, você ta usando a cueca da foto agora?
- Sim. A da outra foto na casa do meu pai.
- Gente.
- Que foi?
- Pera, minhas primas chegaram aqui pedindo ajuda com as compras.

MENTIRA!
Me deu tesão e eu quis ir me masturbar no banheiro. E foi o que fui fazer, eu e meu celular. Eu sou uma criança eu sei.
- Falo como você depois, certo, jô?
- Viu, vih.
- Não... Não... Esquece. Beijos.
- Beijos.

Ele desligou eu fui pro banheiro ter 13 anos outra vez. Antes de começar ele me mandou uma mensagem com: “ =* ”, e eu fiquei todo “Own” e pensei “Eu não devia me masturbar pensando num cara tão fofo”, mas o fiz mesmo assim.

Fim.

E essa é a cueca favorita dele com o selo Douglas Adams de aprovação.


Arrocha Tchê!

terça-feira, 14 de maio de 2013

Crediteos Finais.


Eu queria escrever alguma coisa. E por que não escrever alguma coisa? Eu sou um dos maiores incentivadores quando alguém chega pra mim e diz que quer escrever e não consegue. Eu sempre digo : - “Sente e escreva. Não pense. Apenas sente-se e escreva.” Mas eu mesmo deixo de fazer isso as vezes. Estava aqui, de frente para o computador com uma incrível vontade de escrever e pensando que não tinha nada sobre o que falar.  Incrível um ser humano que ache que não tem sobre o que falar. Decidi seguir meu conselho, sentar e escrever. Mas sobre o que? Sobre o show “How i Met your mother” e com o ele me faz sentir mínimo. É uma serie sobre relacionamento entre amigos e relacionamentos amorosos, e ela promete tudo que é mais bacana nessa vida, mas é exatamente tudo que não existe (ao menos pra mim). Todos os meus amigos estão distantes, se não em uma distancia física, em uma distancia temporal ou uma distancia diferente. Amigos vão morar longe em outros bairros, cidades, países desde que eu me entendo por gente. E eu me acostumei com os comes and goes das pessoas. Mas é diferente. Quando vejo How i met your mother eu vejo que não seria impossível cultivar velhos amigos na sua nova vida, amigos do passado que estão com você até hoje, pessoas com quem você cresceu junto. Eu tenho esse amigo. Oscar. Eu poderia ter muito mais, mas tomei todas as decisões erradas com o grupo de amigos com quem cresci. Tive decisões erradas com Oscar também, mas esse dai resistiu, e eu acredito que resistirá muito mais tempo, mesmo sabendo que essa minha crença possa acabar com todos os meus sonhos um dia. Os outros amigos, os amigos de agora... Os conheci quando já estava grande, e por mais forte que seja nosso laço, é muito mais fácil se criar uma distancia. Porque a gente já sabe como é a vida sem ter um ao outro, a gente já viu acontecer. E eu vou acumulando partidas. Jonta, por mais que volte, acho difícil que a gente ainda pisque na mesma frequência. Jéssica, não se engane, tem um futuro muito mais legal longe daqui. Luth vai virar sua irmã, vai passar muito tempo fora, se relacionar com milhões de outras pessoas e vai voltar, vez em quando, achanado que nada mudou e que ainda temos muito em comum, quando na verdade isso também já vai ter passado. Eu não acho que Big vá a lugar algum, eu não acho que vamos nos afastar mais do que estamos hoje ou que um dia ela deixará de ser minha amiga, mas eu sei que em um determinado momento nos vamos estar tão diferentes que nossos encontros constantes serão reduzidos a duas ou três vezes no ano. E ai, ainda tenho minha irmã, que é quem eu acho que vai me segurar no futuro em quem eu desmorono. Todas as outras pessoas são novas demais, ou foram novas de mais, ou serão novas demais.  Pessoas novas demais passam muito rápido. Elas tem sua importância, mas elas não ficam, elas vão e vem e muitas vezes elas não te esquecem porque vocês vivem em uma cidade pequena. Eu não sei como fazer amigos mais. Eu não tenho mais interesse de conhecer uma pessoa nova ou coragem de deixar que pessoas novas se aproximem de mim. As vezes eu tento um pouquinho, mas qualquer problemática no caminho já me desvia completamente do objetivo. Como esse carinha com quem eu estava trocando “cartinhas”. Eu tinha um amigo em potencial ali,  alguém com quem eu sabia que a gente poderia construir uma boa amizade baseada em coisas que tínhamos em comum. Éramos parecidos, ele era mais novo, um pouco tão triste quanto eu. Eu achei que poderia ajudar com minha experiência em tristeza e que fazendo isso eu estaria me ajudando também, mas isso foi só até ele descobrir quem eu sou e nunca mais me responder. Esses são os obstáculos no meio do caminho que me fazem querer parar, desistir. Eu tive um problema financeiro esse mês e eu achei uma puta de uma palhaçada, porque gastei mais de 700 reais e não consigo dizer o que foi que eu comprei pra mim com esse dinheiro. Eu estava e ainda estou vivendo no nível mais básico de todos pra não ter que enfrentar grandes problemas, pra não que desistir das poucas coisas que ainda faço nessa vida, mas memo no nível básico merdas acontecem. Eu acho isso um absurdo. Eu só quero ser deixado em paz, fazer minhas pequenas coisas e passar despercebido pela vida, mas acho que é tarde demais. Por ser Ravi Aynore eu sou mais do que um simples passante. Sou um desses que passar e deixa alguma coisa marcada, boa ou ruim, e a vida já me percebeu de alguma maneira. Se você pudesse deixar de ser Ravi Aynore então, para ser outra pessoa despercebida pela vida, você o faria? Todo mundo sabe que minha resposta é sempre não para essa questão, mas hoje seria sim. Hoje eu deixaria de ser quem sou por uma vida mais tranquila. Se ao menos eu pudesse encontrar a paz assim. Mas sou Ravi e por ser Ravi hoje não tenho nem uma expectativa. O que eu quero fazer? Nada! O que eu gosto? Nada! O que eu odeio? Nada O que estou fazendo? Nada! A única coisa que continuo fazendo é mentir. Sou bom em mentir e não vou parar. Do mesmo jeito que não vou parar de pegar coisas emprestada, por que a vida parece estar querendo me ensinar alguma coisa, mas eu estou tentando ensinar uma coisa pra ela também: Pare de perder seu tempo comigo e se concentre em outra pessoa que lhe consiga resultados melhores, porque eu não vou render, não porque eu não possa, mas porque eu não quero. Eu gostaria de casar. Eu sonho em casar e ter filhos. Já falei milhões de vezes da casa com muitas janelas, muita luz e um jardim, mas como isso é possível se eu saio nas ruas e encontro com cem mil pessoas e nem uma delas me interessa, nem uma delas representa pra mim uma possibilidade de futuro? Por mais, ontem pensei no meu outro ponto fraco, um que faz de mim parte da completa escoria da humanidade. Eu não sei em que classe essa situação se encaixa. Não sei se é uma condição, uma doença, uma neura, um carma ou um demônio. Hoje eu ainda tenho meus desejos impuros sob controle. Hoje consigo dizer que não é um desejo é  apenas uma admiração, o que já é suficientemente doentio, mas se eu crescer e ficar mais amargo do que eu devia e se eu perder meu controle e me enganar achando que é natural? Eu não acho que seja natural. Eu não quero crescer e me transformar em um pedófilo escroto, que sem noção possa fazer um mal qualquer à uma criança. Eu não vou me permitir chegar a isso. Mesmo com todas as pessoas me dizendo que isso iria mudar desde os meus 16 anos, esse é um dos meus maiores medos, crescer sozinho como estou agora e me transformar em um monstro sem consciência. E é assim que vou morrer, quando me ver desejando o que não devo e quando eu vou me jogar do lugar mais propicio a mortes de pessoas que a vida não conseguiu ensinar. Eu queria um marido, um filho, uma casa com muitas janelas, luz e jardim, mas me afastando das pessoas, como faço hoje em dia, só me vejo futuramente como o velho pedófilo a beira de um precipício com medo de machucar algum inocente. Eu me vejo andando para esse fim por não ter outro lugar pra ir, por olhar pra cem mil pessoas e não enxergar nem uma possibilidade de relacionamento, por andar pelas ruas e não me permitir fazer amigos, por ser grande e ainda assim permanecer fazendo coisas pequenas pra não ter que enfrentar problemas maiores. Eu me vejo andando direto para o fim da esperança e não posso fazer nada, porque pareço não querer fazer nada, porque eu já estou perdido, porque meus sonhos eram muito maiores que minha capacidade, porque eu quero que se acabe logo, porque pessoas parem de me responder quando descobrem que sou eu, porque tomei todas decisões erradas quando ainda andava com meu velho grupo de amigos, porque eu já machuquei uma criança inocente uma vez, porque eu deixei algumas pessoas se afastarem de mim e as outras simplesmente foram, porque a vida é esse comes and goes de pessoas que passam pela minha vida e me transforam completamente, porque quando eu amo alguém é pra sempre, porque eu nunca esqueço, porque meu pai sumiu por um tempo na minha  vida e eu nunca disse que isso fazia uma diferença, porque eu tenho medo que ele suma outra vez, porque minha mãe é insegura e parece ser a única coisa que ela me ensinou direito, porque minha família é estupida e preconceituosa e eu não faço nada pra mudar isso, porque sou miserável no amor e no jogo, na guerra e no trabalho, na cama, na cozinha, na vida, porque eu nunca realmente pedi desculpas para as pessoas que eu magoei. Eu não vou me matar, não agora, mas eu vou um dia, e viver sabendo que você já desistiu e que esta só esperando o fim é como parar inteira no cinema e só chegar na hora dos casts finais. E tudo isso por que eu queria escrever e dizer pra Jonta que eu o amo e que sinto falta dele.

sábado, 11 de maio de 2013

Quintas na minha - Dia da Toalha.



O dia da toalha.

Você sabe, esses cursos de inglês, né? São aula duas vezes na semana. Então se eu o vi quinta feira o próximo dia que o viria outra vez seria na terça, certo? Certo mas errado. Se o universo fizesse mesmo qualquer sentido e quisesse me livrar dos problemas corriqueiros eu o teria visto somente na terça ou nem isso. Que tal pensar que seria bacana passar uns três meses sem encontrar com ele, mas o universo... Ah, o universo. Era sexta-feira, um dia que supostamente não deveria ter aula na escola, eram quase quatro horas e eu estava na minha como se fosse uma quinta-feira. Eu ouvi um barulho de chuva forte e pensei o quanto seria bacana esta dormindo em casa. Dez minutos depois ouvi três batidas na porta de vidro da minha sala. Olha, as vezes não basta estar na sua, as vezes você precisar sair correndo pro mais longe possível, mas eu não fiz isso. Lá estava ele completamente molhado, usando a farda do colégio e um casaco de moletom. Ele acenou pra mim sorrindo e eu meio sério bati continência para ele. Nada sexual nessa frase anterior. Ele entrou.

- O que você esta fazendo aqui, velho? – Perguntei.
- Vim te ver.

Gelei como as pernas da velha gorda lá fora andando contra o vento forte da chuva. A única reação que tive foi dizer: - Meu cu. - Ele sorriu.

- Sério. O que você tá fazendo aqui.
- Eu vim ter aula de reposição, pow. Você vai tá aqui quando eu sair?
- Não sei, que horas você sai?
- Umas seis, por ai.
- Vou estar aqui.
- Quer uma carona?

Eu olhei serio pra ele, com cara de “eu não vou cair nessa outra vez”. Ele fez o Justin Bieber no cabelo, espinou agua em mim e sorriu.

- Velho, eu vou aceitar essa carona, viu. Vou voltar pra casa nessa chuva não.
- Massa. Deixe eu ir na aula, já já eu desço.
- Beleza.

Eu queria que ele tivesse ido só me ver, já que ele já estava lá, mas se eu pudesse evitar, eu não queria que ele tivesse nem ido por motivo algum. Essa uma hora que se passou foi de pura tenção. Eu tirei uma foto dele na sala de aula com o meu celular, ele sequer notou. Perto de seis, como ele disse, eu já estava arrumando minhas coisas pra ir quando ele desceu.
- Nessa? – Disse ele. – Taxi já está ai.
- Taxi? Que aconteceu com Clessio?
- Dia de folga.
- Só...
- Vamos.
- Vamos.

No taxi foi a mesma ladainha que no carro dele da ultima vez. Falar sobre coisas aleatórias até chegar certo ponto do caminho e ele me convidar outra vez pra ir na casa dele.

- Então, vamos lá pra casa?
- Nem rola hoje, velho. Tenho tanta coisa pra fazer.
- Eu não da pra fazer depois não?
- Velho, até dá, mas eu vou me atrasar.
- Eu não vou ficar implorando não. Vai lá pra casa ou não?
- Ah, vamos, vai. Qualquer coisa eu to com o pc aqui eu dou uma adiantada nas coisas que tenho que fazer.

Quem que eu queria enganar, né? Mas eu estava com o cu na mão. Não perguntei pelos pais dele, não perguntei por nada, simplesmente aceitei ir e... Pra falar a verdade eu estava muito afim de foder com ele outra vez. Enfim, casa dele. A gente ainda pegou chuva da portaria até o prédio dele, pouco tempo, mas muita chuva. Estávamos os dois encharcados no elevador. Eu entrei na casa dele, ele ligou o ar-condicionado e eu, automaticamente, comecei a tossir. Ele pegou duas toalhas e jogou uma pra mim. Eu enxuguei minha cabeça e braços e ele fez essa coisa estupidamente comum que eu acho ridiculamente sexy. Sacodiu os cabelos molhados e deu pulinhos com a cabeça quase deitada no ombro como se tivesse entrado agua em seu ouvido.
- Vou tomar banho rapidão – disse ele.
- Não, espere.

Eu o agarrei pelos bolsos do casaco de moletom o puxei pra perto de mim e o beijei. Ele me beijou de volta com a mão no meu rosto, desse jeito estranho que eles fazem em novelas. Como foi da primeira vez ele começou a tirar a roupa rapidamente como se não pudesse esperar pra fazer aquilo outra vez. Antes de dizer que a gente fez sexo coladinho outra vez no chão da sala eu tenho que contar que ele estava usando sunga. Eu, particularmente, acho sunga uma coisa extremamente nojenta. Enfim, fizemos sexo coladinho no chão da sala. A única diferença do sexo romântico que a gente teve da ultima vez, é que dessa vez ele quis gozar diferente. Não, eu não vou entrar em detalhes, mas nada muito anormal e nem foi na minha cara ou minha boca ou cabelos ou qualquer coisa que iria transformar a historia num pornôzão. Molhados, suados, com frio, no chão frio. Da hora que a gente começou a fazer sexo até a hora que terminamos eu já estava muito gripado.

- Ei, você quer ir tomando banho enquanto eu arrumo isso aqui?
- Pode ser.

A sala estava mesmo um caos.

- Você quer que eu espere você?
- Não. Vai na frente e eu arrumo isso aqui.

Ok, fui tomar banho. Quando sair do banheiro ele disse que minhas roupas estavam pra secar atrás da geladeira, que era pra eu ficar de toalha esperando secar. Entrou no banheiro do quarto dele e disse que eu podia ficar à-vontade . E eu fiquei . deitei de toalha na cama e fiquei lembrando do sexo satisfeito.  Ele estava demorando no banheiro, então comecei a bisbilhotar seu celular e achei tantas fotos legais. Tinha uma pasta escondia de fotos dele, sem camisa, na frente do espelho. Tinha também algumas fotos dele em competições de natação o que me deixou mais tranquilo em relação a sunga. Eu salvei algumas fotos dele no meu celular, me senti estupidamente stalker, mas fazer o que, eu não resisti. Ele saiu do banheiro e eu deixei o celular de lado. Ele veio se enxugando na toalha e eu admirando a naturalidade em que as pessoas saem nuas do banheiro. Eu teria vergonha, mesmo depois do sexo. A razão da demorar, ao que me parece, é porque ele estava se depilando. Ele não tinha tantos pelos assim, na verdade ele era bem lisinho, mas acho que... Sei lá o que eu acho. Foi estranho independente do que eu ache. Ele se enrolou na toalha e deitou comigo. A gente ficou trocando carinho e conversando sobre a aula, a chuva e natação. A gente transou outra vez, mas dessa vez foi um sexo mais paradão, desse que a gente faz antes de pegar no sono. Foi o que aconteceu logo depois. Eu acordei as oito da manhã de sábado com meu chefe me ligando, me perguntando onde eu estava. Eu tive que acorda-lo pra me despedir. Ele riu porque nos ainda estávamos enrolados nas toalhas. Ele disse:
- Esse foi o dia da toalha.
Eu disse pra ele que o dia da toalha era dia 25 de maio e que era uma coisa completamente diferente do que a gente tinha feito ali. Ele sorriu um sorriso de sono, provavelmente não entendendo minha referencia nerd.




E essa é uma das fotos que roubei do celular dele. A cara é do Douglas Adams, inventor do  real dia da toalha. 


Arrocha Tchê. 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

The Time Traveling Ghost.


Quintas na Minha.

O fantasma que viajou no tempo.

* Essa historia é completamente fictícia.

Minha mãe faleceu em um quinta-feira. Eu ainda era jovem, tinha lá meus trinta e poucos anos. Eu não aceitei muito bem, não mesmo. No mesmo dia, pouco antes do velório eu expulsei todas as pessoas de casa e recusei todos os planos do meu pai para o futuro. Não fui vela-la na mesma hora que as pessoas e joguei meu celular privada a baixo. Eu estava triste, obvio. Mas estava pensando na praticidade das coisas, em como eu poderia resolve-las de maneira simples e objetiva. Me mudar para casa de um amigo por algum tempo, organizar a casa e prepara-la para aluguel. Eu não iria morar lá, nem as outras pessoas. Eu não pensei que eu devia resolver o problema das pessoas enquanto a achar um lugar para elas ficarem. Eu estava resolvendo os meus problemas, eles deveriam estar resolvendo os deles. Depois do apartamento alugado eu poderia alugar um lugar para mim e sair da casa do meu amigo e seguir com a vida. Feito. Tinha um dinheiro sobrando, eu me comprei um terno enquanto as pessoas velavam minha mãe. Pedi para os rapazes da funerária que encerrassem o velório em um determinado momento da noite, para que eu pudesse passar a madrugada a sós com a minha mãe. Odeio a ideia de enterrar as pessoas, sinto sufocante. Não acredito que a carne podre do corpo humano adube um solo mais fértil ou contribua para a natureza de alguma maneira. Acredito que a energia dos momentos vividos é que alimenta o universo, principalmente a energia dos momentos que foram perdidos com a prematura morte de um ser. O que podia ter sido é mais forte do que o que já foi. De terno alinhando, sentei ao lado da minha mãe na funerária e chorei. A solidão me permite o direito de liberdade de reação. Eu não preciso reagir da maneira que as pessoas esperam que eu reaja, ou choca-las com qualquer outra ação. Chorei como queria chorar, como uma criança perdida. Em toda a minha vida eu sempre tive alguém pra conversar, alguém que não estava realmente lá, mas eu a sentia. Esses alguéns eram meus amigos invisíveis que existiram em todos os momentos da minha vida. Lembro-me de detalhes simples e de como eles sempre estiveram lá pra mim. Eu sempre fui uma criança muito solitária. Primeiro porque todas as pessoas que viviam comigo sempre davam um jeito de ir embora. Meu pai deixou a casa muito cedo, minha madrinha também foi morar longe na minha infância, todas as empregadas que tínhamos foram dispensadas por falta de condições de mantê-las, amigos viajavam, pessoas iam e vinham, mas ainda assim eu sempre estava brincando. Tchoco era o nome desse amigo imaginários que brincava comigo quando eu era criança. E a gente se divertia horrores. Sempre correndo, sempre conspirando, sempre inventando planos mirabolantes de fazer as coisas. Um pouco mais velho e mais louco Tchoco virou Thiago. Thiago tinha que te ser próprio espaço no carro, no sofá, e eu não tinha medo de falar dele ou com ele na frente das pessoas. Thostin durou muito mais e foi bem mais intenso. Como era estranho alguém quem 12 – 13 anos ter um amigo invisível, Thostin se tornou eu e eu me tornei ele. Thostin assinava minhas provas, se declarava para as meninas que eu gostava, aprendeu inglês por mim, me ajudava a fazer coisas que eu tinha medo de fazer. Thostin era minha coragem. Mais velho eu briguei com Thostin e ele deixou de ser eu. Isso por causa de uma garota, lógico. Nós tínhamos opiniões diferentes sobre ela. Mas Thostin nunca me deixou. Na rua, sozinho, as vezes falo em inglês e é com ele que estou conversando, é pra ele que estou pedindo conselhos e instruções e foi assim até o dia em que me contaram que minha mãe não teria resistido ao que a atingiu tão forte. Meus amigos imaginários estavam comigo em momentos impares na minha vida. Quando eu caí e cortei minha testa, eu estava perto de alguém que poderia me ajudar. Quando bati minha cabeça em um sofá de pedra, foi em um consultório medico. Quando eu ia cair de cara no chão e dei meu primeiro mortal pra evitar a queda, em todos os pulos e superações nas minhas brincadeira, quando ia caindo da arvore e consegui segurar em uma corda que ninguém sabia que estava lá, quando fiz rapel e quase morri escorregando em uma pedra, um galho me segurou impedindo que eu batesse a cabeça em outra pedra, e quando eu olhei ao redor era o único galho por perto. Sempre estiveram lá para me proteger as pessoas que supostamente não deveriam existir. E foi nessas coisas que pensei sentado ao lado do corpo da minha mãe. Me senti bem por estar livre pra pensar em mim mesmo naquele momento. Foi bom estar sozinho, mas ao menos tempo eu me senti vazio pela falta dos meus amigos.

Fez-se clarão na sala e eu senti uma coisa forte, muito forte mesmo. Eu não sou religioso, mas acredito nos espíritos. Não dessa forma dependente que as pessoas gostam de acreditar. Acredito em energias e que elas são centralizadas no universo e não nos seres humanos. Uma dessas energias estava em pé atrás de mim. Eu não a via, estava de costas, mas sentia com maior certeza de que lá estava ela, minha mãe. Eu não quis virar, não quis olha-la, tive medo que a energia se desprendesse do momento com a minha pretensão. Não olhei. Juntei as mãos uma na outra, apertei meus dedos com força tentando conter a tremedeira da emoção, juntei algumas palavras no cérebro, mas antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, ela me respondeu.
- Oi, filho.
O ar tornou-se o mais puro de respirar, e eu pude enfim falar.
- É você mesmo, mãe?
- Sou.

Eu só pude sorrir.

- Mas... O que você...
- Eu não sei o que sou. Sou uma ideia, um pensamento, uma vontade.
- Energia.
- Pode ser.
- Você está bem?
- Eu não estou nada. Não sentimos mais... coisas.
- Deve ser chato.
- Eu não sinto que é chato. Eu me sinto tranquila. Confiante. Como se pudesse fazer qualquer coisa.
- Eu acho que eu desrespeitei algumas pessoas hoje, mãe. Me desculpe.
- Bobagem. Com o tempo as pessoas vão entendendo e perdoando.
- O que é isso? Você? Um fantasma? Um espirito? O que vai acontecer com você?
- É uma espécie de passagem de uma coisa à outra.
- Você sabe o que vai acontecer?
- Sei. Sou sabedoria agora.
- Você sempre foi. Mãe... Eu nunca tive a oportunidade de dizer que te amo uma ultima vez.
- Isso não é verdade.
- Posso te ver? Eu quero te ver.
- Pode.
- Promete que você não vai sumir? Promete que não vai ser só uma coisa da minha cabeça?
- Não.

Então eu virei. E olhei para um nada luminoso. Não havia forma, cor ou qualquer outra coisa que me fizesse identificar a minha mãe naquela luz, mas eu podia senti-la. Eu tinha completa certeza de que ela estava lá. Meus olhos não podiam ver, mas meu corpo sentia um abraço. Um abraço de verdade.
- Eu tenho que voltar logo.
- Voltar? Pra onde? Não vá.
- Voltar atrás.
- Eu não entendo.
- O que você vê?

E foi ai que eu notei aquela forma de luz não era só minha mãe. Eram todos os meus amigos invisíveis, todos aqueles que sempre passaram todas as coisas ao meu lado. Então tudo fez sentido. O mais absurdo sentido. “Voltar atrás”... Ela estava falando sobre o passado. Viagem no tempo é um dos meus temas favoritos em ficção cientifica e minha mãe é uma viajante do tempo, ao menos o seu fantasma. Ela transportou sua energia para o passado para que pudesse ficar ao meu lado para que eu não me sentisse sozinho. Minha mãe foi o Tchoco, o Thiago e o Thostin. Foi ela que me protegeu de todos aqueles acidentes, ela era minhas cordas e meus galhos. Minha mãe viajou no tempo e se tornou minha coragem. O fantasma que viajou no tempo.
- Você...
- É filho. É. E eu devo voltar agora. Esta quase na hora de te ver crescer outra vez.
- Obrigado por tudo.
- Não... Você é que é o maior dos meus orgulhos. E eu que agradeço pela oportunidade de te ver brilhar outra vez, desde o seu começo. Eu te amo, filho.
- Eu te amo, mãe.

E ela se foi. O quarto voltou a ser escuro e o ar voltou a ser pesado. Minha mãe tinha me deixado pela ultima vez, para que pudesse ficar comigo outra vez, em um tempo diferente pra me ajudar a criar forças pra chegar até aqui, nesse exato momento, e enfrentar essa situação. Ela me preparou pra isso. Ela se foi e eu me vi, pela primeira vez em minha vida, realmente sozinho. 

terça-feira, 7 de maio de 2013

Quintas na minha.




Aqui não é Paris.

Estava no trabalho, na minha. Às vezes eu tenho que fazer isso de ir em uma sala dar um recado ou outro, mas eu estava na minha, tranquilo. Tinha um moleque bonito em uma dessas salas, mas nem dei bola. O cumprimentei como fiz com todo mundo, nada passou pela minha cabeça. Lá pras tantas ele passa pela minha sala e me dá um olá. Eu retribui o olá. Eu sou mal educado, mas não com garotos bonitos. A coisa estranha: Ele estava de farda de colégio. Vinte minutos depois ele entra na sala.

Ele: - E ai.
Eu: - E ai, mano.
(Eu não vou ficar indicando quem falou o que, se virem.)
Ele: - Então, você trabalha aqui o que... todo dia?
- É. Tipo isso. Lá e cá.
- Eu não te vejo sempre. Só quando ta pra ter alguma coisa.
- É que sou eu o responsável por essas coisas que estão pra ter.
- Ah, só. Massa.
- É.
- E você fica aqui de que horas a que horas?

Eu pensei: Ou esse moleque ta jogando conversa fora, ou ele é desses estranhos que gostam de conversar aleatoriamente.
- De oito às oito, vei.
- Sóóó. E você mora onde?
- É o que vei? (Risos) Tá querendo carona é?
- (Risos) Não não. Eu to de carro. Era só pra trocar ideia.
- Ouxes. (Risos) Ce ta de carro? E você pode dirigir? Que idade você tem?
- Não. Motorista vem pegar.
- Motorista? Quem é você doido? Motorista? Ouxes.
- Eu não posso dirigir, vei. Ai tem um motorista.
- Motorista? Velho, essa conversa ta ficando muito aleatória. Se ligue, eu tenho que terminar aqui de escrever esses bilhetes...
- Beleza. Que acha da gente ir lá em casa quando sair daqui?
- É O QUE? (risos). Mano, pare de ser doido, vei.
- O que foi? Eu te chamei pra ir lá em casa só.

Ok. Eu não tive como impedir isso, mas a essa altura da conversa minha cabeça já estava cheia de imagens sexuais do menino. Ah, e como ele era lindo. Loiro, de cabelo liso, acho até que rolava uma franja em algum lugar por ali. Inferno total na minha cabeça. Ele estava nervoso, mas tava se segurando e eu ainda não tinha entendido o porquê. Ai é que vem a noia que me mata: Eu saquei que ele estava nervoso porque ele estava de bigodinho suado. PAH! Morte cerebral minha.

- É sério isso é?
- De ir na minha casa?
- É?!
- É.
- Doido. Que sua casa, mano. Eu nem te conheço. Fazer o que na sua casa?
- Trocar ideia.
- Trocar i... Faz assim, mano. Deixa eu terminar essa parada aqui que eu to liberado. Ai a gente vai ali fora e troca uma ideia. Beleza?
- Ta massa.

Ele saiu e eu fingi que tava escrevendo alguma coisa. E na verdade eu estava escrevendo isso aqui. Fui no banheiro, lavei meu rosto e tentei relaxar. Nada, mas nada mesmo, estava fazendo qualquer sentido naquele momento. Pulando pra parte que encontro com ele do lado de fora.

- E ai, cadê esse motorista? (risos)
- Já ta vindo. Ce vai?
- Não. Não mesmo.
- Ouxes. E Não?
- Não, velho. Não... Doido, não me leve a mal, mas eu não te conheço, nem sei seu nome e “vama la em casa trocar ideia” parece que você ta me chamando pra fazer sexo.
- Sexo. É.

Sabe como gente loirinha fica quando ta com vergonha, né? Lá mizeria.
- Sexo, vei? Você tem o que...17?
- 17. Isso.
- E eu vou sair por ai com um moleque de 17 que eu nunca vi na vida pra “trocar uma ideia” na casa dele?
- Eu só chamei, você não precisa ir se não quiser.

Eu senti que eu fui meio rude com ele nessa hora, mas eu tava tão aleatório quanto o resto do dia.

- Você achou que eu ia entrar num carro com você assim do nada?
- Achei. E nem foi do nada. Eu te chamei e talz.
- Mano, isso aqui não é Paris. Eu ir pra sua casa assim do nada é errado.
- Não tem nada de errado. Você quer uma coisa, você tenta conseguir essa coisa. É assim que o mundo funciona.

Nós conversamos sobre mais coisas e como o mundo realmente funciona, o motorista chegou, ele entrou no carro e se foi. MENTIRA. Eu fui com ele junto com o carro, o motorista e as conversar sobre coisas e mundos.

- Certeza que não tem problema rolar essa carona?
- Não, não mesmo. Clecio lhe deixa em casa. Ele é legal.

Clecio, o motorista, era mesmo legal. Mas eu fiquei completamente desconcertado. Eu tava gostando da conversa, por isso entrei no carro, mas falei que aceitava uma carona até em casa e só.
Eu – (Cochichando) Ele sabe que você é...?
Ele – (no mesmo volume de uma conversa normal) – Eu sei lá o que ele sabe.
- Eu seus pais?
- Viajando. Eles não sabem não.
- E você leva sempre gente pra sua casa?
- Ce vai lá pra casa.

Eu nem disse nada, velho. E ele sorriu.

- Clecio, pode ir direto lá pra casa.


Teve uma hora que ele falou sobre não gostar de perder tempo e bla bla bla, mas eu não estava prestando muita atenção porque eu meio que tava viajando nos lábios dele. Eu tenho 25, eu não posso deixar que moleques de 17 me impressionem assim.
Chegamos na casa dele. Foi o silencio mais constrangedor no elevador. Desejei que ele morasse uns 12 andares a menos. Entramos e ele me levou logo pro seu quarto, larguei minha bolsa em qualquer canto e sentei na cama como se fossemos velhos amigos e aquele ali fosse um lugar super comum para mim. Não era, acredite. Ele perguntou se eu queria alguma coisa, agua, suco, sei lá... Bastante educado ele. Eu disse que não. Ele tirou a camisa da farda de um colégio católico e já veio pra cima de mim, na cama, me beijando. Eu não reagi, apenas beijei de volta. Ele sentou no meu colo, puxou minha camisa, tentou desabotoar minha calça, parecia bastante nervoso. Ok, nós fizemos sexo, mas eu vou lhe poupar dos detalhes disso. Bom, quase todos. Um é que nós fizemos sexo de uma maneira bastante estranha. Não estranha de ruim, mas estranha. Porque não foi como os outros sexos casuais que já tive na minha vida, dessa vez foi como se a gente se conhecesse a tempos. Foi como se nos fossemos namoradinhos no ensino médio. Tinha tantos beijos e pegadas com abraços colados, carinhos e mais carinhos, carinhos em lugares estranho... Era aquele sexo colado que, diga-se de passagem, é o meu favorito. Depois que acabamos aquela loucura super estranha ele deitou no meu peito e ficou me fazendo carinho. Na moral, eu já não tava mais ligando pra nada a essa atura até:

- Você quer dormi aqui?
- Não. Não não não não. Nem comece, velho. Por favor.
- Por que? Não foi...
- Não. Serio. Não faça isso. Eu não posso dormi aqui, você sabe. Isso aqui foi uma loucura sem fim, mas pere, calma. Vamos com calma.

Ele viu o nível de preocupação que eu entrei quando ele falou em “dormi aqui”. Menino louco, velho. Mas tá...

- Eu vou pedir pro Clecio te levar em casa então.
- Não, não precisa. É perto, é sério. Eu prefiro ir andando.
- Quer tomar um banho ao menos?

Eu queria, mas não. Vesti minha roupa dei um beijo nele e foi embora. Mentira! Sorri um sorriso safado demais pra um velho como eu, nos beijamos e fomos tomar banho juntos. Depois do banho a gente falou pouco. Ele sentou em frente ao computador e ficou lendo o facebook e roendo unhas. Eu me vesti, dei um beijo nele, ele sorriu e eu fui embora.

Na metade desse texto ele me mandou um SMS. Segue: “ :) ”

Dá fuck esse guri quer?
No caminho de lá pra cá as pessoas me olhavam de maneira estranha, como se tivessem me achando bonito ou soubessem que eu tinha acabado de fazer um sexo massa. Eu não entendi nada. Mas o que é mais misterioso pra mim é: Como um moleque de 17 anos, lindo, riquinho, com motorista, de colégio católico iria se interessar por um velho barrigudo e ranzinza como eu? Talvez tenha sido minha nova bengala.

Ou não.

Uma quinta feira qualquer na vida de uma pessoa aleatória como eu.